O Reino do Daomé foi um reino da África Ocidental localizado no atual Benim que existiu de aproximadamente 1600 até 1904. O Daomé se desenvolveu no Planalto de Abomei entre os Fons no início do século XVII e tornou-se uma potência regional no século 18, expandindo-se para o sul para conquistar cidades-chave como Ajudá, pertencentes ao Reino de Ajudá, na costa atlântica, o que lhe garantiu acesso desimpedido ao comércio triangular tricontinental.

Durante grande parte do século XIX, o Reino do Daomé tornou-se um estado regional chave, depois de acabar com o status de tributário do Império de OióHeywood, Linda M.; John K. Thornton (2009). "Kongo and Dahomey, 1660–1815". In Bailyn, Bernard & Patricia L. Denault (ed.). Soundings in Atlantic history: latent structures and intellectual currents, 1500–1830. Cambridge, MA: Harvard University Press.. Visitantes europeus documentaram extensivamente o reino, e ele se tornou uma das nações africanas mais conhecidas pelos europeus. O Reino do Daomé era uma importante potência regional que tinha uma economia doméstica organizada baseada na conquista e no trabalho escravo, comércio internacional significativo e relações diplomáticas com os europeus, uma administração centralizada, sistemas tributários e um exército organizado. Notáveis no reino foram obras de arte significativas, uma unidade militar exclusivamente feminina chamada ahosi por observadores europeus e as elaboradas práticas religiosas de Vodum.

Na década de 1840, o Daomé começou a enfrentar o declínio com a pressão britânica para abolir o comércio de escravos, que incluiu a Marinha Real Britânica impondo um bloqueio naval contra o reino e impondo patrulhas antiescravistas perto de sua costa. O Daomé também foi enfraquecido depois de não conseguir invadir e capturar escravos em Abeocutá, uma cidade-estado iorubá fundada pelos refugiados do Império de Oió que migravam para o sul. O Daomé mais tarde começou a experimentar disputas territoriais com a França que levaram à Primeira Guerra Franco-Daomeana em 1890, resultando na vitória francesa. O reino finalmente caiu em 1894, quando o último rei, Beanzim, foi derrotado pela França na Segunda Guerra Franco-Daomeana, levando o país a ser anexado à África Ocidental Francesa como a colónia do Daomé francês, ganhando posteriormente a independência em 1960 como a República do Daomé, que mais tarde mudaria seu nome para Benim em 1975.

Nome O Reino do Daomé foi conhecido por muitos nomes diferentes e escritos de várias maneiras, incluindo Danxome, Danhome e Fon. O nome fon refere-se ao grupo étnico e linguístico dominante, os fons, das famílias reais do reino e é como o reino se tornou conhecido pelos europeus. Os nomes Daomé, Danxome e Danhome têm uma história de origem semelhante, que a historiadora Edna Bay diz que pode ser uma falsa etimologia.Bay, Edna (1998). Wives of the Leopard: Gender, Politics, and Culture in the Kingdom of Dahomey. University of Virginia Press.

Conta-se que Dacodonu, considerado o segundo rei da lista de reis modernos, recebeu permissão dos chefes Gedevi, os governantes locais, para se estabelecerem no platô de Abomei. Dacodonu solicitou terras adicionais a um chefe proeminente chamado Dã (ou Da), ao qual o chefe respondeu sarcasticamente "Devo abrir minha barriga e construir uma casa para si?" Por esse insulto, Dacodonu matou Dã e começou a construção de seu palácio no local.Monroe, J. Cameron (2011). "In the Belly of Dan: Space, History, and Power in Precolonial Dahomey". Current Anthropology. 52 (6): 769–798. doi:10.1086/662678.

História O Reino do Daomé foi estabelecido por volta de 1600 pelos Fons que haviam se estabelecido recentemente na área (ou possivelmente era o resultado de um casamento entre os povos Aja e o Gedevi). O rei fundador do Daomé é frequentemente considerado Uebajá (c. 1645-1685), que construiu os Palácios Reais de Abomei e começou a invadir e ocupar cidades fora do platô de Abomei.

Período de Agajá (1708–1740) Agajá, neto de Uebajá, subiu ao trono em 1708 e iniciou uma expansão significativa do Reino do Daomé. Essa expansão foi possível pela força militar superior do rei Agajá do Daomé. Em contraste com as regiões vizinhas, o reino empregava um exército permanente profissional, com cerca de dez mil soldados.Harms, Robert (2002). The Diligent. Nova Iorque: Basic Books. p. 172. O que os Daomé não tinham em número, compensavam em disciplina e em armas superiores. Em 1724, Agajá conquistou Aladá, a origem da família real de acordo com a tradição oral, e em 1727 conquistou Ajudá. Essa expansão do tamanho do reino, particularmente ao longo da costa atlântica, e do poderio transformaram o Daomé numa potência regional. O resultado foi quase um estado de guerra permanente com o principal estado regional, o Império de Oió, de 1728 a 1740.Alpern, Stanley B. (1998). "On the Origins of the Amazons of Dahomey". History in Africa. 25: 9–25. doi:10.2307/3172178. A guerra resultou em devir o Daomé em estado tributário do Império de Oió.Law, Robin (1986). "Dahomey and the Slave Trade: Reflections on the Historiography of the Rise of Dahomey". The Journal of African History. 27 (2): 237–267. doi:10.1017/s0021853700036665.

Período de Tebessú (1740–1774) Tebessú reinou de 1740 a 1774. Não era o filho mais velho de Agajá (1718-1740), mas foi seleccionado após a morte de seu pai, depois de vencer uma luta sucessória com um irmão. O rei Agajá havia expandido significativamente o Reino do Daomé durante o seu reinado, conquistando Ajudá em 1727. Isso aumentou o tamanho do reino e aumentou a dissidência doméstica e a oposição regional. Tebessú governou num ponto em que precisava aumentar a sua legitimidade sobre aqueles que havia conquistado recentemente. Como resultado, muitas vezes são atribuídas a Tebessú uma série de mudanças administrativas, a fim de estabelecer a legitimidade do reino. O comércio de escravos aumentou significativamente durante o reinado de Tebessú e começou a fornecer a maior parte da renda para o rei. Além disso, o governo de Tebessú é aquele com o primeiro pojitô (kpojito) significativo ou mãe do leopardo com Huanjile nesse papel. O pojitô tornou-se uma pessoa de destaque na realeza daomeana. Diz-se que Huanjile, em particular, mudou dramaticamente as práticas religiosas do Daomé, criando duas novas divindades e vincando mais a adoração ao rei. De acordo com uma tradição oral, como parte do tributo do Daomé a Oió, Agajá teve que dar a Oió um de seus filhos. A história afirma que apenas Huanjile, de todas as esposas de Agajá, estava disposta a permitir que seu filho fosse para Oió. Esse acto de sacrifício, de acordo com a tradição oral, fez Tebessú ser favorecido por Agajá. O rei teria dito a Tebessú que ele era o futuro monarca, mas seu irmão Zinga ainda era o herdeiro oficial.Bay, Edna (1998). Wives of the Leopard: Gender, Politics, and Culture in the Kingdom of Dahomey. University of Virginia Press. miniaturadaimagem|Entrada das tropas francesas a Abomei, ilustrado pelo jornal Le Monde.

Período de Guezô (1818-1859) Quando o rei Guezô ascendeu ao trono em 1818, ele se deparou com dois obstáculos imediatos: o Reino do Daomé estava em turbulência política e financeiramente instável.Adeyinka, Augustus A. (1974). "King Gezo of Dahomey, 1818-1858: A Reassessment of a West African Monarch in the Nineteenth Century". African Studies Review Primeiro, precisava de obter independência política, removendo os tributos que o império iorubá de Oió tinha sobre si desde 1748. Em segundo lugar, precisava de revitalizar a sua economia do reino, que estava enfraquecida devido à diminuição do comércio de escravos, principal fonte de renda até então. Ambos os objectivos dependiam do comércio de escravos. O rei Guezô llevou a cabo novas estratégias militares, o que lhes permitiu assumir uma posição contra Oió, que era um grande concorrente no comércio de escravos. Guezô regulou também a participação do Daomé no comércio de escravos na costa. Sob seu reinado, os súbditos do Daomé não mais seriam vendidos como escravos, pois estava sob a liderança de seu irmão, Adanuzam. O Daomé concentrar-se-ia em capturar os seus inimigos e negociá-los. O rei Guezô, no entanto, procurou levar seu povo ao comércio de óleo de palma.miniaturadaimagem|Curandeiros daomeanos. Fotografia por volta de 1900.|esquerda|333x333pxO Daomé obteve a vitória e derrubou o Império Oió em 1827.

Enquanto a demanda de escravos pelo Brasil aumentava em 1830, os britânicos iniciaram uma campanha para abolir o comércio de escravos na África. O governo britânico começou a exercer pressão sobre o rei Guezô na década de 1840 para acabar com o tráfico de escravos no Daomé. O rei Guezô respondeu a esses pedidos enfatizando que não conseguiu acabar com o tráfico de escravos por causa da pressão interna do reino. Explicou-lhes que toda a região se havia tornado dependente do comércio de escravos, e terminá-lo de repente desestabilizaria o reino e levá-lo-ia à anarquia. O rei Guilherme Dappa Pepple do Reino de Ubani e o rei Kosoko de Lagos assumiram a mesma posição em relação aos pedidos britânicos. Em vez disso, o rei Guezô propôs uma expansão do comércio de óleo de palma e a abolição gradual do comércio de escravos.

O reinado do rei Guezô foi marcado por grandes batalhas e mudanças significativas no império, incluindo a elevação dos Ahosi. Essas "amazonas do Daomé" foram fundamentais para a derrota do Império de Oió. O seu reinado também consolidou o Reino do Daomé como um dos mais poderosos reinos africanos que se opôs às tentativas britânicas, com o apoio dos Ebás, de conversão das gentes ao cristianismo e manteve sua religião tradicional, conhecida como Vodum. Aboliu o sacrifício humano de escravos e removeu a pena de morte para certos delitos menores, como o adultério. Apesar da história de brutalidade no reino, o rei Guezô era frequentemente caracterizado como honrado e invencível, até mesmo por seus inimigos. O missionário britânico Thomas Birch Freeman também o descreveu como «um dos homens mais notáveis de sua época, quer o consideremos na sua capacidade particular como homem, ou como guerreiro e estadista».

Fim do reino miniaturadaimagem|337x337px|Comparação da África nos anos de 1880 e 1913. O reino lutou na Primeira Guerra Franco-Daomeana e na Segunda Guerra Franco-Daomeana com a França. O reino foi reduzido e transformado em protetorado francês em 1894.Newbury, C. W. (1959). "A Note on the Abomey Protectorate".

Em 1904, a área passou a fazer parte de uma colónia francesa, o Daomé francês.

Em 1958, o Daomé francês tornou-se a colónia autónoma chamada República do Daomé e conquistou a independência total em 1960. Declarou-se em 1975 como República Popular do Benim e em 1991 como República do Benim.

História moderna Hoje, o reino continua a existir como uma monarquia constituinte localizada no Benim. Os seus governantes não possuem mais nenhum poder oficial sob a constituição do Benim, mas mantêm alguma influência política e económica. Os reis modernos participam de importantes festivais religiosos Voduns e outras cerimónias tradicionais.

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