São José do Goiabal é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que menos de está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 65% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com três estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,666, classificado como médio em relação ao estado.

O povoamento da localidade teve início no começo do século XX, com a formação de um quilombo na região. Em 1914, estabeleceu-se a família de Manuel Ribeiro da Tôrre Júnior, que implantou a agricultura. A prosperidade da atividade atraiu novos moradores e a sede do até então distrito de Santa Isabel (hoje distrito de Juiraçu), subordinado a São Domingos do Prata, é transferida para o povoado em 1929, passando a denominar-se São José do Goiabal. Em 1938, o distrito passa a chamar-se simplesmente Goiabal, mas é emancipado com sua denominação atual em 12 de dezembro de 1953.

As principais manifestações culturais presentes no município são o artesanato e os grupos teatrais e de manifestações folclóricas, como o Congado, além dos eventos festivos, tais como o Carnaval (o Carná Goiaba) e as comemorações religiosas da Festa de São José, padroeiro municipal, e da Festa do Jubileu do Senhor do Bom Jesus.

História thumb|esquerda|Praça Cônego João Pio com a Igreja Matriz de São José ao fundo A região onde hoje se localiza o município de São José do Goiabal era habitada por povos originários do tronco Macro-jê, denominados pelos portugueses como Botocudos. A presença indígena no território atual do município pôde ser comprovada através dos objetos arqueológicos encontrados nas imediações da localidade de Palmeiras do Rio Doce. A existência de sesmarias é relatada desde o início do século XIX, com a decadência das atividades mineradoras de extração de ouro em Minas Gerais e posterior expansão da agricultura de subsistência nessa região do Estado.

Os primeiros donatários de terras na região, no entanto, abandonaram os empreendimentos existentes nas terras do atual município, possivelmente devido às dificuldades encontradas com os nativos e com as diversas moléstias que afetavam a região. Os primeiros proprietários, ao se retirarem, deixaram diversos escravos que formaram o primeiro aldeamento no território do município. O primeiro povoado recebeu nome de Goiaba, devido ao grande contingente de goiabeiras nativas existentes na localidade. Além disso, a localidade passou a ter características de um quilombo, ganhando certa importância na história de resistência africana no período do Brasil Império e da República Velha.

Até o começo do século XX, a região do atual município de São José do Goiabal era ocupada apenas por este grupo de negros, devido à existência de um quilombo na região. Em 1914, atraídos pela prosperidade das terras, outros brancos se estabeleceram na localidade, destacando-se Manuel Ribeiro da Tôrre Júnior, juntamente com seu filho José Césario e sua esposa, dando início às atividades agropecuárias. Mais tarde outros brancos se fixaram no lugar, dedicando-se, além da atividade agrícola, ao comércio e ao artesanato.

A localidade pertencia a São Domingos do Prata sob a condição de distrito e com o nome de Santa Isabel, criado pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, Santa Isabel recebe o nome de Juiraçu e pela lei estadual nº 1.085, de 8 de outubro de 1929, é oficializada a transferência da sede distrital para o povoado, recebendo o nome de São José do Goiabal em homenagem ao orago São José e à considerável presença de goiabeiras nativas no local. Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1.938, o distrito passa a denominar-se simplesmente Goiabal, emancipando-se com a denominação de São José do Goiabal pela lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, instalando-se em 1º de janeiro de 1954.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º55'13" de latitude sul e 42°42'18" de longitude oeste e está a uma distância de 178 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Dionísio, a norte; São Domingos do Prata, a oeste; Rio Casca, a sul; e São Pedro dos Ferros, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Relevo ondulado na zona rural do município O relevo do município de São José do Goiabal é predominantemente acidentado. Em aproximadamente do território goiabalense há o predomínio de terrenos acidentados, enquanto cerca de é coberto por áreas planas e os restantes são lugares ondulados. A altitude máxima encontra-se na Serra da Cachoeirinha, que chega aos 820 metros, enquanto que a altitude mínima está no ribeirão Sacramento, com 270 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que a cidade conta com Fundo Municipal de Meio Ambiente e um Conselho Municipal de Meio Ambiente em atividade, criado em 1996 e de caráter paritário.

O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o rio Doce, o ribeirão Sacramento e o córrego do Açude, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro, e em 2003 e 2007 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em São José do Goiabal por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 04/01/1997 Julho 13/07/1972 Fevereiro 12/02/1998 Agosto 07/08/2018 Março 23/03/1991 Setembro 16/09/1976 Abril 08/04/1980 Outubro 20/10/2008 Maio 21/05/1991 Novembro 28/11/2012 Junho 19/06/1971 Dezembro 16/12/1984 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima goiabalense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2011, por exemplo, a precipitação de chuva em São José do Goiabal não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1967 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em São José do Goiabal foi de no dia 23 de março de 1991. Outros grandes acumulados foram de em 7 de março de 1999, em 12 de fevereiro de 1998 e em 16 de dezembro de 1984. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 33º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 10,2269 raios por quilômetro quadrado (o 124º maior índice do Centro-Sul brasileiro).

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (22,29%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (66,77%) tinham de 15 a 64 anos e 617 pessoas (10,95%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,8 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0. thumb|esquerda|Igreja Matriz de São José de São José do Goiabal

Em 2010, a população goiabalense era composta por brancos (26,08%); 976 negros (17,32%); 88 amarelos (1,56%); pardos (55,02%) e um indígena (0,02%). Considerando-se a região de nascimento, seis eram nascidos na Região Nordeste (0,11%), no Sudeste (99,69%), quatro no Sul (0,06%) e oito no Centro-Oeste (0,14%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (99,30%) e, desse total, eram nascidos em São José do Goiabal (75,16%). Entre os 40 naturais de outras unidades da federação, o Espírito Santo era o estado com maior presença, com dez pessoas (0,18%), seguido por São Paulo, com nove residentes (0,16%), e pela Bahia, com seis habitantes residentes no município (0,11%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Goiabal é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,666 (o 3115º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,553, o valor do índice de longevidade é de 0,814 e o de renda é de 0,657. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 54,2% e em 2010, 81,3% da população vivia acima da linha da pobreza, 15,1% encontrava-se na linha da pobreza e 3,6% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,52, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 56,2%, ou seja, 13 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,3%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de São José do Goiabal está composta por: católicos (81,60%), 783 evangélicos (13,90%), 158 pessoas sem religião (2,80%), sete espíritas (0,12%) e 1,58% estão divididas entre outras religiões. Segundo divisão elaborada pela Igreja Católica, o município sedia a Paróquia São José, subordinada à Diocese de Itabira-Fabriciano.

Política e administração thumb|direita|Prefeitura de São José do Goiabal