National Gallery ("Galeria Nacional", em inglês) é um museu de arte em Trafalgar Square, em Westminster, no centro de Londres, Reino Unido. Fundada em 1824, abriga uma coleção de mais de 2 300 pinturas que datam de meados do século XIII a 1900. A Galeria é uma instituição de caridade isenta e um organismo público do Departamento de Cultura, Mídia e Esportes. Sua coleção pertence ao público do Reino Unido e a entrada para a coleção principal é gratuita. Está entre os museus de arte mais visitados no mundo, depois do Museu do Louvre, o Museu Britânico e do Museu Metropolitano de Arte.Top 100 Art Museum Attendance, The Art Newspaper, 2014. Acessado em 2 de julho de 2014.
Ao contrário de museus comparáveis na Europa continental, a Galeria Nacional não foi formada por nacionalizar uma coleção de arte real ou principesca existente. Ela surgiu quando o governo britânico comprou 38 pinturas dos herdeiros de John Julius Angerstein, um corretor de seguros e patrono das artes, em 1824. Depois desta compra inicial, a Galeria foi moldada principalmente por seus primeiros diretores, nomeadamente Sir Charles Lock Eastlake e por doações privadas, que compõem dois terços da coleção. A coleção resultante é pequena em tamanho, em comparação com muitas galerias nacionais europeias, mas enciclopédica no escopo; a maioria dos grandes desenvolvimentos na pintura ocidental "de Giotto a Cézanne"Chilvers, Ian (2003). The Concise Oxford Dictionary of Art and Artists. Oxford Oxford University Press, p. 413. The formula was used by Michael Levey, later the Gallery's eleventh director, for the title of a popular survey of European painting: Levey, Michael (1972). From Giotto to Cézanne: A Concise History of Painting. London: Thames and Hudson são representados com obras importantes. Ela costumava ser considerada como uma das poucas galerias nacionais que tinham todas as suas obras em exposição permanente, mas isso não é mais o caso.
O atual edifício, o terceiro para abrigar a Galeria Nacional, foi projetado por William Wilkins de 1832 a 1838. Apenas a fachada na Trafalgar Square permanece essencialmente inalterada desde então, visto que o edifício foi ampliado aos poucos ao longo de sua história. O prédio de Wilkins foi muitas vezes criticado pelas fraquezas percebidas de seu design e pela sua falta de espaço; este último problema levou à criação da Galeria Tate para a arte britânica em 1897. A Asa Sainsburya, uma extensão para o oeste por Robert Venturi e Denise Scott Brown, é um exemplo notável da arquitetura pós-moderna na Grã-Bretanha. O atual diretor da National Gallery é Gabriele Finaldi.
História do museu thumb|esquerda|Antiga morada da colecção da National Gallery of London, em Pall Mall. Fundação Em Abril de 1824 a House of Commons estabeleceu um acordo para a compra de uma mansão e de toda a colecção de arte do famoso e ilustre banqueiro John Julius Angerstein, por 57 000 libras.
As 38 pinturas constituintes do acervo, vistas como o núcleo central da nova colecção nacional para a educação e entretenimento comum, antes da construção de um novo edifício que as albergasse, juntamente com centenas de outras pinturas já pertencentes ao Estado permaneceram expostas ao público na mansão também adquirida, em Pall Mall. thumb|direita|Fotografia à fachada principal de 1890. Nova morada As árduas críticas à conservação inadequada da colecção levaram à decisão de construir um edifício propositadamente erguido para albergar uma grande colecção, que viria a aumentar posteriormente, e os seus muitos visitantes. Assim, foi um local escolhido, sendo este em plena Trafalgar Square. Foram feitas várias vias de acesso e os acessos de comboio ao local foram facilitados. Os moradores ricos da zona oeste da cidade tinham oportunidade de visitar o local indo de comboio e, com a construção de passeios públicos largos, a ecléctica sociedade da parte sul e este de Londres poderia percorrer o trajecto a pé, comodamente.
Inicialmente, o museu era visitado pela elite inglesa, mas assim que as notícias da construção de um edifício monumental para albergar uma colecção riquíssima soaram pela Europa e pelos Estados Unidos, a alta sociedade internacional ali caiu em peso. Prontamente o Estado fez questão de alargar o número de visitantes e permitiu a entrada a todas as classes sociais e assim era frequente encontrar uma duquesa ao lado de uma vendedora de flores. O governo britânico e os curadores do museu mantiveram essa perspectiva cultural e muitos jovens de classes sociais menos abastadas são formados em Artes pela instituição.
Segunda Guerra Mundial Durante a Segunda Guerra Mundial, devido ao perigo iminente de bombardeamentos na cidade de Londres, numa quarta-feira, 23 de Agosto de 1939, a Galeria Nacional fechou as suas portas ao público, de forma a evacuar todas as pinturas para um local seguro e secreto.
As principais obras foram retidas em Gales enquanto alguns quadros menores foram abrigados na Gloucestershire. Outros, muito poucos, foram deixados em casas particulares ou edifícios públicos fora da cidade, evidentemente. Toda esta operação foi concluída com sucesso em somente onze dias, tendo a última remessa de obras saído de Trafalgar Square no dia 2 de Setembro do mesmo ano.
Com a iminência da guerra a conquista da França em Maio de 1940, todo o Reino Unido estava a ser bombardeado e as pinturas ficaram outra vez em perigo. Os curadores do museu negociaram o transporte para o Canadá, ideia que Churchill vetou, visto que não queria que nenhuma das pinturas saísse do continente europeu.
A Galeria Nacional foi afectada pela primeira vez em 12 de Outubro, o que destruiu uma das salas, mas os danos foram pouco significativos. A segunda bomba afectou a biblioteca e arrasou um dos pátios, porém, ao contrário da primeira, não causou vítimas mortais nem feridos. Ao final da Segunda Grande Guerra, nenhuma pintura fora afectada.
O edifício thumb|Fachada principal da National Gallery com a estátua de Sir Henri Hevelock em primeiro plano.
O edifício que atualmente alberga o museu, na Trafalgar Square, foi construído sobre os escombros de uma mansão de nome Carlton House. Os arquitectos da Galeria Nacional, com pena de derrubar os gigantescos e impressionantes colunas e pórticos italianos da mansão londrina, decidiram conservá-los e hoje formam as entradas principais do museu. Este facto favoreceu os planos dos arquitectos, visto que estes tencionavam construir um edifício neoclássico, cuja monumentalidade fosse notável e incontestável.
Em 1868 a construção do museu foi iniciada, glorificando as elegantes colunas com uma enorme cúpula, de grandes dimensões. Em 1876 e em 1907 o edifício foi aumentado, e, neste último ano, foram acrescentadas ao edifício cinco novas galerias. No seu interior, o edifício conserva ainda o típico estilo inglês dos finais do século XIX, confinando-se a uma elegância rude e por vezes austera. Nalgumas salas, inclusive, as paredes ainda estão cobertas de damasco e os tectos conservam os ricos lustres de cristal.
Acervo thumb|upright|Retrato de uma jovem, Jan Mabuse, cerca de 1520. thumb|upright|Os Embaixadores, Hans Holbein, o Jovem, 1533. thumb|upright|Retrato de jovem rapariga vestida de azul com uma pena de avestruz, Bartholomeus van der Helst, 1645. |thumb|upright|Retrato de Mademoiselle de Coislin, Louis Tocqué. thumb|A Natividade com Deus Pai e o Espírito Santo, Giambattisa Pittoni, 1740.|242x242px thumb|upright|Mister and Mistress Andrews, Thomas Gainsborough, cerca de 1750.|170x170px thumb|upright|A execução de Jane Grey, Paul Delaroche, 1833.|170x170px thumb|upright|Um Prato de maçãs, Henri Fantin-Latour, 1861. thumb|upright|Cena de praia em Trouville, Eugène Boudin, 1960-1870.
A coleção atual do museu inclui centenas de desenhos, gravuras e pinturas, muitos deles de extrema importância, como é o caso de O Casal Arnolfini, de Jan van Eyck e da A Virgem das Rochas, de Leonardo da Vinci. A maior parte do acervo provém de aquisições estatais ou de doações relevantes. Grande parte provém da Europa Ocidental, existindo apenas alguns trabalhos oriundos do Leste europeu.
Século XV Cristo Glorificado na Corte Divina, Fra Angelico, 1423-1424 A bênção dominicana, Fra Angelico, 1423-1424 Os seguidores de Cristo, com Santos e Mártires ou Procissão a Cristo, Fra Angelico, 1423-1424 Virgem Maria com os Apóstolos e outros Santos e representantes da Ordem Franciscana, Fra Angelico, 1423-1424 O Cardeal Bessarion e mais dois membros da Escola da Caridade, orando em frente do Relicário de Bessarion, Gentille Bellini, 1423-1424 Virgem e Criança com santos e anjos músicos, cerca de 1425-1432 A visão do hábito dominicano, Fra Angelico, 1430-1440 Uma mulher, Robert Campin, 1435 Retrato de um homem, Jan van Eyck, 1435 O Casal Arnolfini, Jan van Eyck, 1439 A Anunciação e os sete Santos, Fra Filippo Lippi, 1450-1453 A Virgem e o Menino, Dirck Bouts, 1465 Cristo dando a Bênção, Antonello da Messina, 1465 São Miguel triunfando sobre o demónio, Bartolomé Bermejo, 1468 Retrato de um homem, Antonello da Messina, 1475 São Jerónimo no seu estúdio, Antonello da Messina, 1475 Adoração dos Reis Magos, Sandro Botticelli, 1470-1475 São Francisco de Assiz com os Anjos, Sandro Botticelli, 1475-1480 Marte e Vénus, Sandro Botticelli, cerca de 1483 Cristo com coroa de Espinho, Hieronymus Bosch, 1490-1500 A Virgem dos Rochedos, Leonardo da Vinci, 1491-1508 São Jerónimo, Albrecht Dürer, 1495 O pai do artista, Albrecht Dürer, 1497 A Virgem com o Menino e Santa Ana e São João Baptista, Leonardo da Vinci, 1499-1500 Os três milagres de São Zenóbio, Sandro Botticelli, 1500
Século XVI Madonna com criança, Albrecht Dürer, 1500-1510 São Jerónimo numa Paisagem, Gerard David, 1501 Maria Madalena de vermelho numa paisagem idílica, orando perante o anjo, Adriaen Ysenbrandt, 1510 A Virgem adorando o Menino com José de vermelho, numa paisagem idílica, Fra Bartolomeo, antes de 1511 A Trindade e a Mística Pietá, Baldung Grien, 1512 Retrato de um homem, Baldung Grien, 1514 A Virgem e o Menino, Jan Mabuse, 1615-1620 Paisagem com ponte pedestre, Albrecht Altdorfer, cerca de 1518-1520 Cristo dando a bênção à sua Mãe, Albrecht Altdorfer, provavelmente 1520 Retrato de uma jovem, Jan Mabuse, cerca de 1520 Adão e Eva, Jan Mabuse, cerca de 1520 Retrato do Erasmo de Roterdão, Hans Holbein, o Jovem, 1523 Damião de Goes, Jan Mabuse, 1530-1532 Retrato de Jean de Dinteville e Georges de Selve e Os embaixadores, Hans Holbein, o Jovem, 1533 Retrato de Cristiana da Dinamarca, Hans Holbein, o Jovem, 1538 Retrato de um homem, Martin von Heemskerk, cerca de 1540 Retrato de uma mulher, Martin von Heemskerk, cerca de 1540 A Virgem e o São João Evangelista, Martin von Heemskerk, cerca de 1540 O Bom Samaritano, Bassano, 1550-1570 Retrato de uma jovem senhora, Paris Bordone, cerca de 1450 A Purificação no Templo, Bassano, 1580 A surpresa dos Deuses, Hans von Aachen, década de 90 São Jerónimo como Cardeal, El Greco, 1590-1600 Marsyas e Olympus, Annibale Carraci, 1597-1600
Século XVII As três Marias, Aniballe Carraci, cerca de 1604 Descanso na Fuga para o Egipto, Francesco Albani, 1609-1610 Diana e Callisto, Paul Bril, década de 20 Homem com um crânio ou Vanitas, Frans Hals, 1626-1628 Festa à mesa, Dirk Hals, 1626 Retrato do Cardeal Richelieu, Philippe de Champaigne, 1633-1640 O sonho de São José, Philippe de Champaigne, cerca de 1636 Retrato de uma jovem mulher, Gerrit Dou, provavelmente 1640. Esta pintura é uma das melhores de Gerrit Dou, executada com pormenores meticulosos, elegantemente espalhados pela tela; obra-prima inquestionável do seiscento. Triplo-retrato do Cardeal Richelieu, Philippe de Champaigne, provavelmente 1642 Retrato de jovem rapariga vestida de azul com uma pena de avestruz, Bartholomeus van der Helst, 1645 Retrato de família numa paisagem, Frans Hals, 1647-1650 A caverna da Eternidade, Luca Giordano, cerca de 1680