miniatura|Uma formiga dentro de âmbar do Báltico. miniatura|direita|Pedras de âmbar sem polimento.
Âmbar é resina de árvore fossilizada. É um material orgânico amorfo, usado como gema. É apreciado por sua cor, geralmente amarela, laranja ou marrom e, às vezes, vermelha, e por sua beleza natural desde a pré-história, e foi trabalhado como gema na Antiguidade Clássica. O âmbar é usado em joalheria e aparece há séculos em remédios da medicina popular.
Uma classificação química divide as resinas fósseis em cinco classes. Como se origina de uma resina macia e pegajosa, o âmbar por vezes contém material animal e vegetal na forma de inclusões. A resina fóssil encontrada em camadas de carvão também é chamada de resinita, enquanto o termo ambrite é aplicado ao material encontrado em camadas de carvão da Nova Zelândia.
Etimologia A palavra portuguesa âmbar vem do árabe ʿanbar, que designava o âmbar cinza. No persa médio, ambar também era empregado para o âmbar cinza, substância sólida e cerosa produzida no aparelho digestivo do cachalote. Formas relacionadas passaram pelo latim medieval ambar e pelo francês médio ambre. Em inglês, a palavra entrou no inglês médio com o sentido de "âmbar cinza".
Nas línguas românicas, o sentido do termo foi estendido à resina fóssil já no fim do século XIII. Inicialmente distinguida como âmbar branco ou amarelo, em francês ambre jaune, essa acepção entrou no inglês no início do século XV. À medida que o uso do termo para o âmbar cinza diminuiu, a resina fóssil tornou-se seu significado principal.
Uma possível razão para a associação entre o "âmbar amarelo" e o "âmbar cinza" é que as duas substâncias podiam ser encontradas nas praias. O âmbar cinza flutua na água, enquanto a resina fóssil normalmente afunda em água doce, mas pode flutuar em solução salina concentrada devido à sua baixa densidade.
Os nomes clássicos do âmbar, o grego antigo ἤλεκτρον, ēlektron, e um de seus nomes em latim, electrum,Em latim, succinum era usado sem ambiguidade para o âmbar, enquanto electrum também designava uma liga de ouro e prata. foram relacionados ao termo grego ἠλέκτωρ, ēlektōr, "Sol radiante".No grego homérico, ver Ilíada 6.513 e 19.398. A forma feminina ἠλεκτρίς passou depois a ser usada como nome da Lua. Na mitologia, quando Faetonte, filho de Hélio, morreu, suas irmãs em luto se transformaram em choupos, e suas lágrimas viraram elektron, âmbar.
A palavra elektron deu origem a "elétrico", "eletricidade" e termos relacionados por causa da capacidade do âmbar de adquirir carga de eletricidade estática ao ser atritado. Em 1600, William Gilbert empregou o termo neolatino electricus, "semelhante ao âmbar", em De Magnete. A palavra "elétron" foi cunhada em 1891 pelo físico irlandês George Stoney. O âmbar é um isolante elétrico, propriedade que dificulta a dissipação da carga adquirida por atrito.
Nomes varietais Ao longo dos séculos, foram aplicados ao âmbar nomes regionais e varietais como alingita, beckerita, gedanita, kochenita, krantzita e stantienita.
História miniatura|Coleta de âmbar na costa do mar Báltico, perto de Gdańsk, na Polônia. Tempestades de inverno lançam fragmentos de âmbar à praia.
Teofrasto escreveu sobre o âmbar no século IV a.C., assim como Píteas, por volta de 330 a.C. Sua obra Sobre o Oceano se perdeu, mas foi citada por Plínio. Na História Natural, lê-se:
Píteas diz que os Gutones, um povo da Germânia, habitam as margens de um estuário do Oceano chamado Mentonomon, e que seu território se estende por seis mil estádios. A um dia de navegação desse território fica a ilha de Abalus, em cujas praias o âmbar é lançado pelas ondas na primavera, sendo uma excreção do mar em forma concreta. Diz ainda que os habitantes usam esse âmbar como combustível e o vendem aos vizinhos, os Teutões.
Antes disso, Plínio afirma que Píteas se refere a uma grande ilha, a três dias de navegação da costa da Cítia, chamada Balcia por Xenofonte de Lâmpsaco e Basilia por Píteas. A localização de Abalus permanece incerta. Um dicionário geográfico do século XIX propôs uma localização na costa prussiana do Báltico, enquanto outras interpretações a situaram no mar do Norte. Rotas comerciais ligavam o Báltico ao Mediterrâneo pelo âmbar, formando a chamada "Rota do Âmbar". Plínio afirma que os germanos exportavam âmbar para a Panônia, de onde os Vênetos o distribuíam.
Os antigos povos itálicos do sul da Itália trabalhavam o âmbar. O Museu Arqueológico Nacional da Sirítide, em Policoro, na província de Matera, Basilicata, conserva exemplares desse trabalho. A procedência do âmbar usado em Micenas e na pré-história do Mediterrâneo foi objeto de investigação, incluindo a hipótese de fornecimento por depósitos da Sicília.
miniatura|upright|Resina de madeira, matéria-prima do âmbar.
Plínio também cita a opinião de Nícias, para quem o âmbar
é um líquido produzido pelos raios do Sol. Esses raios, no momento do ocaso, atingindo com a maior força a superfície do solo, deixam sobre ela um suor untuoso, que é levado pelas marés do Oceano e lançado nas praias da Germânia.
Plínio menciona ainda explicações que reconheciam sua origem em resina de árvore e cita o nome latino succinum, ou sūcinum, de sucus, "suco". No livro 37, seção XI, da História Natural, escreveu:
O âmbar é produzido por uma medula expelida por árvores do gênero dos pinheiros, como a goma da cerejeira e a resina do pinheiro comum. É inicialmente um líquido, que escorre em quantidade considerável, e aos poucos endurece [...] Nossos antepassados também julgavam que era o suco de uma árvore e, por isso, deram-lhe o nome de "succinum". Uma grande prova de que é produto de uma árvore do gênero dos pinheiros é o fato de exalar cheiro semelhante ao do pinheiro quando esfregado e de, ao ser aceso, queimar com o odor e o aspecto da madeira de pinho usada em tochas.
Plínio afirma ainda que o âmbar era encontrado no Egito e na Índia. Ele menciona sua propriedade eletrostática ao escrever que, na Síria, as mulheres faziam os volantes de seus fusos com essa substância e lhe davam o nome de harpax, de ἁρπάζω, "arrastar", porque o material atraía folhas, palha e franjas leves de tecidos.
Os romanos comerciavam âmbar vindo das praias do sul do Báltico pelo menos desde a época de Nero.
O âmbar tem uma longa presença documentada na China, com referências escritas que remontam a cerca de 200 a.C. No início do século XIX, os primeiros relatos de âmbar encontrado na América do Norte vieram de descobertas em Nova Jérsia, ao longo do Crosswicks Creek, perto de Trenton, em Camden e nas proximidades de Woodbury.
Composição A composição do âmbar é heterogênea. Ele reúne substâncias resinosas mais ou menos solúveis em álcool, éter e clorofórmio, além de uma fração insolúvel. Não possui uma fórmula molecular única. Em muitas variedades, a fração insolúvel constitui uma rede de macromoléculas, formada pela polimerização e pela reticulação de precursores terpenoides, entre os quais podem permanecer moléculas menores. Outras classes de resina fóssil são constituídas principalmente por compostos não polimerizados.
Nas gimnospermas, os precursores incluem diterpenos, sobretudo compostos do tipo labdano, como ácido comúnico, communol e biformeno. As resinas das angiospermas podem ser ricas em sesquiterpenos ou triterpenos, enquanto as da família Fabaceae também incluem diterpenos labdanoides. As ligações duplas de alguns desses compostos participam da formação dos polímeros. A maturação pode envolver reações de polimerização por radicais livres, isomerização, reticulação e ciclização, além da perda de componentes voláteis.
Valores gemológicos usuais do âmbar são dureza de 2,0 a 2,5 na escala de Mohs, índice de refração próximo de 1,54 e densidade relativa em torno de 1,08, embora essas propriedades variem com a procedência e a composição. Sua estrutura é amorfa e, quando se rompe, pode apresentar fratura concoidal. O aquecimento provoca amolecimento e, a temperaturas mais altas, decomposição ou combustão, sem um ponto de fusão único aplicável a todas as variedades. A destilação destrutiva produz óleo de âmbar e deixa um resíduo negro chamado "colofônia de âmbar" ou "piche de âmbar". Dissolvido em óleo de terebintina ou óleo de linhaça, esse resíduo foi empregado na fabricação de "verniz de âmbar" ou "laca de âmbar".
Impurezas são frequentes, sobretudo quando a resina cai no chão, e podem tornar o material impróprio para outros usos além da fabricação de verniz. Esse âmbar impuro recebe o nome de firniss. Inclusões e alterações químicas podem mudar sua aparência. Cristais de pirita podem ocorrer em fissuras ou cavidades, enquanto pequenas bolhas dispersas na resina produzem a opacidade de variedades chamadas de "âmbar ósseo". O nome comercial "âmbar negro" também é aplicado ao azeviche, um material de origem vegetal distinto da resina fóssil. Em âmbar muito turvo ou opaco, as inclusões podem ser examinadas com técnicas de obtenção de imagens por raios X.
Formação A transformação da resina em âmbar envolve maturação química durante sua permanência nos sedimentos. O termo copal é aplicado a resinas menos maturadas, frequentemente mais jovens, mas a distinção não depende apenas da idade. A composição inicial e as condições de soterramento também afetam o resultado. Calor, pressão e reações químicas prolongadas podem favorecer a perda de componentes voláteis e, nas resinas apropriadas, a formação e o rearranjo de polímeros.
Para que isso aconteça, a resina precisa escapar da destruição. Muitas árvores produzem resina, mas na maioria dos casos o depósito é desfeito por processos físicos e biológicos. Luz solar, chuva, microrganismos e temperaturas extremas tendem a desintegrá-lo. A formação de âmbar exige uma resina suficientemente resistente ou condições que a protejam desses agentes.
As resinas fósseis da Europa incluem os âmbares do Báltico e materiais com afinidades químicas com resinas de Agathis. Muitos âmbares das Américas e da África apresentam afinidade com o gênero Hymenaea. A origem botânica do âmbar báltico permanece discutida. Uma proposta publicada em 2009 o relacionou a plantas da família Sciadopityaceae, com base na comparação química com resinas de coníferas viventes.
miniatura|Âmbar do Báltico com inclusões.
A produção anormalmente abundante de resina em árvores vivas recebeu o nome de succinosis.
miniatura|Âmbar de Bitterfeld.
Extração e processamento
Distribuição e mineração miniatura|upright=1.35|Mina de âmbar a céu aberto "Primorskoje", em Jantarny, oblast de Caliningrado, Rússia.
miniatura|Extração de âmbar do Báltico em depósitos do Holoceno, em Gdańsk, Polônia.
O âmbar foi encontrado em todos os continentes, incluindo a Antártida, sobretudo em rochas do Cretáceo ou mais recentes. A costa a oeste de Königsberg, na Prússia, foi por muito tempo a principal fonte mundial de âmbar. As primeiras menções a depósitos de âmbar nessa área datam do século XII. Juodkrantė, na Lituânia, tornou-se um centro de mineração em meados do século XIX. O Complexo do Âmbar de Caliningrado estima que cerca de 90% das reservas mundiais de âmbar se concentrem na região de Caliningrado, onde explora o depósito de Primorsky.
Pedaços arrancados do fundo do mar são lançados pelas ondas à costa e recolhidos à mão, por dragagem ou por mergulho. Em outros lugares, o âmbar é extraído em minas a céu aberto ou em galerias subterrâneas. O sedimento aderido é removido, e a crosta opaca pode ser retirada em tambores giratórios com areia e água. Nos pedaços desgastados pelo mar, a própria erosão remove essa crosta. O âmbar dominicano é retirado por escavação em poços-sino, método que apresenta risco de desabamento dos túneis.