Andrologia (<grego, original e transliterado ανδρος, andrós + λόγος, logos = "homem" e "estudo [de]") é a especialidade médica dedicada ao estudo e cuidado diagnóstico e prognóstico da saúde masculina, especificamente o que se refere à função sexual masculina, ao sistema reprodutivo masculino, e às questões conexas, anatômicas, biológicas, psíquicas, urológicas e outras, desde que conexas com as sexuais.

Andrologia A andrologia algumas vezes é confundida com a Urologia, como se fosse um subconjunto desta, ou como se fossem idênticas. Com efeito, a Andrologia é reconhecida como disciplina autônoma, especialidade definida e própria, com objeto específico, desde a década de 1960. O primeiro jornal especializado nesta área foi o periódico alemão Andrologie (atualmente chamado Andrologia), publicado desde 1969 (Estudos Sociais da Ciência 1990 20, p. 32).

Na prática médica, ainda se encontram muitos especialistas apenas em Urologia que, na ausência do especialista em Andrologia, atendem também casos afetos a esta útlima. Ademais, o fato de organicamente os dois sistemas serem intimamente coligados, com mútuas interferências ao nível anatômico, fisiológico, neurológico e até funcional (a uretra, no homem, conduz tanto o esperma, na função andrológica, como a urina, na função urológica, de modo mutuamente exclusivo, isto é, ou um ou outro), essa íntima conexão, a ponto de se referir, de ordinário, sistema uro-genital, justifica em parte a confusão das especialidades.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), tem, entre os seus departamentos, um específico Departamento de Andrologia. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia também possui um departamento que se dedica ao estudo da Endocrinologia Feminina e da Andrologia, o DEFA. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Andrologia existe desde 1979.Sociedade Portuguesa de Andrologia, Quem Somos, spandrologia.pt

Andrologia é dita a contraparte masculina da correlata especialidade feminina, a Ginecologia.

Generalidades Homens são mais suscetíveis a disfunção cardíaca que mulheres, como tendem a apresentar, via de regra, longevidade média pouco inferior à delas. Todavia, são mais resistentes a muitas condições que costumam ser adversas às mulheres, como, por exemplo, a osteoporose.

Tais constatações em séries históricas permitem concluir que qualquer terapêutica medicamentosa de alcance andrológico deva ser conduzida com cautela ainda maior, assim como maiores devem ser as precauções apresentadas nas bulas dos medicamentos específicos.

Disfunções Disfunção andrológica é qualquer alteração da função sexual considerada normal (relativa ao homem médio em termos de saúde integral, segundo os cânones médicos). Essa conceituação, em si, já traz enormes dificuldades operacionais, dada a compreensão tão ampla quanto possível se possa conceder ao atributo "normal", a variar segundo culturas, etnias, religiões etc..

É, todavia, possível estabelecer indicadores comuns a todas as situações. Assim, diz-se que um homem é sexualmente sadio quando: sua função reprodutiva é satisfatoriamente alcançada ao longo de sua vida fértil; sua satisfação íntima em termos de prazer sexual é alcançada ao longo de sua vida; a conjugação dos fatores anteriores resulta numa satisfatória imagem sócio-inclusiva.

Uma das disfunções sexuais masculinas mais críticas (possivelmente a mais crítica) em todas as culturas é a chamada disfunção erétil. Embora algumas vezes se confunda disfunção eerétil e impotência, deve-se evitá-lo, em razão de não serem necessariamente a mesma coisa.

De qualquer forma, é precisamente nesse domínio que se alcançaram notáveis soluções farmacoterápicas, com o advento de fármacos como sildenafila, vardenafila, apomorfina e tadalafila, cuja função é atuar direta ou indiretamente sobre a ereção peniana, potencializando-a e, em consequência, restituindo a autoestima do paciente-usuário.

No campo cirúrgico específico (andrológico sempre que necessário conjugado com urológico), acham-se as vasectomias e vasovasostomias (um dos procedimentos de reversão das vasectomias), e as intervenções dedicadas às disfunções geniturinárias masculinas, tais como:

Balanite Câncer peniano Câncer prostático Câncer testicular Criptorquidia Doença de Peyronie Disfunção erétil Epispádias Epididimite Fimose Fratura peniana Frenulum brevis Hidrocele Hipospádias Impotência Infertilidade Micropênis Orquite Parafimose Prostatite Espermatocele Testiculo ectópico Torsão testicular Varicocele

Assim sendo, a especialidade médica mais afeita para a realização dessas intervenções cirúrgicas acaba sendo a urologia.

Condições tratadas pela andrologia

A andrologia abrange o diagnóstico e o tratamento de diversas condições relacionadas à saúde sexual e reprodutiva masculina.

Infertilidade masculina

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada seis casais enfrenta algum grau de infertilidade conjugal, e o fator masculino é identificado em aproximadamente metade dos casos. As principais causas de infertilidade masculina incluem:

Varicocele: considerada a causa corrigível mais frequente de infertilidade masculina, caracteriza-se pela dilatação das veias do plexo pampiniforme do escroto, comprometendo a termorregulação testicular e, consequentemente, a qualidade e a quantidade dos espermatozoides. O tratamento cirúrgico — a varicocelectomia microcirúrgica — é realizado preferencialmente com auxílio de microscópio, com melhores taxas de recuperação da fertilidade e menor taxa de recorrência em comparação às técnicas abertas convencionais.

Desequilíbrios hormonais: o uso de testosterona exógena para fins estéticos ou de desempenho físico — prática denominada abuso de esteroides androgênicos anabolizantes — pode provocar supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, reduzindo drasticamente a produção endógena de testosterona e espermatozoides, condição reversível em grande parte dos casos após a suspensão da substância.

Infecções: infecções do trato reprodutivo masculino por agentes como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae podem causar inflamação e fibrose dos ductos deferentes e epidídimos, dificultando a passagem dos espermatozoides. A infecção por clamídia frequentemente permanece assintomática, reforçando a importância do rastreamento em homens com infertilidade sem causa aparente. Metanálise com 11.706 participantes identificou associação significativa entre infecção por C. trachomatis e infertilidade masculina (OR 3,68; IC 95%: 2,24–6,02).

Estilo de vida: tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de substâncias psicoativas, obesidade e sedentarismo são fatores associados à piora dos parâmetros seminais, afetando concentração, motilidade, morfologia e integridade do DNA espermático. Pacientes que necessitam de quimioterapia devem discutir previamente a possibilidade de criopreservação de sêmen com um especialista.

Reversão de vasectomia: a recanalização dos ductos deferentes por técnica microcirúrgica (vasovasostomia ou vaso-epididimostomia) apresenta taxas de permeabilidade que variam de 70% a 97%, dependendo do tempo decorrido desde a vasectomia e das características do líquido obtido no ato cirúrgico.

Para informações detalhadas sobre causas e tratamentos da infertilidade masculina, o portal educativo da Andrologia Moinhos disponibiliza conteúdo baseado em evidências sobre cada uma dessas condições.

Saúde sexual masculina

A saúde sexual masculina envolve múltiplos sistemas — vascular, neurológico, hormonal e psicológico — e é avaliada de forma integrada pelo andrologista. As principais condições tratadas incluem:

Disfunção erétil: estima-se que mais de 100 milhões de homens no mundo apresentem disfunção erétil após os 40 anos. A condição pode estar associada a fatores vasculares (aterosclerose, hipertensão), neurológicos (lesão de nervos cavernosos após prostatectomia, neuropatia diabética), hormonais (hipogonadismo) e psicológicos (ansiedade de desempenho, depressão), além de hábitos como tabagismo, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.

Ejaculação precoce: é uma das disfunções sexuais masculinas mais comuns, afetando entre 20% e 30% dos homens em algum momento da vida. A Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM) define a ejaculação precoce primária como aquela que ocorre consistentemente em menos de um minuto após a penetração vaginal.

Doença de Peyronie: distúrbio fibrótico localizado na túnica albugínea do pênis que resulta em deformidade e curvatura peniana, podendo causar dor e dificuldade nas relações sexuais. Acomete entre 3% e 9% dos homens adultos.

Disfunções hormonais masculinas: o hipogonadismo tardio — queda progressiva dos níveis de testosterona com o envelhecimento — pode provocar redução da libido, fadiga, perda de massa muscular, alterações de humor e declínio cognitivo. O diagnóstico é laboratorial e o tratamento, quando indicado, consiste em terapia de reposição hormonal individualizada.

Saúde da próstata

A próstata é uma glândula que desempenha papel essencial na função reprodutiva masculina e, com o envelhecimento, torna-se sede das condições mais prevalentes da urologia masculina: a hiperplasia prostática benigna (HPB), a prostatite e o câncer de próstata.

Prevenção e rastreamento do câncer

O andrologista desempenha papel relevante na prevenção e no rastreamento do câncer de próstata e do câncer testicular. O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais incidente entre os homens no mundo e o mais comum na população masculina brasileira, excluídos os tumores de pele não melanoma. A detecção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, e a reabilitação sexual pós-tratamento oncológico é parte integrante do cuidado moderno ao paciente com câncer de próstata.

Novas tecnologias e tratamentos avançados na saúde do homem

A andrologia contemporânea incorpora progressivamente tecnologias inovadoras no diagnóstico e no tratamento das condições masculinas. Os melhores resultados são consistentemente obtidos em centros especializados com volume cirúrgico elevado, equipes multidisciplinares e acesso às tecnologias mais avançadas, como demonstrado pela literatura científica em diversas condições urológicas de alta complexidade.

Tratamentos para a disfunção erétil

Tratamentos farmacológicos orais

Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5) — sildenafil, tadalafil, vardenafil e avanafil — constituem a primeira linha de tratamento para a disfunção erétil, aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA) e com extensa evidência de eficácia e segurança. Atuam facilitando o relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos mediante o aumento da concentração de GMP cíclico, potencializando a vasodilatação mediada pelo óxido nítrico. São contraindicados em pacientes em uso de nitratos orgânicos.

Prótese peniana inflável

A prótese peniana é o tratamento cirúrgico de maior eficácia para a disfunção erétil refratária às demais modalidades terapêuticas. O implante peniano inflável de três peças — considerado o padrão-ouro cirúrgico — é aprovado pelo FDA e apresenta os maiores índices de satisfação entre todos os tratamentos disponíveis para disfunção erétil grave, com taxas globais de satisfação de pacientes e parceiras superiores a 90% nos estudos de longo prazo. O dispositivo é composto por dois cilindros implantados nos corpos cavernosos, uma bomba escrotal e um reservatório retropúbico preenchido com solução salina, permitindo ao paciente controlar o momento e a duração da ereção de forma discreta. A cirurgia não interfere na sensibilidade peniana, no orgasmo ou na ejaculação. A taxa de sobrevida mecânica dos implantes modernos supera 95% em dez anos.