Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt Aguiar e Sá (Itacambira, — Bahia, ), o Intendente Câmara, foi um engenheiro e político brasileiro.Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá, 3.º Presidente da Câmara dos Deputados (Fase Imperial). Boletim da Biblioteca da Câmara dos Deputados, V. 18, n.º 2, p. 255-274, maio/agosto de 1969. seu pai, Tenente Bernardino Rodrigues Cardoso, tinha 45 anos e sua mãe, Francisca Antônia Xavier de Bittencourt e Sá, tinha 35 anos. Ele casou-se com Mathilde Flora Bernard e Chaby em 1790, em Câmara, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. Eles tiveram pelo menos 1 filho e 2 filhas. Ele faleceu em 13 de dezembro de 1835, em Salvador, Bahia, Brasil,Foi responsável por sugerir a D. João VI a transferência da Corte para o Brasil. Considerado o "patrono da siderurgia brasileira", dedicou sua vida à implantação da Revolução Industrial no país.Patrono da cadeira nº 50. Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Biografia Católico, nascido em Itacambira, Minas Gerais, é colega de José Bonifácio na Universidade de Coimbra e lidera o grupo que ganha a bolsa de estudos do governo português para a viagem científica pela Europa da qual participa o futuro patriarca da Independência. Junto a outro colega, sendo este e Bonifácio liderados por Câmara, o grupo varreu a Europa (França, Hanôver, Saxônia, Inglaterra, Boêmia, Veneza, Banato, Transilvânia, Suécia e Noruega) aprendendo sobre mineração, altos-fornos, energia e agrossilvicultura, patrocinados pela Coroa Portuguesa. Estudaram geologia, mineralogia, química, economia montanística, botânica e outras ciências correlatas.
Nasceu na capitania de Minas Gerais, Brasil, provavelmente em Santo Antônio de Itacambira, em área da Demarcação Diamantina, em . Filho de Francisca Antônia Xavier de Bethencourt e Sá e do tenente Bernardino Rodrigues Cardoso, sua família possuía muitas posses, proveniente da exploração das minas de ouro. Com a mudança de seus pais para Bahia foi educado, junto com seu irmão, José de Sá Bethencourt e Accioli, por sua tia d. Maria Isabel de Sá, proprietária de minas de ouro em Caeté, Minas Gerais. Ingressou na Universidade de Coimbra em 1783, tendo frequentado os cursos de leis e filosofia natural (1784), tendo se diplomado em ambos (1788). Na Universidade de Coimbra, que após a reforma ilustrada (1772) tornara-se um importante centro de difusão científica, especialmente voltada para o progresso científico e a modernização de Portugal e seus domínios, conheceu José Bonifácio de Andrada e Silva. Foi eleito membro da Academia Real das Ciências de Lisboa em 1789. Recebeu uma bolsa de estudos do governo português para fazer uma viagem científica pela Europa, no campo da metalurgia e da mineração, ao lado de José Bonifácio e Joaquim Pedro Fragoso (1790). Visitou importantes centros de extração mineral, tendo visitado França, Holanda, Saxônia, Áustria, Itália, Suécia, Noruega, Dinamarca e Inglaterra. Em 1798, ao fim de sua viagem científica, foi contratado pelo Estado português para ser o consultor do governo em assuntos de minas e metalurgia. Em 1800 foi nomeado intendente-geral das minas, na província de Minas Gerais e Serro Frio, mas seguiu inicialmente para Bahia, onde permaneceu de 1801 a 1807. Chegou a Vila Rica em 1807, tendo permanecido à frente da administração do Distrito Diamantino até 1823. Em 1809 iniciou a construção da Real Fábrica de Ferro do Morro do Pilar, em Minas Gerais, que fabricou ferro gusa de 1814 a 1822, quando foi fechada. Demitiu-se do cargo de Intendente em 1822, quando ingressou na vida política ao ser eleito membro do Conselho dos Procuradores Gerais das Províncias do Brasil (1822), deputado por Minas Gerais na Assembleia Nacional Constituinte (1823) e senador (1827-1835). Foi membro de importantes associações científicas, como a Academia de História Natural de Edimburgo e a Real Academia de Ciências de Estocolmo, além da Sociedade Auxiliadora da Indústria do Rio de Janeiro. Publicou inúmeros trabalhos na área científica como Ensaio de Descrição Física e Econômica da Comarca de Ilhéus na América (1789), Memória de observações físico e econômicas acerca da extração do ouro do Brasil (1789), Observações Feitas Por Ordem da Real Academia de Lisboa Acerca do Carvão de Pedra, Que se Encontra na Freguesia da Carvoeira (1790), Nota Sobre a Extração das Minas do Principado da Transilvânia (1796), Memória sobre a necessidade de se permutar ouro em pó por moeda corrente (1799), Memória Sobre os Meios de Obter o Cobre Necessário à Cunhagem das Moedas Destinadas aos Nossos Estabelecimentos Americanos, e Particularmente Para a Projetada Permuta de Todo o Ouro em Pó por Moeda Corrente (1799), além de estudos e pareceres. Foi desembargador dos Agravos da Casa de Suplicação, conselheiro honorário da Fazenda no Conselho de d. João VI, dignitário honorário da Ordem Imperial do Cruzeiro e Comendador da Ordem de Cristo. Morreu na Bahia, em 13 de dezembro de 1835. Fonte: https://mapa.an.gov.br/index.php/assuntos/79-producao/70-biografias/442-manuel-ferreira-da-camara-de-bittencourt-e-sa
Em 1808, sempre apadrinhado e recomendado por Rodrigo de Sousa Coutinho, Câmara volta ao Brasil para administrar a Real Extração de Diamantes. Foi o primeiro brasileiro a ser Intendente das Minas Gerais e do Distrito Diamantino. É autorizado a fundar, com parte dos lucros dessa atividade, uma usina de ferro no Serro Frio, onde começa trabalhos de fundição de gusa em 1812, no arraial de Morro do Pilar, abrindo, para isso, a estrada de Diamantina ao local. Enquanto os portugueses utilizavam o alto-forno catalão, inovou adaptando-o segundo o alto-forno sueco, mais potente e de maior capacidade. Pretendia levar o ferro até o Rio Doce, para daí levá-lo ao Rio e à Bahia. Desse período data o apelido pelo qual ficou mais conhecido no Brasil, “Intendente Câmara”.
Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá - 1809 - Ponto de partida da indústria siderúrgica brasileira
Ponto de partida da indústria siderúrgica brasileira, a Real Fábrica de Ferro de Morro do Pilar marcou um capítulo fundamental na história da siderurgia brasileira. Situada no município de Morro do Pilar, na região da Serra do Cipó, em Minas Gerais, a fábrica é considerada o ponto de partida da indústria de ferro no Brasil. Idealizada em 1809 por Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá, então intendente dos diamantes na Comarca do Serro Frio, a fábrica recebeu autorização do príncipe regente Dom João VI e iniciou suas operações em 1815, estendendo suas atividades até 1830. A localização estratégica na Serra do Cipó, rica em minério de ferro, proporcionou as condições ideais para a implementação desse empreendimento pioneiro. A fábrica de Morro do Pilar não apenas possibilitou a primeira fundição de ferro no país, mas também contribuiu significativamente para o desenvolvimento industrial e econômico local e nacional. A produção de ferro nesse local simbolizou o começo da exploração de uma das riquezas naturais mais importantes do Brasil. As ruínas da Real Fábrica de Ferro de Morro do Pilar, hoje integradas ao Monumento ao Intendente Câmara, permanecem como um testemunho histórico da inovação e do progresso da indústria siderúrgica no Brasil. Esses vestígios estão situados ao ar livre no centro de Morro do Pilar, cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte, e continuam a ser um marco do legado industrial da região.
Trabalhou para melhorar as leis e os trabalhos minero-metalúgicos e agrossilvopecuários, que tanto interessavam a D. João VI. Introduziu novas técnicas e tecnologias e melhorias no cultivo de mandioca, milho, feijão e cana. Trouxe de outros países gramíneas de vários tipos para pastagens. Em toda estrada que abria ou reformava cultivava milho, mandioca e feijão nas laterais, e plantava o capim “meloso” (Melinis minutiflora) para os animais. Introduziu na Bahia a teca (madeira nobre para a construção naval), a pimenta, a canela, a fruta-pão e o cânhamo, dentre outras plantas.
Em 1821, se elegeu deputado às Cortes de Lisboa. Foi presidente da primeira Assembleia Constituinte do Brasil e, como deputado constituinte, propôs, em 1823, a criação de uma universidade no Rio de Janeiro, denominada Instituto Brasílico. Contribuiu para a modernização das leis minerárias. Foi senador do Império do Brasil de 1827 a 1835. Recomendou medidas para a zona cacaueira do sul da Bahia.
Temido e respeitado pelas maiores autoridades do seu tempo, foi, ainda assim, justo e ponderado. Recebeu as mais altas condecorações nacionais: as comendas da Ordem de Cristo e da Ordem imperial do Cruzeiro do Sul. Era sócio das Academias de Ciências de Lisboa, de Edimburgo, de Estocolmo e da Academia da Indústria do Rio de Janeiro.
Falido por sua dedicação ao bem público, morreu como católico no dia 13 de dezembro de 1835, na Bahia.
Ver também Deputados brasileiros às Cortes de Lisboa Deputados da Primeira Assembleia Nacional Constituinte do Brasil
Ligações externas Manuel Ferreira da Câmara de Bittencourt e Sá, MAPA
Bibliografia
ANTUNES, Américo. Do Diamante ao Aço: O Ilustrado Intendente Câmara e a Verdadeira História da Primeira Fábrica de Ferro do Brasil. São Paulo. Alameda Editorial. 2018.
MENDONÇA, Marcos Carneiro de. O intendente Câmara: Manoel Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá intendente geral das minas e dos diamantes: 1764-1835. Rio de Janeiro. Imprensa Nacional, 1933.
Categoria:Senadores do Império do Brasil por Minas Gerais Categoria:Engenheiros de Minas Gerais Categoria:Deputados provinciais da Assembleia Nacional Constituinte de 1823 Categoria:Alumni da Universidade de Coimbra