Mentha pulegium, comummente conhecida como poejo (também grafada poêjo e poejos) , é uma das espécies mais conhecidas do género Mentha, pertencendo à família Lamiaceae, é uma planta perene cespitosa de raízes rizomatosas que cresce bem em locais húmidos ou junto de cursos fluviais, onde pode ser encontrada selvagem entre gramíneas e outras plantas.

Nomes comuns Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: pojo, hortelã-dos-Açores. e hortelã-pimenta-mansa

Descrição O poejo pode medir entre 15 a 40 centímetros de altura, trata-se de uma planta robusta, que tanto pode assumir uma orientação prostrada como ascendente. As raízes são laterais na base.

Os seus erectos talos quadrangulares, muito ramificados, podem chegar a medir entre 30 a 40 cm. As folhas são pecioladas, de podendo assumir um formato lanceolado, elíptico ou obovado, além disso são ligeiramente dentadas, e exibem uma coloração entre o verde-médio e o verde-escuro. Dispõem-se opostamente ao longo dos talos.

As diminutas flores, de corola rosada, dispõe-se em verticilastros multifloros, pelo que nascem agrupadas em densas inflorescências globosas.

Distribuição Encontra-se em todo o continente europeu, salvo no Norte da Europa. Tem presença ao longo de toda a Orla Mediterrânea.

Portugal Trata-se de uma espécie presente em todo território português, nomeadamente em Portugal continental, em todas as zonas, no arquipélago da Madeira e no arquipélago dos Açores.

Em termos de naturalidade, é nativa dos territórios supra referidos.

Ecologia Trata-se de uma espécie rupícola, com predileção por bouças e veigas húmidas, em barrocas, na orla cursos de água, aguaçais, lagos e outros espaços temporariamente madeficados ou anegados, amiúde azotados. Privilegia os solos de substracto ácido, pautados pela humidade edáfica, seja ela permanente ou não.

Utilidade Farmacologia thumb Esta planta aromática, de crescimento espontâneo, é conhecida há séculos em todo o Mediterrâneo e Ásia ocidental pelas suas propriedades carminativas, relaxantes e até como emenagoga quando tomada em infusão. Por extração de um óleo essencial, também pode ser usada em aromaterapia.

Em sede da medicina tradicional, são-lhe atribuídas propriedades; expectorantes, contra a gripe, tosse crónica, resfriados, bronquite e asma; calmantes ou relaxantes, para o sistema nervoso; antisépticas; cicatrizantes, usada como unguento tópico para tratar inflamações cutâneas; colagogas e espasmolíticas. Tendo, dessarte, sido usada na história de Portugal na confecção de mezinhas para combater constipações, insónias, dores reumáticas, acidez do estômago, disquinesia hepatobiliar e enjoos

Culinária Em Portugal é usada na culinária, para fazer infusões, licores e molhos, principalmente no Sul do país.

Outros usos No âmbito da cosmética, sói de ser usada na preparação de loções e cremes faciais, pelas suas propriedades cicatrizantes.

Mercê das suas propriedades tóxicas, seja dos óleos naturais que dela se podem extrair, seja do fumo resultante da combustão das folhas, também é usada na preparação de fungicidas e insecticídas.

Toxicologia thumb thumb thumb|Flores É de notar que o óleo essencial do poejo é venenoso (é uma substância hepotóxica), sendo especialmente perigoso para as grávidas pois pode causar o aborto. Nos cozinhados deve, pois, ser usado em moderação e evitado completamente pelas grávidas. O poejo é dotado dos seguintes compostos químicos: 3-Octanol, isomentona, limoneno (α-limoneno), mentona e pulegona

Curiosidades Na Nova Inglaterra, é conhecido como folha da bíblia.

A banda Nirvana possui uma música chamada Pennyroyal Tea, que em uma tradução livre significa "chá de poejo".

Taxonomia

A Mentha pulegium foi descrita por Carlos Linneo e publicada na Species Plantarum 2: 577. 1753.

Etimologia No que toca ao nome genérico: Mentha, este provém do latim mintha, o qual, por seu turno, advém do nome grego da ninfa Minta associada ao rio Cócito, amante de Plutão e que foi transformada em planta por Proserpina.

Quanto ao epíteto específico: pulegium, este deriva do étimo latino pulex, que significa «pulga», devendo-se tal alusão ao antigo costume de queimar poejo no interior das casas para repelir estes insectos.

O nome comum «poejo», por seu turno, advém exactamente do étimo pulegĭu, deturpação do baixo-latim do étimo latino pulegium, sempre em alusão às propriedades espulgantes desta planta.

Sinonímia Pulegium vulgare Mill. 1768 Melissa pulegium (L.) Griseb. 1844 Minthe pulegia (L.) St.-Lag. 1880 Mentha exigua L. 1756 Pulegium erectum Mill. 1768 Mentha aromatica Salisb. 1796 Mentha gibraltarica Willd. 1809 Mentha tomentella Hoffmanns. & Link 1809 Mentha tomentosa Sm. in Rees 1812 Thymus bidentatus Stokes 1812 Pulegium aromaticum Gray 1821 Pulegium heterophyllum Opiz ex Boenn. 1824 Pulegium pubescens Opiz ex Boenn. 1824 Pulegium tomentellum C.Presl 1826 Mentha pulegioides Dumort. 1827 Mentha montana Lowe ex Benth. in A.DC. 1848 Mentha tomentosa var. villosa Benth. in A.DC. 1848 Micromeria dalmatica Fenzl 1856, nom. illeg. Pulegium micranthum Claus 1856 Micromeria fenzlii Regel 1866 Pulegium tomentellum f. erianthum Pérard 1870 Pulegium tomentellum f. ninimum Pérard 1870 Pulegium vulgare f. algeriense Pérard 1870 Pulegium vulgare f. hirsutum Pérard 1870 Pulegium vulgare f. incanum Pérard 1870 Pulegium vulgare f. linearifolium Pérard 1870 Pulegium vulgare f. nummulariuoides Pérard 1870 Pulegium vulgare f. serratum Pérard 1870 Mentha aucheri Pérard 1878 Pulegium pulegium H.Karst. 1886 Mentha albarracinensis Pau 1887 Mentha hirtiflora Opiz ex Heinr.Braun 1890 Mentha subtomentella Heinr.Braun 1890 Mentha subtomentella var. ceplaloniae Heinr.Braun 1890 Mentha subtomentella var. humillima Heinr.Braun 1890 Mentha subtomentella var. microphylla (Friv.) Heinr.Braun 1890 Mentha daghestanica Boriss. 1954 Pulegium daghestanicum (Boriss.) Holub 1977 Micromeria maritima Yild. 2006Sinónimos en Kew

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