Araraquara é um município brasileiro, localizado na região central do Estado de São Paulo. Distante 270 km da capital paulista, o município é formado pela sede e pelos distritos de Bueno de Andrada e Vila Xavier. Sua população em julho de 2024, segundo estimativa do IBGE, era de , correspondendo em uma densidade populacional de 241,35 habitantes/km².
É o 34.º município mais populoso do estado e o 121.º mais populoso do país. Encontra-se conurbado com Américo Brasiliense na área urbana contínua. Araraquara é um polo regional, sediando a Região Geográfica Intermediária (26 municípios) e Região Geográfica Imediata (17 municípios) ao seu entorno. O estudo mais recente do IBGE sobre Regiões de Influência das Cidades - REGIC (2018), classificou a cidade como Capital Regional C, sediando o Arranjo Populacional de Araraquara e relacionando-a diretamente ao Arranjo Populacional de Ribeirão Preto.
Com uma área territorial de 1.003,625 km² é o 38.º maior município do estado e o 1414.º do país. Localizada a 21º47'40" de latitude sul e 48º10'32" de longitude oeste, a uma altitude de 664 metros, Araraquara situa-se a 43 quilômetros do centro geográfico (Obelisco) do Estado de São Paulo, e a 270 quilômetros da capital estadual.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Araraquara, considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,815, sendo o 14.° maior do Brasil. Em 2007, foi a cidade brasileira melhor qualificada quanto ao Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal, que usa critérios de renda, educação e saúde.
Etimologia
thumb|esquerda|Segundo Navarro: arara, arara (ou ararás, espécie de formiga), e kûara, toca. Ambos os termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas). Existem duas explicações etimológicas para a origem do topônimo "Araraquara", a mais comum e adotada é também a que dá ao município o apelido de Morada do Sol.
Segundo a obra "Monografia da Palavra Araraquara" de 1952, de Pio Lourenço Corrêa, o nome primitivo era Araquara, dada a existência da Serra de Araquará, com o passar do tempo, por homofonia com a palavra arara e ignorância do idioma tupi, passou-se a adotar o nome Araraquara. Nesta mesma linha, há ainda a narrativa no século XVIII, um astrônomo português, em viagem de exploração pelo rio Tietê, se deparou com uma grande cordilheira, cujos reflexos da luz do sol lhe fizeram enxergar uma grande cidade, que ainda não existia. Àquela região os índios guaianá, então seus habitantes, davam o nome de Aracoara (de ará, dia, e coara, toca ou morada).
A outra versão, fornecida por Eduardo Navarro em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), baseia-se na expressão da língua geral meridional (desenvolvimento do tupi antigo) ararakûara, que significa "toca das araras" (arara, "arara" e kûara, "buraco", "toca"). Outra possibilidade é "toca dos ararás" (um tipo inseto, parecido com formiga, cupim), ou seja, "cupinzeiro".
História esquerda|thumb|Sesmarias na região de Araraquara e São Carlos (c. 1810). thumb|esquerda|Colheita de café em Araraquara em c. 1902. thumb|esquerda|Estação Ferroviária de Bueno de Andrada, distrito de Araraquara. thumb|esquerda|Centro de Araraquara visto da rotatória do Jardim Martinez.
Primeiros povos e colonização Originalmente, a região era habitada pelos índios guaianás. O fundador de Araraquara, Pedro José Neto, nasceu no ano de 1760 em Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, no Bispado do Rio de Janeiro. Em 1780, com vinte anos de idade, mudou-se para a freguesia de Piedade da Borda do Campo, hoje Barbacena, em Minas Gerais. Nessa freguesia, a 12 de Agosto de 1784, casou-se com Ignácia Maria, também fluminense. Teve, com ela, dois filhos: José da Silva Neto e Joaquim Ferreira Neto, que faleceram em Araraquara.
Em 1787, Pedro José Neto e sua família mudaram-se para Itu, em São Paulo. Em 1790 (ou 1807), devido a problemas políticos locais, a Justiça de Itu, por seu capitão-mor Vicente Taques Góis e Aranha, condenou-o ao desterro na freguesia de Piracicaba, em São Paulo, tendo ele conseguido fugir para os Campos de Araraquara. Com seus filhos, construiu uma capelinha dedicada a São Bento (padroeiro) nos Campos de Aracoara (lugar onde mora a luz do dia, a "Morada do Sol"), na região habitada pelos indígenas da tribo Guayanás. Fixando-se nos Campos de Araraquara, estabeleceu posse das regiões do Ouro, Rancho Queimado, Cruzes, Lageado, Cambuy, Bonfim e Monte Alegre.
Fundação A 22 de agosto de 1817, foi criada a Freguesia de São Bento de Araraquara pela Resolução 32 - Reino - Resolução de Consciência e Ordens, então subordinada ao município de Piracicaba. A 30 de outubro de 1817, a freguesia foi elevada à categoria de distrito e, a 10 de julho de 1832, passou à de município, o qual foi instalado a 24 de agosto de 1833. A 20 de abril de 1866, passou à categoria de comarca pela Lei Provincial 61 e, a 6 de fevereiro de 1889, foi elevada à categoria de município, pela Lei Provincial Sete.
Do ponto de vista histórico-econômico, na primeira metade do século XIX, as grandes propriedades rurais, características deste século, ainda não tinham sido atingidas pelo surto cafeeiro. Plantava-se a cana-de-açúcar, milho, ao lado de outros cereais, o fumo e o algodão. Os rebanhos eram constituídos em sua maioria por suínos e bovinos. A maior parte da produção servia para abastecer as "casas de secos e molhados". Por volta de 1850, a plantação de café substituiu a de cana-de-açúcar e cereais, tornando-se o produto de maior importância na economia local.
Em 1885, a chegada da ferrovia estimula o crescimento da cidade, que foi considerada a "Cidade Mais Limpa das Três Américas", além de ser a primeira no interior a ser servida por linhas de ônibus elétricos (trólebus). A Estrada de Ferro Araraquara foi fundada por um grupo de fazendeiros da região, liderados por Carlos Baptista de Magalhães, pai de Carlos Leôncio de Magalhães, ambos importantes proprietários de terras da cidade.
Século XX Em 1897, ocorre um episódio de coronelismo conhecido como Linchamento dos Britos. Este episódio influenciará na política local do início do século XX, além de gerar o "mito da serpente".
Na década de 1930, com a vitória no pleito municipal de Bento de Abreu Sampaio Vidal e seu grupo, o poder local passa a investir na construção de praças e do Museu Municipal e na arborização de ruas, visando a construir uma outra representação sobre a cidade, que não a veicule ao episódio do linchamento.
Fato notável é a visita de Jean-Paul Sartre à cidade em 1960 para promover uma conferência no antigo Instituto Isolado de Ensino Superior - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, atualmente integrada à Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. A conferência gerou uma publicação bilíngue pela Editora Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em 2005, chamada "Sartre no Brasil: a Conferência de Araraquara".
Geografia Araraquara está localizada sobre o Aquífero Guarani, em uma posição em que seu leito se encontra próximo à superfície. É responsável por entre 65% e 70% de toda a água utilizada no município. No território do município, foi descoberto o dinossauro Farlowichnus rapidus da Formação Botucatu.
Está situada numa área integrante do planalto ocidental, planalto arenítico-basáltico, formado pelos derrames de lavas processadas durante o período triássico e jurássico com camadas intercaladas de arenitos da era mesozóica. Como consequência da estrutura geológica, o relevo é levemente ondulado. A topografia se apresenta com características tabulares, pouco onduladas, aplainadas pelo trabalho da rede hidrográfica, comandada pelo Rio Mogi-Guaçu e cursos d’água da bacia do Rio Tietê.
A vegetação primária do município era de floresta latifoliada tropical que apresentava diversas espécies como a peroba, o pau d’alho, a figueira branca, vegetação característica das áreas de solos Latosol Roxo. Também registra a presença do cerrado em grande parte do município.
A cidade possui dois distritos: Bueno de Andrada a noroeste do distrito-sede, e a Vila Xavier, este conurbado com o distrito-sede. O município possui uma área total de 1 006 quilômetros quadrados, sendo 77,37 quilômetros quadrados de área urbana. Destes, aproximadamente 39 quilômetros quadrados são relativos à área urbana consolidada. Atualmente, o município está conurbado com Américo Brasiliense , totalizando uma concentração populacional urbana com mais de 285.000 habitantes.
De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, Araraquara é um dos dezessete municípios da Região Imediata de Araraquara, e por sua vez, é uma das duas regiões que integram a Região Intermediária de Araraquara, com 26 cidades, que totalizavam uma população estimada de 1 133 061 habitantes em 2018.
Clima Devido à sua altitude e localização, o clima de Araraquara é subtropical úmido (Cwa, de acordo com a Classificação de Köppen-Geiger) com invernos secos e amenos e verões quentes e chuvosos. O mês relativamente mais seco é agosto, apresentando uma precipitação média de 22 mm, enquanto o mês mais chuvoso é janeiro, com 237 mm. A quantidade média de chuva é de 1352 mm. Fevereiro é o mês mais quente do ano, com uma temperatura máxima média de 28.1 °C, enquanto julho é o mês mais frio, com 10,2 °C.
Hidrografia
Ribeirão das Anhumas Ribeirão das Cabaceiras Ribeirão das Cruzes Ribeirão do Ouro Rio Chibarro
Bacia hidrográfica Rio Moji-Guaçu Rio Jacaré-Guaçu
Demografia
Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com data de referência de 1º de agosto de 2022, a população de Araraquara era de 242.228 habitantes, sendo o 34º mais populoso do estado e apresentando uma densidade populacional de 241,35 habitantes por quilômetro quadrado.
Segundo o Censo de 2022, (47,96%) habitantes eram homens e (52,03%) habitantes eram mulheres. Com relação à idade, são crianças entre 0 e 14 anos (16,90%) e (13,07%) são idosos com mais de 65 anos.
Conforme dados por setores censitários, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Araraquara, considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 2010 era de 0,815, sendo o 14° maior do Brasil, empatada com Santo André. Sendo o índice da longevidade de 0,877; renda de 0,788; e educação o índice era de 0,782.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, em 2003 foi de 0,42, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, foi de 9,92% e a incidência da pobreza subjetiva é de 7,64%.
Em 2024 foi realizado o Censo Regionalizado da População em Situação de Rua, organizado pelo Consórcio Intermunicipal da Região Central (CONCEN), em dez municípios da Região Central de São Paulo, onde foram contabilizadas 168 pessoas em situação de rua em Araraquara.
Evolução populacional Evolução populacional de Araraquara, compilada de censos e estimativas.
Cor ou raça No Censo de 2022 foram recenseadas 146 pessoas que se declararam indígena, o que representa 0,06% da população total do município. Na mesma pesquisa não foram encontradas pessoas declaradas quilombolas e 14 pessoas não informaram cor ou raça.