Outras informações Ficha técnica CEP 58915 Padroeiro Sagrada Família Vínculo diocesano Diocese de Cajazeiras Vereadores 11 Comarca Comarca de Sousa Eleitores 11.284 eleitores registrados (2020) País Macrorregião Alto Sertão Paraibano, Paraíba no Nordeste do Brasil Índice Gini 0,41 (2003) Trabalhadores 11.296 website Uiraúna é um município brasileiro do estado da Paraíba, localizado na Região Geográfica Imediata de Sousa. Está distante 476 quilômetros de João Pessoa, a capital do estado. Sua fundação ocorreu em 2 de dezembro de 1953.

Uiraúna faz limite com 5 municípios paraibanos (Vieirópolis, São João do Rio do Peixe, Poço Dantas, Joca Claudino e Poço de José de Moura) e 2 municípios potiguares (Paraná e Luís Gomes).Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea, estado de Paraíba: diagnóstico do município de Uiraúna CPRM, 2005

Conhecida como a Terra dos Músicos, Sacerdotes e Médicos, em razão da forte vocação dos munícipes nessas profissões. Uiraúna é um dos principais municípios do Alto Sertão Paraibano devido seu comércio ativo e localização privilegiada, sendo uma das mais importantes rotas de ligação entre diversas microrregiões da Paraíba com Rio Grande do Norte e Ceará.

Etimologia

Etimologicamente, o nome do município vem da junção do tupi guirá e una, que significa “pássaro-preto”, que se crê ser uma referência à graúna, ave comum na região.

Enquanto ainda era distrito de São João do Rio do Peixe chamava-se Belém, denominação que foi alterada, pelo decreto-lei estadual nº 520, de 31 de dezembro de 1943, para Canaã. Finalmente, pela lei estadual nº 972, de 2 de dezembro de 1953, tornou-se o Município de Uiraúna.

História

A história de Uiraúna está relacionada com o desenvolvimento do cultivo da cana-de-açúcar no litoral paraibano, devido a concorrência com as Antilhas, que tornou a pecuária extensiva a base econômica do sertão. Este fato favoreceu sua ocupação com a criação rotas e feiras de gado. Por Uiraúna situar-se na divisa Paraíba–Ceará–Rio Grande do Norte, a localidade foi ponto estratégico de ocupação.

Outro fator importante para a sua colonização foi o espírito expansionista da família D'Ávila, que anexaram a seus domínios as terras banhadas pelo Rio do Peixe (Sousa, São João do Rio do Peixe, Uiraúna...). Eles provinham da Casa da Torre na Bahia e exploraram grande parte do Nordeste brasileiro com o intuito de acumular capitais através da pecuária.

Tendo em vista o grande território conquistado pela Casa da Torre, os D’Ávila, para que pudessem assegurar a ordem e impor a soberania de Portugal, começaram a outorgar títulos de capitão-mor, sargento-mor e entre outros, com o intuito de estabelecer o domínio em suas terra, nomeavam também procuradores que lhes pagavam o foro e lhes serviam em troca de apoio e força junto ao governo colonial.

Há relatos que mostram que em 1691 o capitão-mor Antônio José da Cunha, vindo de Pernambuco, estabeleceu-se na região, onde hoje está situado o município, organizando fazendas de gado e conseguindo a amizade dos índios Icós pequenos que habitavam a região do Rio do Peixe e eram tribo dos Tapuias-Cariris.

Nessa conjuntura, pelos idos do século XVIII, o território foi doado em forma de sesmaria ao alferes Alexandre Moreira Pinto e João Nunes Leitão.

Vale destacar a importância do Rio do Peixe, que, mesmo intermitente, revelou-se como importante meio de sobrevivência tanto para os índios quanto para os criadores de gado e seus respectivos escravos.

Na segunda metade do século XIX os senhores João Claudino de Galiza, Henrique Caetano de Galiza, Claudino Coutinho de Galiza e Joaquim Duarte Coutinho fixaram-se na região e deram-lhe o nome de Belém do Arrojado, em 1872.

Por volta de 1874 foi fundada uma modesta capelinha pelo Padre José Joaquim de França Coutinho (filho de Joaquim Duarte Coutinho e França Caetano Coutinho) que havia se ordenado no Seminário de Olinda e regressado com o objetivo de construir a ermida. No mesmo local onde foi construído a capela, encontra-se, atualmente, a Igreja Matriz Jesus, Maria e José. A padroeira do município é a mesma desde do século XIX.

Pelo seu trabalho e amor a terra natal, o Padre França é considerado o fundador do município, sendo em 1940, erguido uma estátua em sua homenagem na praça e rua que levam seu nome.

Paralelamente a vinda dos criadores de gado ao sertão, nascia no Brasil, sobretudo nos estados do Nordeste e do Sul, uma nova classe de trabalhadores, os tropeiros, que tinham papel de extrema importância para as vilas e cidades do interior, pois na ausência de caminhões (que fora inventado em 1896, mas por ter altíssimo custo só chegaria ao Brasil décadas depois) eles iam na condução das tropas de mulas buscar em outras cidades produtos que o interior necessitava. Os tropeiros uiraunenses eram conhecidos por “Tropeiros do Sertão” e geralmente iam ao Cariri cearense e a Mossoró na busca de rapadura, algodão e farinha.

Durante a República Velha o município foi palco de duas grandes rebeliões famosas até hoje, são elas a Coluna Prestes e Lampião. A Coluna Miguel Costa-Prestes, mais conhecida por Coluna Prestes, foi um movimento político-militar que pregava a insatisfação com a República Velha, a exigência do voto secreto e a defesa do ensino público, liderada por Luís Carlos Prestes a rebelião passa pela terra de Padre França, primeiramente pela comunidade de Aparecida, logo após chega a Luís Gomes e depois voltando a terras uiraunenses vai ao Olho d'Água Seco, depois para Santa Umbelina e também para Quixaba, quando parte em direção ao município de Vieirópolis. Lampião foi o mais famoso cangaceiro da história do Brasil, em Uiraúna suas visitas (1927) foram consideravelmente rápidas e tanto na primeira como na segunda fez o mesmo trajeto. Um fato curioso a se comentar que foi a partir da recuada de Lampião na região que começou a perder nas suas batalhas, até que onze anos depois fosse morto.

Nesse período também aconteceu um fato que influenciou a formação cultural do município, foi a Revolta do Juazeiro, que consistia num confronto armado entre as oligarquias cearenses e o governo federal, provocado pela interferência do poder central na política estadual, ou seja, em 1911 o prefeito de Juazeiro do Norte, o Padre Cícero, resolveu não aceitar algumas ordens do governo federal; em resposta o governo enviou tropas, instaurando um verdadeiro conflito em todo interior cearense, então várias pessoas, com medo do que poderia acontecer, se refugiaram em outras cidades. Assim quatro músicos da cidade de Missão Velha vieram parar em Uiraúna e em busca de emprego procuraram Padre Costa, que juntos tiveram a ideia de ensinar música aos uiraunenses. Desse modo nascia em 1914 a Banda Costa Correia, que hoje se chama Banda de Música Jesus, Maria e José e dá ao município o título de terra dos músicos.

Os tempos de ouro do município ocorreu durante o cultivo do algodão: foram os criadores de gado do século XIX que deram a grande contribuição para o seus desenvolvimento nessas terras. O "ouro branco", como era chamado antigamente, se adequou perfeitamente ao solo uiraunense e paraibano, e como houve alta produção várias usinas algodoeiras vieram a Uiraúna, como a SANBRA e a ALGASA. A cidade vivia do algodão e seu desenvolvimento veio através dele, trazendo até bancos como o PARAIBAN, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco, mas um inseto originário da América Central, o bicudo, infestou todo o Brasil trazendo altíssimos prejuízos para a cidade; como principal exemplo, o fim de todas essas empresas citadas acima e a perda de toda produção, levando Uiraúna e todo o Brasil a uma grave crise.

Em 1994, perde parte do seu território: os distritos de Poço Dantas e Santarém (atual Joca Claudino) se emancipam, ganhando a condição de municípios.

Emancipação política e primeiras eleições

thumb|esquerda|200px|Dr. Osvaldo oficializando a emancipação

thumb|esquerda|200px|Panfleto em que Dr. Osvaldo anuncia a emancipação do município

De acordo com as divisões territoriais de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937 e com o Decreto-Lei Estadual nº 1010, de 30 de março de 1938, o território passou a figurar como distrito de São João do Rio do Peixe (município na época denominado Antenor Navarro), com o nome Belém.

Em 15 de novembro de 1938, o distrito Belém passava-se a chamar Canaã, conforme Decreto-Lei Estadual nº 1164.

Em 31 de dezembro de 1943, o Decreto-Lei estadual nº 520 alterou o nome do distrito de Canaã para Uiraúna.

A luta pela autonomia política começou por volta de 1940. Em 1950, para governador, vice-governador e senador, foram vitoriosos José Américo de Almeida (logo renunciaria para ser ministro de Vargas), João Fernandes e Rui Carneiro, candidatos da Coligação Democrática Paraibana (que incluía o PSD e o PL), apoiados por Osvaldo Cascudo. O novo quadro político paraibano fortaleceu o anseio autonomista uiraunense.

O principal defensor da autonomia foi o médico Osvaldo Bezerra Cascudo, que por mais de 10 anos trabalhou na causa, com a contribuição do então deputado estadual Fernando Carrilho Milanez e do Monsenhor Manuel Vieira.

Após aprovação legislativa em 27 de novembro, a emancipação foi concretizada em 2 de dezembro de 1953, pela Lei Estadual de número 972. Na data, Cascudo, dentro de um teco-teco, ao qual vinha de João Pessoa, lançou panfletos anunciando a separação. Assinada pelo então governador da Paraíba, João Fernandes de Lima, a lei previa a instalação oficial do município a 27 de dezembro do mesmo ano, quando foi empossado o primeiro prefeito, o sobralense, mas que vivia em Mossoró, Adolfo Rodrigues de Lima, que exerceu mandato até 29 de novembro de 1955. Nomeado pelo governador, Adolfo era comerciante e marido de Ozelita Cascudo Rodrigues, irmã de Osvaldo.RODRIGUES, João Batista Cascudo. V - ADOLFO RODRIGUES DE LIMA. In: ROSADO, Vingt-un (org.).A saga de um sobralense no país de Mossoró. 3. vol. Brasil, Fundação Guimaráes Duque, 2003. p. 18-21. Disponível em: https://colecaomossoroense.org.br/site/wp-content/uploads/2018/07/A-SAGA-DE-UM-SOBRALENSE-NO-PAÍS-DE-MOSSORÓ-III.pdf. Acesso em: 24 fev. 2022. O primeiro juiz da nova comarca foi Gentil da Cunha França. Quando da emancipação, Poço Dantas, então distrito de Antenor Navarro, passou a ser distrito de Uiraúna, o que fez o novo município ter limite com Icó, Ceará.

Em 1954, Uiraúna vota pela primeira vez enquanto município, para os cargos de senador, suplente de senador, deputado federal e deputado estadual, havendo forte votação local, pelo apoio de Cascudo, para os candidatos do PSD ou do coligado PL, como o eleito deputado federal Janduí Carneiro (PSD), e mesmo os não eleitos, como Fernando Milanez (PSD; para deputado estadual), Virgínio Veloso Borges (PL; para senador) e Assis Chateaubriand (PSD; para senador). O eleitorado era de 3.574, tendo havido uma abstenção de 41,63% (1.488) para deputado estadual e 41,66% (1.489) para deputado federal, enquanto para senador registrou-se 600 votos a mais que o eleitorado total ("abstenção negativa" de 16,79%), ou seja, 4.174 votos, o que se deve ao frágil regime de fiscalização eleitoral da época.