Louco é um livro do escritor e dramaturgo Julio Zanotta, ilustrado pelo artista plástico Pena Cabreira e publicado pela editora ao Pé da Letra em 1995.
A obra foi escrita em uma sala escura e silenciosa, a partir das ilustrações de Pena Cabreira, utilizando a técnica de escrita automática empregada pelos surrealistas. Zanotta espalhou uma pilha de papel em frente a cada um dos 20 desenhos feitos a bico de pena por Cabreira e, sequencialmente, escrevia uma frase para cada um deles, repetindo o circuito várias vezes para criar personalidades patológicas próprias para cada ilustração.
Sinopse Entre a normalidade e a insanidade o mundo tece sua malha correcional e fabrica cada vez mais novas espécies de delirantes. Aqui nesse confronto da palavra com a imagem a loucura grita seu cárcere.
Louco compõe-se de um conjunto de textos curtos escritos a partir de desenhos de Pena Cabreira. Louco tem sido entendido como uma obra de ficção sobre a loucura, mas também pode ser compreendido como uma metáfora de um mundo cruel. Os textos formam um mosaico, um conjunto que nos remete a uma experiência de sofrimento e opressão. Foi editado em formato de álbum, 25 X 30, todo em papel couchê, com um projeto gráfico arrojado assinado por Marco Cena. Os desenhos a bico de pena de Cabreira são lacerantes, levam ao delírio e não fazem concessões. Convidam a uma viagem sem volta. Não escapamos ao seu fascínio, o argumento nos leva a sucumbir a um estranho sortilégio: perder o controle.
Louco está dividido em 20 breves capítulos, com nomes estranhos. A escrita é ágil, seca, substantiva. Leva o leitor a encarar de frente um mundo só de sombras inarredáveis e luzes ofuscantes. É um desequilíbrio da perspectiva. O personagem (ou os personagens) não discursa. Diz. Louco é um objeto de arte, propõe o que não se esperava. Uma interpretação delirante que nos leva à exaustão.
Referencia para o teatro Louco serviu como referência para a ópera rock Louco – A Lenda Negra de Saxon Frobenius, escrita e dirigida por Julio Zanotta em 2004. A adaptação teatral do livro narrava a história ficcional do Dr. Frobenius, um dos mais importantes cientistas dos Estados Unidos, que matou e esquartejou sua esposa em 1952, alegando ser assediado por demônios. Após um conturbado processo judicial, o cientista foi salvo da cadeira elétrica e encaminhado para o St. Elizabeths Hospital em Washington, onde passou o resto de sua vida.
O espetáculo fundia encenação teatral e apresentação musical, com os atores em cena também tocando instrumentos. A apresentação contava com uma trilha de treze músicas compostas por Mark Rockets e Fabiano Mesquita, integrantes da banda Sonix, que acompanhavam o personagem central, Frobenius, interpretado por Fábio Lessa.
Crítica
Indicações AnoPrêmioCategoriaResultado1996Prêmio AçorianosLiteratura
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