A empatia envolve três componentes: afetivo, cognitivo e reguladores de emoções. O componente afetivo baseia-se em compartilhar, e na compreensão de estados emocionais de outros. O componente cognitivo refere-se à capacidade de deliberar sobre os estados mentais de outras pessoas. A regulação das emoções lida com o grau das respostas empáticas.Eres, R., & Molenberghs, P. (2013). The influence of group membership on the neural correlates involved in empathy. Frontiers in Human Neuroscience, 7(176): 1-6. doi:10.3389/fnhum.2013.00176 A empatia parte da perspectiva referencial que é pessoal a ela, ciente das próprias limitações em acurácia, sem confundir a si mesmo com o outro. Em outras palavras, seria o exercício afetivo e cognitivo de buscar interagir percebendo a situação sendo vivida por outra pessoa (em primeira pessoa do singular), além da própria situação.
O termo alemão Einfühlung foi usado no sentido estético pela primeira vez no início do século XX, pelo psicólogo alemão Theodor Lipps (1851-1914), "para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte". O termo advém do grego EMPATHEIA, formado por EN-, “em”, mais PATHOS, “emoção, sentimento” e Aristóteles usava o termo "em-pathein" no sentido de "animação do inanimado".
Na psicologia e nas neurociências contemporâneas a empatia é uma "espécie de inteligência emocional" e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva — relacionada com a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva — relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.
Pesquisas indicam que a empatia tem uma resposta humana universal, comprovada fisiologicamente. Dessa forma pode ser tomada como causa do comportamento altruísta, uma vez que predispõe o indivíduo a tomar atitudes altruístas.Salvatore M. Aglioti, psicólogo, é professor da Universidade La Sapienza em Roma. Alessio Avenanti é pesquisador da Faculdade de Psicologia da Universidade de Bolonha - tradução de Doris Nátia Cavallari, para a Revista Mente e Cérebro, 179, Editora Duetto (dezembro/2007)..
Pode-se afirmar que empatia tem a ver com "sentir dentro", ou seja, não é somente colocar-se no lugar do outro e sim, sentir o que o outro está sentindo. è complexo demais, pois a natureza humana tende a ser egoísta, mas esforçamo-nos para tornar a sociedade e o lugar em que vivemos, um mundo melhor. Costuma-se dizer que a empatia precede a compaixão, onde nesse sentimento temos muito mais do que sentir o que o outro sente, mas vivenciar as alegrias e dores do outro. Há muito a evoluir para que possamos atingir esse nível.
Conceito O estado de empatia, ou de entendimento empático, consiste em perceber corretamente o marco de referência interno do outro com os significados e componentes emocionais que contém, como se fosse a outra pessoa, em outras palavras, colocar-se no lugar do outro, porém sem perder nunca essa condição de “como se”. A empatia implica, por exemplo, em sentir a dor ou o prazer do outro como ele o sente e perceber suas causas como ele as percebe, porém sem perder nunca de vista que se trata da dor ou do prazer do outro. Se esta condição de “como se” está presente, nos encontramos diante de um caso de identificação e esta só pode acontecer, se o indivíduo tiver vivido experiência semelhante a que está se passando no outro.
A empatia caracteriza-se pela tomada de perspectiva, ausência de julgamento, reconhecimento da emoção nos outros e capacidade de comunicar esse estado emocional.Wiseman, T. (1996). A concept analysis of empathy. J Adv Nurs, 23: 1162-1167.
Empatia não é uma emoção, portanto, não se pode "sentir empatia" - uma formulação encontrada equivocadamente em diversos artigos sobre o assunto. A empatia, em sua definição cognitiva, é uma habilidade socioemocional que 98% dos seres humanos possuem de reconhecer, compreender e reproduzir emoções alheias. É o canal de conexão com o outro, de forma que quando ativado, faz com que se consiga compreender e reproduzir suas emoções como se estas fossem suas, mas não as são. Diferente da compaixão, na qual a pessoa acredita fazer parte daquela dor.
De entre as várias definições da empatia na relação médico-doente temos as seguintes: "O médico compreende o que o doente experimenta porque, momentaneamente, se pode identificar com ele, ou seja, a compreensão do médico não se baseia em algo que passa de 'fora para dentro', como se ele fosse um mero observador, mas sim na sua capacidade de se colocar 'na pele' do doente e de o tentar conhecer melhor, recorrendo ao conhecimento que tem de si próprio." Professor Doutor José Caldas de Almeida, diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
História Na literatura psicológica a palavra inglesa Empathy foi usada em 1909 pelo psicólogo inglês Edward Titchener apropriada do termo alemão Einfühlung cujo uso na estética apareceu em 1903 com psicólogo alemão Theodor Lipps. Na fenomenologia a filósofa e psicóloga alemã Edith Stein em 1916 dissertou em sua tese de doutorado sobre a Empatia, diferenciando-a do termo Simpatia.
O primeiro psicólogo a gravar sessões de psicoterapia para estudo foi Carl Rogers, como assinala Richard Isadore Evans na sua série de entrevistas com os principais autores da psicologia contemporânea e também Irvin D. Yalom – o autor de “Quando Nietzsche Chorou” (2) – ao apresentar a obra desse autor na introdução de “A Way of Being”(3). Entre os resultados das pesquisas científicas sobre empatia (apresentada num capítulo de “A Way of Being”) verificou-se que as observações de juízes neutros, que assistiram às sessões gravadas, coincidem em maior grau com os pacientes que com os próprios terapeutas, sobre o nível de empatia alcançado em cada situação. Em outras palavras, as pesquisas comprovaram que os pacientes tem melhor percepção sobre o quanto (e quando) são compreendidos, do que os seus terapeutas.
O desenvolvimento deste conceito nas ciências psíquicas começou por Karl Jaspers, em sua obra Psicopatologia Geral (em 1913). Nesta obra, propõe que o psiquiatra, ao invés de interpretar, deve “apresentar de maneira viva, analisar em suas inter-relações, delimitar, distinguir do modo mais preciso possível e designar com termos fixos os estados psíquicos que os pacientes realmente vivenciam” (4). Michel Foucault registra que “deve-se a Jaspers o mérito de ter mostrado que a compreensão pode estender-se muito além das fronteiras do normal e que a compreensão intersubjetiva pode atingir o mundo patológico na sua essência” (5).
Modelo da empatia Preston e de Waal (2002) propuseram um modelo neurocientífico da empatia, sugerindo que a observação ou imaginação de outra pessoa num determinado estado emocional ativa automaticamente a representação desse estado no observador, bem como as suas respostas associadas. Esta representação permite que uma pessoa saiba como é que outra se sente num determinado estado emocional.
Exemplos O modelo de Preston e de Waal (2002) é apoiado pelos resultados que alguns estudos obtiveram relativamente à demonstração da presença de respostas neuronais semelhantes em determinadas áreas cerebrais.
Um exemplo é a partilha de respostas neuronais no córtex da ínsula anterior - uma região cerebral envolvida no processamento de várias sensações, nomeadamente o sabor e o nojo - quando as pessoas viram fotografias de caras enojadas e quando elas próprias cheiraram os maus odores; quando se mostraram vídeos de pessoas a provar sabores agradáveis e desagradáveis e quando elas próprias provaram os diferentes sabores.
Outro estudo encontrou uma ativação partilhada nos córtices secundários somatossensoriais, responsáveis pelo processamento do toque, quando indivíduos viam vídeos de pessoas a serem tocadas e quando eles próprios eram tocados.
Um terceiro exemplo é o estudo de Singer and colleagues (2004): utilizando casais, avaliaram a empatia in vivo através da medição da atividade cerebral da companheira enquanto era aplicado um estímulo de dor à sua própria mão ou à mão do companheiro. A companheira conseguia ver quando era aplicada a dor ao companheiro. Os resultados sugerem a ativação de partes da “matriz da dor” (envolvidas no processamento da componente afetiva da dor) – ínsula anterior bilateral, córtex medio-anterior cingulado, tronco cerebral e cerebelo – quando as companheiras experienciavam dor e quando viam que o estímulo da dor estava a ser aplicado ao companheiro, ou seja, havia ativação dos mesmos circuitos. A ativação desta rede também foi detetada em diversas situações: quando indivíduos viram pessoas simpáticas com dores, quando pessoas viam vídeos com partes corporais em situações potencialmente dolorosas ou com expressões faciais de sofrimento ou quando mostravam imagens de mãos a serem picadas por agulhas.
Questões práticas A empatia tem aplicações práticas, além da psicoterapia, nos conflitos nas relações humanas (familiares, sociais, institucionais), tendo papel central no método da Comunicação não-violenta (CNV), de Marshall Rosenberg (6). Essa técnica (usada para resolução de conflitos em situações das mais diversas, em vários países), fez parte dos treinamento para os Círculos Restaurativos na implantação da Justiça Restaurativa (JR) no Brasil (implantação sugerida na resolução 2002/12 do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, quando este faz a recomendação da JR a todos os países), no projeto-piloto da 3ª Vara da Infância e Juventude de Porto Alegre. Voluntários tem sido treinados para prestar amparo emocional a pessoas em situações de crise, valendo-se da empatia, como vem sendo praticado há décadas por instituições internacionais como os Samaritanos Mundiais e no Brasil pelo AMA – Amigos Anônimos e pelo CVV – Centro de Valorização da Vida, que atuam na prevenção do suicídio através da escuta empática. O vínculo empático também se mostra fundamental nas reuniões em grupos, desde a Terapia de Grupo (7) até os grupos de autoajuda, como os Alcoólicos Anónimos e os Narcóticos Anônimos, e os para familiares destes, respectivamente o Al-Anon e Al-a-teen e o Nar-Anon. Outra iniciativa com mais de 30 anos de pesquisa é a Roots of Empathy, uma organização fundada pela educadora canadense Mary Gordon que atua internacionalmente levando bebês às salas de aula para, através da observação de seu comportamento, desenvolver esta habilidade em crianças do ensino fundamental. No Brasil, Carlotas explora a arte e a ludicidade como ferramentas para a prática da empatia em escolas e no mundo corporativo. Estes projetos mostram que a relevância deste assunto tem crescido no Brasil e no mundo, paralelamente às pesquisas que têm sido realizadas para a documentação científica de suas causas e efeitos.
A empatia também tem aspecto prático através do mapa da empatia. A razão de ser de qualquer organização está no público-alvo que ela atende. Seja qual for a denominação utilizada (clientes, usuários ou beneficiários), não há modelo de negócio que sobreviva sem resolver problemas e/ou satisfazer do seu público-alvo.
Não que “olhar com os olhos do cliente” seja o único insumo para montar um modelo de negócio ou que tudo o que for dito pelos clientes deva ser levado ao pé da letra, mas sim quer dizer que um negócio de sucesso precisa de um entendimento profundo dos seus clientes, o que inclui os ambientes pelos quais eles circulam, suas rotinas diárias, suas preocupações e suas aspirações.
O “Mapa de Empatia”, criado pela empresa XPLANE, é uma ferramenta que permite compreender cada segmento de clientes de uma forma visual, estabelecendo hipóteses claras a respeito das necessidades, comportamentos e outros atributos das pessoas e/ou organizações atendidas por um determinado modelo de negócio.
Conceitos científicos em evolução