Lassa ou Lhasa (, em chinês tradicional 拉薩, em chinês simplificado: 拉萨, em transliteração pinyin Lāsà) é a capital administrativa da Região Autónoma do Tibete, na República Popular da China. Está localizado no sopé do Monte Gephel.

Tradicionalmente, a cidade é a sede do Dalai Lama. Sua principal atração é o Palácio de Potala, parte do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO, e é o berço do budismo tibetano. O Jokhang, em Lassa, é considerado como o centro mais sagrado do Tibete. Lassa literalmente significa "lugar dos deuses", apesar de antigos documentos e inscrições tibetanas demonstrarem que o local era chamado de Rasa, que significa "lugar de cabra", até o .

Com aproximadamente 870 mil habitantes, a cidade encontra-se a uma altitude de 3.490 metros acima do nível do mar, sendo uma das mais altas cidades do mundo. A cidade faz parte de um município-prefeitura, a Prefeitura de Lassa, que consiste em oito condados de pequeno porte: Lhünzhub, Damxung, Nyêmo, Qüxü, Doilungdêqên, Dagzê, Maizhokunggar e Distrito de Chengguan.

História Em meados do século VII, Songtsen Gampo tornou-se o líder do Império tibetano, que tinha subido ao poder no vale rio Bramaputra (localmente conhecido como o Rio Yarlung). Depois de conquistar o reino de Zhangzhung no oeste, ele mudou a capital do castelo Chingwa Taktse no condado de Chongye (pinyin: Qonggai), a sudoeste de Yarlung, para Rasa (atual Lassa) onde, em 637, ele fundou os primeiros edifícios do Palácio de Potala no Monte Marpori. Em 641, ele fundou o Rasa Trulnang ou Templo de Jokhang.Dorje (1999), pp. 68, 201-202. Lassa logo se tornou não apenas o centro religioso, mas o centro político.Stein (1972), p. 38. Lassa permaneceu a capital durante todo o desenvolvimento do Império tibetano até o reinadoo de Ü Dumtsen (Langdarma) no século IX, quando os locais sagrados foram destruídos e profanados e o império fragmentado.Dorje (1999), p. 68.

Em 641, Songtsen Gampo, que nesta época tinha conquistado toda região tibetana, casou-se com a princesa Bhrikuti do Nepal e com a Princesa Wen Cheng da corte imperial Tang. Através destes casamentos, ele se converteu ao budismo e começou a construir o Templo de Ramoche, em Lassa, a fim de abrigar duas estátuas de Buda trazidas para sua corte pelas princesas. Outros edifícios construídos por volda desta época incluíam o Eremitério de Pabonka (Pha bong kha) e sua torre de nove andares, e os gompas (templos) de Meru Nyingba, Tsamkhung e Drak Lhaluphuk.Dorje (1999), p. 69.Dowman (1988), p. 65.

Registros da dinastia Tang menciona que o império de Songtsen Gampo era ainda em grande parte nômade e que ele mantinha a corte em grandes tendas móveis resplandecentes, pelo menos enquanto sua corte se movia pelo país. O relato de um embaixador chinês em 672 que o imperador tibetano "não vivia debaixo de um telhado", era sem dúvida um exagero, e, provavelmente, pretendia menosprezar o país.Stein (1972), p. 118. No entanto, isto foi provavelmente baseado em um simples mal-entendido. Mais tarde, um outro ambaixador que chegou ao Tibete em 822, relatou que o imperador tibetano tinha sua sede de verão em uma grande tenda bem ao norte de Lassa. Está bastante claro que este era apenas um acampamento de verão e só se pode supor que passava os fortes invernos em um dos muitos edifícios em Lassa. A descrição deste acampamento real de verão, da forma que o embaixador chinês viu, está registrado no Xin Tangshu 216A:

"O vale ao norte do Rio Tsang (Kyi-Chu ou Rio Kyi) é o acampamento de verão dos príncipes do bcan-po. É cercado com [uma paliçada de] estacas unidas. A uma distância média de dez passos [de uma para outra] 100 lanças tinham sido fixadas; no meio delas é colocado um grande estandarte. Existem três portões cem passos um do outro. Soldados com armaduras guardam os portões. Feiticeiros com chapéu de pássaro [penas] e um cinto de tigre [peles] tocavam os tambores. Qualquer um que entrava era revistado antes de serem autorizados a prosseguir. No meio [do campo] estava um alto terraço, rodeado por uma rica balaustrada. Bcan-po ficava sentado em sua tenda. [Havia] dragões com e sem chifres, tigres e panteras, todos feitos de ouro. [O bcan-po] estava vestido de linho branco com uma musselina rosa amarrada na cabeça. Ele carregava uma espada incrustada com ouro. O Primeiro-Ministro ficava de pé à sua direita, enquanto os Ministros de Estado ficavam acomoddos no pé do terraço ".From the French translation by Pelliot (1961), pp. 130-131.

thumb|upright=1|esquerda|Songtsen Gampo.

Da queda da monarquia no século IX até a ascensão do 5º Dalai Lama, o centro do poder político na região tibetana não estava localizado em Lassa. No entanto, a importância de Lassa como um local religioso tornou-se cada vez mais significativa com o passar dos séculos.Bloudeau, Anne-Mari & Gyatso, Yonten. 'Lhasa, Legend and History' in Lhasa in the Seventeenth Century: The Capital of the Dalai Lamas, 2003, pp. 24-25. Lassa era conhecida como o centro do Tibete, onde Padmasambhava magicamente derrotou a demônia da terra e construiu as fundações do Templo de Jokhang sobre o coração dela.Bloudeau, Anne-Mari & Gyatso, Yonten. "Lhasa, Legend and History." In: Lhasa in the Seventeenth Century: The Capital of the Dalai Lamas. Françoise Pommaret-Imaeda, Françoise Pommaret 2003, p. 38. Brill, Netherlands. ISBN 978-90-04-12866-8.

Por volta do século XV, a cidade de Lassa voltou a eminência após a fundação de três grandes mosteiros Gelug por Je Tsongkhapa e seus discípulos. Os três mosteiros são Ganden, Sera e Drepung que foram construídos como parte do avivamento puritano budista no Tibete. As realizações acadêmicas e a habilidade política desta seita acabou levando Lassa, mais uma vez, ao centro das atenções.

O 5º Dalai Lama, Lobsang Gyatso (1617-1682), conquistou o Tibete e, em 1642, mudou o centro de sua administração para Lassa, que voltou a ser a capital religiosa e política. Em 1645, a reconstrução do Palácio de Potala começou no Monte Vermelho. Em 1648, o Potrang Karpo (Palácio Branco), parte do Palácio de Potala, foi concluído, e o Palácio passou a ser usado como palácio de inverno pelo Dalai Lama a partir dessa época. O Potrang Marpo (Palácio Vermelho) foi acrescentado entre 1690 e 1694.

O nome "Potala" é possivelmente derivado de Monte Potalaka, a morada mitológica de Avalokiteshvara Bodisatva. O templo de Jokhang também foi bastante expandido por esta época. Embora algumas esculturas de madeira e lintéis do templo de Jokhang datam do século VII, as mais antigas construções ainda existentes em Lassa, tais como o interior do Palácio de Potala, o Jokhang e alguns dos mosteiros e propriedades do bairro antigo datam deste segundo florescimento na história de Lassa.

O palácio de verão e jardins de Norbulingka a sudoeste da cidade foram construídos no século XVIII sob o governo do 7º Dalai Lama.

A 11ª edição da Enciclopédia Britânica, publicada entre 1910-1911, mencionou que a polulação total de Lassa, incluindo os lamas da cidade e arredores era de cerca de 30.000;LHASA. Online Encyclopedia. Search over 40,000 articles from the original, classic Encyclopædia Britannica, 11th Edition um recenseamento feito em 1854, apontou o número de 42.000 habitantes, mas sabe-se que a população diminuiu substancialmente desde então. A Britannica mencionou que dentro de Lassa, havia cerca de um 1.500 residentes tibetanos leigos e cerca de 5.500 mulheres tibetanas. A população permanente também incluía famílias chinesas (cerca de 2.000). Os residentes da cidade incluíam pessoas do Nepal e Ladaque (cerca de 800), e algumas do Butão, Mongólia e outros lugares. A Britannica apontou ainda que os chineses possuíam um cemitério repleto em Lassa, bem cuidado de acordo com seus costumes e que os nepalaleses forneciam trabalhadores mecânicos e metalúrgicos naquela época.

Na primeira metade do século XX, vários exploradores ocidentais fizeram viagens para a cidade, incluindo William Montgomery McGovern, Francis Younghusband, Alexandra David-Néel e Heinrich Harrer. Como Lassa era o centro do budismo tibetano, quase a metade de sua população eram monges.

De acordo com um escritor, a população da cidade em 1959 era de cerca de 10.000, com cerca de 10.000 monges nos monastérios de Drepung e Sera.Dowman (1988), p. 39. Hugh Richardson, por outro lado, coloca a população de Lsasa, em 1952, antes da ocupação chinesa, "em torno de 25.000-30.000, ou cerca de 45.000-50.000 se a população dos grandes mosteiros de sua periferia for incluída".Richardson (1984), p. 7.

Com a invasão da China muitas pessoas fugiram da cidade, estas incluíam o 14º Dalai Lama, que fugiu do Palácio de Potala para exílio na Índia em 1959, após o levante de Lassa.

Entre 1987-1989, Lassa enfrentou grandes manifestações, lideradas por monges e freiras contra a ocupação chinesa. Como resultado, a China impôs restrições e programas de reeducação política nos mosteiros. Muitos tiveram que passar por sessões de re-educação com a intenção de tê-los alinhados com os pontos de vista comunista; eles também eram obrigados a denunciar tanto o Dalai Lama como a independência do Tibete. Muitos monges e freiras que se recusaram a colaborar foram enviados para a prisão, enquanto outros deixaram os mosteiros e fugiram para a Índia para que eles pudessem continuar com seus estudos.

thumb|centro|1000px|Templo de Jokhang.

Geografia direita|thumb|upright=1.67|Lassa está situada em um vale plano no Himalaia. Em uma altitude de 3.490 metros, Lassa é uma das cidades mais altas do mundo, localizada em um vale plano do Himalaia. O ar contém apenas 68% de oxigênio comparado com o nível do mar.

A prefeitura de Lassa cobre uma área de 31.662 km². A área central (Distrito de Chengguan) possui 523 km²National Geographic Atlas of China (2007), p. 88. National Geographic, Washington, D.C. ISBN 978-1-4262-0136-3. A prefeitura possui população total de 464.736 e a cidade de Lassa 181.991 habitantes (2007).Congressional-Executive Commission on China - Special Topic Paper: Tibet 2008-2009 - 22/10/2009 e Tibet Statistical Yearbook 2008 (Beijing: China Statistics Press, June 2008), Table 3-7

Lassa está situada no centro do planalto tibetano rodeada por montanhas de 5.500 metros. O rio Kyi (ou Kyi Chu), um afluente do rio Bramaputra, corta a cidade. Este rio, conhecido pelos tibetanos locais como "ondas azuis agradáveis", corre através de picos cobertos de neves e voçorocas das montanhas Nyainqêntanglha, estende-se por 315 km, e deságua no rio Yarlung Zangbo em Qüxü, onde forma uma área de grande beleza cênica.

Clima Lassa possui um clima semi-árido frio. Devido a sua elevada altitude, Lassa possui um clima fresco e seco com invernos muito frios. Em média, Lassa possui 178 dias por ano com temperaturas abaixo de 0 °C. Recebe cerca de 3.000 horas de sol por ano e às vezes é chamada de "cidade ensolarada" pelos tibetanos.

Lassa possui precipitação anual em torno de 400 mm com as chuvas caindo principalmente nos meses de junho a setembro. O período chuvoso é considerado o "melhor" do ano, chove principalmente à noite e a cidade fica ensolarada durante o dia.

A umidade relativa média anual é de 45%, sendo janeiro e fevereiro os meses com menores taxas, em torno de 26%, e julho e agosto com as maiores, 68% e 72% respectivamente.

Demografia thumb|upright=1|direita|Uma mulher idosa com um objeto de oração nas ruas de Lassa thumb|upright=1|direita|Mulher, artista de rua, e seu filho em Lassa, 1993.

De acordo com o último censo de 2020, a população da prefeitura de Lassa era de 867 900 habitantes e do Distrito de Chengguan, a divisão administrativa que contém a cidade de Lassa, 300 000 habitantes. De acordo com o Anuário Estatístico do Tibet de 2008, a população estimada da prefeitura em 2007 era de 464.736 habitantes e da cidade de Lassa 181.991 habitantes.

Grupos étnicos