Mausoléu de Santa Constança () ou Igreja de Santa Constança, conhecido simplesmente como Santa Costanza, é uma igreja de Roma, Itália, construída no na Via Nomentana, que deixa a cidade em direção nordeste. Acredita-se tradicionalmente que tenha sido construída durante o reinado do imperador romano para ser um mausoléu para sua filha Constantina (chamada também de Constância; ), que morreu em 354.John Lowden, Early Christian & Byzantine Art (London: Phaidon Press Limited, 1997), 41. Sua outra filha, Helena, que morreu em 360, também foi sepultada lá. Na Idade Média, o edifício foi dedicado como igreja a Santa Constança ("Santa Costanza").Johannes G. Deckers, "Constantine the Great and Early Christian Art" (New Haven: Yale University Press, 2007), 95-96. O mausoléu foi construído e está relacionado com a basílica vizinha, também do , Sant'Agnese (dedicada a Santa Inês). Ambos foram construídos sobre as catacumbas mais antigas onde se acredita que a própria Santa Inês tenha sido enterrada.

O edifício em si tem uma planta circular com um deambulatório à volta de uma cúpula central assentada sobre antigas colunas. Atualmente, este formato continua essencialmente o mesmo. Apesar da perda das pedras coloridas que cobriam as paredes, de alguns danos aos mosaicos e de uma reforma/restauro inepta/o, o edifício está em excelentes condições, destacando-se com um dos principais exemplos da arquitetura paleocristã. As abóbadas de duas das três absides e do deambulatório estão decorados por mosaicos romanos antigos bem preservados. Um componente chave que está faltando e era parte da decoração original é o mosaico do interior da cúpula. Felizmente, algumas aquarelas foram pintadas no sobre ele e, por isso, o esquema decorativo original completo pode ser reconstituído.John Lowden, Early Christian & Byzantine Art (London: Phaidon Press Limited, 1997), 43. O grande sarcófago de pórfiro de Constantina sobreviveu intacto e está hoje nos Museus Vaticanos e é um dos mais importantes objetos do tipo ainda existentes.

Escavações recentes sugerem que o mausoléu é, na realidade, o segundo edifício cristão construído no local e sua construção pode ser de algumas décadas depois do que se acreditava. Ele teria sido construído como mausoléu para Helena, a irmã de Constantina, durante o reinado do marido dela, . O maior dos dois grandes sarcófagos de pórfiro seria para Helena e o menor, para Constantina, exatamente o oposto do que se acreditava. O antigo edifício de três absides da década de 330 de fato teria sido construído de fato para Constantina, mas sua importância depois foi diminuída em relação a Helena, que era esposa do imperador. Na Idade Média, com a fama de Constantina como santa, os papeis e a importância relativa das irmãs se inverteram.

História Localização

Santa Costanza está a poucos passos da Via Nomentana e fora das antigas muralhas de Roma por alguns metros. A estrada segue a antiga rota romana que corre para o nordeste de Roma até Nomento ou Mentana. A área era uma propriedade da família imperial e os corpos das irmãs viajaram muito para serem depositados ali: Amiano Marcelino relata que o de Constantina veio da Bitínia e o de Helena, da Gália ("História", XIV: 11, 6).Webb, 250-251

O mausoléu foi construído sobre Catacumba de Santa Inês, chamada assim por que abrigava as relíquias de Santa Inês, uma mártir de treze anos de idade, onde já estava a antiga basílica de Sant'Agnese, um edifício que, apesar do nome, era mais um "salão funerário" do que uma basílica propriamente dita. Lendas posteriores elaboraram consideravelmente a devoção de Constantina a Santa Inês, mas não se pode determinar se isto de fato teve alguma relevância na escolha do local, embora, em termos gerais, os primeiros cristãos de fato acreditavam que suas almas seriam beneficiadas se seus corpos fossem enterrados perto de mártires. Construir um mausoléu anexo a uma igreja era prática comum em Roma e existem mais casos entre as igrejas de Roma, como o Mausoléu de Helena (a mãe de Constantino e não a filha), que foi construído anexo à basílica de Santi Marcellino e Pietro ad Duas Lauros e hoje em ruínasRichard Krautheimer, Early Christian and Byzantine Architecture (New York: Penguin Books, 1979), 66. (uma nova igreja foi construída no local).

Da original Sant'Agnese, apenas um terço de uma das paredes externas sobrevive, do lado norte até a abside no extremo leste, mas com altura reduzida. Já no a basílica já havia caído em desuso e se arruinado. Grande demais para uma simples reforma, Sant'Agnese fuori le mura, uma basílica bem menor, foi construída para substituí-la a uns poucos metros de distância.

Objetivos Acreditava-se tradicionalmente que a construção teria sido iniciada durante o reinado do imperador romano ou pouco depois, principalmente por causa do relato do "Liber Pontificalis", que conta que o papa Silvestre I (m. 355) teria batizado Constantina e sua tia paterna, Constância, em um batistério construído por Constantino ali na mesma época do "salão funerário" dedicado a Santa Inês. Assumia-se que este batistério seria a estrutura que vemos hoje. Mas escavações realizadas em 1992 descobriram um edifício mais antigo abaixo e a construção da estrutura do mausoléu é atualmente datada por volta de 350, já durante o reinado do marido de Helena (e irmã de Constantina), o imperador . Constantina morreu em 354 e é possível que seu sarcófago tenha estado originalmente no edifício mais antigo.Webb, 249; para um diagrama superposto dos dois edifícios, veja :File:Santakonstanza mausoleo oinplano.jpg

A estrutura de Santa Costanza reflete sua função original como mausoléu para uma ou as duas filhas de Constantino e não serve bem à função de igreja que adquiriu muito mais tarde. O plano central "enfatiza, direta e fisicamente, a pessoa ou local a ser homenageado"Michael Gough, The Origins of Christian Art (New York: Praeger Publishers, Inc., 1973), 58. e era popular para mausoléus e batistérios na época. Entre outros edifícios edifícios paleocristões de origem similar e de plano circular estão a Catedral de Split, construída dentro do Palácio de Diocleciano e originalmente o mausoléu do imperador, e a Rotunda de Galério (atualmente a Igreja de São Jorge) em Tessalônica, originalmente o mausoléu do imperador Galério .

O enorme salão funerário de Santa Inês, a basílica da época constantiniana, gradualmente caiu em desuso e se arruinou, com apenas a base da parede externa ainda existente e somente num trecho curto, mas Santa Costanza está praticamente intacta. Há evidências documentais de que o papa Nicolau I celebrou uma missa lá em 865, a primeira vez que aparece com o nome de Santa Costanza, mas sua consagração como igreja só aconteceu em 1254, obra do papa Alexandre IV, que mandou remover o que se acreditava ser os restos de Constância do sarcófago e os deposito debaixo do altar-mor.Webb, 251

Arquitetura Estrutura Santa Costanza é uma estrutura circular de planta central, com um deambulatório circular percorrendo toda a volta de um espaço central de grande pé-direito. Este espaço está encimado por uma cúpula assentada sobre um tambor bem visível do lado de fora. As paredes são de concreto com tijolos aparentes e sua estrutura é formada por dois anéis suportados por colunas dispostas em círculo à volta de um eixo vertical central. O anel mais alto está assentado em colunas e "o anel inferior cerca um deambulatório circular cujo espaço flui por entre as colunas para o cilindro axial".William L. MacDonald, Early Christian & Byzantine Architecture (New York: George Braziller, Inc., 1962), 22. Este design essencialmente delimita dois espaços ou "dois mundos", o do deambulatório e o da cúpula. Uma arcada sustentada por doze pares de colunas de granito decoradas com capiteis compósitos suportam o tambor abaixo da cúpula e separam a área interno do deambulatório, que é muito mais escuro, pois a luminosidade que entra pelas doze janelas do clerestório não chega até ali. O deambulatório tem 22,5 metros de diâmetro e é coberto por uma abóbada de berço decorada por mosaicos.

A única porta, ladeada por dois nichos arqueados, deve ter sido originalmente uma passagem que levava direto para o "salão funerário" (a basílica), bem no meio da nave. Há um pequeno vestíbulo depois da porta que se abre diretamente para o deambulatório. Do lado oposto à porta no espaço central está "uma espécie de baldaquino...[que]se ergue sobre uma placa de pórfiro que, abaixo do arco do meio do espaço central, parece ter no passado sustentado o sarcófago da princesa",Richard Krautheimer, Early Christian and Byzantine Architecture (New York: Penguin Books, 1979), 68. o local onde ficava o sarcófago de Constantina (ou de Helena).

Grandes arcos marcam os pontos cardeais no mausoléu. As paredes provavelmente eram cobertas no passado por lajes de mármore multicolorido, como era praxe em edifícios imperiais, mas nada restou delas. Santa Costanza também é, em alguma medida, um novo tipo de edifício e difere de seus antecessores por dispensar o teto plano de madeira por uma cúpula e abóbadas.Walter Lowrie, Monuments of the Early Church (New York: The MacMillan Company, 1923), 139.

Decoração

Mosaicos Os mosaicos de Santa Costanza são importantes exemplos da arte paleocristã e um dos raríssimos exemplos de mosaicos instalados fora de igrejas. As absides, o interior da cúpula e a abóbada do deambulatório eram decorados com mosaico, embora os da cúpula tenham se perdido.

Mosaicos nas absides Nas paredes do deambulatório estão duas absides rasas, cada uma com um mosaico de "Cristo Pantocrator" em cenas distintas, os mais antigos sobreviventes deste tipo, ambos provavelmente datando do ou VII, embora o assunto ainda seja tema de debates. Como muitos mosaicos do período, ambos foram restaurados em algum momento e ambos revelam elementos do imaginário imperial romano, exemplos primitivos da confluência da arte romana com a arte paleocristã. Um mosaico com duas mulheres vestidas de branco, que, segundo relatos da época do Renascimento, ficava atrás do sarcófago, jamais foi desenhado e se perdeu.

Na primeira abside está uma "traditio legis": Cristo aparece com São Pedro e São Paulo entregando ao primeiro um rolo, representando a lei, com a inscrição "DOMINUS LEGEM DAT" ("O Senhor entregando a Lei"). Umas poucas ovelhas representam seu papel como pastor governando e liderando seu rebanho. Cristo está vestido de dourado, uma sugestão de seu poder e supremacia. Ele aparece sobre o paraíso, o que ajuda a reforçar seu domínio sobre o céu e a terra.Johannes G. Deckers, "Constantine the Great and Early Christian Art" (New Haven: Yale University Press, 2007), 95.