Guerras judaico-romanas é o termo genérico que designa a série de revoltas movidas pelos judeus contra a dominação pelo Império Romano. Foram três guerras, mas alguns historiadores consideram que houve apenas duas, descartando a "Guerra de Kitos".

As guerras judaico-romanas dos séculos I e II EC foram catastróficas para o povo judeu, transformando-o de uma população importante em sua terra natal em uma minoria dispersa e perseguida, através da devastação da Primeira Guerra Judaico-Romana (que viu a destruição de Jerusalém e do Segundo Templo) e da revolta de Bar Kokhba, ainda mais brutal, que levou ao despovoamento quase total da Judeia. Esses eventos catastróficos não apenas expandiram e fortaleceram a diáspora judaica, mas também forçaram uma profunda transformação religiosa, pois a perda do Templo tornou insustentável seu culto sacrificial e deu origem a novas formas de adoração centradas na oração, no estudo da Torá e nas sinagogas, estabelecendo, em última análise, as bases para o Judaísmo rabínico e a codificação de textos fundamentais como a Mishná e o Talmude.

Primeira guerra

Também chamada de "Grande Revolta Judaica", iniciada em 66 d.C., na província romana da Judeia, e oficialmente encerrada em 70 d.C., embora a luta tenha se prolongado até 73 d.C., com a tomada da fortaleza de Massada. Foi sufocada pelas tropas do comandante romano (e futuro imperador), Vespasiano, secundado por seu filho, Tito. Morreram mais de um milhão de judeus e o Templo de Jerusalém foi destruído, restando apenas o Muro das Lamentações.

Segunda guerra

Também chamada de "Guerra de Kitos", ocorreu entre os anos 115 e 117, no governo do imperador Trajano. Consistiu em uma revolta das comunidades judaicas da Diáspora (judeus que viviam fora da Judeia), disseminando-se, principalmente, por Cirene (Cirenaica), Chipre, Mesopotâmia e Egito. Foi sufocada pelo comandante romano Lúsio Quieto.

Terceira guerra

Também chamada de "Revolta de Barcoquebas", ocorreu entre os anos de 132 e 135, durante o governo do imperador Adriano, sendo liderada por Simão Barcoquebas, que alguns consideraram ser o Messias davídico esperado pelos judeus. Foi sufocada pelas tropas do comandante romano Sexto Júlio Severo. Para os historiadores que não consideram a "Guerra de Kitos" como uma das guerras judaico-romanos, esta seria a segunda guerra entre romanos e judeus.

Outras revoltas Além dessas guerras, houve também uma rebelião dos judeus da Síria Palestina contra Constâncio Galo, césar do Império Romano, conhecida como "Revolta judaica contra Galo", ocorrida entre 351 e 352, que foi sufocada pelo comandante romano Ursicino. No , as Revoltas Samaritanas contra o Império Bizantino inflamaram a região por quase um século.

No século seguinte, os judeus se revoltaram novamente contra o imperador bizantino Heráclio (613).