upright=1.3|thumb|Neve na zona rural de São Joaquim, Santa Catarina, agosto de 2010. thumb|upright=1.3|Neve em Canela, Rio Grande do Sul, em agosto de 2013.

No Brasil, a neve ocorre praticamente todos os anos nos planaltos dos estados da Região Sul, situada na zona temperada e com clima temperado oceânico, enquanto que no resto do país, onde o clima é predominantemente tropical e subtropical, é considerado um fenômeno raro ou mesmo inexistente. Nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão encravadas entre montanhas as cidades consideradas as mais frias do país: São Joaquim (SC), Urubici (SC) e São José dos Ausentes (RS), dentre outras cidades que fazem divisa com essas, como Bom Jesus (RS), Urupema (SC), Bom Jardim da Serra (SC) Cambará do Sul (RS), e também do estado do Paraná, como a cidade de Palmas.

Além dos estados da Região Sul, os já estados que tiveram registros de neve são São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. O fenômeno, no Brasil, ocorre principalmente nos meses de junho, julho e agosto, mas há registros de nevadas precoces nos meses de abril (17 de abril de 1999 em São Joaquim, e 19 de abril de 2023, em Bom Jardim da Serra e São Joaquim) e maio e também nevadas tardias, em setembro e outubro, já em plena primavera (em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, registrou-se o fenômeno em 3 de outubro de 1999 e 2006, e no Morro da Igreja, em Santa Catarina, em 1º de novembro de 2022, esta última, a nevada mais tardia registrada no Brasil).

No ano de 2000, a neve ocorreu em mais de 70 municípios espalhados nos três estados da Região Sul. Em 2010, o fenômeno voltou a ocorrer com força em 21 municípios das serras catarinense e gaúcha. No ano de 2013, um episódio histórico em julho levou neve a mais de 140 municípios da região. Foi a última vez que se registrou neve com relativamente boa acumulação. Em termos de abrangência territorial, destacam-se na Região Sul os anos de 1975 e 2013, tendo também o fenômeno ocorrido de forma simultânea e forte em muitos municípios espalhados pelos três estados do sul em 1928, 1942, 1955, 1975, 1985, 1994, 2000 e 2013.

Recordes

A mais forte precipitação de neve já registrada no Brasil ocorreu na cidade de Vacaria no Rio Grande do Sul, no dia 7 de agosto de 1879, na qual a neve acumulou cerca de dois metros.

7 de agosto de 1879, em Vacaria, Rio Grande do Sul, com 2 metros de neve. 20 de julho de 1957, em São Joaquim, Santa Catarina, com 1,30 metro de neve. Considerada, às vezes, como a mais abundante precipitação de neve do país, dado o tempo bastante remoto da nevada de Vacaria, de 1879. Junho de 1985, em Itatiaia (nas proximidades do Pico das Agulhas Negras), Rio de Janeiro. 1,00 metro de neve.

Região Sul Santa Catarina thumb|esquerda|Neve em Caçador em 1981. thumb|esquerda|Neve em São Joaquim em 1988. esquerda|miniaturadaimagem|Morro do Cambirela, em Palhoça, coberto de neve em 2013.

Contudo, é no lado catarinense, onde se registram as maiores altitudes, que o fenômeno ocorre usualmente com maior intensidade e frequência. Em Santa Catarina, os municípios de São Joaquim, Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra são agraciados com o fenômeno da neve praticamente todos os anos. Entretanto, são numerosos os municípios localizados nos planaltos catarinenses, em que o fenômeno da precipitação de neve ocorre com uma frequência apreciável, embora não chegando a ocorrer todos os anos, como Brusque.

Além das regiões mais altas, algumas ocorrências raras acontecem nas regiões mais baixas do estado, como foi registrado no dia 23 de julho de 2013 em Blumenau e outros municípios do Vale do Itajaí, como Rio do Sul, Ibirama, Benedito Novo, Timbó, Brusque, entre outros, além de municípios da Grande Florianópolis como Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado, Alfredo Wagner e Angelina. A neve foi, inclusive, registrada na ilha de Florianópolis, no alto do Morro da Virgínia, bairro Ratones. A neve que caiu nos dias 22 e 23 de julho de 2013 foi considerada histórica, atingindo mais de um terço das cidades do estado (cerca de 127 cidades registraram o fenômeno).

O Morro da Igreja, situado na tríplice divisa Urubici/Orleans/Bom Jardim da Serra, a 1822 metros de altitude, é o ponto habitado mais frio do estado e do país, e lá a temperatura já chegou a -17,8 °C, em 29 de junho de 1996 (registro extraoficial). São Joaquim - segundo produtor regional de maçã - é a área urbana que recebe a maior incidência de neve e, por consequência, o maior número de visitantes da região.

Em 2013, a neve foi registrada doze vezes no estado de Santa Catarina, tendo sido possível a prática do 'snowboard no Morro da Igreja.

Na terça-feira do dia 1 de novembro de 2022, no Morro da Igreja, o estado registrou pela primeira vez neve no mês de novembro desde o início das medições.Santa Catarina tem registro de neve pela primeira vez em novembro, Diário de PernambucoNeve cai em SC em registro inédito no mês de novembro, G1

Rio Grande do Sul thumb|Neve em Caxias do Sul, RS, 1994.

No Estado do Rio Grande do Sul, as cidades mais frequentemente atingidas pelo fenômeno estão localizadas nas regiões serranas do nordeste do Estado, principalmente nas regiões de maior altitude, de aproximadamente 900 m a 1400 m, denominadas de Campos de Cima da Serra, que estão entre as cidades mais frias do país. Também já houve uma partida de futebol durante uma queda de neve relativamente abundante, entre Esportivo e Grêmio, em 1979, na cidade de Bento Gonçalves. A partida, que terminou empatada sem o registro de nenhum gol, ficou conhecida como o Jogo da Neve.

Em Vacaria, houve o registro de uma intensa precipitação de neve, de 7 a 9 de agosto de 1879, com um acúmulo que chegou aos 2 metros, provavelmente a maior da história do Brasil. A neve também ocorre em várias outras cidades serranas, como Caxias do Sul, Canela, Muitos Capões, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Gramado, Lagoa Vermelha, Guaporé, Veranópolis, Farroupilha, Jaquirana, Flores da Cunha, Nova Prata, Garibaldi e São Marcos.

Há outros locais do estado onde a precipitação de neve também é ocasional, porém muito menos frequente, como é o caso das cidades localizadas nos planaltos do noroeste como Cerro Largo, Ijuí, Passo Fundo, Erechim, Cruz Alta, Soledade, Arvorezinha, Fontoura Xavier, entre outras, além das cidades das Serras de Sudeste, como Caçapava do Sul, Encruzilhada do Sul, Canguçu, Santana da Boa Vista, Pinheiro Machado, Santiago, Júlio de Castilhos, Horizontina, Ilópolis, Itaara, Lavras do Sul, Antônio Prado, Fontoura Xavier, Ibiraiaras, Ibirubá, Ipê, Itapuca, Nova Pádua, Paraí, Sananduva. Historicamente, boa parte do território sul-riograndense já registrou alguma precipitação de neve, por menor que tenha sido a intensidade. Mesmo cidades com pouca altitude, como Porto Alegre (1879, 1910, 1984 1994, 2000).

Em setembro de 2006 foi registrada a maior ocorrência de neve no Rio Grande do Sul, em termos de abrangência, desde o ano 2000, tendo sido registrado o fenômeno em mais de 50 municípios entre os dias 3 e 5 de setembro de 2006, inclusive com a presença de neve em flocos e com acumulação nos bairros da zona sul de Novo Hamburgo em alguns bairros de Porto Alegre sem acumular.

Em anos mais recentes, destaca-se a forte e abrangente nevada ocorrida em dezenas de municípios da escarpa de planalto (serra) e do planalto gaúcho (Campos de Cima da Serra), ocorrida entre a noite e madrugada dos dias 26 e 27 de agosto de 2013; a precipitação em algumas cidades, a exemplo de Caxias do Sul, começou por volta das 20 horas, ainda sob a forma de flocos de neve semi derretidos, passando a precipitar exclusivamente sob a forma de flocos de neve depois das 22 horas, assim continuando até por volta das 5 horas da madrugada, com apreciável acumulação entre 3cm e 10cm, que se fez presente mesmo no centro da cidade. Acumulados na ordem de 20/30 cm foram observados no interior da região, porém muito decorreram do efeito do vento (snowdrift). Esta nevada foi a mais intensa no estado desde o ano de 1994.

Paraná Neste estado, a região de Palmas, no extremo sul do Estado, a 1090 metros de altitude, é a região paranaense onde o fenômeno ocorre com maior frequência. Entretanto, precipitações com acúmulos no solo são raras. Em outros municípios paranaenses, o fenômeno ocorre com menor frequência, mas dificilmente ficam uma década inteira sem presenciá-lo, como Guarapuava, Cruz Machado, Inácio Martins, General Carneiro, União da Vitória, Clevelândia, Cascavel, Pato Branco, Irati, Francisco Beltrão, São Mateus do Sul, Rio Negro, Pinhão, Paulo Frontin, Campo Largo, Candói, Mallet, Lapa e Araucária, Antônio Olinto, Apucarana, Cambira, Campo Magro, Cantagalo, Colombo, Fazenda Rio Grande, Jaguariaíva, Paula Freitas, Porto Vitória, São José dos Pinhais, Piraí do Sul, Goioxim, Ponta Grossa, Carambeí, Itaperuçu, São João do Triunfo, entre alguns outros municípios de altitude superior a 900 m localizados no sudoeste do Estado. Em outros municípios paranaenses, a neve também já foi registrada, embora com uma frequência bem mais rara, como Carambeí, Castro, Pitanga, Toledo, Campo Mourão (1975), Curitiba, onde oficialmente a precipitação de neve ocorreu em 1889, 1892, 1912, 1928 (dois dias), 1943, 1955, 1957, 1963, 1975, 1979, 1981 (neve granular em pontos isolados, relatados na mídia impressa local), 2013, e 2020, na cidade de Castro, entre outros, dentre os quais merece destaque, a cidade de Foz do Iguaçu, que, a pouco mais de 150m do nível do mar, registrou o fenômeno em 1975. Há relatos da ocorrência do fenômeno também no norte do Estado, em 1965, na Serra do Mulato e também em cidades como Arapongas e Maringá, ainda em 1955 e 1965 na zona rural do município de Ibaiti, norte pioneiro do estado do Paraná, cidade que fica a 850 metros de altitude.

miniaturadaimagem|Neve no ano de 2013 em Guarapuava, no Paraná.

No dia 23 de julho de 2013 várias cidades do Paraná também registraram neve, dentre elas Ponta Grossa e Curitiba. O fenômeno natural voltou a ocorrer na capital paranaense após 38 anos sem ser registrado com intensidade (17 de julho de 1975, quando nevou por mais de 3 horas). A neve em Curitiba ocorreu nas primeiras horas da manhã, a partir das 8h, nevando com mais intensidade em bairros como o Campo Comprido, a Ecoville, o Umbará, o Xaxim e a Cidade Industrial, embora o fenômeno também tenha se registrado em forma menos intensa na região central da cidade, a exemplo da Avenida Batel. Apesar de a mídia ter divulgado amplamente que fazia 38 anos que a cidade não registrava o fenômeno, em 30 de maio de 1979 ocorreu neve fraca, bem como em 1981, quando chegou a ocorrer neve granular em pontos isolados, mas que também é neve. Na realidade, havia 38 anos que não se registrava em Curitiba neve com certa intensidade e na maioria das regiões da cidade. A data também é digna de nota por ter registrado uma das menores máximas da história da Capital paranaense, com apenas 5,2° C. Em 2010, Curitiba havia registrado máxima de 6,3 ºC, mas sem registro de neve, e em 17 de julho de 1975, a cidade havia registrado máxima de 8 ºC no início da madrugada anterior à nevada, e máxima de 3,8 ºC no período da tarde.

Em 18 de julho de 2017 o fenômeno voltou a ser registrado, com menor intensidade no Estado do Paraná, mais precisamente no Município de Palmas, ocorrendo também, chuva congelada em Cascavel Curitiba e outros municípios na metade sul do Estado.

Outras regiões A Região Sudeste, por ser cortada pelo Trópico de Capricórnio e ter clima seco durante o inverno, apresenta ocorrência de neve muito rara e mais esparsa do que na Região Sul. Os demais estados, incluindo todo o Norte, Nordeste e grande parte do Centro-Oeste possuem climas tropicais ou semiáridos e baixas latitudes e altitudes, tornando a neve (virtualmente) impossível. Não houve relatos de neve mesmo no ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina.

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