Cássia Eller é o terceiro álbum de estúdio da cantora brasileira de mesmo nome, lançado em 13 de junho de 1994 pela PolyGram e Universal Music. As gravações do disco ocorreram em abril de 1994, durante a licença-maternidade de Eller, sob a produção musical de Guto Graça Mello nos estúdios Mosh em São Paulo.

Musicalmente, embora ainda apresente o gênero musical de assinatura de Eller, o pop rock, incluí canções que perpassam por outros gêneros característicos da artista como blues, o samba e o baião. Do projeto, que conta com 13 faixas, das quais apenas "Malandragem" foi lançada como o single do projeto, em . Posteriormente, tornou-se uma das canções mais famosas da artista e uma das mais executadas pelas estações de rádio do Brasil em 2001, ao ser regravada no registro ao vivo Acústico MTV (2001).

Produção e gravação

Cássia Eller foi gravado em abril de 1994, sob a produção musical de Guto Graça Mello, nos estúdios Mosh, em São Paulo, sem que a PolyGram (posteriormente incorporado pela Universal Music Group) soubesse. Isso aconteceu porque a cantora, após o pouco sucesso comercial de seus dois primeiros trabalhos (Cássia Eller e O Marginal), estava decidida a pedir demissão por puro desânimo com tal situação. O próprio Graça Mello foi apresentado pelo então diretor Marcos Maynard à Cássia ainda sem conhecê-la enquanto estudava a formação de repertório para um possível sucessor de O Marginal majoritariamente formato por composições principalmente de Arrigo Barnabé e outros participantes do movimento da Vanguarda Paulista, mas Maynard reagiu em reunião muito grosseiramente às propostas de Cássia na presença de Graça Mello, ocasião depois da qual este último propôs à Cássia estudar e viabilizar um novo álbum sem que Maynard soubesse. Sua gravação ocorreu durante o período de licença-maternidade da cantora, cujo único filho, Chicão, havia nascido há apenas 8 meses. Em entrevista para o Jornal do Brasil, Eller detalhou o período: "Nos primeiros dias o Chicão ficou com a babá. Depois pedi para levá-lo ao estúdio e, como ele adorou, acabou indo todos os dias [seguintes]". Segundo Guto, "ela parava as gravações pra amamentar o filho, até que o álbum ficou pronto". Segundo Maria Eugênia, companheira da artista, o garoto gostava de ouvir o disco Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), da cantora Marisa Monte, o que também acabou por inspirar Cássia na seleção de seu repertório e na sua gravação. Uma vez apresentado à PolyGram, Cássia Eller foi prontamente aprovado por Maynard, mas este em contrapartida condicionou o seu lançamento à gravação adicional de "Partners" do RPM.

Em busca de canções inéditas para compor o repertório de Cássia Eller, a intérprete entrou em contato com uma ampla gama de compositores, mas lamentou não ter recebido retorno significativo de alguns deles: "Infelizmente o Lobão, o Luiz Melodia e o Djavan não tiveram tempo para compor nada, estavam ocupados demais". Dentre às composições incluídas na obra está "E.C.T.", de Nando Reis, Marisa Monte e Carlinhos Brown. De acordo com Eller: "O Nando Reis soube que eu estava fazendo o repertório do disco, me ligou e nos encontramos na casa da Marisa Monte, onde eles me mostraram cinco músicas inéditas". "Malandragem", composta por Cazuza e Frejat, que apesar de ter sido originalmente escrita para Ângela Rô Rô, tornou-se a canção assinatura de Eller. Sobre essa última, a intérprete explicou que, no final de 1993, ainda na fase de produção do álbum, foi apresentada a composição: "A Lucinha Araújo, mãe do Cazuza, me disse que iria dar uma mexida no baú do filho. O Frejat soube e me mostrou a demo dessa música [...]. Fiquei apaixonada ao ouvir a primeira nota".

A canção "1º de Julho" foi composta por Renato Russo (Legião Urbana) como presente para Eller, que havia acabado de ter seu único filho, fruto de um relacionamento com Tavinho Fialho, amigo de Renato e músico de apoio da Legião que havia morrido um ano antes do lançamento de Cássia Eller.Fuscaldo (2016), p. 164 Selecionado o repertório, o passo seguinte foi gravar uma fita com acompanhamento apenas de violão, o que a artista admite: "Entreguei esse material para o Márcio Miranda e Paulo Rafael. Interferi muito pouco nisso (arranjos)".

Crítica profissional

Edmundo Barreiros, do Jornal do Brasil, emitiu duas de quatro estrelas a Cássia Eller, prezando a variedade de estilos musicais e de colaboradores presentes nele, completando que o único "se não, está nos arranjos, muito limpos e quase burocráticos. Mas nem isso obscurece o brilho da cantora, que cada vez mais se firma como a melhor voz de sua geração". Os críticos da mesma publicação ainda o elegeram o melhor disco de junho de 1994. Antônio Carlos Miguel, crítico do O Globo, avaliou que apesar de nove das 13 faixas serem regravações, "não desmerece um trabalho com potencial para levar sua voz além dos circuitos cult. A produção de Guto Graça Mello procurou dar um tratamento mais pop, eliminando a embalagem instrumental jazz-rock que marcou os dois discos anteriores. Opção até certo ponto perigosa, ou asséptica, mas que funciona". Escrevendo n'A Tribuna, Julinho Bittencourt considera que "sempre bem, ela transita por essas músicas como se estivesse em casa. Sem se preocupar em parecer versátil, vai amadurecendo rapidamente e virando uma especialista em seu gênero".

No Prêmio Sharp de Música Brasileira de 1994, Eller foi laureada como a Melhor Cantora de Pop/Rock, por seu trabalho no álbum. Em 2014, Cássia Eller foi incluso entre os 20 discos essenciais de 1994, por Lúcio Ribeiro, do Universo Online.

Lançamento e recepção comercial Cássia Eller foi em 13 de junho de 1994, pela PolyGram e Universal Music. A turnê de divulgação da obra começou em outubro de 1994. Na parada de discos publicada pelo jornal O Globo – com base em dados fornecidos pelo instituto Nelson Oliveira Pesquisa e Estudo de Mercado (NOPEM) –, alcançou a sétima colocação entre os álbuns mais vendidos no Brasil, na edição datada em 26 de setembro de 1995."Os CD's mais vendidos". O Globo. 26 de setembro de 1995. Consultado em 26 de setembro de 1995 O projeto vendeu em torno de 100 mil cópias.

Faixas

Créditos Cesinha - bateria Fernando Nunes - baixo Márcio Lomiranda - teclados Paulo Rafael - guitarra

Partipações especiais Wander Taffo em "Lanterna dos Afogados" e "Partners".

Desempenho nas tabelas musicais +Tabelas semanaisPaís — Tabela musical (1995)Posiçãode picoBrasil (NOPEM)7

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