thumb|esquerda|300px|Templo de Apolo em Cirene. No , os romanos ocuparam parte do território que depois pertenceria à Líbia
O território que hoje corresponde à Líbia já foi dominado por diversos povos, tais como fenícios, gregos, romanos, egípcios, vândalos, bizantinos, berberes até a invasão árabe de 643 que trouxe o islamismo e a língua árabe ao país Libya , em inglês acesso em 17 de novembro de 2012. O nome Líbia foi dado pelos colonos gregos, no .
No , os habitantes da região, denominados "líbios" pelos gregos, participaram das invasões dos povos do mar no Egito. Fenícios e gregos chegaram ao país no e estabeleceram colônias e cidades. Os fenícios fixaram-se na Tripolitânia e os gregos, na Cirenaica, onde fundaram as cinco colônias da Pentápole. No , os cartagineses, herdeiros das colônias fenícias, fundaram na Tripolitânia uma província. No (119-), toda a região foi conquistada e dominada pelo Império Romano, que deixou monumentos admiráveis (Léptis Magna).
A Líbia permaneceu como província romana até ser conquistada pelos vândalos em 455 Após ser reconquistada pelo Império Bizantino, continuador do romano, a região passou a ser dominada pelos árabes em 643. Os árabes estenderam a área cultivada em direção ao interior do deserto. Durante pouco mais de três séculos, o Califado Almóada manteve o domínio sobre a região tripolitana, enquanto a Cirenaica esteve sob o controle egípcio.
thumb|Regiões da Líbia
Em 1517, os otomanos conquistaram a Cirenaica. Em 1551, Solimão I, o Magnífico, incorporou a região da Tripolitânia ao Império OtomanoGuia del Mundo 2007, acessado em 24 de abril de 2011Enciclopédia do Mundo Contemporâneo, 3ª Ed. rev e atualizada - São Paulo Publifolha, Rio de Janeiro: Editora Terceiro Milênio, 2002, p 384, estabelecendo o poder central em Trípoli. A autoridade do regime turco da Porta Sublime, entretanto, mal passava da região para além da costa.
Dois séculos mais tarde, o reinado da dinastia Karamanli, que dominou Trípoli durante 120 anos, contribuiu para assentar mais solidamente as regiões de Fezã (ou Fazânia), Cirenaica e Tripolitânia, e conquistou maior autonomia, sendo apenas nominalmente pertencia ao Império Otomano, a região servia de base para corsários, o que motivou inclusive uma intervenção norte-americana, a primeira Guerra Berbere ocorreu entre 1801 e 1805.
Em 1835, o Império Otomano restabeleceu o controle sobre a Líbia, embora a confraria muçulmana dos Senussi tenha conseguido, em meados do século, dominar os territórios da Cirenaica e de Fezã (interior do país).
Era Senussi
thumb|zepelins italianos bombardeando posições turcas em território líbio durante a Guerra ítalo-turca
Em 1843, Maomé ibne Ali Senussi fundou a Ordem Senussi, que era um movimento que pregava o renascimento islâmico, defendendo uma visão austera, uma ordem sufista tradicional que se opunha as inovações de algumas outras ordens sufistas que incrementaram práticas que não são aprovadas no Islão, assim se tornaram bastante influentes na região, os puritanos da Ordem Senussi, que também atuavam no Egito, primeiramente ganharam adeptos entre as tribos do interior e logo controlaram a maior parte da Líbia. Tal organização, que também dava assistência educacional e material.
Em 1911, com o declínio do Império Otomano, a Itália invadiu a Líbia sob o pretexto de defender seus colonos estabelecidos no Vilaiete de Tripolitânia, desencadeando a Guerra ítalo-turca , na qual a Ordem aliou-se aos turcos. A Itália venceu o conflito e passou a dominar o litoral do país, que era a última possessão otomana no Norte de África. Os otomanos renunciaram a seus direitos sobre a Líbia em favor da Itália por meio do Tratado de Lausana ou de Ouchy (1912).
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, os italianos ocuparam os portos de Trípoli e de Homs, no entanto, como os turcos antes deles, nunca conseguiram afirmar sua autoridade plena sobre as tribos do interior do desértico, que durante a Primeira Guerra Mundial se aliaram e foram apoiadas pelas Potências Centrais contra a Tríplice Entente que tinha um acordo com a Itália.
Em 1917, Amade Xarife Senussi fugiu para a Turquia, após perder uma batalha contra as forças italianas e britânicas e Idris Senussi assumiu o comando da ordem que assinou uma trégua com o com o Império Britânico.
Em 1920, a Itália reconheceu Idris como Emir do Interior da Líbia, mas a ordem continuou a apoiar um movimento armado na Cirenaica contra os colonizadores, que foi derrotado em 1931, quando Sidi Omar al-Mukhtar, seu principal comandante, foi enforcado pelos italianos .
Esta situação alterou-se com a tomada do Poder na Itália por parte dos fascistas, que nomearam de imediato um governador capaz de impor a vontade italiana no território. Tal foi conseguido com algum sucesso, embora a região de Cirenaica, no Nordeste da Líbia, de forte implantação Senussi, constituísse um autêntico enclave que os italianos nunca conseguiram verdadeiramente dominar. A colonização italiana, que foi reforçada em 1935 por uma colonização demográfica, como a denominou Benito Mussolini, contribuiu para um rápido desenvolvimento a todos os níveis, sendo a Líbia incorporada ao Reino da Itália (1939), situação que durou até à Segunda Guerra Mundial, quando as campanhas no Norte de África destruíram quase por completo a estrutura econômica do país. A colonização não alterou a estrutura econômica do país, mas contribuiu para melhorar a infraestrutura, como a rede de estradas e o fornecimento de água às cidades.
thumb|esquerda|Emir Idris, coroado como
Durante a Segunda Guerra Mundial, o território líbio foi cenário de combates decisivos. Entre 1940 e 1943, houve a campanha da Líbia entre o Afrikakorps do general alemão Rommel e as tropas inglesas. No meio deste descalabro, graças ao voluntarismo de forças senússitas, que lutaram ao lado dos Aliados, nomeadamente ao lado dos Ingleses, a Líbia encontrou apoio suficiente para contrariar a pretensão da Itália de permanecer no país. Findas as hostilidades, com o encerramento da Campanha da Líbia, o Reino Unido encarregou-se do governo da Cirenaica e da Tripolitânia, e a França passou a administrar Fezã (veja Ocupação Aliada da Líbia). Essa nações mantiveram a Líbia sobre forte governo militar até que a Assembleia Geral das Nações Unidas votou uma resolução onde se podia ler que a Líbia deveria tornar-se um reino independente até 1 de janeiro de 1952. Assim, em 1950, o líder religioso dos senússitas, o pró-britânico Emir Idris, foi escolhido como rei por uma assembleia nacional, sendo coroado com o nome de Idris . O rei Idris declarou a independência do país em 24 de dezembro de 1951, reunindo os territórios num único Estado federal, com o nome de Reino Unido da Líbia, ao mesmo tempo que proibia a existência de partidos políticos, orientando o seu poder por linhas fundamentalistas.
A constituição 1951 estabeleceu uma monarquia constitucional com características federalistas, que tinha instituições como um Primeiro-Ministro, que presidia o Conselho de Ministros, e um Poder Legistativo bicameral, com uma Câmara de Deputados com todos os integrantes eleitos e um Senado que tinha metade de seus integrantes nomeados pelo monarca. A primeira eleição foi realizada em fevereiro de 1952.
Idris baseou o seu poder sobre na autoridade religiosa e teve apoio das famílias líbio-turcas residentes nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Depois de sua admissão na Liga Árabe, em 1953, a Líbia firmou acordos para a implantação de bases estrangeiras em seu território. Em 1954, houve a concessão da Base Aérea de Wheelus, perto de Trípoli aos norte-americanos, enquanto os britânicos obtiveram concessão semelhante perto de Tobruque. A influência econômica dos Estados Unidos e do Reino Unido, autorizados a manter tropas no país, tornou-se cada vez mais poderosa.
Apesar do apoio ocidental à monarquia líbia, este país nunca conseguiu deixar a situação econômica e socialmente precária herdada da Segunda Guerra Mundial, quadro que só foi alterado quando foram descobertas, em 1957, as primeiras de muitas jazidas de petróleo., cuja exploração começou em 1961 A descoberta do petróleo, do qual a Líbia detém a nona maior reserva mundial, constituiu o fator decisivo para que o governo líbio exigisse a retirada das forças estrangeiras, o que provocou graves conflitos políticos com aquelas duas potências e com o Egito. Em 1963, o sistema federalista de governo foi substituído por uma monarquia unitária, que deu mais poder ao monarca. Os três estados do sistema federal (Fazânia, Tripolitânia, Cirenaica) foram substituídos por 10 províncias com menor autonomia.
Era Gadafi
Política Interna
thumb|Coronel Muamar Gadafi participou ativamente das questões de interesse árabe
Em 1966, Muamar Gadafi, filho de beduínos nômades, que havia se incorporado ao exército, enquanto estudava em Londres, fundou a União dos Oficiais Livres, e, após o retorno à sua terra natal, continuou o trabalho de conspiração política dentro do exército, e, em 01 de setembro de 1969, teve início em Saba uma insurreição, liderado por um grupo de cerca de 70 oficiais do exército líbio, que derrubou a monarquia rapidamente sem derramamento de sangue.
Os "oficiais livres" eram um grupo de oficiais radicais islâmicos, que após a tomada do poder em um golpe de Estado, criaram um governo militarizado exercido por meio do Conselho do Comando Revolucionário, com 13 integrantes, liderado pelo coronel Muamar Gadafi, então com 27 anos de idade, proclamou-se islâmico, nasserista e socialista, encerrou as bases militares norte-americanas e britânicas, e impôs severos controles sobre a atividade de empresas transnacionais petrolíferas instaladas na década de 60.
O regime de Muamar Gadafi, chefe de Estado a partir de 1970, decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos do país. A exploração das riquezas do petróleo deu meios ao governo líbio para melhorar as condições de vida da população do país, ainda que a custo de alianças empresariais sombrias e de privilégios para a família do líder nacional.
Gadafi lançou um projeto ambicioso de desenvolvimento, com ênfase na agricultura. Cada família rural recebeu aproximadamente dez hectares de terra, um trator, habitação, ferramentas e irrigação. Foram perfurados mais de poços artesianos e 2 milhões de hectares do deserto começaram a receber irrigação artificial.
Devido ao rápido crescimento, a Líbia recebeu imigrantes de outros países árabes e trabalhadores qualificados de todo o mundo. Nas cidades, Gadafi criou um sistema de previdência social, assistência médica gratuita e incentivos às famílias numerosas. Os trabalhadores da indústria tiveram direito à participação de 25% nos lucros das empresas. A Líbia, em cinco anos, deixou de ser o país mais pobre do norte da África e passou a ter a maior renda per capita do continente: US$ 4 000 por ano.
Em 1973, Gadafi lançou a revolução cultural islâmica, uma "revolução popular" que se destinava a envolver as pessoas no governo através de "Comitês Populares" para assumir as agências governamentais e dirigir o país. Cada Comitê abrangia uma área como um bairro ou uma vila rural, ou uma instituição, como um hospital, uma empresa, uma escola ou uma universidade, que elegia tais Comitês. Por sua vez, os integrantes dos Comitês de base, elegiam os Comitês Municipais e Regionais. Em meados de 1973, havia Comitês Populares registrados na Líbia.
Em 1975, houve uma tentativa de Golpe de Estado liderado por Umar Muhayshi, Omar Hariri, Munim Abd al Huni e outros oficiais que haviam apoiado Khathaffi em 1969How a onetime friend to Gadhafi became his rival, em inglês, acesso em 08 de dezembro de 2012Key figures in Libya's rebel council, em inglês, acesso em 08 de dezembro de 2012Libya Exiled Opposition, em inglês, acesso em 08 de dezembro de 2012.