Lomé é a capital do Togo e a maior cidade do país. A cidade tem cerca de Résultats définitifs du RGPH4 au Togo habitantes (2023) e localiza-se na costa do Golfo da Guiné. Para além de ser a capital administrativa do país, é a capital da Prefeitura do Golfo e do Distrito Autônomo da Grande Lomé (DAGL).
Lomé é o centro administrativo e econômico do país. A aglomeração transfronteiriça, da qual Lomé é o centro, possuía cerca de 2,5 milhões de habitantes em 2020. Lomé foi fundada no pelos jeje-evés e tornou-se capital no século seguinte.
Toponímia Seu nome deriva de Alo(ti)mé ou Alomé, que na língua jeje significa literalmente "nas árvores de alo" ou "dentro das árvores de alo", para designar uma floresta de alos. Alo-ti ou alo, de nome binomial Sorindeia warneckei, é um arbusto da família Anacardiaceae cuja madeira era particularmente abundante em Lomé e no sul do país, muito utilizada para fazer pequenos palitos, tradicionalmente usados como palitos de dente. O alo quase desapareceu da área ao redor de Lomé, ameaçado pela urbanização.
História miniatura|200px|esquerda|Rua Hamburgo, na região portuária de Lomé, em 1903. A cidade foi fundada pelos jeje-evés no início do século XVIII como um pequeno povoado de caçadores e pescadores. Segundo a tradição, um caçador jeje-evé chamado Dzitri foi o primeiro a se estabelecer naquela zona onde abundavam as alos, desencadeando a chegada de outros habitantes e o povoamento do local. A tradição jeje-evé reconhece, portanto, Dzitri como o fundador do sítio de Lomé. Durante a maior parte do século XIX permeneceu como uma localidade diminuta, servindo como zona de passagem para o comércio terrestre de arroz, óleo de palma, fibras e copra. Seu nome inicial era Alomé.
No final do século XIX, as taxas alfandegárias britânicas sobre produtos importados (especialmente álcool e tabaco) eram muito elevadas em toda zona da Costa do Ouro. Os comerciantes marítimos, principalmente jeje-evés e anlo-evés, da área entre Aflao e Keta, no leste da colônia da Costa do Ouro Britânica, que procuravam um local alternativo para descarregar mercadorias fora do alcance dos funcionários da alfândega britânica, naturalmente visavam o local costeiro de Lomé, nas proximidades. Essa dinâmica comercial de burla alfandegária e evasão fiscal favoreceu a expansão de Lomé, quando passou a se tornar uma parada comercial de navegadores alemães e britânicos em tentativa de negociar com caravanas africanas de jeje-evés e anlo-evés. O litoral calmo e pouco habitado de Lomé começou a ser povoado rapidamente. Quem inicialmente organizou a localidade como centro comercial foi o afro-brasileiro Chico Olympio (irmão de Octaviano Olympio), representante da companhia comercial britânica A. and F. Swanzy. Foi Chico inclusive quem alterou o nome para localidade para "Bey Beach" (nome em inglês).
Os chefes jeje-evés da localidade logo foram procurados em 1882 para estabelecer contratos e facilidades comerciais com empresas britânicas e, principalmente, alemãs, bem como por comerciantes itinerantes do interior, como as caravanas hauçás. Muitas pessoas foram atraídas pelo novo polo econômico que Lomé representava. O rápido crescimento da cidade foi impulsionado e Lomé rapidamente ganhou reputação como um lugar onde se faziam bons negócios.
Foram as ameaças dos britânicos presentes na vizinha Costa do Ouro que puseram fim à competição que Lomé provocava pela sua colónia, o que, por sua vez, provocou um apelo à proteção da Alemanha. A Togolândia foi assim criada como uma entidade de direito internacional dentro do império colonial alemão em 5 de julho de 1884, pelo Tratado de Togoville, assinado pelo representante alemão Gustav Nachtigal e pelo Rei dos jeje-evés Mlapa III.
Lomé continuou a prosperar como um centro de importação, tornando-se assim a principal porta de entrada para o norte, cujo principal eixo de circulação era então o vale do rio Volta; foi para acessá-lo que a construção da primeira rodovia do país, ligando Lomé a Kpalimé, foi empreendida a partir de 1892. Foi este importante papel económico que levou a administração alemã a transferir a capital do território para Lomé, uma localidade que já tinha mais de 2.000 habitantes. Assim, Lomé tornou-se a capital da Togolândia em 1897 (quando retomou seu nome original "Lomé").
A partir de 1904, Lomé beneficiou-se da construção de infraestruturas adequadas a um porto, fato que a tornou o único ponto de ancoragem de grandes embarcações no Togo, ofuscando sua rival, Aného, até então muito mais importante. A partir desse desenvolvimento, foi possível implantar uma rede ferroviária: para Aného em 1905, para Kpalimé em 1907 e para Atakpamé em 1909. Todo o "Togo útil" estava agora organizado em torno de Lomé, cuja preponderância na rede urbana togolesa estava definitivamente estabelecida e o crescimento assegurado. A infraestrutura instalada pelos colonizadores alemães consistia em uma agência dos correios em 1890, uma estação telefônica em 1894, uma catedral em 1904, um banco em 1906 e o serviço de telégrafo intercontinental em 1913. Porem, tais serviços foram permitidos somente para a população branca, sendo implementado um sistema discriminatório cada vez mais rígido, que, por fim, expulsou até mesmo os comerciantes africanos das atividades mais lucrativas, ou seja, o comércio ou o negócio de importação e exportação. Criou-se uma política de cercamento de setores econômicos, beneficiando a colonização europeia, empobrecendo e proletarizando as populações africanas.
A 12 de agosto de 1914, durante a Campanha da África Ocidental da Primeira Guerra Mundial, os britânicos cercaram Lomé e grande parte da costa sem enfrentar qualquer resistência alemã. A prosperidade econômica do projeto colonizador alemão até 1914, e sob a Togolândia Francesa até 1960, passou a ser garantido por uma reserva de mão-de-obra barata. Agroindústrias de corte e leite, indústria de fábricação de tijolos e ensacamento de algodão, além do extrativismo do coco properaram graças à condição de porto de exportação de baixo custo.
Os franceses renovaram a infraestrutura deixada pelos alemães, e adicionaram eletrificação em 1926 e abastecimento de água potável em 1940. Na década de 1920, uma política de baixa tributação das atividades portuárias permitiu um rápido crescimento urbano. No entanto, isso significou também uma maior conscientização da classe trabalhadora. Essa nova burguesia de Lomé passou a cobrar das autoridades coloniais francesas maior autonomia, o que motivou a criação do Conselho de Notáveis em 1922 (eletivo a partir de 1925), que deu a Lomé uma vida política notavelmente precoce na África francófona. Líderes africanos da pequena burguesia ascenderam em influência, destacadamente a Octaviano Olympio — um afro-brasileiro filho de pais escravizados no Brasil, e que haviam sido libertos —, que conseguiu prosperar no negócio da extração e exportação de cocos. Formou-se o partido Duawo ("Do Povo"),que se apresentava como representante dos africanos, e que tinha Olympio como figura mais notável. Além disso, em janeiro de 1923, tal conscientização permitiu que ocorresse a primeira grande greve do país, a greve das mulheres de Lomé, contra a prisão de dois líderes Duawo, angariando a libertação dos mesmos. miniatura|200px|esquerda|Monumento da Independência em 2010 Lomé atingiu 15.000 habitantes por volta de 1930. Mas a crise econômica global do início da década de 1930 levou a uma recessão brutal. A crise e a tentativa das autoridades coloniais de impôr impostos sobre os africanos provocou intensos tumultos de janeiro de 1933, que representaram uma grande ruptura política na história do Togo, fomentando o movimento nacionalista.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Togolândia foi vital para o esforço de guerra francês, período que, inclusive, foi importante para superação da estagnação econômica vivida em Lomé durante a década de 1930. O porto de Lomé tornou-se um grande exportador, principalmente de algodão.
A população da cidade cresceu rapidamente na segunda metade do século XX. De apenas 30.000 habitantes em 1950, esse número subiu para 80.000 em 1960, ano da independência do Togo. Uma década depois, em 1970, a população já chegava a 200.000. Em duas décadas, Lomé multiplicou-se por sete.
Os golpes de 1963 e 1967 danificaram bastante a infraestrutura da cidade. Outros episódios que causaram bastante dano às infarestruturas de Lomé foram a série de atentados a bomba de 1985 e a tentativa de golpe de Estado no Togo em 1986.
Em fevereiro de 1975 a então Comunidade Económica Europeia assinou em Lomé um pacto económico com 46 países africanos, caribenhos e do Pacífico, que ficou conhecido como Convenção de Lomé. Outro evento marcante na história da cidade foi o Acordo de Paz de Lomé, assinado em 7 de julho de 1999 entre as partes envolvidas na Guerra Civil de Serra Leoa.
Em 1990 e 1991 os estudantes togoleses realizaram manifestações e greves nas ruas de Lomé contra o regime militar de Gnassingbé Eyadéma. Entre 2005 e 2018, Lomé se tornou o palco de grandes protestos contra o governo de Faure Gnassingbé.
Economia miniatura|200px|esquerda|Porto de Lomé em 2025 Lomé está situada numa zona de livre comércio estabelecida em 1968. Essa característica lhe transformou no centro industrial da nação, abrigando indústrias químicas, alimentícias, têxteis e de materiais de construção.
Na economia logística, o porto de Lomé serve a maioria dos países sem litoral do Sael, especialmente devido aos problemas políticos enfrentados pelos seus vizinhos. Seu porto movimenta, principalmente, cargas de café, cacau, algodão e óleo de palma, grande parte do comércio ligando países vizinhos como Gana, Mali, Níger e Burquina Fasso. O porto de Lomé também abriga uma refinaria de petróleo e, desde 1989, um estaleiro.
Na economia terciária, Lomé é o grande centro do comércio de venda a grosso e de retalhos do Togo. Além disso, abriga uma enorme gama de serviços administrativos, financeiros e de entretenimento, além de um relevante setor turístico e de serviços hoteleiros.
Geografia e política O município de Lomé está situado entre as cidades de Avé e Agoè-Nyivé a norte, as cidades de Zio e Lacs a leste, o Oceano Atlântico a sul e a cidade fronteiriça de Aflao a oeste. Todas as cidades citadas fazem parte da aglomeração transfronteiriça conhecida como Grande Lomé, que, a variar da delimitação, pode englobar de Keta, no Gana, a Avloh Plage, no Benim.
Administrativamente, Lomé está situada na Prefeitura do Golfo, sendo sua sede. A prefeitura de Agoè-Nyivé e a prefeitura de Golfo formam o Distrito Autônomo da Grande Lomé (DAGL), da qual Lomé também é sede. A cidade de Lomé está subdividida em 5 arrondissements agrupando 69 distritos administrativos.
Topografia, clima e mudanças climáticas miniatura|200px|esquerda|Avenida Boulevard du Mono, em Lomé, em 2019 Devido à sua localização no Corredor Togo-Daomé, Lomé possui um clima tropical de savana, apesar de sua latitude próxima a linha do equador. A capital do Togo é relativamente seca, com uma precipitação média anual de 800 a 900 milímetros e uma média de 59 dias de chuva por ano. Apesar disso, a cidade experimenta forte neblina durante a maior parte do ano, proveniente da extensão norte da Corrente de Benguela, e recebe um total de 2.330 horas de sol por ano.
Lomé distingue-se por uma topografia única, influenciada pela sua localização costeira e terreno plano. Situa-se numa planície costeira baixa, atingindo uma altitude média de aproximadamente 10 metros acima do nível do mar. Esta topografia, combinada com uma inclinação suave de apenas 4%, torna a cidade vulnerável a inundações, particularmente durante períodos de chuva intensa. A presença de um lençol freático pouco profundo agrava estes riscos, limitando a drenagem natural das águas superficiais.