Luís Filipe José de Orleães (em francês: Louis Philippe Joseph d'Orléans; Saint-Cloud, 13 de abril de 1747 – Paris, 6 de novembro de 1793), também conhecido como "Filipe Igualdade" (Philippe Égalité) foi um príncipe de sangue francês da Casa de Orleães. Adepto de ideias políticas liberais e jacobinas, apoiou a Revolução Francesa e, em 1792, votou pela execução de seu primo, o rei Luís XVI. Foi ele próprio, todavia, guilhotinado em Paris, em 6 de novembro de 1793.
Ele sucedeu ao título de Duque de Chartres em 1752 e depois se tornou Duque de Orleães em 1785. Luís Filipe não residia em Versalhes devido à sua rivalidade com a esposa de seu primo, a rainha Maria Antonieta.
Em 1787, após um conflito entre Luís XVI e a nobreza sobre questões financeiras, Luís Filipe foi exilado por desafiar a autoridade do rei no Parlamento. Com a aproximação da convocação dos Estados Gerais em 1789, Luís Filipe foi escolhido para representar a nobreza. Ele expressou apoio às demandas do Terceiro Estado e, em 25 de junho, liderou um pequeno grupo de nobres para se juntar à Assembleia Nacional. Essa mudança trouxe grande prestígio ao duque. Luís Filipe foi então eleito representante na Assembleia Nacional em 1790.
Quando a família real tentou fugir da França em 1791, na frustrada Fuga de Varennes, Luís Filipe renunciou ao seu título e mudou seu nome para "Filipe Igualdade". Entretanto, mesmo com seu apoio ativo a Revolução Francesa e de ter votado favoravelmente a execução de seu próprio primo, o rei de França, acabou também por ser condenado à guilhotina e executado durante o Reino do Terror.
Início de vida miniaturadaimagem|esquerda|227px|Luís Filipe quando criança, em 1749. Na época, era costume vestir assim garotos muito novos da aristocracia. Luís Filipe nasceu no Castelo de Saint-Cloud, perto de Paris, como o filho primogénito de Luís Filipe I, Duque de Orleães e sua esposa Luísa Henriqueta de Bourbon. Em 1752, Luís Filipe tornou-se Duque de Chartres após a morte de seu avô, Luís. Em 18 de novembro de 1759, ele foi batizado como príncipe de sangue no Palácio de Versalhes, com o rei Luís XV e a rainha Maria Leszczyńska sendo seus padrinhos.
Ele passou a maior parte da sua infância em Saint-Cloud até se mudar para o Palácio Real em Paris em 1752. Seu pai, Luís Filipe I, nomeou Emmanuel de Pons Saint-Maurice como seu guardião, enquanto o próprio Luís Filipe seguiu uma carreira militar e se dedicou à caça. Ao mesmo tempo, a mãe de Luís Filipe, Luísa Henriqueta de Bourbon, estava tendo um caso amoroso com seu amante, Luís Drummond, Conde de Melfort. Mais tarde, Luís Filipe I, que havia perdido seu comando militar para Luís XV durante a Guerra dos Sete Anos em 1756, decidiu enviar o filho para o Palácio de Versalhes em junho de 1759. Luísa Henriqueta de Bourbon morreu em fevereiro de 1759 e Luís Filipe I casou-se posteriormente com sua amante, Charlotte-Jeanne de Riou. Charlotte estava tão absorta em sua busca pelo título de Duquesa de Orleães e em suas atividades sociais que pouca atenção dedicou ao enteado.
A educação de Luís Filipe foi inicialmente fornecida por Emmanuel de Pons Saint-Maurice. Quando Luís Filipe se mudou para o Palácio de Versalhes em 1760, ele já havia concluído sua educação básica.
Casamento miniaturadaimagem|O Duque de Chartres e sua família no Palácio Real por Carlos Lepeintre, em 1776. Em 6 de junho de 1769, Luís Filipe casou-se com Luísa Maria Adelaide de Bourbon na capela do Palácio de Versalhes. Ela era filha de seu primo, Luís João Maria de Bourbon, Duque de Penthièvre, um dos homens mais ricos da França. Como era certo que sua esposa se tornaria a mulher mais rica da França após a morte de seu pai, Luís Filipe pôde desempenhar um papel político na corte similar ao de seu bisavô Filipe II, Duque de Orleães, que havia sido o Regente da França durante a menoridade de Luís XV.Chisholm, Hugh, ed. (1911). "Orleans, Louis Philippe Joseph, Duke of".Encyclopædia Britannica. 20 (11th ed.). Cambridge University Press. p. 284–285. Luísa Maria Adelaide trouxe para a já rica casa de Orleães um dote considerável de seis milhões de livres, uma renda anual de 240.000 livres (posteriormente aumentada para 400.000 livres), bem como terras, títulos, residências e móveis.Fraser, Antonia (2002). Marie Antoinette: The Journey. Anchor. .
Ao contrário do marido, a duquesa de Orleães não apoiou a revolução. Ela era uma católica devota que apoiava a manutenção da monarquia na França, bem como seguia as ordens do Papa Pio VI. Esta foi a causa de uma das rixas do casal, pois seu primeiro filho, o futuro "Rei dos Franceses", seguiu os passos do pai e se juntou à facção jacobina.Elder, Richard W. The Duc d'Orleans, Patriot Prince Or Revolutionary? an Investigation into the Chatelet Inquiry of 1789-1790, Central Michigan University, Ann Arbor, 1994.
O duque e a duquesa de Orleães tiveram seis filhos:
Filha natimorta (10 de outubro de 1771); Luís Filipe (6 de outubro de 1773 – 26 de agosto de 1850), rei dos Franceses no período compreendido entre a revolução de julho de 1830 e as revoluções que abalaram a Europa em 1848; Antônio Filipe (3 de julho de 1775 – 18 de maio de 1807), duque de Montpensier, morreu no exílio em Salthill, na Inglaterra; Adelaide (23 de agosto de 1777 – 31 de dezembro de 1847), conhecida como Mademoiselle de Chartres (1777), Mademoiselle de Orleães (1782), depois Mademoiselle (1783-1812) e Madame Adelaide (1830); Francisca (23 de agosto de 1777 – 6 de fevereiro de 1782), irmã gêmea de Adelaide, conhecida como Mademoiselle de Orleães; morreu na infância; Luís Carlos (7 de outubro de 1779 – 30 de maio de 1808), conde de Beaujolais, morreu no exílio em Malta.
Escândalos miniaturadaimagem|esquerda|O Salão do Duque de Orleães por Louis Carrogis Carmontelle, c. 1770. Luís Filipe (na altura Duque de Chartres) é o segundo no canto esquerdo. miniaturadaimagem|190px|Grace Elliott, cortesã inglesa e amante mais celébre do duque. Durante os primeiros meses de casamento, o duque parecia devotado à esposa, mas logo voltou à vida de libertinagem que levava antes do casamento. Luís Filipe era um mulherengo conhecido e, como vários de seus ancestrais, como Luís XIV e Filipe II, Duque de Orleães, teve várias amantes.
Durante o verão de 1772, o duque começou sua ligação secreta com uma das damas de companhia de sua esposa, Stéphanie Félicité, Condessa de Genlis, sobrinha de Charlotte-Jeanne de Riou, a esposa morganática do pai de Luís Filipe. De uma relação arrebatadora no início, o caso esfriou em poucos meses e, na primavera de 1773, foi dado como encerrado. No entanto, Madame de Genlis permaneceu a serviço da esposa do duque no Palácio Real e tornou-se amiga de confiança de ambos. Luís Filipe e Luísa Maria Adelaide apreciavam sua inteligência e, em julho de 1779, nomearam-na como governanta das suas filhas gêmeas (nascidas em 1777).Castelot, André (1994). Louis-Philippe: Le méconnu. p. 124. .
Poucos anos depois, na década de 1780, o duque iniciaria uma relação com aquela que seria uma de suas amantes mais conhecidas, a cortesã inglesa Grace Elliott. Elliott foi apresentada ao duque pelo Príncipe de Gales em 1784 e, em 1786, ela fixou residência permanente em Paris e se tornou sua amante. Em troca de sua companhia, o duque concedeu-lhe uma casa na Rue Miromesnil e uma propriedade em Meudon, ao sul de Paris. Durante este período, Elliott também buscou ligações com o Duque de Fitz-James e o Príncipe de Conde. Elliott foi detida com a queda do duque; estava na prisão esperando a execução na guilhotina, mas foi libertada após a morte de Robespierre. Escreveu sua autobiografia, narrando as experiências no período, intitulada Ma Vie Sous La Révolution, publicada postumamente, em 1859. Texto completo da autobiografia de Grace Dalrymple Elliott, edição de 1910 A relação do duque com Elliott, entre outros episódios históricos quando da Revolução Francesa, foi retratada no drama histórico de 2001 do diretor francês Éric Rohmer, A Inglesa e o Duque.
Foi alegado que Lady Edward FitzGerald, nascida Stephanie Caroline Anne Syms, também conhecida como Pamela, era filha natural do duque e da condessa de Genlis. De fato, o duque reconheceu apenas um filho nascido fora do casamento, Victor Leclerc de Buffon (1792–1812), conhecido como o cavaleiro de Saint-Paul e cavaleiro de Orleães, fruto da relação de Luís Filipe com Marguerite Françoise de Buffon, Condessa de Buffon.
A Revolução Ideologia liberal miniaturadaimagem|esquerda|Luís Filipe, primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente da França. Em agosto de 1787, o duque de Orleães e seu secretário Charles-Louis Ducrest, irmão de Madame de Genlis, apresentaram propostas para melhorar a situação financeira da França. Luís Filipe se juntou à facção jacobina e aderiu fortemente aos princípios de Diderot, Voltaire e Rousseau. Ele estava interessado em criar uma forma de governo mais moral e democrática na França. À medida que se interessava cada vez mais pelas ideias de Rousseau, ele começou a promover ideias iluministas, como a separação entre igreja e Estado e uma monarquia limitada. Ele também votou contra o feudalismo e a escravidão.Wernick, R. "Radical and Chic, a Duke Who Courted Revolt and Doom." Smithsonian, vol. 20, no. 4, July 1989, p. 66.
Além de ser jacobino, Luís Filipe também foi Grão-Mestre do Grande Oriente da França, a mais poderosa Obediência Maçônica da Maçonaria Continental mundial (que agora se opõe à Maçonaria "Regular" da Grande Loja Unida da Inglaterra e à maioria das lojas nos Estados Unidos da América), de 1771 a 1793, embora não tenha comparecido a uma reunião até 1777. Mais tarde, ele se distanciou da Maçonaria em uma carta datada de janeiro de 1793, e o Grande Oriente desocupou sua posição em 13 de dezembro de 1793 (no entanto,Luís Filipe já havia sido executado semanas antes).MACKEY MD, Albert C, "Letter O; Orléans, Duke of", Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences
Luís Filipe também era um grande admirador da monarquia constitucional britânica. Ele defendeu fortemente a adoção pela França de uma monarquia constitucional em vez da monarquia absoluta que estava em vigência na época.
Palácio Real miniaturadaimagem|Galeria Orleães do Palácio Real. Como o novo Duque de Orleães, uma das muitas propriedades que Luís Filipe herdou de seu pai foi o Palácio Real, que ficou conhecido como "Palácio Igualdade" em 1792,France, Anatole (1979). The Gods Will Have Blood. London: Penguin Group. p. 52. . porque ele abriu suas portas para todas as pessoas da França, independentemente de sua classe. Ele empregou guardas suíços para recusar a entrada apenas de "bêbados, mulheres em trajes excessivamente indecentes e aqueles em farrapos".McMahon, Darrin M. "THE BIRTHPLACE OF THE REVOLUTION: PUBLIC SPACE AND POLITICAL COMMUNITY IN THE PALAIS-ROYAL OF LOUIS-PHILIPPE-JOSEPH D'ORLÉANS, 1781–1789." French History 10.1 (1996): 1-29. Ele construiu lojas e cafés onde as pessoas podiam interagir, e logo se tornou um centro da vida social em Paris. Como a polícia parisiense não tinha autoridade para entrar na propriedade privada do duque, tornou-se um centro de atividades ilegais, como comércio de bens roubados, negócios suspeitos e disseminação de ideias revolucionárias. Na verdade, era um lugar comum para os jacobinos se reunirem e discutirem seus planos e ideias. Muitos membros da Assembleia Nacional alegaram que o Palácio Real era o "berço da Revolução". O objetivo de Luís Filipe era criar um lugar onde as pessoas pudessem se encontrar, o que ele argumentava ser uma parte crucial da democracia e uma "necessidade física para a vida civil".