Os cristadelfianos (do grego Christou Adelphoi, "Irmãos de Cristo"Ver Colossenses 1:2 - "irmãos em Cristo".Bíblia Aberta. Os Cristadelfianos (Irmãos em Cristo), introdução - Carter, John (Maio 1955). "Our name". The Christadelphian 92:181.) constituem uma denominação cristã unitária que se desenvolveu no Reino Unido e América do Norte no século XIX. Existem aproximadamente 50.000 - "Christadelphians", The Columbia Encyclopedia. Disponível online cristadelfianos em muitos países do mundo - Ecclesias Around the World Christadelphia World Wide quer em grupos quer isolados (120 países - CBM Worldwide Guide 2006, Christadelphian Bible Mission(Reino Unido), 2006.). Estimativas dos centros principais de população cristadelfiana são como se segue: Reino Unido (18000), - UK Christian Handbook 2004, as quoted in 'Focus on Christadelphian Community', Multicultural Matters, Outubro de 2004 (Londres: Building Bridges, 2004). Disponível online Austrália (9987), - Religious Affiliation—Australia: 2001 and 1996 Census Malawi (7000), Moçambique (5300), Estados Unidos (6500), - 'Christadelphians', The Columbia Encyclopedia. Disponível online Canadá (3375), - 'Christadelphians', The Canadian Encyclopedia. Available online Nova Zelândia (1782), - 2006 Census figures from Zealand Statistics Quénia (1700), Índia (1300) e Tanzânia (1000).As Estatísticas para Malawi, Mozambique, Quénia, e Tanzânia: - Christadelphian Bible Mission (UK); estatísticas da Índia: - CBM Worldwide Guide 2007, Christadelphian Bible Mission (UK), 2007 Isto coloca o número de cristadelfianos acima dos 55.000.
Crenças left|300px|thumb|Capela cristadelfiana, Esslingen, Alemanha Os cristadelfianos afirmam basear as suas crenças inteiramente na Bíblia e não aceitam outros textos como sendo inspirados por Deus. Acreditam que Deus é o criador de todas as coisas e o Pai dos verdadeiros crentes. Deus e Jesus Cristo não são um ser, mas dois. Entendem que o Espírito Santo não é uma pessoa, mas sim o poder de Deus usado na criação e para a salvação, tendo sido concedido a certos crentes, para propósitos específicos, em algumas épocas da história.
Creem que Jesus é o prometido Messias, no qual as profecias e promessas do Antigo Testamento (particularmente aquelas feitas a Abraão e David) são cumpridas. Encaram-no como Filho do Homem, pois herdou a natureza de sua mãe, e também Filho de Deus por virtude da sua concepção milagrosa pelo poder de Deus, conforme referido na Bíblia. Embora tentado, não cometeu pecados, tornando-se um perfeito sacrifício representativo para trazer salvação à humanidade pecadora. Conforme entendem da Bíblia, Deus ressuscitou Jesus à imortalidade, tendo ascendido ao céu, à morada de Deus. Os cristadelfianos acreditam que Jesus irá voltar à Terra, em pessoa, para estabelecer o Reino de Deus, cumprindo assim as promessas feitas a Abraão e ao Rei David. Creem que esse Reino estará centrado em Israel, mas que Jesus reinará sobre todas as nações da Terra sendo Jerusalém a sua capital.
Os cristadelfianos ensinam que alguém só pode tornar-se discípulo de Cristo por crer nos seus ensinos, por meio do arrependimento e através de imersão total em água. Para eles, o batismo não deve ser administrado a bebês mas apenas aos que têm idade suficiente para perceber as suas ações. Embora salvos pela fé na graça de Deus, a fé verdadeira manifestar-se-á em obras, e assim espera-se que os crentes vivam uma vida consistente com o ensino da Bíblia.
Creem que, depois da morte, os crentes estão num estado de não existência (também chamado de sono da alma), não tendo conhecimento de nada até à ressurreição, quando Jesus voltar. Depois do Julgamento, os que forem aceitos recebem o dom da imortalidade, e vivem com Cristo na Terra restaurada, ajudando-o a estabelecer o Reino de Deus e a reinar sobre a população mortal durante um período de mil anos, também conhecido por Milénio. Os cristadelfianos veem o futuro Reino de Deus como o ponto fulcral do Evangelho ensinado por Jesus e pelos apóstolos. Apontam para as profecias da Bíblia que se cumpriram, particularmente aquelas relativas às nações, como prova de que se pode confiar nas Escrituras.
Os cristadelfianos rejeitam um número de doutrinas tradicionalmente aceites pelas denominações Ortodoxas Cristãs, nomeadamente a imortalidade da alma, a Trindade, a preexistência de Cristo e a possessão dos dons do Espírito Santo nos nossos dias. Acreditam que, na Bíblia, onde aparecem as palavras "diabo" ou "Satanás", devem ser entendidas como o mal inerente na humanidade, ou pecado, e à inclinação dos seres humanos para desobedecerem ao Eterno Criador. Estes termos podem-se aplicar também a sistemas políticos ou a indivíduos em oposição ou conflito. O inferno é entendido como sendo simplesmente a sepultura para onde todos os homens vão, em vez de ser um lugar de tormento eterno. Os cristadelfianos acreditam que as doutrinas que rejeitam foram introduzidas na cristandade depois do primeiro século e que não podem ser demonstradas usando a Bíblia.
Os cristadelfianos são objetores de consciência, mas não pacifistas. Abstêm-se do envolvimento na política, de prestar serviço militar, entrar nas forças policiais e outros grupos organizados, tais como sindicatos. Dão grande ênfase à leitura e estudo da Bíblia, à oração e à moralidade. A adoração da congregação, que geralmente acontece aos Domingos, centra-se na lembrança da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sendo que os presentes partilham o pão e vinho.
História Houve pequenos grupos de crentes ao longo dos séculos, particularmente desde a Reforma Protestante, que mantinham pontos de vista não ortodoxos. Grupos como os anabaptistas, valdenses, socinianos, racovianos e a Irmandade Polaca partilharam algumas ou até muitas crenças que vieram a ser mantidas pelos cristadelfianos. Enumeram personalidades como Isaac Newton, Joseph Priestley, John Locke, William Tyndale como tendo tido crenças similares às dos actuais cristadelfianos acerca da unidade de Deus, mortalidade do homem e o papel dos Judeus no propósito de Deus.
A partir de meados do século XIX, surgiram grupos em muitas partes do Reino Unido e Estados Unidos da América que possuíam crenças similares às acima descritas e que mantinham alguma forma de relacionamento uns com os outros. De importância significativa foi a publicação em 1849 da obra de John Thomas, intitulada "Elpis Israel", onde expôs o seu entendimento das principais doutrinas da Bíblia. Até à Guerra Civil Americana, grupos associados com ele reuniam-se sob variados nomes, incluindo Crentes, Crentes Baptizados, a Real Associação de Crentes Baptizados, Crentes no Reino de Deus e Ântipas. Nessa altura, para se obter o estatuto de objector de consciência era necessário estar afiliado a uma igreja. Assim, em 1865, John Thomas para efeitos de registo escolheu o nome "cristadelfiano". Este nome é derivado do Grego para "Irmãos em (ou de) Cristo".
No século XIX, as igrejas cristadelfianas cresceram rapidamente no Reino Unido, na América do Norte e através do mundo, nos locais onde se falava a língua inglesa. Desde os primeiros dias dos cristadelfianos, muitos têm lido a Bíblia por conta própria e então entram em contacto com os cristadelfianos, juntando-se a eles.
Cismas Os cristadelfianos sofreram quatro divisões no início da sua história quando quatro grupos separam-se do corpo principal.
Em 1873, um certo número separou-se seguindo Edward Turney de Nottingham, e vieram a ser conhecidos como Irmandade dos Nazarenos. Após a morte de Turney, em 1879, a maioria de seus seguidores voltou para o grupo principal.Este grupo ficou à beira da extinção durante a maior parte de sua existência, mas o nome foi revivido várias vezes por indivíduos que deixaram o grupo principal. - Introdução (acedido a 09-02-2008) Entre 1884 e 1885, surgiu uma disputa acerca da inspiração da Bíblia. Robert Ashcroft, um membro de vulto, escreveu um artigo onde desafiava a crença acerca da inspiração divina das Escrituras. Na controvérsia que se seguiu, a eclésia de Birmingham desassociou-se de Ashcroft. Alguns membros, embora não concordassem com o ponto de vista de Ashcroft acerca da inspiração, não aprovaram a forma como a aquela eclésia lidou com a situação. Este grupo veio a abandonar a eclésia de Birmingham e formou uma nova que veio a tornar-se conhecida como a eclésia de Suffolk Street. As eclésias espalhadas pelo mundo que os apoiaram tornaram-se conhecidas como a Irmandade de Suffolk Street. A terceira divisão ocorreu em 1898 e centrou-se na doutrina do julgamento. Debatia-se se o julgamento se limitava aos crentes baptizados ou se era aplicado a todos os que ouviram a mensagem do Evangelho. A maioria, que aceitava que todos os que ouviram a mensagem do Evangelho eram responsáveis perante o Julgamento, emendaram a Declaração de Fé. Os que não aceitaram a emenda tornaram-se conhecidos como a Irmandade não emendada, do inglês Unamended Fellowship. O grupo proveniente das Irmandade de Suffolk Street e Unamended, das quais se separaram, tornou-se conhecido como Irmandade Temperance Hall. A quarta divisão ocorreu em 1923, motivada por questões relacionadas com o serviço militar e outros assuntos. Isto resultou na formação da Irmandade Cristadelfiana de Bereia. Em 1942 este grupo dividiu-se posteriormente devido a debates relacionados com o divórcio e o casar novamente, sendo que a maioria tornou-se conhecida como Cristadelfianos da Aurora, do inglês Dawn Christadelphians.
Na década de 1950 ocorreu uma série de reuniões na América do Norte, Inglaterra e Austrália:
Em 1952, a maioria dos bereanos na América do Norte voltaram à Irmandade Temperance Hall, embora nem todos os bereanos tenham concordado. Em 1957 na Grã-Bretanha, e 1958 na Austrália, houve mais um grupo que voltou, a Irmandade de Suffolk Street que, por essa altura, já tinha incorporado muitos membros da Irmandade não emendada existentes fora da América do Norte. Este grupo, que agora incluía a maioria dos cristadelfianos, tornou-se conhecido como Irmandade Central, nome adotado por causa da eclésia de Birmingham, que se designava "Central". Alguns cristadelfianos não aceitaram esta reunião já que continuavam a crer nas razões que tinham levado aos cismas. Estes vieram a formar a Irmandade dos Velhos Caminhos, do inglês Old Paths Fellowship.
Na Irmandade Central existe alguma diversidade no que diz respeito ao estilo de adoração, procedimentos e alguns pontos doutrinários, sendo que alguns sub-grupos não confraternizam com outros. Para alguns cristadelfianos isto parece incorrecto e é visto como desunião, enquanto outros vêm esta diversidade como um ponto forte ou, pelo menos, um beneficio. No entanto, a maioria dos cristadelfianos afirmam que a Bíblia é o único padrão para a Verdade e assim, embora não em irmandade, aceitam que cada grupo individual actue segundo a sua consciência.
Apesar de esforços periódicos para a união, a Irmandade Amended (tal como é conhecida a Irmandade Central nos Estados Unidos) e a Unamended da América do Norte ainda estão divididas. As Irmandades Bereia, Dawn e Old Paths também continuam a existir actualmente.
Estimativas de números: Irmandade central = 55.000 (120 países)Simplesmente identificada pelo nome cristadelfianos na maioria dos países do mundo. Algumas vezes conhecida na América do Norte como "Irmandade emendada". Irmandade não emendada = 1.850 (sul e oeste do E.U.A.)Algumas secções deste grupo está actualmente procurando a unidade com o grupo principal. Igreja de Deus da fé de Abraão = 400 (Ohio, Flórida, E.U.A.)Actualmente procurando a unidade com o grupo principal. http://cotbh.org/belief.php http://www.abrahamicfaithinniles.org/belief.php Dawn (ou seja, Irmandade Aurora) = 670 (Reino Unido 200, África 200, Austrália 200, Canadá 50, Polónia e Rússia 20)Se separaram dos Bereanos em 1942, tomando uma posição muito rigorosa a respeito do divórcio e novo casamento.