miniatura|300px|left|Ruinas de São Miguel das Missões Os primeiros e milenares habitantes que viviam na Região Sul do Brasil foram os povos ameríndios naturais da terra, principalmente os guaranis (mbyás), os kaingangs, os carijós e os charruas.
Posteriormente, a vinda dos padres espanhóis da Companhia de Jesus objetivou a catequização dos indígenas e a dominação da terra. Os padres jesuítas foram os fundadores das aldeias que se chamavam missões ou reduções. Os indígenas, além de habitantes das missões, eram criadores de gado, ou seja, dedicavam-se à pecuária, eram agricultores e aprendizes de ofícios.
Os bandeirantes vindos da Capitania de São Paulo realizaram ataques às missões objetivando o aprisionamento de indígenas. Por essa razão, os padres da Companhia de Jesus e os indígenas fugiram do local, abandonando o gado pelos campos. Pouco a pouco, houve a fixação de uma grande leva de paulistas no litoral de Santa Catarina. Eles foram os fundadores das mais antigas vilas no litoral.
Os paulistas também tiveram interesse pelo comércio do gado. Os tropeiros, isto é, os que comerciavam gado, faziam a reunião do gado que se espalhava pelos campos. Eles conduziam em tropas as mulas, os cavalos e o gado franqueiro para a venda nas feiras de gado que ocorriam em Sorocaba. No caminho de passagem das tropas houve o surgimento dos povoados e certos povoados foram transformados em cidades. Os tropeiros também foram os organizadores das mais antigas estâncias, ou seja, fazendas onde se cria de gado.O primeiro grande tropeiro foi um fidalgo português, Cristóvão Pereira de Abreu, descendente do condestável Nuno Álvares Pereira. Cristóvão de Abreu nasceu em Ponte de Lima, em 1680, e veio para o Rio de Janeiro aos 24 anos. Aqui, casou com D. Clara de Amorim, com quem não teve filhos. Em 1722, aos 42, fez um grande negócio. Arrematou o monopólio de couros do sul do Brasil, mediante o compromisso de pagar 70 mil cruzados para a Fazenda Real anualmente. Tratou de começar a explorar esse manancial de ganhos, chegando a exportar 500 mil peças de boi por ano, através da Colônia de Sacramento (então de posse dos Portugueses). Cristóvão de Abreu também instalou sua própria estância, situada entre o Canal de Rio Grande e a planície de Quintão. Mas o seu grande feito seria estabelecer um caminho por terra entre os pampas e o mercado que clamava por gado.
Para promover a defesa das estâncias que os tropeiros criaram, o governo português ordenou a construção de fortes militares na região.Remonta a uma fortificação iniciada pelo engenheiro militar, brigadeiro José da Silva Paes, em 19 de Fevereiro de 1737, em área fortificada provisoriamente pelo lado da campanha pelo coronel de ordenanças Cristóvão Pereira de Abreu (importante criador português de gado), que o aguardava em terra, e destinava-se a servir de alojamento à tropa de 1.ª Linha da expedição. Este presídio (colônia militar), sob a invocação de Jesus, Maria, José (Presídio de Jesus, Maria, José), constituiu o núcleo da Colônia do Rio Grande de São Pedro (Colônia de São Pedro), fundada oficialmente em Maio de 1737, consoante as ordens recebidas do governador da Capitania do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade (1733-1763). A escolha de seu local, bem como sua colonização com o estabelecimento de estâncias de gado, permitia apoiar as comunicações por terra entre Laguna e a Colônia do Sacramento, bem como oferecia ancoradouro seguro às comunicações marítimas naquele trecho da costa, particularmente hostil à navegação. Nos arredores dos fortes houve o surgimento de povoados como a atual cidade gaúcha de Bagé. Há muito tempo, os portugueses e os espanhóis entraram na luta para se empossarem das terras do Sul. As brigas foram continuadas e somente foram solucionadas com os tratados assinados. Os limites das terras que se localizam no sul do Brasil foram determinados pela assinatura de tratados.
O grande crescimento da população da região Sul ocorreu depois que os imigrantes chegaram da Europa. Os primeiros que imigraram para o Sul do Brasil foram os açorianos.A imigração açoriana para o litoral sulista foi bem menos significativa numericamente do que a migração de minhotos e outros portugueses do Norte para a região mineradora. Todavia, o impacto demográfico que esses colonos das ilhas tiveram no litoral do Sul do Brasil foi enorme. Entre 1745 e 1756, cerca de 6 mil ilhéus chegaram ao litoral de Santa Catarina, sendo que a população local era de apenas 5 mil pessoas. Santa Catarina recebeu 4.612 pessoas em 1748, 1.666 em 1749, 860 em 1750 e 679 em 1753. Outros tantos rumaram para o Rio Grande do Sul. Esses colonos portugueses se fixaram ao longo do litoral, onde fundaram pequenas vilas e lugarejos, vivendo da produção de trigo e da pesca. Após a imigração dos açorianos, houve a vinda em especial dos alemães (1824, São Leopoldo, Rio Grande do Sul),A primeira colônia alemã foi fundada em 1824, com o nome de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, numa área de terras públicas do Vale do Rio dos Sinos. e dos italianos (1875).Os italianos chegaram de início à região sul, onde estavam instalando colônias de imigrantes. Em meados do século XIX, o governo brasileiro criou as primeiras colônias. Estas colônias foram fundadas em áreas rurais como a Serra Gaúcha, Garibaldi e Bento Gonçalves (1875). Estes imigrantes eram, na maioria, da região do Vêneto, norte da Itália. Depois de cinco anos, face ao grande número de imigrantes, o governo teve de criar uma nova colônia italiana em Caxias do Sul. Nestas regiões os italianos começaram a cultivar a uva e produzir vinhos. Atualmente, estas áreas de colonização italiana produzem os melhores vinhos do Brasil. Também em 1875, foram fundadas as primeiras colônias catarinenses em Criciúma e Urussanga e, em seguida, as primeiras do Estado do Paraná. Outros grupos (árabes, poloneses e japoneses) também estiveram à procura da região para fazer dela sua morada. Os imigrantes foram os fundadores de colônias que foram transformadas em cidades de importância como Caxias do Sul.
As terras que ficam no norte e oeste do Paraná e no oeste de Santa Catarina foram as últimas regiões que os brasileiros povoaram. O povoamento do Norte do Paraná ocorreu com as colônias agrícolas criadas sob financiamento de uma companhia fundada na Inglaterra. A vinda de pessoas de outros Estados do Brasil e de mais de 40 países para a região objetivou o trabalho de colonos para plantar café e cereais. No oeste catarinense, foi desenvolvida a pecuária, além de serem exploradas a erva-mate e a madeira.
Visão geral
A Região Sul do Brasil, ao contrário do Nordeste e do Sudeste, esteve muito tempo fora do alcance dos interesses de Portugal em virtude de fatores diversos, entre os quais a posição geográfica no litoral das terras lusitanas no continente americano, posição que a tornava distante das células iniciais da colonização e, portanto, afastada do eixo econômico estabelecido entre o Brasil e a Metrópole. Processou-se o desenvolvimento do Brasil nordeste com base na indústria açucareira e na mineração, mas o sul, embora em parte já desbravado, chegou ao século XX praticamente despovoado.
O povoamento que se processou até a metade do século XIX resultou em uma ocupação pouco expressiva, constituída por uma população rural muito rarefeita. Essa população tinha como principais atividades econômicas a criação de gado nos campos, o cultivo da cana-de-açúcar em certos pontos da faixa costeira, extrativismo vegetal de erva-mate e incipientes culturas temporárias nas orlas florestais. Era, ainda, um povoamento inicial. Foi a partir do século XIX e principalmente nos últimos 50 anos, em pleno século XX, que a ocupação humana evoluiu na marcha acelerada da qual sobreveio a ocupação permanente de toda a região.
Fase inicial da Colonização Portuguesa
Principalmente no período inicial da ocupação portuguesa, os fatores fisiográficos se fizeram sentir de tal maneira que, graças a eles, se distinguem duas etapas na evolução efetuada: o povoamento do litoral e o do interior.
O povoamento inicial da área litorânea paranaense baseou-se na mineração praticada por antigos habitantes de São Vicente, chegados no começo do século XVII, e da qual resultou, em 1648,a fundação da vila de Paranaguá. Em 1654, a divulgação da existência de minas de prata na região levou ao povoamento de vários outros lugares ao sul de Paranaguá, tais como São Francisco do Sul (1658), ilha de Santa Catarina (1675), localidades nas quais a ocupação espanhola processada no século anterior quase não deixara vestígios e, por fim, Laguna (1676), povoações que foram, respectivamente, nas épocas em que surgiram, as mais avançadas da costa meridional e os núcleos básicos do povoamento catarinense.
A divulgação destas riquezas minerais — prata que não existia e ouro de lavagem, logo esgotado — não só atraiu os portugueses para o trecho litorâneo como os levou a procurar realizar o plano de domíná-lo até o rio da Prata antes que os espanhóis novamente se estabelecessem em alguns portos desta faixa, garantindo a posse das minas que por ventura existissem e estendendo a fronteira sul ao estuário platino que consideravam como o limite natural do território brasileiro. Levando a cabo as suas pretensões, edificaram, em 1680, à margem esquerda do rio da Prata, não ocupada pelos castelhanos a Colônia do Sacramento.
Entre Laguna, até então a povoação mais avançada do litoral sul, e a Colônia do Sacramento foi aberto o caminho destinado, sobretudo, a atender ao comércio do gado. Nas idas e vindas, portugueses e lagunistas tornaram-se conhecedores da existência do grande rebanho de bovinos e caprinos que ali existia à solta e aproveitaram-no. Surgiram os currais de preia e depois as invernadas que assinalaram a ocupação temporária da região, na qual não havia núcleo de povoamento. Afinal, em 1733, habitantes de Laguna deslocaram-se para lá, fixando-se em estâncias nas restingas entre o mar e as lagoas. Laguna foi, em fins do século XVII, o ponto de apoio da ocupação brasileira no Sul. Dela partiram os elementos que se estabeleceram no litoral rio-grandense. Seus habitantes abriram os caminhos terrestres para as Missões e outros que completaram as ligações de São Paulo ao Rio Grande do Sul.
O primeiro embrião de núcleo urbano surgiu quatro anos depois, quando, o governo português ordenou, a fundação de um forte que teria como objetivo a posse oficial e efetiva do Rio Grande do Sul e a defesa desta parte do litoral compreendida entre Laguna e a Colônia do Sacramento. Foi o forte Jesus Maria José (1737) erguido à margem do canal sangradouro. da Lagoa dos Patos. Em tomo dele formou-se o núcleo original da primeira vila instalada no Estado, Rio Grande de São Pedro (1751), hoje cidade do Rio Grande.
Após a fundação do forte, foram concedidas sesmarias até Santa Vitória do Palmar, cujos proprietários se dedicaram especialmente à criação de gado o segundo núcleo populacional foi São José do Norte (1763); nasceu quando os espanhóis bloquearam a Colônia do Sacramento e atacaram a vila de Rio Grande de São Pedro cujos habitantes fugiram para Laguna, Rio de Janeiro e alguns para o outro lado do canal, onde fizeram florescer São José do Norte.
Estes núcleos esparsos existentes não só na costa gaúcha mas também na catarinense, não constituíam garantia para manter a posse destas áreas próximas à fronteira e ameaçadas de agressão externa. Tal fato levou o governo português a introduzir aí, em 1748, o sistema de colonização com "casais açorianos" a fim de completar a ocupação, estabelecendo um povoamento contínuo de Santa Catarina ao Rio Grande do Sul.