A Associação Desportiva Jaraguá, referida pelo acrônimo ADJ e de nome fantasia Jaraguá Futsal, é uma agremiação brasileira de futsal da cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Fundada em 15 de fevereiro de 1992 por um grupo de atletas do município, está entre as maiores potências da modalidade.

Sua trajetória de destaque nacional foi iniciada em parceria com a Malwee, empresa jaraguaense do setor têxtil, após anos disputando apenas o cenário estadual. Com investimento milionário entre os anos de 2001 e 2010, a equipe conquistou 47 títulos e reuniu lendas do esporte como Falcão, Tiago, Lenísio, Chico e Leco para defender suas cores em quadra. Desde o encerramento do patrocínio, em 2011, passou por um longo período de reestruturação para recuperar seu protagonismo.

Em mais de três décadas de história, o clube aurinegro acumulou conquistas em sua galeria de troféus: são 16 títulos de nível estadual (12 Campeonatos Catarinenses, 2 Copas Santa Catarina e 2 Recopas Catarinenses), 1 Copa Sul, 4 Superligas e, entre dezenas de torneios menores, se destacam 1 Supercopa do Brasil, 7 Taças Brasil, 6 Ligas Nacionais e 6 Copas Libertadores. Para além dos troféus, é o primeiro clube a vencer duas tríplices coroas nacionais e o único não europeu a ser nomeado como "Melhor Clube de Futsal do Mundo" em mais de uma temporada.

O Jaraguá é o maior campeão brasileiro, o segundo maior campeão sul-americano e a equipe catarinense com mais títulos estaduais. Atualmente, é um franqueado da Liga Nacional de Futsal e participa com regularidade de torneios promovidos pela Confederação Brasileira de Futsal (CBFS).

História

1992–2000: ADJ

A Associação Desportiva Jaraguá nasceu em 15 de fevereiro de 1992, por iniciativa de um grupo de ex-atletas que almejava o fortalecimento do esporte — em especial o futsal — no município de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. O clube se afiliou à Federação Catarinense de Futebol de Salão logo após sua fundação e estreou no campeonato estadual em dezembro do mesmo ano, com apoio de empresas locais para viabilizar as primeiras operações profissionais.

Em 1993, a "ADJ" contratou jogadores experientes e teve um começo de temporada promissor, vencendo a equipe de Mafra por 5 a 3 fora de casa. No entanto, com o calendário de partidas durando somente dois meses, os patrocinadores se retiraram e inviabilizaram a continuidade do projeto. A reativação aconteceria logo em 1994, sob o comando do técnico Maneca — atualmente, atuante na formação de jovens talentos jaraguaenses. O convênio formado com a Fundação Municipal de Esportes (FME) iniciou a estruturação enraizada nas categorias de base, preparando atletas desde o início da carreira.

O retorno do futsal adulto ocorreu em 1995, com uma equipe constituída por muitos atletas jovens formados pelo próprio clube. Sem contratações de peso, o Jaraguá superou as dificuldades e, logo em 1996, conquistou o título da Primeira Divisão (atual Série Prata) atuando no Ginásio Arthur Müller. O primeiro "salto" aconteceu em 1999, quando a diretoria fechou acordo de investimento com a Breithaupt, empresa local de varejo, e criou um conselho de administração de aproximadamente 60 pessoas, entre apoiadores locais e empresários influentes na região de Jaraguá do Sul.

Naquela temporada, o Jaraguá conquistou seu primeiro título estadual sobre a equipe de São Miguel do Oeste, após uma sequência invicta de vinte partidas nas fases iniciais. A única derrota ocorreu justamente na ida da decisão, quando perdeu por 6 a 3. Na partida de volta, realizada no Ginásio do SESI (utilizado por comportar mais espectadores), goleou pelo placar de 6 a 1 e forçou a partida de desempate, na qual venceu por 5 a 3 e levantou seu primeiro troféu do Campeonato Catarinense. O bicampeonato viria já no ano seguinte, contra a extinta Tuper, de São Bento do Sul, em um título que concedeu à Locomotiva a sua primeira participação na Taça Brasil — torneio do qual o Jaraguá se tornaria o maior campeão, com sete títulos em oito finais disputadas. Mesmo sem avançar às fases decisivas, enfrentou potências como Vasco e Atlético Mineiro, se inserindo no cenário nacional.

2001–2010: Malwee

No ano de 2001, por intermédio do prefeito Irineu Pasold, a diretoria da ADJ se reuniu com o empresário Wandér Weege e deu início à histórica parceria com a Malwee Malhas, empresa jaraguaense do setor têxtil. Com investimento acima do padrão da época, nomes consagrados não demoraram a chegar em Jaraguá do Sul, a exemplo de Manoel Tobias, melhor jogador de futsal do mundo naquele momento. Para o comando técnico, com a saída de Maneca para o futsal paulista, o selecionado foi Fernando Ferretti, um treinador até então desconhecido que acabava de deixar a seleção da Guatemala. Como atual campeã catarinense, a equipe disputou novamente a Taça Brasil, em Fortaleza, sem alcançar as semifinais. O desfecho da primeira participação do clube na Liga Nacional foi semelhante: após 34 pontos em 24 partidas disputadas, não chegou às fases decisivas.

Em 2002, com a base bicampeã catarinense mantida e contratações pontuais, a nova "Equipe Malwee" dominou o cenário estadual: conquistou Campeonato Catarinense, Copa Santa Catarina e Jogos Abertos de Santa Catarina, todos sobre o extinto time de futsal do Criciúma, que à época competia como Anjo Química. Nas competições nacionais, amargou derrotas nas semifinais para o Minas, tanto na Taça Brasil, sediada em Carlos Barbosa, quanto na Liga Nacional.

O ano seguinte marcou a saída de Manoel Tobias para o futsal espanhol. Para seu lugar, a Malwee buscou um jovem promissor que começava a despontar: Alessandro Rosa Vieira, o Falcão. Com ele, a Malwee derrotou novamente o Criciúma e conquistou a Taça Brasil de 2003, sediada em Jaraguá do Sul, adicionando o primeiro troféu nacional à galeria do clube. O título veio com gol de ouro de James, na prorrogação, após empate por 1 a 1 no tempo normal, "explodindo" a torcida jaraguaense que lotou o Ginásio Wolfgang Weege, no Parque Malwee. O troféu não foi o único prêmio: como campeã do torneio, a Malwee representaria o Brasil no próximo Campeonato Sul-Americano — competição que, devido ao calendário esportivo alternativo (de julho a junho, ao invés de janeiro a dezembro) utilizado no restante da América do Sul, é realizada no meio da temporada seguinte para os brasileiros.

Na temporada de 2004, a base do elenco foi mantida e reforçada. Como resultado, logo no início do ano, a Malwee viajou a Goiânia para disputar a Taça Brasil e venceu o bicampeonato consecutivo, derrotando Carlos Barbosa por 11 a 9. Os gaúchos, atuais campeões continentais, também foram rivais no "zonal sul" do Sul-Americano, um confronto que decidiria o adversário do campeão do "zonal norte". Na cidade de Mar del Plata, na Argentina, a Malwee triunfou por 4 a 2 e se classificou. A "final geral" foi marcada para dezembro, em Lima, no Peru. Mesmo fora de casa, os jaraguaenses confirmaram o favoritismo e trouxeram o primeiro título continental para o clube, goleando o Deportivo Kansas, da cidade-sede, nas duas partidas: 13 a 6 na ida e 8 a 1 na volta.

Falcão, premiado na Suíça como o melhor jogador do mundo pela primeira vez, deixou Jaraguá do Sul para tentar carreira no futebol de campo do São Paulo ao fim da temporada. No entanto, depois de apenas treze partidas e um suposto conflito com Emerson Leão, então técnico do clube paulista, o camisa 12 retornou em alguns meses. Com Falcão em quadra ou não, a Malwee teve um 2005 espetacular, com 10 títulos em 13 competições disputadas, incluindo: hexacampeonato estadual, tricampeonato da Taça Brasil, bicampeonato do Sul-Americano e a conquista inédita da Liga Nacional. Depois de "bater na trave" nas últimas três edições, a equipe jaraguaense chegou à primeira final, contra o Atlântico, empatando a primeira partida por 2 a 2. Na volta, em Brusque, a Malwee começou perdendo por 2 a 0 e, com doblete de Xoxo (que jogou no sacrifício, em meio à recuperação de uma cirurgia) e gol heroico de Valdin, virou o placar e segurou a vantagem por 13 minutos para se consagrar campeã nacional.

A Malwee começou a temporada de 2006 com o tetracampeonato da Taça Brasil, em Natal, vencendo o ABC por 3 a 2 com o ginásio completamente lotado. No mesmo ano, chegou ao sétimo título catarinense e, apesar do vice-campeonato na Liga Nacional para Carlos Barbosa, conquistou o tricampeonato continental no Sul-Americano (disputado apenas em 2007) ao superar o Independiente Santa Fe, da Colômbia. Em apenas alguns dias, o esporte jaraguaense seria marcado pela inauguração da Arena Jaraguá, um pavilhão moderno que abrigaria não só a Malwee, mas também eventos culturais e empresariais da cidade.

Em 2007, a série de títulos continuou: em sua quinta final de Taça Brasil, ainda antes da inauguração da Arena, a Malwee levantou o quinto troféu consecutivo, em Teresópolis, com goleada de 6 a 1 sobre o extinto Petrópolis. Depois da amarga segunda colocação da temporada passada, o clube voltou à decisão da Liga Nacional e encarou o rival Joinville. Na partida de ida, uma atuação de gala repetiu o 6 a 1 da Taça Brasil, fora de casa. Em uma Arena Jaraguá lotada, a Malwee repetiu o bom desempenho, venceu por 5 a 3 e confirmou o bicampeonato. O mesmo ginásio recebeu a decisão do Sul-Americano — já chamado de Libertadores —, entre a equipe jaraguaense e o Bello Jairuby, da Colômbia. Sem dificuldades: 7 a 1 na ida, 6 a 2 na volta e tetracampeonato continental na galeria de troféus da Malwee.

O ano de 2008 foi um dos mais vitoriosos da história da Malwee. Em setembro, venceu a extinta Ulbra por 6 a 2 (8 a 4 no agregado) e conquistou o tricampeonato da Liga Nacional, novamente jogando em casa. A Taça Brasil foi realizada com formato diferente, mas o campeão foi o mesmo: após eliminar o Joinville nas semifinais, a Malwee superou o São José (1 a 1 no tempo normal e 4 a 2 na prorrogação) e comemorou mais um título nacional na Arena Jaraguá. No Campeonato Catarinense, a equipe jaraguaense levantou o troféu pela oitava vez, em nova decisão contra o maior rival. Por fim, para coroar a temporada, a Copa Libertadores foi sediada em Jaraguá do Sul pela segunda vez e marcou o pentacampeonato da Malwee, com um histórico placar agregado de 21 a 6 (11 a 4 na ida, 10 a 2 na volta) sobre o Deportivo Táchira, da Venezuela.

Por conta do desempenho magnífico em 2008, a Malwee foi premiada com o título de "Melhor Clube de Futsal do Mundo" pela Futsal Planet, plataforma online que organiza anualmente o Futsal Awards, com chancela da FIFA. Em 2009, o sucesso nacional não foi o mesmo. A ACBF conquistou a Liga (contra a Malwee) e pôs um fim à sequência de títulos jaraguaenses na Taça Brasil. Porém, mesmo com o desfalque de Falcão, o triunfo de 3 a 2 contra a Cortiana, no zonal sul realizado em Misiones, na Argentina, marcou o hexacampeonato continental — o vencedor do zonal norte (Bello Jairuby) não compareceu à final geral. Com a não realização do Intercontinental em 2009, uma lacuna ficou vazia: em quatro participações, de 2005 a 2008, foram quatro finais contra o Inter, da Espanha, e quatro vice-campeonatos. O título mundial segue, até hoje, como o grande objetivo do clube.

A temporada de 2010 começou promissora com o tetracampeonato da Superliga de Futsal, um torneio entre oito equipes que abria o calendário nacional. No entanto, em abril, ao início da Liga Nacional, o elenco se reuniu com os diretores e foi informado de que a parceria entre Associação Desportiva Jaraguá e Malwee seria encerrada ao final daquele ano. O "adeus" do projeto acabou sendo o tetracampeonato da Liga, passando por Joinville nas quartas, Carlos Barbosa na semifinal e vencendo Marechal Rondon por 2 a 0, na Arena Jaraguá, após empate em 2 a 2 na ida. A despedida oficial aconteceu em 3 de dezembro, em casa, na última partida da Taça Brasil daquele ano: já eliminada, a Malwee goleou por 8 a 3 a equipe de Macau, do Rio Grande do Norte.