Garcia de Resende (Évora, 1470 - Évora, 3 de Fevereiro de 1536) foi um poeta, cronista, músico, desenhista e arquiteto português.Enciclopédia Barsa. Volume 13, pg. 297. Editora Encyclopaedia Britannica Consultoria Editorial Ltda. São Paulo (1994)

Biografia Filho de Francisco de Resende, Fidalgo da Corte de D. Afonso V de Portugal, "criado" do Bispo de Évora D. Garcia de Meneses, a quem D. João II de Portugal doou, a 28 de Junho de 1484, uma Herdade no termo de Évora, e de sua mulher Beatriz Boto, que viveu em Évora.

Sabe-se que em 1490 era moço da câmara de D. João II (1481-1495) e, no ano seguinte, seu moço de escrevaninha ou secretário particular, cargo que exercia ainda em Alvor, onde o soberano veio a falecer. Coube-lhe ser designado secretário-tesoureiro da faustosa embaixada liderada por Tristão da Cunha, enviada por D. Manuel I (1495-1521) ao Papa Leão X. Os últimos anos de vida passou-os em Évora, onde era proprietário.

Como muitos homens do Renascimento, Garcia de Resende tinha muitas facetas: trovava, tangia, desenhava e julga-se que era entendido em arquitectura militar.

Alguns historiadores consideram-no o iniciador do ciclo dos Castros, pois as suas trovas referentes à morte de Inês de Castro são o mais antigo documento poético conhecido versando sobre o assunto. Escreveu a Miscelânea em redondilhas, curiosa anotação de personagens e de acontecimentos, nacionais e europeus. Nessa obra atribui em versos a Gil Vicente a inovação da comédia de costumes em Portugal, quando o teatro da época se limitava a ser um misto de teatro litúrgico e teatro pastoril, conforme afirma Clovis Monteiro que transcreveu o seguinte trecho da citada obra e no qual é também citado Juan del EncinaMONTEIRO, Clóvis - Esboços de história literária - Livraria Acadêmica - Rio de Janeiro - 1961 - pg. 18:

"E vimos singularmente Fazer representações D'estilo mui eloquente, De mui novas invenções, E feitas por Gil Vicente, Ele foi o que inventou Isto cá, e o usou Com mais graça e mais doutrina, Posto que Joam del Enzina O pastoril começou."

Mas o que tornou Resende conhecido foi o Cancioneiro Geral, publicado em 1516, que reuniu as composições poéticas produzidas nas cortes de D. Afonso V (1438-81), D. João II e D. Manuel I, tendo-lhe redigido um prólogo dedicado ao príncipe D. João e composto as quarenta e oito trovas com que encerra a obra.

Foi sepultado em campa armoriada com brasão e timbre dos de Resende, em Capela que instituiu em 1520 na cerca do Convento do Espinheiro, em Évora.

Em 1933 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o escritor dando o seu nome a uma rua na Calçada de Carriche.

Obras Cancioneiro Geral (1516) Breve memorial sobre a confissão (1521) O sermão dos três reis magos (1536) Vida e Feitos del-rei D. João II (1545) Crónica de D. João II (1545) Miscelânea e variedade de histórias (1554)

Manuel Abranches de Soveral e Manuel Lamas de Mendonça, Ensaio sobre a origem dos Resende / Sodré, 2008, separata da revista Armas e Troféus, IX série, Janeiro / Dezembro de 2008.

Ligações externas Crónica dos valerosos e insignes feitos de El-Rei Dom Joam II..., de 1752, na Biblioteca Nacional de Portugal Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende Obra de Garcia de Resende na Biblioteca Nacional de Portugal

Categoria:Naturais de Évora Categoria:Moços da câmara da Casa Real Categoria:Poetas de Portugal do século XV Categoria:Poetas de Portugal do século XVI Categoria:Músicos de Portugal Categoria:Arquitetos de Portugal Categoria:Cronistas de Portugal Categoria:Historiadores de Portugal do século XV Categoria:Historiadores de Portugal do século XVI Categoria:Poetas renascentistas