A Companhia Carris de Ferro de Lisboa (CCFL, por vezes CFL, ou, simplesmente, Carris) é uma empresa de transporte público rodoviário coletivo de passageiros da cidade de Lisboa, Portugal. thumb|right|Funiculares da Carris: Glória, Bica, e Lavra. thumb|right|Elétrico remodelado da Carris. thumb|right|Elétrico articulado na Praça da Figueira. thumb|right|Autocarro standard da Carris. Empresa Foi fundada em 1872 como empresa privada concessionária do serviço público dos transportes coletivos de passageiros na capital portuguesa. Foi desde 1975 tutelada pela Secretaria de Estado das Obras Públicas, dos Transportes e das Comunicações dependente do Ministério da Economia (e equivalentes diacrónicos). Porém, em 2015, o XXI Governo Constitucional decidiu que as empresas de transportes coletivos de Lisboa e do Porto ficariam sob a alçada do Ministério do Ambiente.http://www.sapo.pt/noticias/transportes-urbanos-passam-para-a-tutela-do_5661a1b2a141bb2330effa5b Passou à alçada municipal em 2017.

Desde 1 de fevereiro de 2017, a gestão da Carris é tutelada pela Câmara Municipal de Lisboa. O acordo assinado entre o Ministério do Ambiente e a Câmara Municipal de Lisboa foi assinado a 19 de novembro de 2016, acordando assim que toda a gestão da empresa passe a ser da responsabilidade desta. A gestão da Carris era uma ambição antiga da CML e esta decisão do XXI Governo Constitucional surge na sequência da suspensão do processo de subconcessão das empresas de transportes públicos de Lisboa (Metro e Carris) ao grupo espanhol Avanza, lançado em 2015 pelo XIX Governo Constitucional e bastante criticada pelos partidos da oposição. Atualmente, o presidente da Carris é Rui Lopo, que iniciou funções em janeiro de 2026, após aprovação da Câmara de Lisboa em dezembro de 2025. Sucede a Pedro Bogas, nomeado em 2022, e que apresentou a demissão em outubro de 2025, na sequência do acidente do Elevador da Glória.

(*) A redução do número de elétricos diponíveis fica a dever-se a transferências para a frota da CarrisTur, não a abates reais. 2005 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 20182019 Funcionários 2787 2766 2761 2771 2634 2396 2225 2141 1995 2027 2112 23212450 Tripulantes Dos quais 165 eram guarda-freios 1763 1855 1866 1836 1738 1560 1491 1412 1420 1432 1488 1633 1737 Autocarros 785 749 752 755 707 632 632 619 600 599 603 608 706 Elétricos* 58 49 49 49 49 49 49 48 48 48 48 48 48 Ascensores 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 Elevadores 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 22

O serviço é oferecido de acordo com princípios de "prestação do serviço de transporte público urbano de superfície de passageiros, orientada por critérios de Sustentabilidade, contribuindo para um desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades."Carris - Missão, Visão e Valores. Disponível na internet em http://www.carris.pt/pt/missao-visao-e-valores/. Consultado a 8 de março de 2014. A rede da Carris funciona 24 horas por dia em três escalões: Serviço Diurno: das 05h00 às 21h30, aproximadamente; Serviço Noturno: das 21h30 às 01h00, aproximadamente; Rede da Madrugada: das 23h45 às 05h35, aproximadamente.

Rede e frota Em 2023 a Carris opera um total de 109 carreiras, dividas em 4 meios de transporte (autocarro, elétrico, funicular e elevador), numa rede que funciona 24 horas por dia.

Autocarros A rede de autocarros da Carris tem um comprimento de 720 km (dados de 2019), dos quais 65 km se desenvolvem em corredores reservados (vias BUS), sendo a mesma composta por 99 carreiras de autocarro, das quais:

6 pertencem à rede da Madrugada. 28 pertencem à rede de Bairros.

65 pertencem à rede Diurna.

Algumas destas carreiras são adaptadas ao transporte de pessoas de mobilidade reduzida, oferecendo veículos com rampas de acesso e áudio-guias que permitem a compreensão do percurso e ligações de cada carreira. Além disso cinco carreiras permitem o transporte de bicicletas (serviço Bike Bus): , , , e .

A frota de 2012 conta com cinco tipos de veículos: standard (488 veículos das marcas Volvo, MAN e Mercedes-Benz) articulado (90 Volvo B10M e Mercedes-Benz O530 G) médio (20 veículos da marca MAN), (6 veículos das marcas MAN e Mercedes-Benz) mini (34 Mercedes Benz Sprinter).

O grau de cobertura, que se obtém dividindo a receita direta pelos gastos diretos antes das indemnizações compensatórias, do modo autocarro é de 109,8% em 2016, um aumento de 10,8 pontos percentuais face a 2015. O resultado bruto de exploração e o resultado económico por cada passageiro transportado são, por isso, positivos.

Em 2022 a Carris contava com uma frota de 732 autocarros distribuídos por 6 tipologias de veículos:

Standard - 510 veículos das marcas Volvo, MAN e Mercedes-Benz Standard elétrico - 15 veículos da marca Caetano (Toyota) Articulados - 89 veículos da marca Mercedes-Benz Médios - 57 veículos da marca MAN Mini - 61 veículos das marcas MAN e Mercedes-Benz Passageiros com Mobilidade Reduzida - 5 veículos das marcas MAN e Mercedes-Benz

Entre 2023 e 2026 a Carris planeia investir 170 milhões de euros em renovação da frota. Até ao final de 2023 a empresa irá receber 44 autocarros elétricos (30 de tamanho standard e 14 de tamanho mini) e 24 autocarros articulados a gás natural, alcançando a marca de ter 50% da sua frota movida a meios menos poluentes. Em 2026 a empresa deverá ter 80% da sua frota movida a meios menos poluentes com a aquisição de mais cerca de 350 autocarros movidos a energias limpas.

Elétricos

Desde 2018, a rede de elétricos da Carris é composta por seis carreiras (, , , , e ) percorrendo um total de 53 km, sendo 13 km em faixa reservada.

Em 2016, a frota que opera as carreiras de elétricos é constituída por 10 carros elétricos articulados (série 501-510), por 38 remodelados (série 541-585). Os articulados apenas podem percorrer a carreira , enquanto as restantes séries podem alcançar toda a rede. As seis carreiras de elétricos prestam serviço na zona urbana da Carris, mas a carreira sai de Lisboa em Algés, no concelho de Oeiras.

O grau de cobertura, que se obtém dividindo a receita direta pelos gastos diretos antes das indemnizações compensatórias, do modo elétrico é de 149,9% em 2016, um aumento de 13,9 pontos percentuais face a 2015. Com esta realidade, em 2016 o modo elétrico teve uma margem bruta positiva de 5,1 milhões de euros. Por passageiro, o resultado económico por cada passageiro transportado é positivo.

Em 2023 foram adquiridos 15 elétricos articulados, os quais começaram a circular na carreira no dia 22 de setembro. Estes 15 novos elétricos articulados não só têm uma maior lotação como uma maior dimensão, com 28 metros de comprimento, e representaram um investimento na ordem dos 40,4 milhões de euros.

Ascensores / Funiculares e Elevadores A Carris também opera três funiculares (Glória , Lavra e Bica ) e um elevador vertical (Santa Justa ). Desde 2002 que estes modos de transporte são Monumentos Nacionais.

Estava prevista para 2023 que a Carris iniciasse a operação de um quarto funicular entre os bairros da Mouraria e da Graça, 120 anos depois de ter sido desativado o Elevador da Graça, o qual fazia a ligação entre a Rua da Palma e o Largo da Graça (com parte da infraestrutura na altura reaproveitada para circulação da atual carreira de elétricos . Tal operação não se concretizou e a EMEL substituiu a Carris na operação do Funicular da Graça.

História 1872 - Criação da empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa (CCFL), no Rio de Janeiro. 1873 - Adquiriação dos direitos pelos irmãos Luciano Cordeiro de Sousa e Francisco Cordeiro de Sousa para a implantação de um sistema de transporte com carros americanos (veículos transitando em carris e puxados por animais) na cidade de Lisboa, denonimado Viação Carril Vicinal e Urbana a Força Animal. Aprovação pela Câmara Municipal de Lisboa o trespasse desta concessão para a Carris no mês seguinte. Início da exploração do serviço público da Carris em Novembro, prestado por carros americanos, ligando a estação da linha férrea do Norte e Leste ao Aterro da Boavista. 1874 - Construção e inauguração da Estação de Santo Amaro, nos terrenos da velha "Quinta do Saldanha". 1876 - A Carris torna-se exclusivamente portuguesa e legalmente reconhecida como Sociedade anónima. 1882 - Adquirição dos terrenos da antiga "Quinta do Poço Caído", construção e inauguração da Estação do Arco do Cego. 1884 - Inauguração do ascensor do Lavra. 1885 - Inauguração do ascensor da Glória. 1892 - Inauguração do ascensor da Bica. Início da monopolização da rede de transportes públicos da capital por parte da Carris até ao início do século XX, absorvendo com o passar dos anos várias empresas como a Casa Rippert, a Viação Urbana a Vapor, a Salazar, a Char-à-bancs, a Jacinto, a Luzitana, a Simplício, a Florindo e a Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa; A Chora foi a única a resistir a essa monopolização, extinguindo-se em 1917. 1897 - Novo contrato entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris para a substituição do sistema de tracção animal pela tracção eléctrica. 1899 - Contratação da empresa Wernher, Beit & Co. pela Carris, para a transformação do sistema, esta que eventualmente cederia à Lisbon Electric Tramways Limited (L.E.T.L.) todos os direitos e obrigações assumidos por aquele contrato. 1900 - Construção da "geradora", uma central termoelétrica a carvão, que fornecia energia para a operação da rede. 1901 - Início da exploração do serviço público de carros elétricos, com a eletrificação da linha entre o Cais do Sodré e São José de Ribamar. thumb|250px|Dos primeiros autocarros da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, em 1912. 1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa. 1912 - Experiência da Carris com pequenos autocarros de ligação ao serviço dos elétricos. Por não terem tido a adesão suficiente, rapidamente foram descontinuados. 1926 - Absorção da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa para a Carris. 1928 - Os novos sentidos de circulação nas estradas Portuguesas obrigam a um esforço hercúleo por parte da Carris na modificação de diversas agulhas e terminais de elétricos de modo a adaptá-los às normas vigentes. 1937 - Construção e inauguração da Estação das Amoreiras. 1940 - Para reforçar o transporte para a Exposição do Mundo Português, a Carris implementa uma carreira de autocarros entre a Baixa e o local da exposição, Belém, com 6 viaturas adquiridas para o efeito. 1944 - Aproveitando os veículos adquiridos para assegurar o transporte para a exposição de 1940, a Carris dá início à exploração do serviço público com autocarros com duas carreiras de ligação da Baixa de Lisboa ao Aeroporto e duas carreiras circulares em torno da zona central da cidade de Lisboa. 1958 - Construção e inauguração da Estação do Cabo Ruivo. 1960 - Reorganização do serviço de elétricos na zona central da cidade, motivado pelo início do serviço de metropolitano entre a Baixa e Sete Rios/Entrecampos, locais onde se construíram terminais de transferência. Foram ainda criados bilhetes de transferência entre os elétricos e o metropolitano. 1976 - Construção e inauguração da Estação da Pontinha, substituíndo a antiga Estação das Amoreiras. 1979 - Construção e inauguração da Estação e Complexo de Miraflores, onde se localiza desde então o núcleo administrativo da empresa. 1981 - Inauguração da Estação da Musgueira. 1988 - Reorganização do serviço noturno da Carris, aproximando-o da configuração atual. 1990 - Início da renovação da frota de autocarros, com novos autocarros médios a chegar e que atuavam em carreiras com percursos sinuosos e zonas da cidade menos acessíveis. 1991 - Começo da operação dos primeiros autocarros articulados. 1993 - Adquirição de autocarros minis para as ruas estreitas da cidade. 1995 - Início do processo de modernização da rede de elétricos, com a aquisição de 10 veículos articulados: mais espaçosos, seguros, cómodos e rápidos.