A indústria automobilística instalou-se no Brasil em 1956, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste (SP) com o início da fabricação da Romi-Isetta pelas Indústrias Romi S/A. As marcas de capital brasileiro atualmente são: Lecar, Agrale, Puma, Mascarello, Marcopolo, Neobus, TAC e Chamonix.
No Brasil, o automóvel encontra-se definido no Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro como um veículo de transporte de até 8 passageiros, excluído o condutor.
Em 2019, foi lançado o primeiro carro híbrido a etanol do mundo, o biocombustível é abundante no país e, sendo uma energia limpa, promete ser o futuro. Mais de 92% dos carros no Brasil são movidos a etanol.
Em 2021, o setor terminou o ano com 101 050 pessoas empregadas, o pior índice para um mês desde agosto de 2007, quando havia 100 674 trabalhadores nas fábricas de carros, utilitários, caminhões e ônibus no Brasil. No século, o mês que teve mais gente trabalhando em fábricas de veículos foi outubro de 2013, com quase 138 000 empregados. Porém, o número de fábricas aumentou de 28 unidades em 2007 para 34 em 2021.
Devido a Pandemia de COVID-19, a produção de veículos de 2020 cai para o pior nível desde 2003, em 2 014 055 automóveis.
Uma pesquisa de 2021 revela que o Brasil é o 5º país mais caro do mundo para comprar e manter um carro, custando 441,89% do salário médio anual, ou seja, seria necessário receber mais de 4 vezes o que recebe por ano atualmente para comprar e manter um veículo no país. Para comparação, a lista cita os países mais baratos para comprar e manter um carro, Austrália e Estados Unidos encabeçam a lista custando, respectivamente, 49,48% e 54,8% do salário médio anual.
História
Primeira metade do século XX
Pode-se dizer que a era automobilística nasceu no Brasil no dia 25 de novembro de 1891, quando desembarcou no porto de Santos, do navio Portugal, o primeiro carro importado, adquirido pelo jovem inventor do avião, Alberto Santos Dumont, que mais tarde seria conhecido como o "Pai da Aviação" no Brasil. O carro era um reluzente Peugeot com motor Daimler a gasolina, de 3,5 cavalos-vapor e dois cilindros em V, conhecido pelos franceses como voiturette por ser muito parecida com uma charrete. Seu proprietário o comprara por 6 200 francos, em Valentigney, cidade perto de Paris, e o trouxe diretamente para Santos. Mais tarde, o veículo foi levado a São Paulo, permanecendo na residência de Santos Dumont. Esse Peugeot foi o primeiro carro a chegar no Brasil, asseguram os historiadores. O primeiro veículo emplacado no Brasil foi em São Paulo, do empresário Francisco Matarazzo, em 1900. O primeiro acidente de trânsito que se tem notícia no Brasil foi em 1897, quando o poeta Olavo Bilac colidiu com uma árvore. Se ele se feriu, ninguém sabe, mas, com certeza, sobreviveu, uma vez que veio a falecer apenas em 1918.
miniaturadaimagem|A piloto francesa Hellé Nice recebe, no Automóvel Clube do Brasil, um troféu por sua participação no GP de 1936.|302x302px
O Brasil é um dos primeiros países do mundo a fazer um protótipo de um carro. Utilizando um motor de origem inglesa, o inventor paulistano Paulo Bonadei foi o primeiro a montar um carro no Brasil. O veículo ficou pronto em 1905, quando Paulo percebeu um "pequeno" detalhe: o protótipo era maior que a porta da garagem, que teve de ser alargada.
Em janeiro de 1925, o Correio do Povo destacou que fabricantes americanos enfrentavam dificuldades para encontrar representantes no Rio de Janeiro devido à falta de capital local. As exigências de pagamento à vista em Nova York tornavam inviável a importação de carros por firmas brasileiras. Como resultado, os negócios ficavam limitados e só poderiam avançar com agências diretas ou condições de crédito mais flexíveis.
Em agosto de 1925, a Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (futuro Instituto Nacional de Tecnologia), realizou as primeiras experiências no Brasil, com um automóvel adaptado para usar álcool etílico hidratado como combustível. O veículo, modelo Ford, percorreu 230 km numa prova no circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, a primeira promovida pelo Automóvel Clube do Brasil. Ainda naquele ano, o mesmo veículo fez os percursos Rio-São Paulo, Rio-Barra do Piraí e Rio-Petrópolis.
Entre as décadas de 1930 e 1940 o piloto Chico Landi venceu algumas corridas pilotando carros movidos a álcool de fabricação nacional, enquanto seus concorrentes usavam metanol importado da Europa.
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A FNM (Fábrica Nacional de Motores, popularmente conhecida como "Fenemê") foi criada em 1942. A empresa, cujo objetivo inicial era a fabricação de motores aeronáuticos, passou a fabricar também caminhões e automóveis em 1949.
thumb|DKW-Vemag Belcar, produzido entre 1958 e 1967 pela Vemag.|307x307px
Durante a Segunda Guerra Mundial, o país enfrentou um grave racionamento de combustíveis. Como alternativa, durante este período, incentivos governamentais levaram veículos particulares e de transporte público, a utilizarem o equipamento gasogênio. Este equipamento, inventado por Georges Imbert (1884-1950),The Biofuels Handbook. Autor: James G Speight. Royal Society of Chemistry, 2015, pág. 208, ISBN 9781782626282 Adicionado em 29/06/2018. era usado para a produção do combustível popularmente conhecido como gás pobre. - A Importância do Hidrogênio para o Brasil: uma fonte para energia limpa e um caminho para a produção de fertilizantes nitrogenados. Unifesp. Página acessada em 15/01/2023. Em 1943, 1944 e 1945, Chico Landi, que também era proprietário de uma empresa fabricante de gasogênios, foi campeão de automobilismo pilotando carros equipados com gasogênios abastecidos com carvão vegetalAutos and Progress: The Brazilian Search for Modernity. Joel Wolfe, Oxford University Press, 2010, pág. 108. . ISBN 9780195174564 Adicionado em 29/11/2015. sendo, por isso, apelidado de o "Rei do Gasogênio".
Em 31 de março de 1952, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI) instalou a subcomissão de jipes, tratores, caminhões e automóveis. O primeiro carro montado em território brasileiro foi a Romi-Isetta, em 1955, produzida pelas indústrias Romi na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. O veículo foi produzido entre 1956 e 1961.Romi-Isetta: o pequeno pioneiro. Ed. DBA, 2004, ISBN 9788572343107. Adicionado em 29/08/2015. Ainda em 1956, a Vemag também colocou no mercado uma camioneta derivada da família F91, produzida pela DKW, montada no Brasil. Em 1958 passou a disponibilizar sedãs e peruas da família F94 montados sob licença da DKW e com crescentes índices de nacionalização. Também produziu uma versão abrasileirada do jipe Munga e, nos anos 1960, encomendou uma carroceria refinada aos Fissore, da Itália, e a montou sobre a mecânica DKW. Em 1957 foi o início da montagem da Kombi no Brasil, com as peças importadas, no sistema CKD (Completely Knocked Down) ainda pelo Grupo Brasmotor. A japonesa Toyota estabeleceu-se no país em 23 de janeiro de 1958. Em maio do ano seguinte, a fábrica começa a produzir o Land Cruiser modelo FJ-251, produzido exclusivamente no Brasil e, o primeiro veículo da companhia montado fora do Japão.
As Quatro Grandes
thumb|Sede da Mercedes-Benz Brasil em São Bernardo do Campo, São Paulo.|288x288px
Em 1959, no município de São Bernardo do Campo, São Paulo, foi instalada a fábrica da alemã Volkswagen, cujo primeiro modelo produzido foi a Kombi, que precedeu o famoso Volkswagen Sedan (mais conhecido no Brasil como Fusca). Entretanto, em Rio Bonito (RJ), já um pequeno empreendedor chamado Sebastião William Cardoso havia montado um pequeno jipe que chamou de "Tupi", movido a partir de um motor de um gerador elétrico. As estadunidenses Chevrolet e a Ford, que eram apenas montadoras de peças importadas, também começaram a dar os seus primeiros passos com a fabricação de caminhões para, mais tarde, iniciarem a produção de automóveis em 1968. A seguir veio a italiana Fiat de Turim, instalou-se em 1973 em Betim (MG).
Outras montadoras e fabricantes as seguiram, como as francesas Renault, Peugeot e Citroën, que montaram fábricas no Brasil, enquanto outras marcas iam sendo incorporadas, como a Dodge pela estadunidense Chrysler. A alemã Mercedes-Benz, que já fabricava caminhões, estabeleceu em São Bernardo uma fábrica, a Daimler Benz do Brasil, inicialmente fabricante de carrocerias de caminhão e ônibus, inaugurando a sua unidade montadora veicular em 1999, em Juiz de Fora(MG). Em 1969, Kazuo Sakamaki, conhecido por ter sido o primeiro prisioneiro de guerra dos EUA na II Guerra Mundial (capturado após o ataque japonês a Pearl Harbor), foi nomeado presidente da Toyota do Brasil.
Anos 1970, 1980 e 1990
thumb|direita|BR-800, fabricado pela Gurgel de 1988 a 1991, foi o primeiro carro 100% brasileiro.Quatro Rodas - Grandes Brasileiros: Gurgel BR-800. O carro 100% nacional que nasceu de um sonho de infância. Felipe Bitu, 23 de Novembro de 2016. Acessado em 04/09/2018.|285x285px
Com as crises do petróleo nos anos 1970, o país desenvolveu como alternativa o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) para substituir a gasolina pelo álcool combustível (bioetanol). Em 1979, o Fiat 147 tornou-se o primeiro carro com motor a álcool a ser produzido em série.
Diversos foram os fabricantes de automóveis genuinamente brasileiros como Puma Veículos e Motores, Gurgel, Miura, Envemo entre outros. Muitos não sobreviveram à reabertura das importações no início dos anos 1990 e à competição com modelos importados. A Gurgel entrou em processo de falência após ter lançado no mercado brasileiro o Gurgel BR-800 (o primeiro automóvel genuinamente brasileiro) e posteriormente o Gurgel Supermini, mas o governo federal estendeu a isenção do IPI (antes exclusiva para o modelo nacional) a todos os modelos de veículos existentes no Brasil com menos de 1000 cilindradas e negou um empréstimo já acertado havia tempos para a instalação do projeto Delta (que incluía a construção de um complexo industrial para a fabricação do mesmo no estado do Ceará), o que não aconteceu, culminando na consequente queda do preço das ações. O primeiro carro nacional (produzido por uma montadora estrangeira) a ser vendido com injeção eletrônica no Brasil foi o Volkswagen Gol GTI, fabricado a partir de 1989. No entanto, o primeiro carro com este recurso a ser fabricado no Brasil foi o Volkswagen Fox (Volkswagen Voyage para exportação) em 1988. O primeiro automóvel inteiramente fabricado no país foi o minicarro BR-800, em 1988.Gurgel: um sonho forjado em fibra. Autor: Lélis Caldeira. Labortexto, 2004, pág. 161. Adicionado em 04/09/2018.
Século XXI
Décadas de 2000 e 2010 thumb|T4 da Troller, empresa adquirida pela Ford em 2007.|282x282px Até recentemente, o fabricante brasileiro de maior destaque era a Troller, com os veículos T4 e Pantanal porém, em 2007 o fabricante foi adquirido pela Ford. Nos últimos anos, a indústria automobilística no Brasil, apesar de dominado por empresas estrangeiras, tem crescido bastante, atraindo grandes investimentos das principais empresas. Em 2007, a produção automobilística no Brasil cresceu cerca de 14% em relação a 2006, chegando a três milhões de veículos, o que torna o país o sexto maior produtor mundial de automóveis, porém segue sendo o único membro do BRIC a não possuir uma montadora genuinamente nacional.
Em artigo escrito por Joe Leahy no Financial Times, foi questionada a política industrial brasileira voltada para o setor automobilístico, que foi intensificada a partir de 2002. O jornal relaciona essa política com o travamento do sistema de transportes nas grandes metrópoles brasileiras, onde, em geral, há muitos carros particulares e pouco transporte de massa. Essa política, segundo o jornal, poderia ser associada, em parte, às manifestações em 2013. Nas palavras de João Augusto de Castro Neves, membro de uma agência de consultoria de riscos políticos, "a conta chegou".