miniaturadaimagem|Uma seleção de bebidas alcoólicas (da esquerda para a direita): vinho tinto, uísque de malte, lager, vinho espumante, lager, licor de cereja e vinho tinto miniaturadaimagem|Bebidas alcoólicas e suas relações de produção Bebidas que contêm álcool costumam ser divididas em três categorias: cervejas, vinhos e destilados — com teor alcoólico entre 3% e 50%. Bebidas com menos de 0,5% são às vezes consideradas não alcoólicas.
Muitas sociedades têm uma distinta cultura de bebida, na qual as bebidas alcoólicas são integradas a festas. A maioria dos países conta com leis que regulamentam a produção, venda e consumo de bebidas alcoólicas. Alguns regulamentos exigem o rótulo com a porcentagem de álcool e o uso de alertas sobre o consumo. Alguns países proíbem o consumo de bebidas alcoólicas, mas elas são legais na maior parte do mundo. O movimento de temperança faz campanha contra o consumo de bebidas alcoólicas. A indústria mundial de bebidas alcoólicas superou US$ 1,5 trilhão em 2017. O álcool é uma das drogas recreativas mais utilizadas no mundo, e cerca de 33% de toda a população faz uso de álcool. Em 2015, nos Estados Unidos, 86% dos adultos consumiram álcool em algum momento, 70% consumiram no último ano e 56% no último mês. Vários outros animais são afetados pelo álcool de forma semelhante aos humanos e, caso consumam, repetirão o consumo se tiverem oportunidade, embora apenas humanos produzam bebidas alcoólicas intencionalmente.
O álcool é um depressor, que em doses baixas causa euforia, reduz a ansiedade e aumenta a sociabilidade. Em doses mais altas, causa embriaguez, estupor, inconsciência ou morte. O uso prolongado pode levar ao alcoolismo, aumento do risco de desenvolver vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares e dependência física.
O álcool é classificado como carcinógeno grupo 1 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde declarou que “o risco para a saúde do consumidor começa na primeira gota de qualquer bebida alcoólica”.
História
Pré-história A descoberta de jarros da época paleolítica sugere que bebidas fermentadas intencionalmente existiam ao menos desde o período Neolítico.
A mais antiga cervejaria verificada foi encontrada em um sítio pré-histórico em uma caverna perto de Haifa, na região que hoje corresponde a Israel. Pesquisadores encontraram resquícios de cerveja de 13 000 anos que possivelmente teriam sido usadas em banquetes rituais para homenagear os mortos. Traços de uma bebida alcoólica à base de trigo e cevada foram detectados em pilões de pedra escavados no piso da caverna.
Período antigo miniaturadaimagem|A Urna de Vinho de Carmona contém o vinho mais antigo do mundo (século I d.C.). A Urna de Vinho de Carmona é uma urna romana de vidro do primeiro século que contém vinho intacto. Foi descoberta em 2019 em Carmona, Espanha, durante escavações na necrópole romana ocidental da cidade. Análises de seu conteúdo cinco anos depois determinaram que o recipiente continha o vinho mais antigo do mundo, superando o antigo detentor do recorde, a garrafa de vinho de Speyer (descoberta em 1867), por três séculos.
Provavelmente a cerveja era fabricada a partir de cevada há cerca de 13 mil anos no Oriente Médio. Plínio, o Velho escreveu sobre a “idade de ouro” da produção de vinho em Roma, no século II a.C. (200–100 a.C.), período em que vinhedos foram plantados.
Análises de jarros de cerâmica do período neolítico na vila de Jiahu (província de Henan, norte da China) revelaram resíduos de bebidas alcoólicas ali armazenadas. Testes químicos confirmaram a presença de uma bebida fermentada produzida a partir de vinho de uva e pilriteiro, hidromel e cerveja de arroz, datada de 7 000–5 600 a.C.
A evidência mais antiga de vinificação data de cerca de 6 000 a 5 800 a.C., na Geórgia, região do Cáucaso do Sul.
A mais antiga evidência de cerveja produzida a partir de cevada data de aproximadamente 3 500–3 100 a.C., no sítio de Godin Tepe, nas Montanhas Zagros, oeste do Irã.
Povos celtas produziam tipos de sidra alcoólica já em 3 000 a.C. e o vinho era consumido na Grécia Clássica no café da manhã ou durante simpósios, já no século I a.C.Ancient Mashed Grapes Found in Greece Discovery News.
Período medieval
Oriente Médio medieval Alquimistas muçulmanos medievais, como Jābir ibn Ḥayyān (Latim: Geber, século IX) e Abū Bakr al-Rāzī (Latim: Rhazes, ), realizaram extensas experiências com a destilação de várias substâncias. A destilação de vinho é atestada em obras em árabe atribuídas a al-Kindī (–873 d.C.) e a al-Fārābī (–950), bem como no 28º livro de Kitāb al-Taṣrīf (mais tarde traduzido para o latim como Liber servatoris), de al-Zahrāwī (Latim: Abulcasis, 936–1013). (same content also available on the author's website ); cf. vol. I, pp. 141, 143. No século XII, a técnica de destilação se espalhou do Oriente Médio para a Itália, onde o registro de bebidas alcoólicas destiladas data de meados daquele século.
Europa medieval Na Itália, obras de Taddeo Alderotti (1223–1296) descrevem um método de concentração de álcool por meio da destilação fracionada repetida em um alambique resfriado com água. pp. 51–52. No início do século XIV, bebidas alcoólicas destiladas se difundiram por todo o continente europeu. A prática da destilação espalhou-se para Irlanda e Escócia até o século XV, assim como o costume europeu de destilar "aqua vitae" principalmente para fins medicinais.Whiskey: Technology, Production and Marketing: Handbook of Alcoholic Beverages Series p2 Academic Press 2003
Período moderno inicial Em 1690, a Inglaterra aprovou o "An Act for the Encouraging of the Distillation of Brandy and Spirits from Corn".Preventing Alcohol Abuse: Alcohol, Culture, and Control By David J. Hanson page 3 Bebidas alcoólicas tiveram papel importante nas Treze Colônias desde o início, quando beber vinho e cerveja era mais seguro do que água — a qual geralmente vinha de fontes também usadas para descarte de esgoto e lixo. Nos Estados Unidos do início do século XIX, era comum o consumo de destilados.
A Whiskey Rebellion (também conhecida como Whiskey Insurrection) foi um protesto violento contra impostos nos EUA, de 1791 a 1794, durante a presidência de George Washington. O chamado "imposto do uísque" foi o primeiro imposto sobre um produto nacional instituído pelo recém-formado governo federal. Cerveja era difícil de transportar e estragava mais facilmente do que rum e uísque.
Período moderno A Rebelião do Rum de 1808 foi um golpe de estado na então colônia penal britânica da Nova Gales do Sul, levado a cabo pelo New South Wales Corps para depor o governador William Bligh. Foi o único golpe militar da história da Austrália, batizado pelo comércio ilegal de rum na Sydney do início do século XIX, sobre o qual o "Rum Corps" (como era chamado) mantinha monopólio. Na primeira metade do século XIX, era referido na Austrália como a "Grande Rebelião". Sistemas de monopólio de álcool têm longa história em diversos países, muitas vezes implementados para limitar a disponibilidade e o consumo de álcool visando saúde pública e bem-estar social.
O monopólio de álcool surgiu na cidade sueca de Falun, em 1850, para inibir o consumo excessivo e reduzir o lucro na venda de álcool. Posteriormente se espalhou pelo país em 1905, quando o parlamento sueco determinou que toda a venda de vodca passasse por monopólios locais de álcool.Systembolaget.se About Systembolaget Em 1894, o Império Russo estabeleceu um monopólio estatal de vodca, tornando-se grande fonte de receita para o governo.
Mais tarde, no século XIX, houve oposição ao álcool em forma de movimento de temperança nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Escandinávia e Índia, que culminou em proibições nacionais no Canadá (1918 a 1920), na Noruega (apenas destilados, de 1919 até 1926), na Finlândia (1919 a 1932) e nos Estados Unidos (1920 a 1933), além de proibição local na Índia (1948 até hoje).
Bebidas fermentadas
Cerveja miniaturadaimagem|Schlenkerla Rauchbier, uma cerveja defumada tradicional, sendo servida de um barril para um copo
Cerveja é uma bebida fermentada a partir de cereais, geralmente cevada, ou uma mistura de vários grãos, aromatizada com lúpulo. A maioria é naturalmente carbonatada como parte do processo de fermentação. Se o mosto fermentado for destilado, a bebida torna-se um destilado. A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida do mundo.
Sidra
Sidra () é uma bebida fermentada alcoólica feita de suco de fruta, geralmente suco de maçã (mais comum), mas também de pêssego ou pera (“Perry”), entre outras frutas. O teor alcoólico varia entre 1,2% e 8,5% ABV ou mais, nas sidras inglesas tradicionais. Em algumas regiões, a sidra pode ser chamada de "vinho de maçã".
Água fermentada
Água fermentada é uma solução de etanol em torno de 15–17% ABV, sem reserva doce, exclusivamente fermentada com açúcar refinado, levedura e água. Depois de clarificada, torna-se um líquido incolor ou quase incolor, sem sabor discernível além do etanol.
Hidromel
Hidromel é uma bebida alcoólica fermentada a partir de mel e água, às vezes com frutas, especiarias, grãos ou lúpulo. O teor alcoólico pode variar de 3% a mais de 20%. O que define o hidromel é que a maior parte do açúcar fermentável é derivada do mel. Hidromel também pode ser chamado de "vinho de mel".
Pulque
Pulque é a bebida fermentada mesoamericana feita a partir da “água-mel” do maguey, Agave americana. Pulque pode ser destilado para produzir tequila ou mezcal.Super, "Alcoholic Beverages", pp. 45–46.
Vinho de arroz
Vinho de arroz é uma bebida fermentada ou até destilada a partir de arroz, consumida no Leste Asiático, Sudeste Asiático e Sul da Ásia. Saque, huangjiu, mijiu e cheongju são exemplos populares de vinhos de arroz no Leste Asiático.
Vinho miniaturadaimagem|Taças de vinho tinto (esquerda) e vinho branco (direita)
Vinho é uma bebida fermentada, normalmente produzida a partir de uvas. Envolve um processo de fermentação mais longo que a cerveja e, muitas vezes, um processo de envelhecimento (meses ou anos), resultando em um teor alcoólico de 9% a 16% ABV.
Vinhos espumantes, como Champanhe, Cava ou Prosecco passam por fermentação secundária.
Vinho de fruta é feito de outras frutas além de uvas, como ameixa, cereja ou maçã.
Bebidas destiladas
esquerda|miniaturadaimagem|Expositor de rum em uma loja de bebidas Bebidas destiladas (também chamadas de "destilados" ou "espirituosas") são produzidas por meio da destilação do etanol obtido na fermentação alcoólica de grãos, frutas ou vegetais. Bebidas destiladas sem adição de açúcar e com teor alcoólico mínimo de 20% ABV são chamadas de espirituosas.Lichine, Alexis. Alexis Lichine's New Encyclopedia of Wines & Spirits (5th edition) (New York: Alfred A. Knopf, 1987), 707–709. Exemplos incluem conhaque, gim, mezcal, rum, tequila, vodca, uísque (ou whisky), baijiu, shōchū e soju. A destilação remove parte dos congêneres. Destilação por congelamento concentra etanol junto a metanol e álcoois fusel em bebidas como applejack.
Vinho fortificado é um vinho (por exemplo, vinho do Porto ou xerez) ao qual se adiciona uma bebida destilada (geralmente conhaque). É diferente de destilados de vinho porque estes são obtidos pela destilação, enquanto o vinho fortificado recebe adição de destilado. Há diversos estilos de vinho fortificado, incluindo Porto, xerez, Madeira, Marsala, commandaria e vermute.
Álcool retificado Álcool retificado (ou "espírito neutro") é um álcool purificado por meio de “retificação” (destilação repetida). O termo “neutro” refere-se à falta de sabor — sabores estariam presentes se a concentração de álcool fosse menor. Outros destilados, como uísque, são destilados a menor grau alcoólico para preservar o sabor do mosto.