thumb|Garrafa contendo ayahuasca

AyahuascaMOTTA, A. Acordo ortográfico: mudanças no alfabeto. 6 de janeiro de 2010. Disponível em Acordo ortográfico: mudanças no alfabeto | Conversa de Português Acesso em 3 de março de 2013. (do quíchua aya, que significa 'morto, defunto, espírito', e waska, 'cipó', podendo ser traduzido como "cipó do morto" ou "cipó do espírito"Ayahuasca : une synthèse interdisciplinaire. Por Frédérick Bois-Mariage. Psychotropes 1/2002 (Vol. 8), p. 79-113. DOI : 10.3917/psyt.081.0079.), também conhecida como hoasca, daime, iagê,Dicionário Houaiss: ayahuasca. santo-daime e vegetal,FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 210. é uma bebida enteógena produzida a partir da combinação da videira Banisteriopsis caapi com várias plantas, em particular a Psychotria viridis e a Diplopterys cabrerana.

A produção e o consumo da bebida são difundidos no mundo todo, em especial nos países ocidentais. A ayahuasca é, frequentemente, associada a rituais de diferentes grupos sociais e religiões, além de fazer parte da medicina tradicional dos povos da Amazônia.

Sinonímia thumb|Os dois componentes da bebida thumb|direita|Ayahuasca sendo preparada na região de Iquitos, no Peru O nome ayahuasca pode designar tanto a liana Banisteriopsis spp. quanto a bebida. Entre as traduções para esse nome, estão "cipó do homem morto" (aya significando "espírito, morto ou ancestral" e huasca significa "vinha ou corda"), "liana das almas", "cipó dos espíritos", "cipó da pequena morte", "vinho da alma". Os nomes além do significado literal referem-se a elementos de significação cultural, a exemplo de "professor dos professores", "planta professora", entre outros.

Na tabela a seguir, são descritos os diversos nomes atribuídos à bebida pelos grupos que a consomem: Grupo Cipó Folha Bebida Barquinha jagube chacrona Santo Daime, Daime, Luz, Santa Luz. Cefluris jagube rainha Santo Daime, Daime Ciclu - Alto Santo jagube chacrona Santo Daime, Daime União do Vegetal mariri chacrona Vegetal, Hoasca

Nomes indígenas Proto-NawikiJolkesky, Marcelo Pinho de Valhery. 2016. Estudo arqueo-ecolinguístico das terras tropicais sul-americanas. Doutorado em Linguística. Universidade de Brasília.: *kaapi Proto-Bora-MuinaneSeifart, Frank, & Echeverri, Juan Alvaro (2015). Proto Bora-Muinane. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 15(2), 279 - 311. : *bakko CamsáHuber, Randall Q. and Robert B. Reed. 1992. Vocabulario comparativo: Palabras selectas de lenguas indígenas de Colombia (Comparative vocabulary: Selected words in indigenous languages of Colombia). Bogota, Colombia: Summer Institute of Linguistics.: biaxíje

História História do uso indígena Era utilizada pelos incas ou, melhor, pelo complexo histórico cultural assim denominado. Segundo Darcy Ribeiro,RIBEIRO, D. Estudos de antropologia da civilização: As Américas e a civilização, processo de formação e causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos. Petrópolis, RJ, Vozes, 1977 apesar das diferenciações linguísticas e das variantes culturais e nacionais, o bloco inteiro deve ser encarado como uma só macro-etnia: a neo-incaica. Numa avaliação que fez em 1960, publicada no livro "As Américas e a civilização", encontrou-se uma população de 15,5 milhões de habitantes, na área montanhosa de 3 000 quilômetros de extensão que vai do Norte do Chile ao Sul da Colômbia, cobrindo os atuais territórios da Bolívia, Peru e Equador. Destes, 7,5 milhões são considerados indígenas, 3 milhões, brancos por autodefinição e 5 milhões de mestiços.

Os primeiros relatos do uso indígena de ayahuasca, no Ocidente, são dos missionários jesuítas Pablo Maroni em 1737 e Franz Xaver Veigl em 1768, que descreveram um cipó (liana) conhecido como ayahuasca, "usado para adivinhação, mistificação e enfeitiçamento", enquanto estiveram no Rio Napo. Estima-se entretanto que populações indígenas utilizem bebidas com estas plantas há aproximadamente cinco mil anos,(FURST, 1976; NARBY, 1998 apud BEYER, 2009). BEYER, S. Singing to the plants: A guide to mestizo shamanism in the Upper Amazon . Albuquerque, NM: University of New Mexico. 2009 ver tb Blog Acesso Nov. 2014Llamazares, A. M., & Martínez Sarasola, C. (2004). Principales plantas sagradas de Sudamérica. In A. M. Llamazares & C. Martínez Sarasola (Eds.), El lenguaje de los dioses (pp. 259-285). Buenos Aires: Editorial Biblos. Retrieved April 12, 2012, from the Fundación desdeAmérica Web site, http://www.desdeamerica.org.ar/pdf/PrincipalesPlantasTexto_.pdf apud: HIGHPINE, Gayle Unraveling the Mystery of the Origin of Ayahuasca Ayahuasca.com Acesso Nov. 2014 oito mil anosDOBKIN DE RIOS Marlene; RUMRRILL. Roger. A Hallucinogenic Tea, Laced with Controversy: Ayahuasca in the Amazon and the United States. Westport, CT: Praeger Hardback. 2008. Pp.162. ISBN 9780313345425 Literary review Acesso Nov. 2014 ou pelo menos 3.500 anos.MCKENNA, Dennis. Ayahuasca: uma história etnofarmacológica. in: METZNER, Ralph (org.). Ayahuasca, alucinógenos, consciência e o espírito da natureza. RJ, Gryphus, 2002 p. 172

A ayahuasca é utilizada tradicionalmente em países como Peru, Equador, Colômbia, Bolívia e Brasil e ainda por pelo menos 72 diferentes tribos indígenas da Amazônia.LUNA apud LABATE, Beatriz C. A literatura brasileira sobre as religiões ayhuasqueiras. in: . in LABATE BEATRIZ C.;ARAUJO, WLADIMIR S. (org.) O uso ritual da ayahuasca. Campinas, SP, Mercado de Letras – FAPESP, 2002AYAHUASCA.COM (What indigenous groups traditionally use Ayahuasca? ayahuasca.com) Há estimativas do início da sua utilização e dispersão entre as tribos ameríndias entre 1500 e 2000 a.C., estando, entre os principais estudos dessa datação, os realizados pelo etnógrafo equatoriano Plutarco Naranjo, que sumarizou a pouca informação disponível sobre a pré-história da ayahuasca a partir de evidências arqueológicas abundantes em vasos de cerâmica, estatuetas antropomórficas e outros artefatos.NARANJO, P. 1979. "Hallucinogenic plant use and related indigenous belief systems in the Ecuadorian Amazon". Journal of Ethnopharmacology 1:121- 45. e Naranjo, P.. 1986. "EI ayahuasca in la arqueología ecuatoriana". America Indígena 46:117-28. apud: MCKENNA, Dennis J. “Ayahuasca: uma história etnofarmacológica”. In: Ayahuasca: alucinógenos, consciência e o espírito da natureza. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.

Atualmente, já se observa um cuidado das autoridades sanitárias, governamentais, e das próprias etnias que fazem uso da bebida em reconhecê-la como patrimônio cultural e de padronizar sua utilização, como é o caso da UMIYAC - Unión de Médicos Yageceros de la Amazonía Colombiana, que reúne representantes das etnias: inga, cofán, siona, kamsá, coreguaje, tatuyo e carijona.

Visão religiosa da ayahuasca Contexto médico-científico Antropólogos e adeptos religiosos frequentemente desaprovam o uso do termo "alucinógeno" para descrever a ayahuasca.RObERTS, Thomas B. The New Religious Era - From the 500-year Blizzard of Words to Personal Sacred Experiences. forthcoming 2014 in: Harold J. Ellens (editor) Seeking the Sacred With Psychoactive Substances: Paths to Self and God. Praeger/ABC-CLIO, Westport, CT. Academia.edu Jul. 2014*ANTOS, RAFAEL G. DOS; Aspectos culturais e simbólicos do uso de enteógenos; NEIP Propõe-se o termo enteógeno (grego en- = dentro/interno, -theo- = deus/divindade, -genos = gerador), ou "gerador da divindade interna" uma vez que seu uso se dá em contextos ritualísticos específicos. Contudo, a categorização científica da ayahuasca, enquanto substância, sem levar em consideração qualquer contexto de uso, é de um "alucinógeno" ou "psicodélico". Para a farmacologia, do ponto de vista bioquímico, ele denota a substância como um alterador da percepção e da cognição que age sobre os receptores de serotonina, igual o LSD. Mas ressalta-se que, para compreender seus efeitos psíquicos ou subjetivos, não se pode ignorar as crenças e contexto social de uso.Rios, Marlene Dobkin de. Uma teoria transcultural del uso de los alucinógenos de origem vegetal. América Indígena, (291-304) Vol XXXVII nº 2, abril-junio, 1977

A controvérsia "enteógeno × alucinógeno" ocorre devido à conotação negativa que este último termo adquiriu em seu uso nos meios sociais e nos meios de comunicação. O etnofarmacologista Dennis McKenna, tendo em vista essa controvérsia, considera tanto o termo alucinógeno quanto o termo enteógeno como inadequados para descrever a ayahuasca, e diz preferir o termo "remédio xamânico" (no original inglês "shamanic medicine").

Pesquisadores de medicina indígena, sistemas etnomédicos e adeptos religiosos consideram a possibilidade e/ou atribuem à substância propriedades curativas. Nas religiões tradicionais do Brasil e entre curandeiros "mestizos" da região andina, por exemplo, acredita-se que a ayahuasca é capaz de desintoxicar (purgar), reativar órgãos danificados e propiciar melhoras em quadros de dependência química, por exemplo. O Mestre Irineu, fundador do primeiro grupo neo-ayahuasqueiro, o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, dizia que o seu daime podia curar todas as doenças, exceto aquelas que vieram por sentença divina. Entretanto, ele também dizia que "o Daime é para todos, mas nem todos são para o Daime", e proibiu o proselitismo da bebida para os seus seguidores.

Indígenas O mito fundador dos Kaxinawá mostra a ayahuasca como agente curativo e dissipador de ilusões.As visões da anaconda: a narrativa escrita indígena no Brasil. Por Lynn Mario T. Menezes de Souza. Revista Semear n°7O que nos diz a arte Kaxinawa sobre a relação entre identidade e alteridade? Por Elsje Maria Lagrou. Mana vol. 8 n°1 Rio de Janeiro abril de 2002 ISSN 0104-9313.Yube, o homem-sucuriju. Relato caxinauá. Por Eliane Camargo. Amerindia n° 24, 1999. CELIA - Centre d'Etudes des Langues Indigènes d'Amérique, CNRS, Paris.Narrativas e o modo de aprendê-las: a experiência entre os caxinauás. Por Eliane Camargo. In Cadernos de campo n° 10, 2002.

Religiões brasileiras "tradicionais" O uso da ayahuasca se expandiu pela América do Sul e outras partes do mundo com o crescimento de movimentos religiosos organizados, sendo os mais significativos a União do Vegetal (1961), o Santo Daime (1930-1945, apesar de registrada somente em 1971) e a Barquinha (1945), além de dissidências destas e grupos (centros, núcleos ou igrejas) independentes que o consagram em seus rituais.MCKENNA, DENNIS J. “Ayahuasca: uma história etnofarmacológica”. In: Ayahuasca: alucinógenos, consciência e o espírito da natureza. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002ARAÚJO, Wladimir Sena. A barquinha espaço simbólico de uma cosmologia em construção. LABATE, Beatriz Caiuby. A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos. S. Paulo: Mercado das Letras / FAPESP, 2004MOREIRA, Paulo; MACRAE, Edward. Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros. Salvador, Bahia: EDUFBA, EDUFMA, ABESUP, 2011.de BERNARDINO-COSTA, Joaze. Hoasca: Ciência, Sociedade e Meio Ambiente. SP, Campinas: Mercado das Letras, 2011

thumb|Ayahuasca sendo cozida na Região de Iquitos, no Peru

Neo-ayahuasqueiros