Antônio Carlos de Sousa "Tonico" Pereira (Campos dos Goytacazes, 22 de junho de 1948), é um ator, autor e empresário brasileiro. Amplamente reconhecido como um dos intérpretes coadjuvantes mais prolíficos do cinema nacional, destacando-se por uma extensa filmografia que abrange dezenas de produções ao longo de várias décadas. Com carreira iniciada no Grupo Laboratório de Teatro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), no final dos anos 1960, consolidou-se posteriormente na televisão e no cinema, tornando-se presença recorrente em obras de diferentes gêneros e formatos.
Ao longo de sua trajetória, notabilizou-se por um estilo interpretativo singular, caracterizado por um timbre vocal marcante e por uma construção cômica voltada a personagens excêntricos, frequentemente associados a um humor de forte apelo popular. Tal combinação contribuiu para a criação de tipos caricaturais e expressivos, que tornaram-se recorrentes em sua carreira e amplamente reconhecidos pelo público. Essa identidade artística reforçou sua presença tanto em produções comerciais quanto em projetos independentes, evidenciando sua versatilidade como intérprete.
A partir da década de 1970, estreou na televisão, tendo atuado em mais de 50 produções diferentes da Rede Globo, popularizando-se como o caipira Zé Carneiro no seriado infantil Sítio do Picapau Amarelo (1977–1986) e como o mulherengo Mendonça na série A Grande Família (2002–2014), além de minisséries como Decamerão: A Comédia do Sexo (2009) e Amorteamo (2015), e em novelas como Fera Ferida (1993), Porto dos Milagres (2001), A Regra do Jogo (2015–2016) e A Força do Querer (2017). Simultaneamente, iniciou uma carreira proeminente no cinema, tornando-se um dos artistas que mais fez filmes no Brasil, ficando atrás somente de Wilson Grey; destacando-se em produções como República dos Assassinos (1979), Memórias do Cárcere (1984), Guerra dos Canudos (1997), O Primeiro Dia (1998), Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), O Coronel e o Lobisomem (2005), Saneamento Básico, o Filme (2007), O Bem-Amado (2010), Assalto ao Banco Central (2011), Correndo Atrás (2019) e O Velho Fusca (2026), entre várias outras. Ao longo da carreira, ganhou diversos prêmios, como dois Prêmios Qualidade Brasil e um Prêmio APTR, além de indicações ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e ao Melhores do Ano. Por seu papel como protagonista no filme O Cego que Gritava Luz (1996) ganhou o Troféu Candango de melhor ator no Festival de Brasília.
Paralelo à carreira artística, Pereira também é conhecido pelos diversos empreendimentos que já administrou, estando envolvido em iniciativas empresariais, incluindo a administração de estabelecimentos comerciais, como bares e o TPM Brechó, localizado no bairro de Botafogo, ampliando sua atuação para além do ramo artístico.
Biografia Primeiros anos Tonico Pereira nasceu na cidade de Campos dos Goytacazes, no interior fluminense, em 22 de junho de 1948, filho do comerciante Hernandes Gama Pereira e da funcionária pública Maria José de Souza, numa família com cinco irmãos; segundo ele, Joãozinho, que possuía Síndrome de Down, era o irmão com quem mais tinha afinidade.
Durante a infância um dos seus passatempos preferidos era frequentar a sapataria do avô, com quem conversava durante horas. Aos oito anos já fumava cigarros com o consentimento da mãe, numa época em que segundo ele "não havia essa cultura nova quanto ao cigarro". Nessa mesma época, começou a ter uma série de trabalhos para bancar suas próprias coisas, como faxinar casa dos vizinhos, vender suspiros feitos por sua bisavó Dindinha e como entregador de leite.
Seu primeiro contato com o teatro foi ainda criança, quando foi escolhido para fazer uma peça na escola: “Estudei num colégio religioso misto, e o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, que era um colégio apenas feminino, queria montar a vida de Cristo. Aí foi nos teatros eucarísticos...Isso eu tinha oito, nove anos; é uma idade muito marcante para mim”. Pereira também disse que os gibis, o circo e as trovas que assistia influenciaram seu interesse pelas artes.
Tonico chegou a jogar futebol juvenil no Goytacaz Futebol Clube. E foi devido ao futebol que ele abandonou uma vida instável em Campos para ir morar com os tios no Rio de Janeiro, com uma oportunidade para jogar no time do América; no entanto, mentiu para os pais alegando que ia cursar Economia na capital. Ele conseguiu ser chamado para fazer um teste, mas no dia marcado, não compareceu. A carreira de jogador não emplacou, mas Tonico decidiu permanecer no Rio, tendo novamente uma série de empregos como vendedor em loja de eletrodomésticos e no Banco do Estado da Guanabara, até iniciar de fato sua vida artística.
Carreira 1968—77: Início no teatro, estreia na Globo e primeiros papéis no cinema Em 1968, Tonico foi visitar sua prima Suely, que cursava Letras na Universidade Federal Fluminense (UFF), quando foi convidado para integrar o Laboratório de Teatro da UFF; porém, como Tonico não era aluno da instituição, o consenso decidiu alterar o nome para Grupo Laboratório da UFF "Integrado à Comunidade". Com o grupo, ele ganhou seu primeiro prêmio, o Governador do Estado, como 'melhor ator coadjuvante' pela peça O Futuro está nos Ovos, dirigida por José Carlos Gondim.
Depois dessa primeira experiência com o teatro acadêmico, Tonico preferiu buscar um teatro mais popular, gênero com o qual tinha mais identificação. Entrou para o Chegança, um grupo teatral que saiu de Pernambuco para o Rio de Janeiro durante o período da ditadura militar. Nesse grupo, ele conheceu Luiz Mendonça, Ilva Niño, Elba Ramalho, José Wilker, Tânia Alves, entre outros artistas.
Em 1974, foi convidado para ingressar na televisão, indo trabalhar na Rede Globo, onde atuou na novela O Espigão como o bandido "Bambolê". No mesmo ano, faz sua estreia no cinema com o filme O Amuleto de Ogum, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Posteriormente, foi convidado por Walter Avancini para atuar na novela Gabriela, como "Chico Moleza", funcionário do bar Vesúvio e filho de dona Arminda (Thelma Reston).
1977—90: Sítio do Picapau Amarelo, reconhecimento e sucesso Em 1977, Tonico foi indicado pelo amigo Jaime Barcelos para participar do Sítio do Pica-Pau Amarelo como o personagem Zé Carneiro, que inicialmente seria interpretado por André Valli e participaria de poucos episódios. O caipira atrapalhado e de fala enrolada se popularizou entre as crianças e o tornou reconhecido em todo país, fazendo Tonico permanecer no programa por seis anos, até meados de 1983, quando deixou o programa por desavenças com o diretor Roberto Vignati.
Ao mesmo tempo, Tonico permanecia com uma carreira prolífica no cinema; em 1979 atua no filme República dos Assassinos, onde protagonizou o primeiro beijo homossexual do cinema nacional ao lado de Anselmo Vasconcelos. Atuou também em produções como Memórias do Cárcere (1984), O Rei do Rio (1985), O Homem da Capa Preta (1986), Ele, o Boto (1987) e Dedé Mamata (1988).
Em 1987, atuou como "Nininho Americano", sócio mau-caráter do protagonista "Denizard" (Francisco Cuoco) em uma oficina mecânica, na novela O Outro. Em 1989, interpretou "Aranha", um detetive atrapalhado na novela O Sexo dos Anjos.
1990—99: Instabilidades financeiras, retorno ao estrelato e destaque no cinema Durante a década de 1990, Pereira passou por algumas mudanças e instabilidades em sua carreira na televisão. Após quase vinte anos, deixou a Globo para atuar na novela Amazônia, da Rede Manchete. Em 1992, volta a Globo, atuando na novela De Corpo e Alma, como "Vado", e formando um par emocionante ao lado de Neusa Borges, no papel de pais que tiveram os filhos trocados na maternidade e criaram o filho de "Caíque" (José Mayer) e "Bia" (Maria Zilda Bethlem). No ano seguinte volta ao horário das 21h como "Chico da Tirana" em Fera Ferida; seu personagem acaba assassinado, mas continua aparecendo na trama como um fantasma.
Simultaneamente, Pereira continua sendo figurinha carimbada nas mais variadas produções do cinema nacional, como Corpo em Delito (1990), Menino Maluquinho - O Filme (1995), Guerra dos Canudos (1997), Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998) e O Primeiro Dia (1998). Em 1995, protagonizou seu primeiro filme, O Cego que Gritava Luz, após quase três décadas vivendo personagens coadjuvantes, pelo qual ganhou o prêmio de 'melhor ator' no Festival de Brasília.
Em 1997, voltou a se destacar no horário das 21h vivendo o ingênuo "Oscar", que de tão apaixonado, sequer suspeitava das traições de sua mulher, a fogosa "Magnólia" (Elizângela). Pereira ainda atuou em novelas como Andando nas Nuvens e O Amor Está no Ar vivendo tipos semelhantes: capanga dos vilões.
2000—14: A Grande Família, mais filmes e consagração Em 2001 voltou ao horário das 21h como o pescador "Chico", tio do mocinho "Guma" (Marcos Palmeira) e marido de "Rita" (Joana Fomm) na novela Porto dos Milagres.
A partir de 2002, começou a integrar o elenco da série A Grande Família como o mulherengo e farrista Mendonça, chefe e melhor amigo do protagonista Lineu Silva (Marco Nanini), além de ex-marido de Marilda (Andréa Beltrão), papel que que se popularizou entre os fãs da série, fazendo-o permanecer até o fim do programa, em 2014.
Ao mesmo tempo, Pereira continuou atuando em séries e programas da Globo, tais como as séries Carga Pesada, Carandiru, Outras Histórias e Decamerão: A Comédia do Sexo.
No cinema, permaneceu sendo sendo presença constante nas mais variadas produções, como Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), Um Show de Verão (2004), O Coronel e o Lobisomem (2005), Saneamento Básico, o Filme (2007) e em A Grande Família - O Filme (2007).
Em 2010 foi lançada a sua biografia "Tonico Pereira - Um Ator Improvável", na Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Foi também homenageado com a Medalha Pedro Ernesto, a mais importante comenda da cidade do Rio de Janeiro, dada pelo então vereador Stepan Nercessian.
Tonico também interpretou papéis cômicos no teatro, como o Harpagão de Molière e o Bobo Feste de Shakespeare. Nos palcos, Tonico Pereira transitava da comicidade popular à tragicidade patética.
2015—21: Retorno às novelas, novos rumos Em 2015, voltou a viver Mendonça em uma participação na série Chapa Quente. Em 2015, retorna ao horário das 21h, após 15 anos, vivendo o picareta "Ascânio", apelidado de "Velho" na novela A Regra do Jogo, atuando ao lado dos protagonistas "Romero" (Alexandre Nero) e "Atena" (Giovanna Antonelli), sendo considerado um dos grandes destaques da produção. No mesmo ano se destacou na série Amorteamo como Zé Coveiro, que protagonizou uma webssérie própria, o Causos do Zé Coveiro, produzida pelo Gshow.
Em 2017, interpretou o turrão "Abel" na novela A Força do Querer, retomando uma parceria com Glória Perez, com quem trabalhou em De Corpo e Alma. Na trama, se destacou ao lado da inimiga "Edinalva" (Zezé Polessa), com quem vivia às turras. Pelo papel, Pereira foi indicado ao Melhores do Ano.
Mesmo com uma sólida carreira como ator, Tonico Pereira já ingressou no comércio. Ele já foi dono de bar, de uma peixaria, proprietário de uma agência de carros, além de uma loja que estampa camisetas e canecas com frases de sua autoria. Atualmente, Tonico é dono do brechó TPM Brechó.
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