As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas por manterem neutralidade em relação à política das nações da Terra e às suas instituições governamentais e militares.A Sentinela de 1 de Junho de 2003, página 13 Divulgam mundialmente uma mensagem que alegam estar baseada na Bíblia, anunciando que o Reino de Deus é o único meio pelo qual os que amam a justiça podem obter paz, prosperidade e felicidade. Devido a essa crença, mantêm-se estritamente neutras no que diz respeito aos conflitos entre as nações, rejeitando o racismo, o tribalismo, o nacionalismo e a xenofobia.A Sentinela de 15 de Junho de 1995, página 8
Desde a sua fundação em 1931, as crenças das Testemunhas de Jeová redefiniram e suscitaram debates sobre a aplicabilidade dos direitos fundamentais no contexto contemporâneo e aspectos importantes no exercício do Estado de direito e das democracias liberais, como a liberdade de consciência , o exercício da o direito à saúde ou o exercício da liberdade de expressão em harmonia com os direitos fundamentais garantidos pela lei e pelas convenções internacionais . Vários litígios e decisões judiciais sobre o assunto ajudaram a expandir a definição de liberdades civis na maioria das sociedades ocidentais, expandindo assim os direitos humanos de milhões de pessoas de diversas crenças nas décadas seguintes.Judging Jehovah's Witnesses, Shawn Francis Peters, University Press of Kansas: 2000State and Salvation, William Kaplan, University of Toronto Press: 1989 Isso também inclui decisões judiciais em relação ao pleno direito à liberdade de expressão das vítimas de abusos eclesiásticos, ao exercício da liberdade de culto nas comunidades indígenas , ao exercício autônomo dos direitos reprodutivos , ao exercício autônomo do direito à saúde e o equilíbrio entre os direitos à liberdade de associação e os direitos fundamentais das mulheres , crianças e adolescentes .
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 18, afirma o seguinte:Da mesma forma, e no contexto dos processos de justiça transicional , diversas reformas nas leis em relação ao serviço militar e questões relacionadas com o exercício da liberdade de expressão ampliaram as garantias relativas à liberdade de consciência.
Neutralidade religiosa e doutrinas sobre obediência à autoridade e outros aspectos As Testemunhas de Jeová argumentam que a sua posição de neutralidade, tal como em outras práticas e doutrinas, tem uma base bíblica. Definem neutralidade como a posição assumida por aqueles que não se colocam do lado de nenhum de dois ou mais partidos em disputa nem lhes dão apoio. Para elas, neutralidade significa a não interferência no que outros fazem no que diz respeito a participarem em cerimónias patrióticas, servirem nas forças armadas, unirem-se a partidos políticos, buscarem um cargo político ou votarem num candidato partidário ou político. Afirmam que isso não é compatível com a adoração que prestam unicamente a Jeová, a quem dedicaram a vida sem reservas, nem com o apoio que dão ao Seu Reino ou Teocracia que entendem como única solução para o governo global da Terra, afirmando que todos os restantes governos políticos, mesmo que possuam boas intenções, estão condenados a serem eliminados com o aproximar do fim do atual sistema de coisas, no Armagedom.
Para fundamentar esta posição costumam referir o próprio exemplo de Jesus Cristo, de quem se afirmam seguidores, usando os seguintes versículos bíblicos, conforme apresentados na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (NM): João 17:16 "Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo." Palavras de Jesus, em oração ao Pai, com referência aos seus discípulos na ocasião, bem como aos futuros. João 6:15 "Jesus, portanto, sabendo que estavam para vir e apoderar-se dele para o fazerem rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho." Recusa de Jesus Cristo em aceitar um cargo político. João 18:36 "Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte." Palavras dirigidas por Jesus ao governador romano Pôncio Pilatos que o recebia em audiência de julgamento.
Crença de que o mundo é controlado por Satanás As Testemunhas de Jeová crêem que o atual mundo, com a sua sociedade e instituições governamentais, militares, comerciais e religiosas, estão sob o controle de Satanás a quem Jesus se referiu como "o governante deste mundo" (João 14:30).A Sentinela de 15 de Dezembro de 1980, páginas 5 e 6 Só assim, dizem, se pode explicar a oferta que o Diabo fez a Jesus e que ele prontamente rejeitou: Lucas 4:5-8 "Ele o levou assim para cima e lhe mostrou todos os reinos da terra habitada, num instante de tempo; e o Diabo disse-lhe: Eu te darei toda esta autoridade e a glória deles, porque me foi entregue e a dou a quem eu quiser. Se tu, pois, fizeres um ato de adoração diante de mim, tudo será teu. Em resposta, Jesus disse-lhe: Está escrito: É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado."
Entendem que o governo do mundo foi concedido a Satanás pelo próprio Deus por um tempo, que se estende por milênios, após o desafio que aquele anterior anjo fiel lançou sobre a Soberania de Jeová.Tratado Quem Realmente Governa o Mundo?, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em 1992, disponível online, em inglês Portanto, argumentam que qualquer religião que alguém apóie na atualidade que não esteja em harmonia com a Bíblia, estará sempre a apoiar o inimigo de Deus. Usam os versículos alistados abaixo para provar que o atual mundo é governado por Satanás e pelos seus demônios: Efésios 6:11-12 "Revesti-vos da armadura completa de Deus, para que vos possais manter firmes contra as maquinações do Diabo; porque temos uma pugna, não contra sangue e carne, mas contra os governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais." 2 Coríntios 4:3-4 "Se as boas novas que declaramos estão de fato veladas, estão veladas entre os que perecem, entre os quais o deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus." Tiago 4:4 "Não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Portanto, todo aquele que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." 1 João 5:19 "O mundo inteiro jaz no poder do iníquo"
Sujeição relativa às autoridades governamentais Apesar de considerarem que todos os governos humanos estão sob o controle de Satanás, reconhecem que isso só acontece por permissão divina e por um determinado período. Entendem ainda que os governos nacionais também exercem autoridade por permissão divina até que Ele finalmente os remova. Assim, usam a Bíblia para esclarecer a sua posição de sujeição obediente aos governos e às suas leis. No entanto, tal obediência é encarada por elas como relativa visto que apenas reconhecem a autoridade absoluta de Jeová, cuja vontade, afirmam, se encontra expressa na Bíblia.Artigo intitulado Nossa sujeição relativa às autoridades superiores, publicado na revista A Sentinela de 1 de Novembro de 1990, páginas 23 a 28 Para esclarecer esta sujeição relativa às autoridades superiores humanas, costumam usar versículos bíblicos tais como: Romanos 13:1-2, 7 "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, pois não há autoridade exceto por Deus; as autoridades existentes acham-se colocadas por Deus nas suas posições relativas. Portanto, quem se opõe à autoridade, tem tomado posição contra o arranjo de Deus; os que têm tomado posição contra este receberão um julgamento para si mesmos. Rendei a todos o que lhes é devido, a quem exigir imposto, o imposto; a quem exigir tributo, o tributo; a quem exigir temor, tal temor; a quem exigir honra, tal honra." Mateus 5:41 "Se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil." Tito 3:1 "Continua a lembrar-lhes que estejam sujeitos e sejam obedientes a governos e autoridades como governantes." 1 Pedro 2:13, 14 "Pela causa do Senhor, sujeitai-vos a toda criação humana: quer a um rei, como sendo superior, quer a governadores, como enviados por ele para infligir punição a malfeitores, mas para louvar os que fazem o bem."
Inferem que tal obediência às autoridades é relativa devido às palavras de Jesus: Marcos 12:17 "Jesus disse então: Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus." thumb|300px|direita|Texto do ano de 2006, exposto num Salão do Reino, em Portugal. Similarmente, quando as autoridades judaicas ordenaram que os apóstolos Pedro e João parassem de pregar a respeito de Jesus, eles responderam: Atos 4:19, 20 "Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas, quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos."
Ao serem presos por reincidirem na desobediência à ordem do Tribunal, os apóstolos afirmaram: Atos 5:27-29 "E o sumo sacerdote interrogou-os, dizendo: Nós vos ordenamos positivamente que não ensinásseis à base deste nome, e, ainda assim, eis que enchestes Jerusalém com o vosso ensino, e estais resolvidos a trazer sobre nós o sangue deste homem. Em resposta, Pedro e os outros apóstolos disseram: Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens."
Esta última frase: Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens, foi inclusivamente escolhida para estar exposta, como texto anual de 2006, em todos os Salões do Reino das Testemunhas de Jeová ao redor do mundo.A Sentinela de 15 de Dezembro de 2005, página 23
Interpretações segundo a cosmovisão das Testemunhas de Jeová Visto que as Testemunhas de Jeová afirmam ter restaurado o cristianismo à sua forma original,A Encyclopedia Canadiana afirma: "A obra das Testemunhas de Jeová é o reavivamento e o restabelecimento do Cristianismo primitivo praticado por Jesus e seus discípulos durante o primeiro e o segundo séculos. Todos são irmãos." tal como instituído por Jesus e pelos apóstolos,Livro Achegue-se a Jeová, publicado pela STVBT em 2002, páginas 80 e 81 citam o comportamento dos primitivos cristãos para reafirmarem a sua posição de neutralidade.Livro Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, publicado pela STVBT em 1983, páginas 165 a 168 Para isso, recorrem a algumas obras de referência que analisam a história inicial do cristianismo.
Neutralidade quanto a cargos políticos A neutralidade dos professos cristãos dos primeiros séculos da nossa Era é muitas vezes referida em comentários tais como: "Os cristãos mantinham-se alheios e separados do estado, como raça sacerdotal e espiritual, e o cristianismo parecia capaz de influenciar a vida civil apenas desse modo, sendo este, é preciso confessar, o mais puro, por praticamente se esforçarem a incutir mais e mais o sentimento sagrado nos cidadãos do estado."The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries, Nova Iorque, 1848, de Augusto Neander, traduzido do alemão por H. J. Rose, pág. 168
"Ao passo que eles inculcavam as máximas da obediência passiva, recusavam-se a tomar qualquer parte ativa na administração civil ou na defesa militar do império. (…) Era impossível que os cristãos, sem renunciarem a um dever mais sagrado, pudessem assumir o caráter de soldados, de magistrados ou de príncipes."History of Christianity, de Edward Gibbon, 1891, pág. 162-3
"Os cristãos (…) evitavam cargos públicos e o serviço militar."The Great Events by Famous Historians, de F. P. G. Guizot, editado por R. Johnson, 1905, Vol. III, pág. 246