Companhia Telefônica da Borda do Campo (CTBC) foi a empresa operadora de telefonia do sistema Telebras nas regiões do Grande ABC e Alto Tietê, que integram a Região Metropolitana de São Paulo, até o processo de privatização em julho de 1998.
Origem Antecessora Até a década de 50 a operação telefônica na região do ABC estava a cargo da empresa Companhia Telefônica Brasileira (CTB). Em 1954 Santo André contava com 700 telefones, São Bernardo do Campo com 400 e São Caetano do Sul com 360. Em Mauá e Ribeirão Pires existiam respectivamente 10 e 75 aparelhos.
A insuficiência do serviço telefônico entre essas cidades com São Paulo acarretava graves conseqüências econômicas para o ABC. As mais graves eram o impedimento da ampliação dos serviços públicos e privados e desestímulo à implantação de novas indústrias, trazendo como resultante a morosidade no crescimento da região.
Criação da CTBC Em 22 de março de 1954 é criada a Companhia Telefônica da Borda do Campo (CTBC) por iniciativa do Rotary Club de Santo André e de pessoas da sociedade local, com a finalidade de dar as cidades da região do ABC melhores serviços telefônicos do que os oferecidos pela sua antecessora.
Assim a CTBC obteve contratos de concessão dos serviços telefônicos das então cinco cidades do ABC. Para a prestação dos serviços foram construídos novos edifícios para as centrais telefônicas e, através de contrato assinado com a Ericsson, foi adquirido o equipamento mais avançado da época - as centrais telefônicas do tipo barras-cruzadas (crossbar) modelo ARF 101 - sendo pioneira na introdução desse tipo de sistema na América Latina, o que possibilitaria ligações diretas entre os assinantes da CTBC e os de São Paulo.
Em 30 de agosto de 1958, depois de quatro anos de muito trabalho, a CTBC entrava em operação com a inauguração de 4 mil terminais telefônicos em Santo André, 1,2 mil terminais em São Bernardo do Campo e 2 mil terminais em São Caetano do Sul, sendo desativados os terminais manuais da CTB. Pouco tempo depois foram inaugurados mais 200 terminais em Mauá e 200 terminais em Ribeirão Pires, num total de 7,6 mil terminais telefônicos instalados na região.
Ao mesmo tempo, para comunicações interurbanas com a Capital, a CTBC introduziu o sistema de discagem direta automática de longa distância através de cabos coaxiais, semelhante ao usado de Santos para São Paulo e, por conseguinte, o segundo a ser adotado no Brasil.
A partir daí a companhia não parou mais de crescer, e a área do ABC, em termos de telefonia, era a mais bem atendida do Brasil. Bem estruturada desde sua fundação e extremamente eficiente, era exemplo para o setor de telecomunicações do país, por isso autoridades a visitavam com frequência.
Estatização O Ministério das Comunicações estabeleceu como política básica para realização dos grandes planos de expansão a integração operacional nos estados, por isso em julho de 1973 a Telecomunicações de São Paulo (TELESP), credenciada como empresa-pólo no estado, assume o controle acionário da CTBC, mas mantém uma administração em separado sem incorporação.
Expansão Incorporações Em 1961 a cidade de Cubatão entra para a área de operação da empresa. Posteriormente os serviços telefônicos de Diadema e Rio Grande da Serra, cidades que se emanciparam em 1959 e 1964 respectivamente, também passam para o controle da CTBC.
O Decreto nº 64.944 de 06/08/1969 do presidente Costa e Silva autorizou a CTBC a adquirir o Serviço Telefônico de Suzano, que havia sido constituído anos antes para suprir a demanda reprimida naquela cidade, que contava com cerca de 140 terminais manuais operados anteriormente pela Companhia Telefônica Brasileira.
E em 1975, por estar operando serviços telefônicos na região do Alto Tietê, a CTBC passa a atender a cidade de Mogi das Cruzes, com a incorporação da Telefônica Mogi das Cruzes.
Permutas CTBC / Telesp A partir de janeiro de 1974, devido a permutas feitas entre a Telesp e a CTBC, inicia-se o processo de transferência das cidades da região do Alto Tietê para a operação da CTBC, a fim de racionalizar a utilização do sistema interurbano e acelerar a integração operacional na Grande São Paulo.
Dessa forma as operações dos serviços telefônicos de Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba e Guararema (antiga concessão Companhia Telefônica Brasileira), Arujá, Biritiba Mirim, Igaratá, Salesópolis, Santa Branca e Santa Isabel (antiga concessão Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo) e Jacareí (antiga concessão Telefônica Jacareí) foram transferidas para a administração da CTBC pela Telesp.
Em 1975 Cubatão passa a ser atendida pela Telesp pela conveniência de uma solução técnica global para a Baixada Santista.
Em setembro de 1979 as operações dos serviços telefônicos das cidades de Jacareí, Santa Branca e Salesópolis retornaram à Telesp por razões de facilidades operacionais, sendo que na década de 90 a cidade de Salesópolis voltou a ser atendida em definitivo pela CTBC.
Estrutura operacional
Sede administrativa Sua primeira sede administrativa ficava na Rua Prefeito Justino Paixão, 40 - Centro - Santo André. Em 1º de julho de 1966 teve início a construção do novo edifício sede da CTBC, na Avenida Portugal, 375 - Centro - Santo André, sendo inaugurado em 27 de setembro de 1968.
Presidentes 1958-1973: Oliver Tognato, enquanto empresa privada 1973-1998: Arno Traeger, após o controle da empresa pela Telesp
Serviços thumb|180px|Orelhão com o último logotipo da CTBC. Telefonia fixa Principais serviços prestados: Ligações locais, ligações interurbanas através de Discagem Direta a Distância (DDD) e ligações internacionais através de Discagem Direta Internacional (DDI) Discagem Direta a Ramal (DDR): serviço inaugurado em 1981, atendia condomínios e empresas de maior porte Discagem Direta a Cobrar (DDC): serviço implantado na década de 80 Discagem Direta Gratuita (DDG): serviço 0800, implantado na década de 80 Facilidades das Centrais CPA: implantadas gradativamente a partir de 1987, oferecendo ao usuário novas facilidades de serviço telefônico até então inéditas, como atendimento simultâneo, bloqueador de chamadas, teleconferência, discagem abreviada, transferência de chamadas, serviço não perturbe, entre outros
Telefones públicos
Os telefones públicos disponibilizados pela CTBC eram os conhecidos orelhões.
Internet Internet discada Serviços de comunicação de dados
Listas telefônicas
A CTBC tinha contrato com a Editora LTP - Listas Telefônicas Paulista para a publicação de suas listas telefônicas oficiais. A partir da edição 1977 passaram a divulgar as mesmas séries temáticas da Telesp estampadas em suas capas.
E a partir da edição 1978 as listas telefônicas oficiais da CTBC foram padronizadas assim como as demais do país, cada uma com código nacional da Telebras e abrangência baseada nas áreas terciárias.
Para atender a nova regulamentação sobre edição de listas telefônicas foi feita licitação em 1984, e as listas da CTBC a partir da edição 84/85 passaram a ser publicadas pela Listel Listas Telefônicas.
Relação das listas telefônicas oficiais: 110-Grande ABC (Assinantes/Classificada) 116-Grande ABC (Endereços) 122-Mogi das Cruzes e Região (Assinantes, Endereços e Classificada)
Terminais telefônicos A CTBC operava pouco mais de 25 mil telefones no início de 1972, quantidade que estava praticamente estagnada desde 1968, ano em que houve uma quebra no ritmo da instalação de novos telefones pela empresa. Por isso a capacidade de tráfego de sua rede telefônica estava praticamente saturada.
Diante dessa situação foi lançado um plano de expansão em 1972, dobrando a quantidade de telefones até 1973, quando a CTBC já havia instalado cerca de 50 mil telefones em sua área de concessão, enquanto funcionava uma rede de quase 1 milhão de telefones no estado, ou seja, aproximadamente 5% do total de telefones.
Nesse mesmo ano, logo após o controle acionário assumido pela Telesp, a CTBC assinou um contrato com a Ericsson para a aquisição de 57 mil terminais telefônicos, dobrando mais uma vez a rede telefônica existente. No final da década já haviam sido instalados cerca de 157 mil terminais telefônicos. AnoTerm. (mil)Ampliação / Ativação (principais estações)197025,4Existentes São Caetano "442" (6.000 T.) São Bernardo "443" (5.000 T.) Santo André "444" (10.000 T.) Santa Terezinha "446" (2.800 T.)197127,1Ativação Diadema "445" (1.000 T.)197230,9Ativação Mauá "450" (1.400 T.) Suzano "451" (1.000 T) Rudge Ramos "457" (3.500 T.) Ribeirão Pires "459" (1.000 T.)197349,0Ampliação Santa Terezinha "446" (1.200 T.) Ativação São Caetano "441" (4.000 T.) Santa Terezinha "447" (800 T.) São Bernardo "448" (3.000 T.) Santo André "449" (6.000 T.)197555,5Ampliação Diadema "445" (1.000 T.) Ribeirão Pires "459" (1.000 T.)1976100,9Ampliação Diadema "445" (2.000 T.) São Bernardo "448" (7.000 T.) Santo André "449" (4.000 T.) Suzano "451" (2.000 T) Rudge Ramos "457" (4.500 T.) Ribeirão Pires "459" (1.000 T.)1977125,5Ampliação Santa Terezinha "447" (5.200 T.) Mauá "450" (3.600 T.) Ativação Santo André "440" (10.000 T.) São Bernardo "452" (5.000 T.) São Caetano "453" (10.000 T.)1978152,9Ampliação São Caetano "441" (2.000 T.) Santa Terezinha "447" (1.000 T.) Mauá "450" (2.000 T.) Suzano "451" (1.000 T) Rudge Ramos "457" (2.000 T.) Ribeirão Pires "459" (1.000 T.) Ativação Santo André "454" (10.000 T.) Rudge Ramos "455" (2.000 T.) Diadema "456" (3.000 T.)1979157,1Ampliação Suzano "451" (1.000 T) Diadema "456" (1.000 T.) Ativação São Bernardo "458" (6.000 T.)
Em 1984 eram mais de 240 mil terminais telefônicos instalados. No final da sua existência a empresa já havia dobrado essa quantidade, quando alcançou a marca de 500 mil terminais instalados. A CTBC tornou-se pioneira na implantação da rede óptica de assinantes e ativou serviços avançados de transmissão de dados. Com isso a empresa detinha, nas décadas de 80 e 90, os melhores índices de operação entre as empresas do sistema Telebrás.
Centrais telefônicas
Centrais manuais Até a década de 70 haviam em operação centrais semi-automáticas (Piraporinha e Eldorado em Diadema, Vila Balneária e Riacho Grande em São Bernardo do Campo, Paranapiacaba em Santo André, Santa Izabel e Ouro Fino Paulista em Ribeirão Pires, Jardim Casqueiro em Cubatão, e Rio Grande da Serra), onde algumas foram substituídas por centrais automáticas, e outras desativadas e seus telefones ligados a central automática mais próxima.
Centrais automáticas As primeiras centrais telefônicas automáticas que a CTBC inaugurou foram Santo André (estação "44"), São Bernardo do Campo (estação "43") e São Caetano do Sul (estação "42") em 1958. No mesmo ano foram inauguradas as centrais satélites de Mauá (estação "44-7", alterada para "46-0"), e Ribeirão Pires (estação "44-9", alterada para "46-7").
As próximas a serem inauguradas foram a central satélite de Rudge Ramos (estação "42-7") em 1960, e as centrais automáticas de Cubatão (estação "6") em 1962 e Santa Terezinha (estação "46") em 1964.
Demorou quase uma década para a inauguração de mais uma central automática, desta vez em Diadema (estação "45") em 1971. No final de 1972, em substituição as centrais satélites, foram ativadas as novas centrais automáticas de Mauá (estação "450"), Ribeirão Pires (estação "459") e Rudge Ramos (estação "457"), e também foi inaugurada a central automática de Suzano (estação "451").
Em 1973, antes do início da implantação do DDD, foram inauguradas centrais automáticas em Santo André (estação "449"), São Bernardo do Campo (estação "448"), São Caetano do Sul (estação "441") e Santa Terezinha (estação "447").
Em 1977 foram inauguradas as centrais do plano de expansão 75/76: Santo André - prédio 2 (estação "440"), São Bernardo do Campo (estação "452") e São Caetano do Sul - prédio 2 (estação "453").