O Rei do Inverno é o primeiro romance da trilogia das Crônicas de Artur escrito por Bernard Cornwell, originalmente publicado no Reino Unido em 1995 pelo Penguin Group, e no Brasil pelo Grupo Editorial Record. O livro é baseado em personagens e eventos das lendas Arturianas, porém contém mudanças e repaginações consideráveis.
O romance se passa no ano 480, e é dividido em cinco partes narradas pelo protagonista, Derfel Cadarn. Um antigo guerreiro jurado a Arthur e agora um monge ancião, Derfel conta a história de como Arthur se tornou um senhor da guerra na Britânia da idade das trevas, apesar de não ter direito legítimo ao trono. Após ser banido à Armórica por seu pai, o rei Uther Pendragon, Arthur retorna para proteger o novo rei, seu sobrinho Mordred. Porém, quase a ponto de unificar pacificamente a Britânia, a decisão de Arthur de se casar com Guinevere mergulha a ilha em guerra novamente.
Enredo A história é narrada pelo protagonista principal, Derfel Cadarn, um monge ancião que se converteu ao cristianismo no fim da vida após passar muitos anos como um guerreiro a serviço de Artur, um senhor da guerra renomado que há muito tempo lutou para proteger o reino da Dumnônia. Num monastério em Dinnewrac, a jovem rainha Igraine pede a Derfel que grave as histórias de como ele conheceu os famosos heróis do mito arturiano. Sabendo que seu antipático bispo Sansum não pode ler, Derfel finge escrever um evangelho. Grande parte da narrativa é recontada em uma série de recordações de sua juventude, com interrupções regulares no monastério, no presente.
Parte Um: Um Nascimento no Inverno O reino de Dumnônia está em caos. Suas forças, lideradas pelo Edling (príncipe herdeiro) Mordred, e Arthur (bastardo do rei) derrotou os Saxões em uma batalha no Morro do Cavalo Branco, mas a um custo terrível: o príncipe Mordred foi morto, deixando o reino sem um herdeiro. O Alto Rei Uther Pendragon culpa Arthur pela morte de seu filho, e o exila na Armórica. A única esperança da Dumnônia é que a esposa grávida de Mordred, Norwenna, dê à luz um filho. A rainha norwenna está parindo, e teme-se que a criança morra. Uther, um pagão, perde a paciência com as parideiras cristãs de Norwenna e chama Morgana, sacerdotisa de Merlin, para parir a criança. A mágica pagã aparenta funcionar e um filho homem nasce, porém aleijado de uma perna, o que é um presságio muito ruim. O rei ignora o sinal e declara que o filho será nomeado como o pai: Mordred.
A criança Mordred e sua mãe são entregues ao salão de Merlin em Ynys Wydryn, onde ela e a criança são postas sob os cuidados das sacerdotisas de Merlin, Morgana (irmã de Arthur) e Nimue (amante de Merlin). O próprio Merlin não é visto na Britânia há vários meses. O narrador, Derfel, é um jovem enjeitado em Ynys Wydryn, que foi adotado por Merlin. Nascido de uma Saxã chamada Erce, Derfel e sua mão foram capturados em uma invasão dos Bretões e escravizados. Seus captores Bretões são mais tarde derrotados por Gundleus, rei da Siluria, e seu druida Tanaburs. Derfel seria um dos sacrifícios aos deuses como tributo em agradecimento pela batalha vitoriosa, sendo jogado em um "poço da morte," mas sobrevive, e a partir daqui é considerado como favorecido pelos deuses por Merlin. Tendo sobrevivido ao sacrifício falho, ele também é encarregado de tomar a vida de Tanaburs. Derfel está apaixonado por Nimue, que o liga em juramento à si marcando as mãos de ambos e fazendo Derfel jurar que sempre a obedecerá.
O Alto Rei Uther convoca um conselho dos reis da Britânia em Glevum. Morgana é convocada para representar Merlin em sua ausência, e Nimue se junta à ela, acompanhada de Derfel. A tensão dentro do Reino Britânico fica explícita quando o Rei Gorfyddyd de Powys não aceita a convocação e o Rei Gundleus da Siluria se atrasa. Uther deixa claro que nenhum homem que não seja seu neto Mordred se sentará no trono da Dumnônia. Como Mordred ainda é apenas um bebê, Uther nomeia trẽs guardiões - Rei Tewdric de Gwent; Owain, campeão de Uther na Dumnônia; Merlin e também um pai adotivo para Mordred, que deve se casar com a princesa Norwenna. Agricola, campeão de Gwent, sugere Arthur, mas Uther renega Arthur como seu filho. O Rei Gundleus é então nomeado como guardião de Mordred e se casa com Norwenna. Após Tewdric e Owain fazerem seus juramentos como guardiões, Morgana insiste que Merlin só vai aceitar o juramento caso Arthur seja nomeado como guardião, um pedido que Uther aceita relutantemente após Tewdric apoiar Morgana. Após a morte de Uther, Mordred, ainda um bebê, é nomeado Rei da Dumnônia. Ele não é, contudo, o Alto Rei, pois o título só pode ser concedido a um rei aceito como superior pelos outros Reis Britânicos; nem é Pendragon, já que esse título só é concedido a um Alto Rei com feitos em batalhas.
Após a morte de Uther, o Rei Gorfyddyd ataca Gwent, e Dumnônia e Siluria correm em auxílio ao Rei Tewdric. O Rei Gundleus envia envia notícias de vitória e anuncia que irá a Ynys Wydryn para se juntar à sua nova esposa. Morgana e Nimue advertem Norwenna que a guerra não acabou, mas ela não acredita. Quando Gundleus chega, ele mata Norwenna e, aparentemente, o bebê Mordred. Então, em retribuição a uma maldição de Nimue, ele a estupra e arraca fora um de seus olhos. Derfel resgata Nimue e enquanto foge encontra Morgana, que diz que Mordred está com ela. Ela explica que Gundleus na verdade matou o filho da empregada do Rei, que havia sido trocado por ele. Derfel pega a espada Hywel de seu mestre espadachim morto, e a renomeia Hywelbane. O grupo corre com Gundleus em sua perseguição. Quando chegam à capital Dumnôniana Caer Cadarn, Derfel se junta ao exército de Owain, mata seu primeiro inimigo, e se prepara para entrar em batalha contra o exército Silúrio, muito mais forte. Porém Arthur aparece com seus cavaleiros durante a batalha e derrota Gundleus.
Parte Dois: A Noiva Após a batalha, Arthur aprisiona Gundleus tratando-o respeitosamente, pois Gundleus ainda é um rei. Arthur deixa Derfel para Owain treinar, para seu desgosto, mas sob a liderança de Owain, Derfel aprende a realidade da guerra. Owain é desonesto e vai à guerra por lucro. Enquanto Derfel está com ele, Owain entra em um acordo com o príncipe Cadwy de Isca para massacrar um grupo de mineradores de estanho Córnicos que trabalhavam na Dumnônia a convite de Uther. Derfel é abalado pela carnificina injustificável, e como resultado perde a fé em Owain como líder, apesar de estar ligado a ele por juramento. Quando o príncipe Tristan, Edling de Kernow, chega na Dumnônia e exige uma recompensa pelo massacre, Owain culpa um grupo de invasores Irlandeses. Arthur suspeita que Owain está mentindo e, após falar com Derfel, desafia Owain a um duelo de espadas para resolver a questão, uma luta até a morte onde os deuses são chamados para dar vitória à verdade. Arthur derrota Owain e assume poder total na Dumnônia, e então toma Derfel sob seu serviço para poupar-lhe da vingança dos apoiadores de Owain.
Arthur deseja acabar com a guerra civil e unir os reinos Britânicos contra os Sais (Saxões). Para fazer isso, ele entra em um acordo de paz com Powys: ele vai retomar o trono da Silúria para Gundleus e então se casar com Ceinwyn, a filha de Gorfyddyd. Ele viaja ao norte até Powys, onde é formalmente prometido à Ceinwyn. Porém, quando a filha do Rei Leodegan, Guinevere, entra no salão de festas, Arthur é imediatamente acometido de amor. Ele abandona Ceinwyn e se casa com Guinevere, destruindo qualquer esperança de uma aliança e mergulhando a Britânia de volta à guerra civil.
Parte Três: O Retorno de Merlin Nos anos seguintes ao casamento de Arthur com Guinevere, Derfel se torna um grande guerreiro, e recebe um segundo nome, "Cadarn" que significa "O Forte." Sagramor, comandante Númida de Arthur, inicia Derfel nos mistérios do culto secreto de Mithras.
Arthur recebe convocações do reino Armórico de Benoic, a quem ele fez uma jura de ser o campeão do reino, para ajudar contra os invasores Francos. Incapaz de ir pessoalmente, ele manda Derfel com 60 homens. Derfel deverá juntar forças com o primo de Arthur, Culhwch, e escrever a Arthur caso mais homens sejam necessários. Antes de partir, Sagramor avisa a Derfel que o Edling de Benoic, Lancelot, pode ser traiçoeiro. Após sua chegada, Derfel é levado à Ynys Trebes, a ilha capital de Benoic. Ali ele conhece o Rei Ban, que fica chateado quando descobre que Arthur não virá, mas se deleita ao saber da reputação de Derfel. Ban mostra à Derfel a biblioteca de Ynys Trebes, que é supervisionada pelo mal-humorado padre Celwin. No jantar, Derfel conhece Lancelot e eles instantaneamente se desgostam. Derfel só é impedido de espancar Lancelot pela intervenção de Galahad, meio irmão de Lancelot. Galahad explica em particular que Lancelot não vai aceitar a derrota levianamente e sugere que Derfel deixe Ynys Trebes imediatamente. Derfel retorna para a costa acompanhado de Galahad, que sonha em lutar ao seu lado.
Derfel passa três anos em Benoic e aprende rápido que a reputação temível de Lancelot não tem nada a ver com proezas em batalhas, mas com poetas pagos para cantar suas glórias. Derfel e Galahad começam a campanha para diminuir o avanço das bárbaras hordas Francas. Nisso eles são bem sucedidos e se tornam temidos pelos Francos. Contudo, eles são eventualmente empurrados de volta à Ynys Trebes, onde Lancelot se encarregou de defender a cidade. Em um conselho de guerra, Lancelot insiste que o reino pode sobreviver dentro da muralha da cidade, já que é altossuficiente. Após vários meses sob cerco, a cidade cai. Lancelot, com sua mãe e seus seguidores e o tesouro do reino, foge assim que a cidade é invadida. Conforme um grande massacre se segue, Derfel se vê compelido a voltar ao palácio, onde encontra o Rei Ban conformado com seu destino e o padre Celwin na biblioteca freneticamente procurando por um manuscrito Romano em particular, ambos se recusando a partir. Conforme os Francos invadem o palácio, o padre Celwin se revela como Merlin disfarçado. Merlin encontra o que estava procurando, dizendo que contém o conhecimento da Britânia. Ele então leva Derfel e Galahad para fora da cidade e dentro de um barco que já havia sido arrumado para sua fuga.
Chegando na Dumnônia, Merlin desaparece novamente. Enquanto isso, Derfel descobre que Nimue foi considerada perigosamente louca e foi banida à ilha dos mortos, onde os insanos eram exilados. Derfel acredita que é por isso que Merlin desapareceu. Acreditando que Derfel e seus homens estão mortos, Lancelot já contou a Arthur e aos homens da Dumnonis que, apesar de seus melhores esforços, Ynys Trebes caiu por culpa de Derfel. Derfel chega a tempo de ouvir a calúnia, chamando Lancelot de mentirose e o desafiando para um duelo, mas Arthur neutraliza a situação.
Parte Quatro: A Ilha dos Mortos Derfel é recompensado por seus serviços a Arthur e é declarado um lorde, e logo após descobre que Merlin foi rumo ao norte ao invés da ilha dos mortos. Com a cicatriz em sua mão lembrando Derfel de seu dever para com Nimue, ele viaja rumo ao sul para ele próprio resgatá-la. Ele encontra Nimue na ponta sul da ilha. Inicialmente ele o ataca em sua loucura, mas ele aperta junto suas mãos com cicatrizes, e a razão de Nimue retorna. Ao retornar à entrada da ilha, ele descobre que Galahad e seus homens o seguiram para garantir que ele pudesse sair.