"Unfaithful" é uma canção da cantora barbadense Rihanna, gravada para o seu segundo álbum de estúdio A Girl like Me. Foi escrita por Shaffer Smith (Ne-Yo), Mikkel S. Eriksen e Tor Erik Hermansen, sendo que a sua produção ficou a cargo dos últimos dois sob o nome artístico de Stargate. A sua gravação decorreu em 2006, nos estúdios Avatar and Battery, em Nova Iorque, Loft Recording Studios, em Bronxville e Digital Insight Recording Studios, em Las Vegas, no Nevada. Musicalmente, é classificada como uma balada de género estilístico R&B, com elementos de pop, sendo que a sua melodia é composta através de vocais, instrumento de cordas, violas, violoncelos, violinos e baixo. Originalmente intitulada "Murderer", o tema retrata o arrependimento de uma mulher que sente estar a destruir a vida do parceiro, ao trai-lo e enganá-lo constantemente.

A artista revelou que desde da época de gravação do seu álbum de estreia, Music of the Sun, queria trabalhar com Ne-Yo, principalmente depois de ter ouvido "Let Me Love You" por Mario, cuja letra foi escrita por Smith. A canção foi enviada para as áreas radiofónicas mainstream e rhythmic através da Def Jam Recordings a 2 de Maio de 2006, servindo como segundo single do projecto. Mais tarde, foi também disponibilizada em formato digital na iTunes Store de vários países, como Canadá, Portugal e Suíça, além de ter sido comercializada em CD single na Europa. A recepção por parte da crítica em relação à música não foi unânime, pois uma parte dos analistas considerou que era uma balada poderosa, bem construída, e apoiada com fortes vocais, contudo, criticaram negativamente o seu conteúdo lírico.

Após o seu lançamento, conseguiu atingir a lista das dez obras mais vendidas de dezanove países, incluindo o Reino Unido, onde se tornou o terceiro single da cantora a conseguir tal feito. Nos Estados Unidos, na tabela principal Billboard Hot 100, chegou à sexta posição como melhor. Este desenvolvimento positivo resultou em várias certificações para a faixa, sendo entre elas, disco de platina triplo atribuído pela Recording Industry Association of America (RIAA) e platina pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) da Dinamarca, além do galardão de ouro dado pela Australian Recording Industry Association (ARIA), Belgian Entertainment Association (BEA) e British Phonographic Industry (BPI). A música venceu ainda o prémio na categoria "Chanson Internationale de L'Année" da cerimónia anual francesa NRJ Music Awards de 2007.

O vídeo musical foi dirigido por Anthony Mandler e estreou em Maio de 2006 no programa agora extinto Total Request Live da MTV. Inclui Rihanna num triângulo amoroso em que se esforça para escolher entre o seu companheiro e o seu outro interesse romântico, e lamenta ter traído e mentido ao primeiro. A faixa recebeu várias interpretações ao vivo como parte da sua divulgação, como nas cerimónias de entrega de prémios MOBO Awards e World Music Awards de 2006. Esteve inclusive no alinhamento das digressões mundiais The Good Girl Gone Bad Tour (2007–09), Last Girl on Earth Tour (2010–2011) e The Loud Tour (2011), além de ter sido cantada uma versão acústica durante a mini-turné 777 Tour que passou por sete cidades e sete países para promover o sétimo disco de originais da artista, Unapologetic.

Antecedentes e lançamento thumb|esquerda|x202px|O cantor e compositor Ne-Yo (foto) coescreveu "Unfaithful" depois de Rihanna revelar que queria trabalhar com o músico desde 2005.|alt=Representado com um pano de fundo vermelho, está um homem de raça negra a sorrir, com um chapéu e óculos pretos como adornos. Tem vestido uma camisa vermelha e um casaco negro, com dois brincos na sua orelha esquerda. Depois de se mudar para os Estados Unidos, Rihanna assinou contrato com a editora discográfica Def Jam Recordings, lançando posteriormente o seu álbum de estreia Music of the Sun. Musicalmente, foi inspirado pela música caribenha, como soca, dancehall e reggae, mas incorporando também outros géneros mais norte-americanos, incluindo o dance-pop e R&B. Numa entrevista para o canal de televisão MTV, a cantora afirmou que depois da sua chegada ao continente americano, foi exposta a diferentes tipos de estilos musicais que nunca tinha ouvido anteriormente, como rock, que pensou também em incluir no seu projecto A Girl like Me.

Enquanto ainda gravava o seu disco de estreia em 2005, a artista conheceu Ne-Yo pela primeira vez, mas não conseguiram colaborar de imediato. A jovem quis trabalhar com o cantor desde que tinha ouvido a sua composição de "Let Me Love You" para o norte-americano Mario. Quando a produção do segundo álbum de estúdio começou, a intérprete considerou em realizar o seu desejo de trabalhar com o músico: "Pensei, 'Sabes que mais? Tenho de trabalhar com este rapaz, o Ne-Yo'. Fomos para o estúdio e começámos a trabalhar nesta canção", explicou. Rihanna mostrou-se entusiasmada por colaborar no registo com Smith também por ser "uma balada, por isso um novo patamar" na sua carreira.

Lançado após o primeiro número um da cantora na Billboard Hot 100, "SOS", "Unfaithful" serviu como segundo single de A Girl like Me e foi enviado para as áreas mainstream e rhythmic das rádios norte-americanas a 2 de Maio de 2006 pela Def Jam. Digitalmente, a sua disponibilização na iTunes Store ocorreu a 20 de Junho do mesmo ano no Canadá, sendo que a 14 de Julho seguiram-se vários outros países, como a Austrália, o Brasil, a Espanha, França e Portugal. Um conjunto de remisturas foi igualmente divulgado na loja digital da Apple três dias depois, com sete misturas a partir da faixa original. Posteriormente, foi ainda comercializado em CD single a 25 de Julho no Reino Unido, constituído pela sua versão original e instrumental, acompanhado por uma alteração de Tony Moran e o vídeo musical. No mês seguinte, a Alemanha e França também receberam o mesmo formato físico para vender através da Amazon.

Estilo musical e letra

"Unfaithful" é uma canção de tempo brando e sentido, classificada como uma balada, que deriva de origens estilísticas de R&B, produzida pela equipa norueguesa Stargate e possui uma duração de três minutos e quarenta e seis segundos (). A sua gravação esteve a cargo de Mikkel Eriksen, Al Hemberger, Malcolm Pollack, Tiger Stylz e decorreu em 2006 nos estúdios Avatar and Battery, em Nova Iorque, Loft Recording Studios, em Bronxville e Digital Insight Recording Studios, em Las Vegas, no Nevada. Makeba Riddick ficou responsável pela produção vocal, enquanto que Phil Tan tratou da mistura. A sua sonoridade foi construída através de instrumento de cordas por Rob Mounsey, violas por Sue Pray, Crystal Garner, Jill Jaffe, Mary Hamman, violoncelos por Richard Locker, Gene Moy, Eugene Briskin, baixo por John Beal, Judy Sugarman e violinos por Ann Leathers, Richard Sortomme, Cenovia Cummings, Uri Vodovoz, Jan Mullen, Jeanne Ingram, Abe Appleman, Katherine Livolsi-Stern, Maura Gianni, Yana Giochman e Marti Sweet. Debbie Mounsey foi responsável por assistência de produção. Originalmente, a faixa seria intitulada como "Murderer" e inspirada musicalmente nos trabalhos da banda de rock norte-americana Evanescence. Eriksen, um dos compositores, falou sobre a sonoridade numa entrevista com a revista Sound on Sound: "Acho que a sua naturalidade não é tão realista por causa do instrumento de cortas, mas devido à escolha das notas certas e saber como programar [o instrumento]".

A letra foi escrita por Shaffer Smith, Eriksen e Tor Erik Hermansen. De acordo com a partitura publicada pela Sony/ATV Music Publishing, a música é definida no tempo de assinatura brando e suave com um metrónomo de setenta e duas batidas por minuto. Composta na chave de dó menor com o alcance vocal que vai desde da nota baixa de fá de três oitavas, para a nota de alta de dó de cinco. Liricamente, o tema retrata o arrependimento de uma mulher que sente estar a destruir a vida do parceiro, ao trai-lo e enganá-lo constantemente. Numa entrevista com Brandee J. Tecson para a MTV News, Rihanna explicou o conceito da letra: "Sou referida como uma assassina nesta música. Ou seja, estou a destruir a vida deste rapaz ao magoá-lo, traindo-o. Ele sabe, e isso fá-lo sentir-se muito mal. São sempre os homens a enganar, e, finalmente, alguém coloca uma outra perspectiva: as mulheres também traem". Numa outra conversa, desta vez com o jornal NewsDay, a cantora revelou que "Unfaithful" é o "resultado de uma relação amorosa fracassada quando tinha catorze anos", sublinhando ainda que não houve um envolvimento físico. Quentin B. Huff do portal PopMatters criticou o conteúdo lírico do registo e descreveu-o como bem intencionado, mas "cheio de melodrama" e "desprovido de remorsos".

Recepção Análise pela crítica

Após o seu lançamento, a faixa obteve críticas positivas por parte dos média especializados. Bill Lamb do portal About.com atribuiu quatro de cinco estrelas possíveis, afirmando que "com um ar de pavor gótico, Rihanna iguala a dor causada no homem infeliz como um ser assassino". Lamb considerou ainda que a voz da cantora "não é particularmente forte", sendo que por vezes parece "fina e esganiçada", no entanto, elogiou o impacto da "personalidade reflectida sobre a vida de mulheres e homens jovens, no final de adolescência". Para concluir a sua análise, o crítico afirmou que a canção "pode parecer exagerada aos ouvidos dos adultos", contudo, "para um adolescente tese assuntos do coração, a vida e a morte". Sal Cinquemani da Slant Magazine declarou que a "balada melodramática é, sem margem para dúvidas, um segundo single ambicioso para uma artista como Rihanna", destacando ainda passagens como "Eu não quero ser uma assassina / O nosso amor, a sua confiança / Poderia muito bem pegar numa arma e apontar à sua cabeça" por ser uma letra que "ganha pontos extra devido ao parecer muito estranha". David Jeffries da Allmusic elegeu-a como uma dos destaques no disco, considerando que a intérprete "tenta coisas que podiam fazer poucos artistas desmoronar" e descrevendo "Unfaithful" como "uma música de preto que elegantemente utiliza o assassínio como metáfora para a infidelidade". "Profundamente ridículo - mas não desagradável - lamento pop", afirmou Kelefa Sanneh do jornal The New York Times, enquanto que Quentin B. Huff do PopMatters, comentou que é "uma balada bem intencionada formada por um piano e [instrumento de] cordas dramáticos".

Celia San Miguel da revista Vibe elogiou o tema devido ao "novo carisma encontrado, voz firme e capacidade de canalizar as emoções profundas com facilidade" através da entrega da artista. Steve Jones do diário USA Today escreveu que, enquanto as outras baladas do álbum não são tão fortes, "Unfaithful" lida com as consequências da batota do próprio coração, mostrando profundidade". Dan Charnas do The Washington Post considerou que o single é "um relato honesto sobre desonestidade", enquanto que um editor da revista Billboard, comparou a melodia ao trabalho de Beyoncé Knowles e concluiu que revela uma "jovem vocalista a crescer por sua própria conta". Numa entrevista sobre o trabalho de Ne-Yo, Maura do sítio Idolator, em conjunto com "Irreplaceable", adjectivou o tema como "triunfo doce ao ouvido". Jake C. Taylor da página on-line Sputnikmusic considerou a obra como uma de "duas grandes prestações" no disco, falando também de "We Ride". Contudo, Taylor afirmou que o desempenho vocal "pode tornar-se um pouco irritante, mas que vale a pena ouvir", criticando a letra por "não mostrar a verdadeira emoção" no seu ponto de vista.

Prémios e reconhecimento