O Grand Palais des Beaux-Arts, também chamado de Grand Palais des Champs-Elysées e popularmente conhecido apenas como Grand Palais, é um edifício singular da cidade de Paris situado no 8.º arrondissement. Localiza-se na Avenue Winston Churchill, nas proximidades dos Campos Elísios. Faz parte integrante do conjunto arquitectónico formado pelo Petit Palais e Ponte Alexandre III.

O Grand Palais começou a ser construído em 1897 para albergar a Exposição Universal de 1900, celebrada entre 15 de abril e 12 de novembro daquele ano, envolvendo um complexo processo de gestação no qual participaram vários arquitectos, no mesmo lugar onde se situava o Palais de l'Industrie, realizado para a Exposição Universal de 1855.

Destacado pelo estilo ecléctico da sua arquitectura, denominado estilo Beaux-Arts e característico da Escola de Belas Artes de Paris, o edifício reflecte o gosto pela rica decoração e ornamentação nas suas fachadas de pedra, o formalismo da sua planta e realizações até então insólitas como o grande envidraçado da sua cobertura, a sua estrutura de ferro e aço à vista e o uso do concreto armado.

Como proclama um dos seus frontões, o Grand Palais foi concebido como um Monument consacré par la République à la gloire de l’art français ("Monumento consagrado pela República à glória da arte francesa"), servindo como lugar das manifestações oficiais da Terceira República Francesa e símbolo do gosto duma parte da sociedade da época. Com o decorrer do tempo e a decadência do estilo Beaux-Arts, o Grand Palais foi destinado progressivamente a usos diversos, como centro para salões técnicos e de exposições comerciais dos sectores automóvel, da aeronáutica, das ciências ou do desporto, convertendo-se testemunha da evolução da arte moderna e dos avanços da civilização durante o século XX.

Actualmente abriga o Palais de la découverte, desde 1937, destinado às ciências aplicadas, e as Galeries nationales du Grand Palais, desde 1964, para a exposição de colecções provenientes de museus nacionais franceses.

Edificado sobre um terreno instável que afectou com o tempo a sua estrutura, depois do seu prolongado e dispendioso restauro empreendido na década de 1990, a sua nave central foi reaberta em 2005 para a celebração de salões e exposições temporárias variadas.

No dia 12 de junho de 1975, a nave central do edifício foi catalogada como Monumento histórico, classificação que se estendeu no dia 6 de Novembro de 2000 à totalidade dos 40.000 m² do Grand Palais.

História Concepção do projecto thumb|250px|esquerda|O Grand Palais visto da ponte Alexandre III, Paris, França

Depois de tomada a decisão pelo Governo Francês, em 1892, de organizar uma nova Exposição Universal em 1900, a comissão preparatória da mesma recomendou a demolição do Palais de l'Industrie, construído em 1855, e a edificação dum novo edifício que melhoraria a envolvente urbanística da esplanada onde teria lugar o evento, de maneira que pudesse se abrir uma ampla via que ligasse em perspectiva a Praça dos Inválidos com a Avenida dos Campos Elísios. Uma vez redigido o plano, por decreto de 22 de Abril de 1896 decidiu-se a organização dum concurso de ideias entre arquitectos para o seu desenho, mas contrariamente ao previsto para as edificações da Ópera Garnier, em 1875, ou do Ancien Palais du Trocadéro, em 1878, o concurso não teve um carácter internacional e restringiu-se unicamente à participação de arquitectos de nacionalidade francesa.

Depois dum amargo debate entre os organizadores, a imprensa e o grande público, não foi possível eleger um único vencedor, pelo que foi seleccionada uma equipa de quatro arquitectos para que realizassem uma síntese das suas propostas e consentissem um projecto comum. A direcção geral ficou a cargo de Charles-Louis Girault, enquanto que os outros três arquitectos, Deglane, Louvet e Thomas se especializaram, cada um, na construção das diferentes secções do edifício.H. Lapauze, Max de Nansouty, A. da Cunha, H. Jarzuel, G. Vitoux, L. Guillet (1900, Paris): "Le guide de l'Exposition de 1900", em E. Flammarion, url = http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k81594d.notice

Charles-Louis Girault (Cosne-Cours-sur-Loire, 1851 - † Paris, 1932): Encarregado da direcção geral da obra, supervisionou a vistoria definitiva dos planos. Teve a responsabilidade de assegurar, ao mesmo tempo, a construção da obra do Petit Palais, depois convertido em Museu de Belas Artes de Paris. Henri-Adolphe-Auguste Deglane (Paris, 1855 - † Paris, 1931): Foi o encarregado da realização das naves norte e sul, da nave maior e da sua parte transversal, chamada "paddock", das fachadas decoração com frisos e mosaicos, que o rodeiam, e em particular da entrada principal e do peristilo situado em ambos os lados da "nova avenida", futura avenida Nicolau II, depois chamada Winston Churchill. Albert-Félix-Théophile Thomas (Marselha, 1847 - † Paris, 1907): Levou a cabo a construção da ala ala oeste, o "Palácio de Antin" e as elevações correspondentes sobre a Avenida de Antin, a futura avenida Victor-Emmanuel III, baptizada mais tarde como Avenida Franklin Delano Roosevelt. Louis-Albert Louvet (Paris, 1860 - † Paris, 1936): Autor do plano, teve a responsabilidade de edificar a secção central, que liga de maneira simétrica as obras de Deglane e Thomas, incluindo o "Salão de Honra". Em coordenação com Deglane, participou também na grande escadaria de honra e na decoração da parede do fundo do "paddock".

Trabalhos de construção 300px|esquerda|thumb|Aspecto do Grand Palais no ano da sua inauguração, cartão postal de 1900

Os trabalhos de construção começaram, na Primavera de 1897, com a demolição do Palais de l'Industrie, que desapareceu definitivamente em 1899, ao mesmo tempo que três equipas, escolhidas por cada arquitecto, avançavam segundo cada plano de obra ao seu ritmo e modo.

A obra, para a qual se chegaram a mobilizar 1.500 trabalhadores, aplicou novas técnicas de construcção como o uso do concreto armado segundo um sistema patenteado em 1892 por François Hennebique, juntamente com uma dotação de meios consideráveis para a época: empilhadoras a vapor para a cimentação, vias férreas para o transporte do material, máquinas de vapor para os dínamos de accionamento de serras de corte, uma ponte grua para o dos grandes blocos, railes interiores, andaimes móveis ou uma rampa desde a ribeira do Sena para a aproximação das barcaças de pedreira.Conférence de l’Université de tous les savoirs donnée le 21 octobre 2004:Construction et rénovation du Grand-Palais Alain-Charles Perrot. A própria Exposição destacou as habilidades técnicas da Sociedade Moisant-Laurent-Savey que serviram para a parte móvel metálica de manutenção estendida nos lados dos Elísios e da Avenida de Antin, enquanto que também louvou as da empresa Moisant, encarregada da carpintaria em ferro e aço da grande escadaria de honra desenhada por por Louvet. Le guide de l'Exposition de 1900, op. cit. pág 54

As características heterogéneas do solo, duro no lado norte, onde se encontrava o Palais de l'Industrie, mas de má qualidade no lado sul, sobre os aluviões do Sena, provocaram um atraso de 8 meses sobre o plano original, requerendo uma obra de cimentação difícil que necessitou do recurso a 3.400 barrotes de carvalho, de 25 a 35 cm. de diâmetro, que perfuraram até 12 metros de profundidade o solo basal calcário.

thumb|250px|Vista da Ponte Alexandre III com o Grand Palais ao fundo

Para os muros, aplicou-se a técnica de dupla parede, uma folha exterior de cantaria, constituida por blocos de pedra provenientes de jazidas de toda a França, e uma folha interior, feita de ladrilho e alvenaria. Pelo seu lado, a carpintaria metálica foi sendo montada, contrariamente à prática habitual, sem juntas de dilatação e apenas depois de terminados os trabalhos de alvenaria, à qual se seguiram os trabalhos de decoração por artistas seleccionados por cada equipa de arquitectos.

No término do prazo de execução da obra, formara-se uma estrutura para a qual se empregaram 8.500 toneladas de material, mais 500 que as requeridas para a Torre Eiffel e menos 2.000 que as da Estação de Orsay, embora no dia da inauguração algumas das secções interiores estivessem por terminar.Perrot.

A construção do Grand Palais de Paris teve um custo total de 24 milhões de francos da época Le guide de l'Exposition de 1900, op. cit.pág 53Comparação com os 7,4 milhões de francos de ouro para a construção da Torre Eiffel em 1889. dos quais, como destacava o guia da Exposição, 300.000 francos haviam sido destinados, unicamente, aos importantes grupos escultóricos das quadrigas de Récipon.

As dificuldades do terreno voltariam à actualidade pouco depois, quando Alfred Picard, comissário geral da exposição, publicou um relatório em 1903, onde advertia sobre a existência de problemas estruturais no edifício, como consequência provável da descida do nível do lençol freático, o que provocaria ao longo da sua história numerosas intervenções de restauro até chegar à grande obra empreendida a partir de 1993.

Inauguração thumb|O Presidente da III República francesa, Émile Loubet, um dos assistentes à inauguração do Grand Palais em 1900

A inauguração do Grand Palais efectuou-se com todo o fausto próprio da Terceira República Francesa, à época no centro duma crise política originada pelo controverso Caso Dreyfus, numa cerimónia celebrada no dia 1 de maio de 1900, na presença de Émile Loubet (1838–1929), Presidente da República Francesa, de René Waldeck-Rousseau (1846–1904), Presidente do Conselho e Ministro do Interior e da Cultura de França, de Georges Leygues (1857–1933), Ministro de Instrução Pública e Belas Artes, de Alexandre Millerand (1859–1943), Ministro do Comércio, Indústria, Correios e Telecomunicações, e de Alfred Picard (1844–1913), Comissário Geral da Exposição Universal de Paris. Uma inscrição gravada na pedra duma das esquinas das paredes do edifício comemora o acontecimento.

Durante a Exposição Universal, o Grand Palais serviu tanto para a exposição de obras pictóricas nas diversas salas acondicionadas então no primeiro andar, como também para a celebração de concertos na sala de honra atrás da grande escadaria, e inclusive para concursos de hipismo graças aos estábulos preparados nos sótãos do palácio e que comunicavam com as pistas do concurso no exterior mediante rampas de suave declive.

Salões e exposições Inicialmente concebido como Palácio das Belas Artes para funções destinadas às exposições e celebrações de mostras artísticas, o Grand Palais tem vindo, ao longo da sua história, a ampliar a variedade temática das suas actividades.

Salões artísticos Os salões dedicados às belas artes conheceram a sua idade de ouro nos trinta primeiros anos de existência do Grand Palais. Com o advento da Frente Popular em 1936, estas apresentações, consideradas por alguns como uma expressão de arte reservada para a élite burguesa, perderam progressivamente prestígio e viram reduzida de maneira considerável a sua superfície a favor da instalação definitiva do Palais de la découverte (Palacio do Descobrimento) dedicado às ciências aplicadas, em 1937 por iniciativa do físico Jean Perrin. Depois da Segunda Guerra Mundial, os salões artísticos perduraram um pouco mais, até verem o seu espaço de exposição diminuir e serem confinados aos lugares menos nobres e visíveis do Grand Palais. Celebraram-se no Grand Palais os seguintes salões de arte:

Salão de artistas franceses (1901) Salão de artistas independentes (1901) Salão da Sociedade Nacional de Belas artes (1901) Salão do Orientalismo (1901) Salão dos pintores, gravadores e litógrafos (1901) Salão da União das Mulheres pintoras e escultoras (1901) Salão de Outono (1903 a 1993) Salão das Artes aplicadas (1925) Salão de Arte de Paris (2006)

Salões técnicos thumb|250px|Interior do Grand Palais durante uma exposição