Alceo Bocchino (Curitiba, 30 de novembro de 1918 — Rio de Janeiro, 7 de abril de 2013) foi um maestro, arranjador, pianista e compositor brasileiro.

Foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Nacional, onde foi regente titular por treze anos. Foi assistente do maestro Eleazar de Carvalho na Orquestra Sinfônica Brasileira e presidente da Comissão Artística, regendo a orquestra por quatro anos. Participou nos anos 1960 e 70 de diversos cursos no exterior, em que regeu concertos com a Orquestra Sinfônica de Bilbao (Espanha) e a Orquestra Filarmônica de Burgás (Bulgária). Foi também criador e regente titular, posteriormente regente emérito, da Orquestra Sinfônica do Paraná, no ano de 1985.

Dentre seus professores estão as irmãs Lubrano, Antonio Melillo e João Poeck, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos e Francisco Mignone.

Biografia e carreira musical Descendente de italianos, Alceo Bocchino morou no Rio de Janeiro desde 1946. Seu interesse precoce pela música ficou claro em seu depoimento à Revista de Domingo: "Roubava a chave do piano e ficava tocando quando todo mundo saía de casa. Um dia levei um tombo da cadeira e só aí descobriram o que eu fazia durante as tardes". miniaturadaimagem|Que coisa (1a página) - Alceo Bocchino - partitura completa disponível no Portal Musica Brasilis Foi um dos dois principais colegas e colaboradores musicais de Villa-Lobos, juntamente com Vieira Brandão, trabalhando como revisor e executor ao piano, geralmente à primeira-vista e a partir de grades orquestrais extremamente complexas, das obras recém-escritas por Villa-Lobos. Por esta capacidade notável de ler e reduzir as partituras instantaneamente, Villa-Lobos lhe chamava carinhosamente de "Cachorrão", segundo relato do próprio Bocchino.

Paralelamente à sua carreira de músico, Bocchino se dedicou à carreira de Direito, formando-se em 1939. Como educador foi fundador e professor titular da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ministrando aulas de diversas matérias teóricas; no Conservatório de Santos deu aulas de Fisiologia Vocal e Coral. Foi professor de composição e regência da Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro onde formou alunos como Marcelo Palhares, Vilane Trindade, Paula Mariz e Maximianno Cobra. Também foi professor dos regentes Diogo Ahmed, Daniel Guedes e Ubiratã Rodrigues.

Bocchino se destacou durante sua atuação na rádio na década de 1950. Adaptou-se muito bem ao novo veículo e aprendeu métodos de orquestração, passando a dominar o ofício de regente. Na Record regeu ao vivo a Canção dos Expedicionários em homenagem aos pracinhas que voltaram da II Guerra.

Casou-se com a Sra. Ida Teitelroit nos anos 1940, com quem veio a ter duas filhas: Gulmara Beatriz e Rosalba Esther.

Com múltiplos talentos musicais - sendo, ao mesmo tempo, um prodígio do piano, habilíssimo arranjador, inspirado diretor musical e compositor - decidiu-se pela carreira principal de maestro de orquestra, com forte influência e apoio de sua esposa Ida Teitelroit Bocchino.

Na Rádio Mayrink Veiga foi arranjador de Carlos Galhardo, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves.

Na Nacional, fez algo comum para os dias de hoje, mas que na época era uma novidade: trabalhar conjuntamente com músicos ligados à MPB. Em 1956, orquestrou e dirigiu, com Paulo Tapajós, o programa Quando os maestros se encontram, uma espécie de duelo ao vivo em que cada um mostrava suas aptidões musicais. Entre as presenças marcantes, figuravam Radamés Gnatalli, Léo Peracchi e o então novato, Tom Jobim.

Em 1974 viajou pela Europa com a Orquestra Sinfônica Brasileira, realizando concertos com grande sucesso de público e crítica. De volta ao Brasil, participou de diversas apresentações com orquestras brasileiras. Em 1981 representou o Brasil na Universidade de Maryland, como regente do concerto inaugural Stravaganza Musicale, tendo como solistas vinte pianistas, no 11º Festival e Concurso de Piano.

Em 1985 tornou-se o fundador e maestro titular da Orquestra Sinfônica do Paraná, cargo que ocupou por diversos anos e atualmente era seu maestro Emérito. O primeiro LP da Sinfônica do Paraná, lançado no fim dos anos 80, gravou a versão expandida de sua composição Suíte Miniatura para orquestra, de 1954.

Em 1989 participou da montagem da ópera Tosca, uma produção do Teatro Guaíra. Em outubro de 2010, recebeu em casa o fagotista Noël Devos e Jamil Mamedio Bark, autor de tese de doutorado sobre a obra de Bocchino, a quem concedeu sua última entrevista antes de morrer. A gravação das Variações para Fagote e Orquestra (do tema da Boneca Italiana Quebrada, segundo movimento da Suíte Miniatura) feita durante o encontro foi anexada à tese de doutorado, assim como trechos da entrevista transcrita. A obra de Bocchino havia sido executada no ano de sua composição (maio de 1994), mas nunca recebeu gravação oficial. Na ocasião, ele afirmou: "O ritmo brasileiro que botei ali vale a pena, funciona muito bem! Tem coisas muito boas ali! Eu nem pensei que fosse tanto assim!”.

Foi ocupante da cadeira 37º da Academia Brasileira de Música.

Discografia Suíte Miniatura - com Orquestra Sinfônica do Paraná. Lembrando Patápio - Lenir Siqueira (flauta) e Alceu Bocchino (piano) Temas brasileiros Nº1

Bibliografia ATALA, Fuad. Alceo Bocchino: um humanista a serviço da música. Volume 9 de Série Mémoria. Volume 9 de Série memória do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ministério da Cultura, FUNARTE, 2001. 62 páginas.

Ligações externas Teatro Guaíra

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