Sidarta GautamaGAUTAMA, S. A Doutrina de Buda. Tradução de Jorge Anzai. São Paulo. Martin Claret. 2003. ou Sidarta GáutamaDarmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre/RS. L&PM Editores. 2010. (em sânscrito, सिद्धार्थ गौतम, transliteração IAST Siddhārtha Gautama; em páli, Siddhāttha Gotama), também conhecido como Śākyamuni, Shakyamuni e Sakyamuni ("sábio do clã dos Shakyas"GAUTAMA, S. A Doutrina de Buda. Tradução de Jorge Anzai. São Paulo. Martin Claret. 2003. p. 20.), popular e comumente chamado apenas de Buda ou Buddha (Sct: बुद्ध, Buddha; lit. O Desperto), foi um príncipe de uma região no sul do atual Nepal que, tendo renunciado ao trono, se dedicou à busca da erradicação das causas do sofrimento humano e de todos os seres, e desta forma encontrou um caminho até ao "despertar" ou "iluminação", após o que se tornou mestre ou professor espiritual, fundando o budismo.

Na maioria das tradições budistas, é considerado como o "Supremo Buda" (Sammāsambuddha) de nossa era, Buda significando "o desperto". A época de seu nascimento e a de sua morte são incertas: na sua maioria, os primeiros historiadores do datavam seu tempo de vida por volta de a ; mas recentemente, contudo, num simpósio especializado nesta questão, The Dating of the Historical Buddha: A Review Article a maioria dos estudiosos apresentou opiniões definitivas de datas dentro do intervalo de 20 anos antes ou depois de para a morte do Buda, com outros apoiando datas mais tardias ou mais recentes."Como é agora quase universalmente aceito pelos estudiosos conhecedores de indologia, uma nova análise do material histórico dos primeiros budistas... requer um redefinição da data da morte de Buda para entre 411 e " Paul Dundas, The Jains, 2nd ed., (Routledge, 2001), p. 24.

Gautama é a figura-chave do budismo: os budistas creem que os acontecimentos de sua vida, bem como seus discursos e aconselhamentos monásticos, foram preservados depois de sua morte e repassados para outros povos pelos seus seguidores. Uma variedade de ensinamentos atribuídos a Gautama foram repassados através da tradição oral e, então, escritos cerca de 400 anos após a sua morte. Muitos estudiosos ocidentais aceitam a biografia do Buda apresentada pelas escrituras budistas como verdadeira. Há divergências, porém, como aponta Lopes: "acadêmicos são cada vez mais relutantes em clamar como aptos os fatos históricos dos ensinamentos e da vida do Buda".

Biografias tradicionais As fontes primárias de informações sobre a vida de Sidarta Gautama são os textos budistas. Estes são compostos por uma grande variação de biografias tradicionais, nas quais estão incluídos o Buddhacarita, Lalitavistara Sūtra, Mahāvastu e o Nidānakathā."Fowler, Mark 2005. p. 32">Fowler, Mark. Zen Buddhism: beliefs and practices. Sussex Academic Press. 2005. p. 32 Destes, o Buddhacarita é a biografia completa mais antiga, sendo um poema épico escrito pelo poeta Aśvaghoṣa que data de por volta do começo do "Fowler, Mark 2005. p. 32" O Lalitavistara Sūtra é a segunda biografia mais antiga e a biografia Mahāyāna/Sarvāstivāda data do ."Karetzky, Patricia 2000">Karetzky, Patricia. Early Buddhist Narrative Art. 2000. p. xxi O Mahāvastu, extraído do Mahāsāṃghika Lokottaravāda, é outra grande fonte de biografia, tendo sido composto e incrementado desde o "Karetzky, Patricia 2000" Por último, temos o Nidānakathā, da escola Teravada do Sri Lanca, composto no por Budagosa.Swearer, Donald. Becoming the Buddha. 2004. p. 177

Das fontes canônicas, o Jātaka, o Mahāpadāna Sutta (DN 14) e o Acchariyaabbhuta Sutta (MN 123) incluem registros seletivos que, apesar de serem antigos, não são biografias completas. Os contos de Jātaka registram as vidas prévias de Gautama como um bodhisattva. A primeira dessas coleções pode ser datada entre os textos mais antigos do budismo.Schober, Juliane. Sacred biography in the Buddhist traditions of South and Southeast Asia. Motilal Banarsidass. 2002. p. 20 O Mahāpadāna Sutta e o Acchariyaabbhuta Sutta contam eventos miraculosos que ocorreram durante o nascimento de Gautama, como a descida do bodhisattva de Tuṣita dos céus para o útero de sua mãe.

Os antigos indianos, geralmente, não se preocupavam com cronologias, se focando mais nos aspectos filosóficos. Os textos budistas refletem esta tendência, oferecendo uma concepção mais clara sobre o que Gautama poderia ter ensinado do que as datas dos eventos em sua vida. Estes textos contêm descrições da cultura e do modo de vida da Índia Antiga, corroborados pelas escrituras Jainistas e fazendo, do tempo de Buda, o período mais antigo na Índia Antiga do qual significantes registros existiram.Carrithers, página 15.

Concepção e nascimento thumb|esquerda|Nascimento de Buda em Lumbini, retratada na parede de um templo no Laos Sidarta nasceu em Lumbinī, no atual Nepal, e foi criado no pequeno reino ou principado de Kapilavastu, território atualmente dividido entre Nepal e Índia.Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre/RS. L&PM Editores. 2010. p. 16. Na época do nascimento de Buda, a área estava na fronteira ou além da civilização védica, a cultura dominante no norte da Índia naquele tempo. É mesmo possível que a sua língua materna não fosse uma língua indo-ariana.Richard Gombrich, Theravada Buddhism: A Social History from Ancient Benares to Modern Colombo. Routledge and Kegan Paul, 1988, page 49. Os textos antigos sugerem que Gautama não estava familiarizado com os ensinamentos religiosos dominantes do seu tempo até que partisse em sua busca religiosa, que foi motivada por uma preocupação existencial com a condição humana.Sue Hamilton, Early Buddhism: A New Approach: The I of the Beholder. Routledge 2000, page 47. Naquele tempo, uma multidão de pequenas cidades-estado existiam na Índia Antiga, chamadas Janapadas. Repúblicas e chefias com poder político difuso e limitada estratificação social não eram raros e eram chamados de gana-sangas.Romila Thapar, The Penguin History of Early India: From Origins to AD 1300. Penguin Books, 2002, page 137. A comunidade de Buda não parece ter tido um sistema de castas. Não era uma monarquia e parece ter sido estruturado ou como uma oligarquia ou como uma forma de república.Richard Gombrich, Theravada Buddhism: A Social History from Ancient Benares to Modern Colombo. Routledge and Kegan Paul, 1988, pages 49-50. A forma mais igualitária de governo das gana-sangas, como uma alternativa política aos reinos fortemente hierarquizados, pode ter influenciado o desenvolvimento de shramanas (monges errantes) jainistas e sanghas budistas, enquanto que as monarquias tendiam para o bramanismo védico.Romila Thapar, The Penguin History of Early India: From Origins to AD 1300. Penguin Books, 2002, page 146.

Segundo a biografia tradicional, o pai de Buda foi o rei Suddhodana, líder do clã Shakya, cuja capital era Kapilavastu (Capilvasto), e que foi posteriormente anexado pelo crescente reino de Côssala durante a vida de Buda. Gautama era o nome de família. Sua mãe, rainha Maha Maya (Māyādevī) e esposa de Suddhodana, era uma princesa Koliyan. Como era a tradição shakya, quando sua mãe, a rainha Maya, ficou grávida, ela deixou Kapilvastu e foi para o reino de seu pai para dar à luz. No entanto, ela deu à luz no caminho, em Lumbini, em um jardim debaixo de uma árvore de Shorea robusta. Na noite que Sidarta foi concebido, segundo biografias tradicionais, a rainha Maya sonhou que um elefante branco com seis presas brancas entrou em seu lado direito, e, dez meses mais tarde, Sidarta nasceu. "Siddhartha" (em Pāli: Siddhattha) quer dizer "aquele que atinge seus objetivos". "Gautama" significa "condutor de gado" (gau, gado + tama, condutor). Outro registro relatado nas biografias tradicionais é a de que, durante as celebrações de seu nascimento, o eremita Asita, retornando de uma viagem às montanhas, anunciou que a criança iria se tornar ou um grande rei chakravartin ou um homem santo.Narada (1992). A Manual of Buddhism. Buddha Educational Foundation. p. 9–12.

O dia do nascimento de Buda é celebrado mundialmente, principalmente nos países de tradição teravada, e conhecido como Vesak.Turpie, D. 2001. Wesak And The Re-Creation of Buddhist Tradition. Master's Thesis. Montreal, Quebec: McGill University. (p. 3). Available from: Mcgill.ca. Retrieved 17 November 2006.

Juventude e casamento Sidarta foi educado pela irmã mais nova de sua mãe, Mahapajapati Gotami.Narada (1992), p 14 Por tradição, ele deveria ter sido destinado por nascimento para a vida de um príncipe, e tinha três palácios (por ocupação sazonal) construídos para ele. O seu pai, Śuddhodana, desejando para o seu filho o destino de ser um grande rei e preocupado com extravio do filho desse caminho, segundo relatos biográficos, tentou proteger o filho dos ensinamentos religiosos e do conhecimento do sofrimento humano.

Quando chegou a idade de 16 anos, seu pai arranjou-lhe um casamento com uma prima da mesma idade chamada Yashodhara (Pāli: Yasodhara). Segundo o relato tradicional, ela deu à luz um filho, chamado Rahula. Sidarta teria passado então 29 anos de sua vida como um príncipe em Kapilavastu. Embora seu pai garantisse que Sidarta fosse fornecido com tudo o que ele poderia querer ou precisar, escrituras budistas dizem que o futuro Buda sentiu que a riqueza material não era o objetivo final da vida.

Partida e vida ascética Com a idade de 29 anos, de acordo com as biografias populares, Sidarta saiu de seu palácio para encarar suas inquietações. Apesar dos esforços de seu pai para escondê-lo dos doentes, moribundos e do sofrimento presentes no mundo, Sidarta teria visto um homem velho. Quando um cocheiro do reino, seu amigo, ChandakaGAUTAMA, S. A Doutrina de Buda. São Paulo: Martin Claret, 2003. p.19 explicou para ele que todas as pessoas envelheciam, o príncipe partiu para viagens para mais além do palácio. Nesses encontros, avistou um homem doente, um corpo em decomposição e um asceta. Estas visões o deprimiram e marcaram profundamente e lhe deram motivos para buscar uma superação da doença, da velhice e da morte através do ascetismo.Conze (1959), pp 39-40

Acompanhado por Chandaka e por seu cavalo Kanthaka, Gautama deixou seu palácio para levar a vida de um mendicante. Diz-se que os "cascos do cavalo eram abafados pelos deuses" para impedir que os guardas soubessem de sua partida.Narada (1992), pp15-16 Gautama inicialmente foi para Rajagaha e começou sua vida ascética pedindo esmolas na rua. Tendo sido reconhecido pelos homens do rei Bimbisara, Bimbisara ofereceu-lhe o trono após a audição da busca de Sidarta. Sidarta rejeitou a oferta, mas prometeu visitar o seu reino de Mágada primeiro, depois de alcançar a iluminação.

Ele deixou Rajagaha e praticou sob dois professores eremitas. Depois de dominar os ensinamentos de Alara Kalama (em sânscrito: Arada Kalama), ele foi convidado por Kalama para sucedê-lo. No entanto, Gautama se sentia insatisfeito com a prática e mudou-se para se tornar um estudante de Udaka Ramaputta (em sânscrito: Udraka Rāmaputra). Com ele, ele alcançou altos níveis de consciência meditativa e foi novamente convidado a suceder a seu professor. Mas, mais uma vez, ele não estava satisfeito e mudou-se novamente.Narada (1992), pp19-20

Sidarta e um grupo de cinco companheiros, liderados por Kaundinya, tomaram austeridades ainda maiores nas práticas yogues. Eles tentaram encontrar a iluminação através da privação de bens materiais, incluindo a alimentação, praticando a automortificação. Depois de quase passar fome até a morte, restringindo a sua ingestão de alimentos para cerca de uma folha por dia, ele caiu em um rio durante o banho e quase se afogou. Sidarta começou a reconsiderar seu caminho. Então, lembrou-se de um momento na infância em que tinha estado a observar seu pai a arar o campo. Ele atingiu um estado concentrado, focado, feliz e abençoado: o jhana.

Iluminação