Antonio Peticov (Assis, 2 de julho de 1946 http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1119&cd_item=1&cd_idioma=28555) é um pintor, desenhista, escultor e gravurista brasileiro.https://www.peticov.com.br/wp-content/uploads/2015/12/17-o-mestre-das-cores_layout-1.pdf
Autodidata, aos doze anos de idade teve a certeza de que queria trilhar o caminho das artes. E, para alcançar seu objetivo, buscou informações em livros e revistas.
Sua formação artística se constitui a partir de pesquisas pessoais sistemáticas em história da arte e pela sua integração aos movimentos artísticos de vanguarda na segunda metade da década de 60.
Especializou-se em Geometria Sagrada e na Seção Áurea imprimindo ao seu trabalho um forte caráter matemático.
Em 1967, juntamente aos artistas Aldir Mendes de Souza e Gilberto Salvador, funda o grupo Vanguarda Jovem no Arena participando de diversas exposições. Nesse mesmo período começa o seu envolvimento com o Movimento Tropicalista.
Em 1970 mudou-se para Londres, onde ampliou seus estudos. No ano seguinte, transferiu residência para Milão e, em 1986, mudou-se novamente, desta vez para Nova Iorque, só retornando ao Brasil em 1999.
Ao longo de sua carreira seu trabalho foi difundido mundialmente através de capas de discos e de livros assim como calendários, cartões postais e posters, geralmente associado às suas mostras.
Especializou-se em Ladrilhamento Periódico e Aperiódico possuindo a maior coleção de jogos matemáticos - quebra cabeças - do Brasil.
A sua produção é diversificada e segue tendências variadas das vanguardas artísticas internacionais das últimas décadas. Fez instalações ambientais e murais na Italia, Suiça, Estados Unidos e no Brasil.
Foi presidente da Cooperativa dos Artistas Visuais do Brasil entre 2003 e 2007.
É membro da Lewis Carroll Society of North America (LCSNA) e é um dos “Friends of Martin Gardner” participando, desde 1999, do G4G (Gathering for Gardner).
Fundou e dirigiu o NAC - Núcleo de Arte Contemporânea - em São Paulo, entre 1999 e 2006.
Em 2016, ao completar 70 anos, abre o Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov.
Desde então, mantém-se a criar variadas obras, inclusive participando de lives e produções audiovisuais em 2020 e 2021.
Biografia
Infância e Juventude Como tantos outros imigrantes de várias partes do mundo, os Peticov vieram para o Brasil nos anos 1920 em busca de segurança, paz e condições para prosperar. Búlgaros de origem humilde, agricultores sérios e dedicados ao trabalho, atravessaram o Atlântico com passagens pagas pelo governo brasileiro que, após abolir a escravidão, precisava de mão de obra no campo.
A família enfrentou as adversidades geradas pelo idioma, as condições precárias das fazendas, a alimentação estranha e o clima demasiadamente quente. Mas, com muita fé e dedicação, foi construindo o futuro nas cores fortes do campo paulista. O filho André casou-se, enviuvou e se tornou pastor formando-se em Teologia pelo Seminário Batista do Rio de Janeiro, quando conheceu uma capixaba de Cachoeira do Itapemirim, Gláucia Curvacho.
Em 2 de julho de 1946, nasceu Antonio Peticov, em uma parada estratégica na cidade de Assis, em São Paulo, já quase fronteira com o Paraná. Em meio às viagens do evangelizador André, sua mulher, Gláucia, entregava ao mundo o segundo filho do casal. Ao longo da vida Antonio testemunhou o trabalho evangelizador do pai, pregando a palavra de Deus pelo Brasil afora. Em um primeiro momento, no Espírito Santo; depois, em São Paulo, Rio de Janeiro e, de novo, em São Paulo.
Fruto de sua incessante curiosidade, Antonio foi descobrindo e aprendendo, vivenciando diferentes cenários e assimilando cores, aromas, sabores, sons e montando um equilibrado arquivo racional e emocional de tudo isso.
Foi em 1960, no início da adolescência, ao ter o pai envolvido na organização do X Congresso da Aliança Batista Mundial, no Rio de Janeiro, que Antonio descobriu sua vocação ao conhecer Mauro Salles Júnior o diretor de Arte da Casa Publicadora Batista.
Ao ver a criatividade do artista gráfico se materializando em maquetes, mobiles, cartazes e outras peças, percebeu que sua relação com o mundo seria pela arte. O irmão mais velho, Walter, o “artista” da família, ganhou um belo kit de pintura. Com o presente, veio um brinde, um mini kit, que ficou para o caçula Antonio.
Aos 14 anos, fez seus primeiros trabalhos, que vendeu durante evento da religião dos pais. Começava um despertar que, a bem da verdade, iria tornar-se eterno.
Vida adulta Em 1969, foi ao festival de MIDEM em Cannes com seus amigos da banda Os Mutantes - que ajudou a constituir, haja vista ter sido empresário da banda Six Sided Rockers, banda anterior de alguns dos integrantes - bem como visitou Londres onde foi assistente do amigo e artista Hélio Oiticica na montagem de sua histórica exposição no Whitechapel Gallery.
Ainda no final dos anos 60, influenciado pela geração beat, Antonio Peticov viu-se um hippie.
Em 1970, aos 23 anos, foi preso por ser pioneiro na divulgação de Ácido Lisérgico (L.S.D.) no Brasil, sendo surpreendido por investigadores de polícia, dentre eles o investigador e torturador Angelino Moliterno, o Russinho, que integrava os chamados “Esquadrões da Morte”. Conforme a matéria da VICE, apesar de torturado e levado ao Carandiru, Antonio foi posteriormente inocentado neste que tratou-se do primeiro processo judicial deste assunto no Brasil.
Durante os 70 dias que esteve no Carandiru, traduziu três livros, fez 24 desenhos e três pinturas, graças ao material de arte cedido a ele pelo companheiro de prisão Giuseppe Baccaro, um grande intelectual italiano, importante mercante de arte, que foi preso pela mera posse de um "baseado".
No programa Provocações da TV Cultura, foi entrevistado por António Abujamra em 2016 e afirmou: "Apareceu na minha mão uma grande quantidade de ácido lisérgico, que foi, talvez, a invenção mais importante do século 20, pois era a oportunidade de ter na mão, no bolso, ou na carteira o bilhete para a viagem mais importante que uma pessoa pode ter em sua vida, que é a viagem ao seu interior. Me senti na obrigação de divulgar aquilo".
A severidade da experiência prisional, assim como a forte repressão da ditadura militar, em concomitância com o fato de estar recém-casado com sua primeira esposa Maria Luiza, motivaram Antonio a partir para o exílio em Londres, ainda no ano de 1970, aos 24 anos.
Ao chegar encontrou Gilberto Gil, e alugou um flat próximo à residência do cantor.
Teve experiências decerto únicas, como a visita à Radio Caroline, notável radio clandestina que tocava rock'n roll 24 horas por dia, sem autorização governamental, ou a descoberta da arte de M. C. Escher que, conforme diz Antonio Peticov em sua biografia, fora um marco: "Esse foi um dos mais importantes “encontros” de que me recordo. Bingo!".
Reforma o Poster Shop na rua Augusta, que inaugurara em 1968, como modo de angariar fundos para sair do Brasil, haja vista o risco de ser preso novamente. Juntou seu dinheiro e embarcou novamente para a Inglaterra.
Em Londres, compareceu ao lendário festival na Ilha de Wight de 1970, em busca de encontrar os amigos, e presenciou a última apresentação de Jimi Hendrix na Inglaterra.
No final de 1971 foi visitar Milão, onde permaneceu por 14 anos, em um período de grande aprendizados, formando grandes amizades na Itália, um país riquíssimo na herança artístico-cultural, e à época curiosa ainda quanto a novos artistas.
Antonio ao dizer que era pintor (artista plástico) era invariavelmente bem tratado e admirado, haja vista a imbricação daquele povo à Arte. Relacionou-se com Serena Nozolli, importante feminista italiana, quando iniciou seus estudos em Carl Gustav Jung, viajando pelo país, formando sólidas amizades que perduram até hoje, em particular Claudio Rocchi, Matteo Guarnaccia, os irmãos Camerini (Alberto e Mario), Alberto Salmona, Danilo Marcheselli, Michel Kanah, e outros.
Em 1985, mudou-se novamente, desta vez para Nova Iorque. onde viveu até 1999. Foi vizinho de Jean-Michel Basquiat, lançou ao lado de Brooke Shields o poster de inauguração do Jacob Javits Convention Center, criou diversas de suas obras mais conhecidas, teve as companhias do amigo e fotógrafo Valdir Cruz, do assistente e, futuramente, bem sucedido artista Vik Muniz dentre muitas outras ricas vivências e amizades.
Além disso, casou-se com Elizabeth dos Santos Peixoto, com quem teve o filho Pedro Antonio, nascido no Brasil em 1990. Foram idas e vindas entre os E.U.A. e Brasil.
Retorna ao Brasil definitivamente em 2000, mudando-se para o Brooklin na casa que viveu até 2019. Desenvolveu seus trabalhos mais recentes, dentre estes diversas telas e esculturas, séries de releituras. Nesse local recebia crianças e professores de diversas escolas de São Paulo curiosos em conhecer o Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov, onde através de sua coleção de Quebra-Cabeças (a maior do Brasil) procurava quebrar o paradigma de que a matemática seja algo chato e difícil, apresentando, em primeira mão, o fantástico mundo das Artes.
A partir de 2017, Antonio inicia a sua autobiografia. Em 2020, participou de edital da FUNARTE, apresentando como resultado "6 Releituras de Peticov: uma exposição guiada pelo artista", dirigida por seu filho Pedro Antonio. Devido à pandemia de COVID-19, começa a participar ativamente de lives de temas variados, comumente Arte, Matemática, Música, Geometria Sagrada e curiosidades.
Instalações e produções Antonio Peticov tem uma produção diversificada e que segue tendências variadas das vanguardas artísticas internacionais das últimas décadas. Fez instalações ambientais e murais na Italia, Suiça, Estados Unidos e no Brasil. Também realizou produções audiovisuais.
Dentre eles:
Balli Ballet (1982), em Cloudwalk Farm, Connecticut (Estados Unidos) Em 1983 instala “The Big Ladder”, em frente ao Coliseum, em New York. No Rio de Janeiro, em 1986, a instalação Sete Anéis. Em 1988, entrega a Escultura The Golden Wall ( em forma de grande espiral, em homenagem à cidade de Aiuruoca (Minas Gerais) Em 1989, apresenta o Projeto Natura - Rio Pinheiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo Em 1992, o Projeto Bosque Natura no Rio de Janeiro. Em novembro de 1990, entrega à cidade o notável mural “Momento Antropofágico com Oswald de Andrade” na estação Republica do Metrô de São Paulo. Em 1995 entrega à cidade a torre Transburti e outros três murais na estação Santo Amaro da CPTM. Em 2020, lança sob edital da FUNARTE o mini documentário "6 releituras de Antonio Peticov - Uma exposição guiada pelo artista".
Seção Áurea e Geometria Sagrada Transferido para Milão, já no ano de 1972, em livraria ao lado do Museu de Brera, Antonio adquiriu o livro “Φ = 1,61803398875... Appunti ed annotazioni su NATURA E GEOMETRIA - Progressione Aurea e forme pentagonali”, escrito por Aldo Montù em 1970. Esse livro repleto de ilustrações e gráficos detalhados, teve grande influência sobre sua obra. Foi, também, apresentado à “Sequência de Fibonacci”, com números inteiros espelhando os números irracionais derivados de Φ.
A partir daí, a relação do universo matemático e da Geometria Sagrada com as obras de Antonio nunca cessou, conforme descreve em seu texto "A seção áurea e o uso de proporções matemáticas na obra de Antonio Peticov".
Ademais, a influência de Martin Gardner, por meio da constante participação, desde 1999, do encontro de notáveis da ciência e matemática internacional na convenção “Gathering 4 Gardner”, conhecido como G4G (Gathering for Gardner), aprofunda ainda mais as relações da sua obra com os números e a geometria de maneira geral.