O triclosan (Triclosan, por vezes abreviado TCS) é um agente antibacteriano e antifúngico presente nalguns produtos de consumo, como algumas pastas de dentes, sabões, detergentes, brinquedos e tratamentos de limpeza cirúrgica. É similar nos seus usos e mecanismo de ação ao triclocarban. A sua eficácia como agente antimicrobiano, o risco de resistência antimicrobiana, e o seu possível papel no desenvolvimento de perturbações hormonais continua a ser controverso. É necessário realizar investigação adicional para compreender os seus possíveis efeitos na saúde dos organismos e no meio ambiente.
O triclosan foi desenvolvido em 1966. Um estudo de 2006 recomendou o duche com 2 % de triclosan como regime a seguir em unidades cirúrgicas para eliminar da pele dos pacientes a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM).
Usos O triclosan foi utilizado na roupa de hospital na década de 1970. Antes da alteração do regulamento na União Europeia e nos Estados Unidos, expandiu-se comercialmente e era um ingrediente comum em sabões (0,10–1,00 %), champôs, desodorizantes, pastas de dentes, elixires orais, produtos de limpeza e pesticidas. Também fazia parte de produtos de consumo, como utensílios de cozinha, brinquedos, roupa de cama (bedding), meias e sacos do lixo.Triclosan na Consumer Product Information Database
O triclosan foi registado como pesticida em 1969. Os pesticidas registados pela EPA dos Estados Unidos têm de ter um número de registo. Em 2017, houve cinco registos para o triclosan na EPA.National Pesticide Information Retrieval System. Consultado em http://ppis.ceris.purdue.edu/ , http://ppis.ceris.purdue.edu/chemical2.aspx Atualmente, existem 20 registos antimicrobianos na EPA sob as regulamentações da Lei Federal de Insecticidas, Fungicidas e Rodenticidas (FIFRA). O ingrediente antimicrobiano ativo é adicionado a diversos produtos onde atua como agente que abranda ou impede o crescimento de bactérias, bolor (mildeu) e fungos. Em usos em equipamentos comerciais, institucionais e industriais, o triclosan é incorporado como antimicrobiano em tapetes rolantes, mangueiras, tinturas de fibras ou equipamentos para fazer gelo. O triclosan pode ser aplicado diretamente em bobinas de climatização comerciais, onde impede o crescimento microbiano que contribui para a degradação do produto.
Nos Estados Unidos, em 2000, o triclosan e o triclocarban (TCC) podiam ser encontrados em 75 % dos sabões líquidos e em 29 % das pastilhas de sabão, e em 2014 o triclosan era utilizado em mais de 2000 produtos de consumo.
Em saúde, o triclosan é usado em roupas cirúrgicas e géis desinfetantes de mãos. O uso em unidades cirúrgicas é eficaz com um tempo de contacto mínimo de aproximadamente dois minutos. Mais recentemente, começou a recomendar-se um regime de duches com 2 % de triclosan em unidades cirúrgicas para a descolonização de pacientes cuja pele porta Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM). Dois pequenos estudos de casos não controlados relataram o uso do triclosan correlacionado com a redução de infeções por SARM.
O triclosan também é usado nos revestimentos de algumas suturas cirúrgicas. Há boas evidências de que estas suturas revestidas com triclosan reduzem o risco de infeção no local onde se realiza a cirurgia. a Organização Mundial da Saúde, o Colégio Americano de Cirurgiões e a Sociedade de Infeções Cirúrgicas assinalam um benefício de suturas revestidas de triclosan na redução do risco de infeção no local da cirurgia.
O triclosan foi empregado como agente seletivo em clonagem molecular. Um hospedeiro bacteriano transformado por um plásmido que carrega um gene mutante do FabI (mFabI) resistente ao triclosan como marcador selecionável pode crescer na presença de altas doses de triclosan em meios de crescimento.
Efetividade
Em cirurgia, as suturas revestidas com triclosan reduzem o risco de infeções no local onde se realiza a cirurgia. Alguns estudos sugerem que os sabões antimicrobianos para lavar as mãos que contêm triclosan proporcionam uma redução bacteriana ligeiramente maior nas mãos do que o sabão normal. Em 2013, a FDA americana considerou que havia um claro benefício para a saúde nalguns produtos para o consumidor que continham triclosan, mas não noutros; por exemplo, a FDA não encontrou provas de que o triclosan em sabões antibacterianos proporcionasse algum benefício comparado com lavar as mãos com água e um sabão normal.
Uma revisão Cochrane de 30 estudos concluiu que as pastas de dentes que continham triclosan/copolímero produziam uma redução de 22 % na placa dentária e na inflamação gengival comparada com as pastas com fluoreto e sem triclosan/copolímero. Havia evidências fracas de uma redução na cárie dentária, e nenhuma evidência de redução na periodontite.
Um estudo de pastas de dentes com triclosan não encontrou provas de que causassem um aumento em episódios cardíacos adversos graves, como ataques cardíacos.
Um estudo feito por Colgate-Palmolive encontrou uma redução significativa na gengivite, sangramento gengival e placa dentária com o uso de pastas de dentes que continham triclosan. Uma revisão independente do grupo Cochrane sugere que a redução nesses três aspetos é estatisticamente significativa (é improvável que ocorra por acaso) mas não é clinicamente significativa (é improvável que produza efeitos relevantes).
O triclosan é usado em contentores para o armazenamento de alimentos, embora este uso esteja proibido na União Europeia desde 2010.
O uso veterinário como produto biocida na União Europeia é regulado pela Diretiva de Produtos Biocidas.
Estrutura química e propriedades
Este composto orgânico é um sólido branco em pó com um cheiro fenólico aromático ligeiro. Categorizado como policloro fenoxi fenol, o triclosan é um composto aromático clorado que tem grupos funcionais representativos tanto de éteres como de fenóis. Os fenóis frequentemente têm propriedades antibacterianas. O triclosan é solúvel em etanol, metanol, dietil éter, e soluções fortemente básicas como uma solução 1M de hidróxido de sódio, mas só é ligeiramente solúvel em água. O triclosan pode ser sintetizado a partir do 2,4-diclorofenol.
Síntese Num processo de refluxo, o 2,4,4'-tricloro-2'-metoxidifenil éter é tratado com cloreto de alumínio.Commonwealth of Australia. Department of Health and Ageing. National Industrial Chemicals Notification and Assessment Scheme. Priority Existing Chemical Assessment Report No. 30 . National Industrial Chemicals Notification and Assessment Scheme, Jan. 2009. Web. Apr. 2014.
O formulário da Farmacopeia dos Estados Unidos publicou uma monografia para o triclosan que estabelece os seus padrões de pureza.
Mecanismo de ação
A altas concentrações, o triclosan atua como biocida com muitos alvos no citoplasma e na membrana plasmática. Contudo, nas concentrações mais baixas vistas em produtos comerciais, o triclosan comporta-se como bacteriostático e atua nas bactérias principalmente inibindo a síntese de ácidos gordos.
O triclosan liga-se à enzima bacteriana proteína transportadora de enoíl-acilos redutase (ENR),The WHO Guidelines on Hand Hygiene in Healthcare (Advanced Draft), WHO, 2006, p. 37. "9.9 Triclosan" que está codificada no gene fabI. Esta ligação aumenta a afinidade da enzima pelo nucleótido de nicotinamida e adenina (NAD+). Isto resulta na formação de um complexo ternário estável de ENR-NAD+-triclosan, que é incapaz de participar na síntese de ácidos gordos. Os ácidos gordos são necessários para a formação e reprodução das membranas celulares. Os vertebrados não têm uma enzima ENR e assim não são afetados por este modo de ação.
Também foi relatado que o triclosan interage com a tubulina e inibe a sua polimerização.
Perturbador endócrino
O triclosan é um perturbador endócrino fraco, embora a relevância disto para os humanos não se saiba com certeza. O composto liga-se com baixa afinidade ao receptor de androgénios e ao receptor de estrogénios, nos quais foram observadas tanto respostas agonistas como antagonistas.
Indutor de bomba de efluxo O triclosan pode regular positivamente ou induzir bombas de efluxo nas bactérias causando que estas se tornem resistentes contra alguns outros antibióticos.
Exposição As pessoas expõem-se ao triclosan por absorção através da pele quando lavam as mãos, tomam duche, limpam os dentes, usam elixires orais ou cozinham e por ingestão quando o engolem. Quando o triclosan é libertado no ambiente, pode ocorrer uma exposição adicional a este composto ao ingerir plantas cultivadas em solos tratados com lodos de águas residuais, ou comer peixes expostos a ele.
Um artigo da Sociedade Americana de Agronomia refere-se a um estudo de Mónica Méndez et al., no qual os investigadores regaram plantas com água que continha triclosan e meses depois encontraram-no em todas as partes comestíveis das plantas do tomate e cebola. O triclosan mata um amplo espectro de bactérias, e os investigadores estavam preocupados também com o seu efeito nas bactérias benéficas do solo.
Distribuição, metabolismo e eliminação Uma vez absorvido, o triclosan é metabolizado no corpo humano principalmente por reações de conjugação em glucurónido e conjugados sulfato que são excretados nas fezes e na urina. Os estudos farmacocinéticos demonstram que o sulfato e glucurónido de triclosan podem ser formados no fígado a velocidades aproximadamente iguais à concentração ambientalmente relevante de 1 a 5 micromolar. Quando as concentrações de triclosan estão abaixo de 1 micromolar, espera-se que a sulfonação seja a principal via metabólica para a eliminação.
Preocupações sanitárias
Devido aos potenciais perigos para a saúde, causados pela possibilidade de resistência antimicrobiana, perturbação endócrina e outros problemas que se mencionam mais abaixo, o triclosan foi designado como "contaminante de preocupação emergente (CEC)" pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, o que significa que está em investigação por riscos para a saúde pública. Os "contaminantes emergentes" podem ser definidos em termos gerais como compostos químicos sintéticos ou naturais ou microrganismos que não são monitorizados normalmente no meio ambiente mas que têm o potencial de entrar no ambiente e causar efeitos ecológicos adversos suspeitados ou sobre a saúde humana.United States Geological Survey. Contaminants of Emerging Concern in the Environment. Consultado a 27 de outubro de 2016, em https://toxics.usgs.gov/investigations/cec/index.php Pensa-se que o triclosan se acumula nas águas residuais e acaba por voltar à água potável, propagando assim uma acumulação que poderia causar efeitos com o uso contínuo.
Nos Estados Unidos, após uma revisão que durou várias décadas dos possíveis problemas para a saúde causados por este contaminante de preocupação emergente, a FDA decidiu a 6 de setembro de 2016 que 19 ingredientes ativos, incluindo o triclosan não são geralmente reconhecidos como seguros e eficazes (a categoria GRAS/GRAE). (Ver a secção Políticas mais abaixo).
Alergia O triclosan foi associado a um alto risco de produzir alergia alimentar. Isto pode ser porque a exposição às bactérias reduz a alergia, como prediz a hipótese da higiene, e não causada pela toxicologia do próprio triclosan. Este efeito pode também ocorrer com o gluconato de clorexidina e cloroxilenol (PCMX), entre outros agentes antibacterianos. Outros estudos ligaram o triclosan à dermatite de contacto alérgica nalguns indivíduos. Adicionalmente, as concentrações de triclosan foram associadas a sensibilização alérgica, especialmente de alergénios inalados e sazonais, em vez de alergénios alimentares.
Exposição a subprodutos