thumb|upright=1.25|Uma seleção de seixos de gemas polidos por abrasão em tambor cilíndrico. O seixo maior tem 40 mm de comprimento. 1 - Turquesa, 2 - Hematita, 3 - Crisocola, 4 - Olho de tigre 5 - Quartzo, 6 - Turmalina, 7 - Cornalina, 8 - Pirita, 9 - Sugilita, 10 - Malaquita, 11 - Quartzo rosa, 12 - Obsidiana, 13 - Rubi, 14 - Ágata muscínea, 15 - Jaspe, 16 - Ametista, 17 - Ágata azul, 18 - Lápis-lazúli

Uma gema (do latim gemma) ou pedra preciosaFERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 843. é um mineral, rocha ou material petrificado que, quando lapidado ou polido, é colecionável ou usável para adorno pessoal em joalharia. Algumas são orgânicas, como o âmbar (resina de árvore fossilizada) e o azeviche (uma forma de carvão). Certas gemas, embora valiosas e bonitas, não são suficientemente duras ou são demasiado frágeis para serem usadas em joias (por exemplo, rodocrosita), mas são exibidas em museus e procuradas por colecionadores.

Características e classificação

As gemas são descritas e classificadas através de diferentes especificações técnicas. Em primeiro lugar vem a sua composição química. Os diamantes, por exemplo, são constituídos por carbono (C), os rubis e safiras, por óxido de alumínio (Al2O3). Dependendo da simetria dos cristais, as gemas são enquadradas em um de sete sistemas cristalinos: cúbico, hexagonal, trigonal, tetragonal, ortorrômbico, monoclínico ou triclínico. Um outro termo usado é o hábito, a forma ou combinação de formas que a gema exibe. Como exemplo, os diamantes cristalizam no sistema cúbico e são encontrados frequentemente na forma octaédrica.

As gemas são classificadas em grupos, espécies ou variedades. Por exemplo: o rubi é a variedade vermelha da espécie coríndon enquanto todas as outras cores desse mineral constituem a variedade safira. A esmeralda (verde), a água-marinha (azul), a bixbita (vermelha), o gochenita (incolor), o heliodoro (amarelo) e a morganite (rosa) são todas variedades da espécie mineral berilo. Turmalina e granada são nomes de grupos de gemas, não de uma espécie ou variedade. As gemas caracterizam-se por: índice de refração, dispersão, peso específico, dureza, clivagem, modo de fratura e brilho. Podem exibir ou não pleocroísmo e luminescência e têm um espetro de absorção característico de cada uma delas.

Certos materiais ou falhas numa gema podem estar presentes na forma de inclusões características. As gemas de um determinado local podem apresentar características próprias que não são vistas na mesma gema quando procedente de outros locais.

As gemas e demais substâncias gemológicas podem ser classificadas, conforme se vê na tabela abaixo.

Classificação das substâncias gemológicas SubstânciaUsoExemplos típicosGemasGemas NaturaisMineraisAdorno pessoalEsmeralda, diamante, turmalinas, granadas, rubi, safira, ametista, etc.OrgânicasCoral, âmbar, pérola, marfim, etc.Pérolas cultivadasPérolas Biwa, Mabe, South Sea, Taiti.Gemas sintéticasEsmeralda sintética, rubi sintético, diamante sintético, etc.Gemas artificiaisZircônia cúbica, YAG, GGG, fabulita, etc.Gemas reconstituídasTurquesa reconstituída, lápis-lazúli reconstituído, âmbar reconstituído.Gemas tratadasTopázio irradiado, citrino obtido por tratamento de ametista, etc.Gemas realçadasEsmeralda tratada com óleosGemas revestidasEsmeralda revestidaGemas compostasGema + gema, gema + vidro, etc.Metais nobresOuroOuroPrataPrataGrupo da platinaPlatina, paládio e ródio.Pedras ornamentaisMinerais decorativosDecoração de interioresÁgata, sodalita, quartzo rosa, malaquita, alabastro, etc.Rochas ornamentaisAcabamentos arquitetônicosMármores, granitos, ardósias, etc. Fonte:BRANCO, Pércio de Moraes. Dicionário de Mineralogia e Gemologia. 2 ed. rev. ampl., S. Paulo, Oficina de Textos, 2014. 608 p il. p. 470

Valor thumb|upright|Pendente espanhol em ouro e esmeralda no Victoria and Albert Museum. thumb|upright|Pendente em ouro esmaltado, ametista e pérola, c. 1880, atribuído a Pasquale Novissimo (1844–1914), Museu V&A (número de inventário M.36-1928). Não existe um sistema padronizado e universalmente aceito para a classificação de todas as gemas. Os diamantes são avaliados segundo um sistema desenvolvido pelo Instituto Gemológico da América (GIA) no início da década de 1950. Historicamente, todas as pedras preciosas eram classificadas a olho nu; o sistema do GIA introduziu uma inovação fundamental ao adotar a ampliação óptica de 10× como padrão laboratorial para a avaliação da pureza (clareza). Outras gemas continuam sendo avaliadas prioritariamente a olho nu (pressupondo acuidade visual 20/20).Wise, R. W., 2006, Secrets of The Gem Trade, The Connoisseur's Guide to Precious Gemstones, Brunswick House Press, p. 36

O recurso mnemônico dos «quatro Cs» (color, cut, clarity e carat — cor, lapidação, pureza e peso em quilates) foi criado para estruturar os parâmetros de classificação do diamante. Com adaptações, essas categorias também auxiliam na avaliação qualitativa das demais gemas. O peso relativo de cada critério varia conforme se trate de gemas coradas ou de diamantes incolores: nos diamantes incolores, a lapidação (cut) é o determinante primário de valor, seguida pela pureza e pela cor. Um diamante lapidado com proporções ideais maximiza o retorno de luz ao decompor a luz branca nas cores do espectro (dispersão), fragmentá-la em reflexos cintilantes dinâmicos (cintilação) e direcioná-la aos olhos do observador (brilho). Em seu estado bruto cristalino, o diamante não manifesta tais efeitos ópticos, exigindo geometria e angulação precisas na lapidação. Já em gemas coloridas — incluindo os diamantes de cores extravagantes (fancy) —, a saturação, o tom e a beleza da cor constituem o determinante primordial de qualidade e valor.Wise, R. W., 2006, Secrets of The Gem Trade, The Connoisseur's Guide to Precious Gemstones, Brunswick House Press, p. 15.

As características físicas que agregam valor a uma gema corada incluem a cor, a pureza em menor escala (esmeraldas, por exemplo, contêm quase que invariavelmente inclusões e fissuras internas), a qualidade do corte e a ocorrência de fenômenos ópticos especiais, como o zoneamento de cor (distribuição irregular do pigmento em faixas ou setores) e o asterismo (efeito luminoso em forma de estrela).

Além das pedras mais tradicionais — diamante, rubi, safira e esmeralda —, a pérola e a opala também foram historicamente classificadas como pedras preciosas no comércio de joias. Até a descoberta de abundantes jazidas no Brasil no século XIX, a ametista também era considerada uma pedra preciosa de primeira grandeza (integrando o grupo das chamadas gemas cardinais desde a Grécia Antiga). Mesmo durante o século XX, minerais como água-marinha, peridoto e olho-de-gato (crisoberilo cimofano) alcançaram elevado apreço no mercado, reforçando a correlação entre escassez na natureza, categorização formal e valor econômico.

Atualmente, o comércio gemológico evita a antiga distinção rígida entre pedras preciosas e semipreciosas. Diversas variedades minerais são empregadas na alta joalheria, com valores atrelados à assinatura do designer, tendências de moda, disponibilidade de mercado e tratamentos aplicados. Não obstante, o diamante, o rubi, a safira e a esmeralda preservam um prestígio histórico e comercial superior ao das demais pedras.

Gemas raras ou incomuns — categoria que abrange espécimes cuja ocorrência com transparência e qualidade para lapidação é tão infrequente que permanecem restritos ao conhecimento de colecionadores e especialistas — incluem minerais como andaluzita, axinita, cassiterita, clinohumita, painita e berilo vermelho.

A precificação e o valor comercial são determinados por atributos qualitativos que compreendem pureza, raridade, homogeneidade interna, apelo visual e demanda mercadológica. Os mecanismos de formação de preços diferem substancialmente: nas gemas coradas, a cotação depende da relação direta entre oferta e procura nos centros de lapidação e comercialização, enquanto no mercado de diamantes os parâmetros são mais tabulados e regulados por listas de preços do setor atacadista.

Além do valor estético e ornamental na joalheria, praticantes e proponentes da chamada medicina energética atribuem valor comercial e místico às gemas em razão de alegadas propriedades terapêuticas e de poderes curativos.

Tratamento Gemas são frequentemente tratadas para realçar sua cor ou pureza. Em alguns casos, o tratamento aplicado também pode aumentar a durabilidade do mineral. Embora pedras preciosas naturais possam ser aprimoradas pelos métodos tradicionais de corte e lapidação, outros processos de tratamento permitem modificar e elevar sua aparência estética. Dependendo do tipo e da intensidade do processo empregado, o valor de mercado da gema pode ser substancialmente alterado. Determinados tratamentos são amplamente aceitos pelo mercado quando o resultado obtido é estável e permanente, ao passo que outros sofrem rejeição comercial, principalmente nos casos em que a cor resultante é instável e sujeita a desbotamento ou reversão ao tom original.

Primórdios Milênios antes do surgimento das ferramentas modernas, diversas técnicas empíricas já eram empregadas para tratar e realçar pedras preciosas. Alguns dos métodos mais antigos remontam à Civilização Minoica, a exemplo do foiling (aplicação de lâminas reflexivas), processo no qual uma fina folha metálica era posicionada sob a gema para intensificar o brilho e a saturação da cor. Outros métodos descritos há dois mil anos na enciclopédia História Natural, de Plínio, o Velho, incluem a aplicação de óleos vegetais e o tingimento com corantes orgânicos.

Tratamento térmico O calor pode melhorar ou prejudicar a cor e a transparência de uma gema. O processo de tratamento térmico é de conhecimento tradicional de garimpeiros e lapidários há séculos, constituindo uma prática padrão para diversas variedades minerais. A maior parte do citrino comercial é produzida por meio do aquecimento de ametistas, e o aquecimento parcial com gradiente térmico acentuado resulta no ametrino — uma gema híbrida, parte ametista e parte citrino. A água-marinha costuma ser aquecida para eliminar subtons amarelados indesejados, transformar matizes esverdeados no azul tradicional ou aprofundar a saturação do azul pré-existente.

Praticamente toda a tanzanita comercializada é aquecida a baixas temperaturas para neutralizar nuances amarronzadas e evidenciar a coloração azul-violácea característica. Uma parcela substancial de rubis e safiras também passa por tratamentos térmicos para dissolver inclusões de rutilo, aprimorando a pureza e a intensidade cromática.

Durante o conserto ou a soldagem de joias montadas com diamantes, a gema deve ser protegida com uma camada de ácido bórico; caso contrário, o diamante, por ser carbono puro cristalizado, pode sofrer combustão superficial com formação de névoa esbranquiçada ou ser inteiramente calcinado. Já no caso de joias com safiras ou rubis, as gemas não devem entrar em contato com ácido bórico (que pode atacar e corroer o coríndon) nem com outros reagentes químicos. Embora não necessitem de proteção contra combustão como os diamantes, essas pedras exigem isolamento térmico (geralmente por imersão em água durante a aplicação do maçarico) para evitar fraturas por estresse térmico.

Irradiação

O processo de irradiação é amplamente empregado na indústria joalheira e possibilita a indução de tonalidades que não ocorrem naturalmente ou que são extremamente raras. No entanto, quando realizado por nêutrons em reatores nucleares, o procedimento pode induzir radioatividade residual nas pedras. Os riscos potenciais à saúde humana decorrentes dessa ativação neutrônica levaram à criação de legislações e controles sanitários rigorosos em múltiplos países.