A ilha Macquarie é uma ilha localizada no sudoeste do oceano Pacífico, a meio caminho entre a Nova Zelândia e a Antártida. Regionalmente parte da Oceania e politicamente parte da Tasmânia, Austrália, desde 1900. A ilha fica a 1500 km a sudeste da Tasmânia e tem 34 km de comprimento máximo e 5 km de largura máxima, com uma área de 128 km².
Macquarie tornou-se uma Reserva Estadual da Tasmânia em 1978 e foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1997.
A ilha é a parte exposta de uma cumeada da cordilheira Macquarie, elevada até à posição atual devido a movimentos das placas tectónicas Indo-Australiana e do Pacífico. É um local de importante significado ambiental, sendo o único local no oceano Pacífico onde rochas do manto terrestre, normalmente 6 km abaixo do nível do oceano, se encontram expostas. Esta exposição mostra excelentes exemplos de pilares de basalto e outras rochas extrusivas.
História A ilha foi descoberta por acaso em 11 de julho de 1810 pelo australiano Frederick Hasselborough, que procurava novas terras para a caça às focas. Proclamou a soberania britânica sobre a ilha e anexou-a como colónia da Nova Gales do Sul. A ilha foi nomeada em homenagem ao então governador da Nova Gales do Sul, o Coronel Lachlan Macquarie. Hasselborough afirmou ter descoberto vestígios de cultura antiga na ilha, pelo que há muito que se sugere que povos polinésios a visitaram antes de ser descoberta pelos europeus.
O navegador Fabian Gottlieb von Bellingshausen, que explorou a região em nome de Alexandre I da Rússia, forneceu o primeiro mapa da ilha. Bellingshausen chegou à ilha em 28 de novembro de 1820 e estabeleceu a sua posição geográfica. Entre 1810 e 1919, pinguins e focas na ilha foram caçados com grande violência e quase até à extinção. A ideia de estabelecer uma prisão na ilha foi rejeitada devido às duras condições de vida na ilha e à perigosidade da navegação nas águas circundantes.
Em 1890, a Nova Gales do Sul cedeu a ilha à Tasmânia, que a confiou a Joseph Hatch. Este último usou a ilha entre 1902 e 1920 para explorar pinguins.
Entre 1911 e 1914, a ilha tornou-se uma base de exploração da Antártida pela Austrália liderada por Sir Douglas Mawson. George Ainsworth dirigiu uma estação meteorológica na ilha entre 1911 e 1913, seguida por Harold Power entre 1913 e 1914 e Arthur Tulloch entre 1914 e o seu encerramento em 1915. Em 1933, as autoridades fizeram da ilha um santuário da vida selvagem baseado na Lei de Proteção de Animais e Aves da Tasmânia de 1928. Em 1972, foi estabelecida como uma reserva estatal.
Desde 1948 que a Divisão Antártica Australiana (AAD) mantém na ilha uma base permanente, a Estação da Ilha Macquarie, responsável por pesquisas meteorológicas e retransmissores com bases antárticas, bem como investigação científica. Fica no istmo no extremo norte da ilha, no sopé da Wireless Hill e é servida por um heliporto. Os únicos humanos na ilha são cientistas que passam alguma temporada na estação de investigação científica, entre 20 a 40 pessoas por ano.
Fauna Fauna terrestre Em 1870, coelhos e gatos foram introduzidos na ilha por marinheiros. Tendo-se tornado invasivos e causando grandes danos à flora e fauna locais, conduzem ao desaparecimento de espécies, a uma mudança na paisagem e a um aumento da erosão (em resultado do desaparecimento da vegetação que protegia os solos do vento e da chuva). Em 1970, foi lançado um programa para erradicar os coelhos usando o vírus da mixomatose. De 1980 a 2000, os gatos, que eram predadores de jovens coelhos, viraram-se então para outras presas: as aves marinhas. Desta vez, está a ser criado um novo programa de erradicação para regular a população felina. Na década de 2000, aproveitando-se do desaparecimento de gatos, a população de coelhos que sobreviveu à mixomatose voltou a explodir, ameaçando a vegetação da ilha. Reduzida graças à mixomatose a cerca de 10000 coelhos na década de 1980, a sua população regressou a 100000 desde 2007. Fears for sub-antarctic island plagued by rabbits pela Australian Broadcasting Commission
Os ratos também são espécies invasoras. O governo federal australiano e o governo da Tasmânia lançaram, como em outras ilhas do Pacífico, um plano de erradicação que já custou mais de 24 milhões de dólares australianos.Andrew Darby, Up against rats, rabbits and costs, The Sydney Morning Herald
Os cientistas criticam agora o plano de erradicar os gatos ferais uma vez que acabou por encorajar a explosão da população de coelhos que devastam a vegetação, ela própria essencial para a sobrevivência das aves. Os danos ambientais estão estimados em 24 milhões de dólares australianos.Australie rabbit infestation Um programa "Aliens in Antarctica" enquadra novos trabalhos de restauro da ilha.Programme "Aliens en antarctique"
Em fevereiro de 2012, o jornal The Australian' noticiou que coelhos, ratos e ratazanas tinham sido quase erradicados da ilha.
Em abril de 2012, as equipas de caça tinham localizado e exterminado 13 coelhos ainda sobreviventes desde o lançamento de isco em 2011. Os últimos cinco coelhos encontrados foram em novembro de 2011, incluindo uma coelha lactante e quatro laparotos. Até julho de 2013 não foram encontrados sinais frescos de presença de coelhos. Em 8 de abril de 2014, a Ilha Macquarie foi oficialmente declarada livre de pragas após sete anos de esforços de conservação. Este feito é o maior programa de erradicação de pragas insulares de sucesso alguma vez tentado.
Fauna marítima Os principais mamíferos marinhos são lobos-marinhos-subantárticos, lobos-marinhos-da-nova-zelândia, lobos-marinhos-antárticos, por vezes espécies de reprodução cruzada, e elefantes-marinhos.Documentário L'île perdue au milieu de nulle part. Há grupos de orcas que caçam nas águas da ilha.
A fauna aviária é constituída por 55 espécies de aves marinhas e 80 espécies de aves terrestres, grande parte das quais endémicas e ameaçadas (30 espécies constam da Lista Vermelha da IUCN). A maioria das espécies nidificantes são pinguins (pinguins-gentoo, pinguins-reis e Pinguins-reais), cuja ilha é o único local de nidificação conhecido, petréis, moleiros e albatrozes. No entanto, a lista de aves na ilha também inclui aves acidentais, incluindo aves migratórias da Nova Zelândia e Austrália.
Os navios baleeiros não se podem aproximar a menos de 20 km das costas da ilha.
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