O Reino Ptolemaico (grego antigo: Πτολεμαϊκὴ βασιλεία, Ptolemaïkḕ basileía) era um reino helenístico baseado no Egito. Foi governado pela Dinastia Ptolemaica, que começou com a ascensão de Ptolemeu I Sóter (após a morte de Alexandre, o Grande) em 323 a.C., e terminou com a morte de Cleópatra e a conquista romana em 30 a.C.
O Reino Ptolemaico foi fundado em 305 a.C. por Ptolemeu I Sóter, que se declarou Faraó do Egito e criou uma poderosa dinastia grega helenística que governou uma área que ia desde o sul da Síria até a cidade de Cirene e sul do Egito, na região da Núbia.
Foi um período de forte influência grega naquela região. Alguns estudiosos argumentam que o reino foi fundado em 304 a.C. por causa do uso de diferentes calendários naquela época: Ptolemeu coroou-se em 304 a.C. no calendário egípcio antigo, mas em 305 a.C. no antigo calendário macedônio; para resolver a questão, o ano 305/4 foi contado como o primeiro ano do Reino Ptolemaico nos papiros demóticos.
Alexandria tornou-se a capital e um importante centro da cultura e comércio gregos. Para ganhar reconhecimento pela população nativa do Egito, os reis ptolemaicos intitularam-se os sucessores dos faraós. Os posteriores Ptolemeus assumiram tradições egípcias ao se casarem com os seus irmãos, foram retratados em monumentos públicos em estilo e vestuário egípcios e participaram da vida religiosa egípcia. Os Ptolemeus estavam envolvidos em guerras civis e estrangeiras que levaram ao declínio do reino e sua anexação final por Roma. A cultura grega continuou a prosperar no Egito durante os períodos Romano e Bizantino até à conquista muçulmana.
História A era do reinado ptolemaico no Egito é um dos períodos de tempo mais bem documentados da era helenística; uma riqueza de papiros escritos em grego e egípcio da época foram descobertos no Egito.Lewis, Naphtali (1986). Greeks in Ptolemaic Egypt: Case Studies in the Social History of the Hellenistic World. Oxford: Clarendon Press. pp. 5. .
Antecedentes thumb|esquerda|upright=1.0|Ptolemeu como Faraó do Egito - Museu Britânico - Londres. Em 332 a.C., Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, invadiu o Egito governado pelo Império Aquemênida.Department of Ancient Near Eastern Art. "The Achaemenid Persian Empire (550–330 B.C.)". In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000–. http://www.metmuseum.org/toah/hd/acha/hd_acha.htm (Outubro de 2004) Fonte: The Achaemenid Persian Empire (550–330 B.C.) | Thematic Essay | Heilbrunn Timeline of Art History | The Metropolitan Museum of Art Ele visitou Mênfis e viajou para o oráculo de Ámon no Oásis de Siuá. O oráculo declarou que ele era filho de Ámon. Ele conciliou os egípcios pelo respeito que demonstrou pela sua religião, mas nomeou Macedônios para praticamente todos os postos seniores do país e fundou uma nova cidade grega, Alexandria, para ser a nova capital. A riqueza do Egito podia agora ser aproveitada para a conquista de Alexandre do resto do Império Persa. No início de 331 a.C., ele estava pronto para partir e levou as suas tropas para Fenícia. Ele deixou Cleómenes como governante para controlar o Egito em sua ausência. Alexandre nunca voltou ao Egito.
Estabelecimento Após a morte de Alexandre na Babilónia em 323 a.C.,Hemingway, Colette, and Seán Hemingway. "The Rise of Macedonia and the Conquests of Alexander the Great". In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000–. http://www.metmuseum.org/toah/hd/alex/hd_alex.htm (October 2004) Source: The Rise of Macedonia and the Conquests of Alexander the Great | Thematic Essay | Heilbrunn Timeline of Art History | The Metropolitan Museum of Art uma crise de sucessão eclodiu entre os seus generais. Inicialmente, Pérdicas governou o império como regente para o meio-irmão de Alexandre, Arrideu, que se tornou Filipe III da Macedónia, e depois como regente de Filipe III e Alexandre IV da Macedónia filho de Alexandre, que não era nascido na época da morte de seu pai. Pérdicas nomeou Ptolemeu, um dos companheiros mais próximos de Alexandre, para ser governador do Egito. Ptolemeu governou o Egito a partir de 323 a.C., nominalmente em nome dos reis conjuntos Filipe III e Alexandre IV. No entanto, quando o império de Alexandre, o Grande, se desintegrou, Ptolemeu logo se estabeleceu como governante por direito próprio. Ptolemeu defendeu com sucesso o Egito contra uma invasão de Pérdicas em 321 a.C. e consolidou a sua posição no Egito e nas áreas circunvizinhas durante as Guerras dos Diádocos (322–301 a.C.). Em 305 a.C., Ptolemeu conquistou o título de Rei. Como Ptolemeu I Sóter ("Salvador"), ele fundou a Dinastia Ptolemaica que governaria o Egito por quase 300 anos.
Todos os governantes masculinos da dinastia levaram o nome Ptolemeu, enquanto princesas e rainhas preferiam os nomes Cleópatra, Arsinoe e Berenice. Como os reis ptolemaicos adotaram o costume egípcio de casar com as suas irmãs, muitos dos reis governaram conjuntamente com as suas esposas, que também eram da casa real. Esse costume tornou a política ptolemaica confusamente incestuosa, e os Ptolemeus posteriores eram cada vez mais débeis. As únicas rainhas ptolemaicas que governaram oficialmente sozinhas foram Berenice III e Berenice IV. Cleópatra V co-governou, mas foi com outra mulher, Berenice IV. Cleópatra VII oficialmente co-governou com Ptolemeu XIII Téo Filópator, Ptolemeu XIV e Ptolemeu XV, mas efetivamente governou o Egito sozinha.
thumb|upright=1.0|Busto do rei Ptolemeu II Filadelfo 309–246 a.C. Os primeiros Ptolemeus não perturbaram a religião nem os costumes dos Egípcios. Eles construíram magníficos novos templos para os deuses egípcios e logo adotaram a exibição externa dos Faraós da antiguidade. Durante o reinado de Ptolemeu II e III milhares de veteranos Macedónios foram recompensados com concessões de terras agrícolas, e os Macedónios foram colocados em colónias e guarnições ou estabeleceram-se nas aldeias em todo o país. O Alto Egito, mais distante do centro do governo, foi menos afetado, embora Ptolemeu I tenha estabelecido a colónia grega Ptolemaida Hérmia como sua capital. Mas, dentro de um século, a influência grega espalhou-se pelo país e os casamentos mistos produziram uma grande classe educada greco-egípcia. No entanto, os Gregos sempre permaneceram como uma minoria privilegiada no Egito Ptolemaico. Eles viviam sob a lei grega, recebiam educação grega, eram julgados em tribunais gregos e eram cidadãos de cidades gregas.
Ascensão Ptolemeu I
A primeira parte do reinado de Ptolemeu I foi dominada pelas Guerras dos Diádocos entre os vários os vários estados sucessores do império de Alexandre. Seu primeiro objetivo era manter sua posição no Egito de forma segura e, segundo aumentar o seu domínio. Em poucos anos, ele ganhou o controle da Líbia, Celessíria (incluindo a Judeia) e o Chipre. Quando Antígono, governante da Síria, tentou reunir o império de Alexandre, Ptolemeu juntou-se à coalizão contra ele. Em 312 a.C., aliado a Seleuco, o soberano da Babilónia, ele derrotou Demétrio, filho de Antígono, na batalha de Gaza.
Em 311 a.C., uma paz foi concluída entre os combatentes, mas em 309 a.C. a guerra começou novamente, e Ptolemeu ocupou Corinto e outras partes da Grécia, embora tenha perdido o Chipre após uma batalha no mar em 306 a.C. Antígono então tentou invadir o Egito, mas Ptolemeu segurou a fronteira contra ele. Quando a coalizão foi renovada contra Antígono em 302 a.C., Ptolomeu juntou-se a ela, mas nem ele nem o seu exército estavam presentes quando Antígono foi derrotado e morto em Ipso. Em vez disso, ele aproveitou a oportunidade para garantir a Cele-Síria e a Palestina, em violação do acordo que a designou para Seleuco, estabelecendo assim o cenário para as futuras Guerras Sírias. Depois disso, Ptolemeu tentou ficar fora das guerras em terra, mas ele retomou Chipre em 295 a.C..
Sentindo que o reino estava agora seguro, Ptolemeu compartilhou o governo com o seu filho Ptolemeu II da rainha Berenice em 285 a.C. Ele então pode ter dedicado sua aposentadoria a escrever uma história das campanhas de Alexandre - que infelizmente foi perdida, mas foi a principal fonte para o trabalho posterior de Arriano. Ptolemeu I morreu em 283 a.C. com 84 anos de idade. Ele deixou um reino estável e bem governado para seu filho.
Ptolemeu II
Ptolemeu II Filadelfo, que sucedeu seu pai como rei do Egito em 283 a.C.,Ptolemy II Philadelphus [308-246 BC. Mahlon H. Smith. Retrieved 2010-06-13. era um rei pacífico e culto, e nenhum grande guerreiro. Ele não precisava ser, porque seu pai havia deixado o Egito forte e próspero. Três anos de campanha no início de seu reinado (chamada de Primeira Guerra Síria) deixaram Ptolemeu como mestre do Mediterrâneo oriental, controlando as ilhas do Mar Egeu (a Liga Nesiótica) e os distritos costeiros da Cilícia, Panfília, Lícia e Cária. No entanto, alguns desses territórios foram perdidos perto do final do seu reinado, como resultado da Segunda Guerra Síria. Em 270 a.C., Ptolemeu II derrotou o Reino de Cuxe em guerra, conquistando para os Ptolemeus livre acesso ao território Cuxita e controle de importantes áreas de mineração de ouro ao sul do Egito conhecidas como Dodekasoinos. Como resultado, os Ptolemeus estabeleceram estações de caça e portos tão ao sul quanto o Porto Sudão, de onde grupos de busca contendo centenas de homens procuravam por elefantes de guerra. A cultura helenística iria adquirir uma influência importante em Cuxe neste momento.
A primeira esposa de Ptolemeu, Arsínoe I, filha de Lisímaco, era a mãe dos seus filhos legítimos. Depois de seu repúdio, ele seguiu o costume egípcio e casou-se com a sua irmã, Arsínoe II, iniciando uma prática que, embora agradasse à população egípcia, teria sérias consequências em reinos posteriores. O esplendor material e literário da corte Alexandrina estava no auge sob Ptolemeu II. Calímaco, guardião da Biblioteca de Alexandria, Teócrito e uma série de outros poetas, glorificaram a família Ptolemaica. O próprio Ptolemeu estava ansioso por aumentar a biblioteca e patrocinar a pesquisa científica. Ele gastou prodigamente em tornar Alexandria a capital económica, artística e intelectual do mundo helenístico. É às academias e bibliotecas de Alexandria que devemos a preservação de tanto património literário grego.
Ptolemeu III
thumb|upright=1.0|Moeda do rei Ptolemeu III Ptolemeu III Evérgeta ("o benfeitor") sucedeu a seu pai em 246 a.C. Abandonou a política de seus antecessores de se manter fora das guerras dos outros reinos sucessores macedónios e mergulhou na Terceira Guerra Síria com os Selêucidas da Síria, quando sua irmã, a rainha Berenice Sira, e seu filho foram assassinados numa disputa dinástica. Ptolemeu marchou triunfalmente para o coração do reino Selêucida, até à Babilónia, enquanto as suas frotas no mar Egeu fizeram novas conquistas ao norte da Trácia.
Esta vitória marcou o apogeu do poder Ptolemaico. Seleuco II Calínico manteve o seu trono, mas as frotas egípcias controlavam a maior parte das costas da Ásia Menor e da Grécia. Depois desse triunfo, Ptolemeu não mais participou ativamente na guerra, embora apoiasse os inimigos da Macedónia na política Grega. A sua política interna diferia da de seu pai, na medida em que ele patrocinava a religião nativa do Egito de maneira mais liberal: ele deixava traços maiores entre os monumentos egípcios. O seu reinado marca a gradual "egipcianização" dos Ptolemeus.
Declínio thumb|esquerda|upright=1.0|Reino Ptolemaico em 200 a.C thumb|direita|upright=1.0|Anel de Ptolemeu VI Filómetor - Museu do Louvre.
Ptolemeu IV