miniatura|direita|250px|Guerrilheiros do Caparaó sendo conduzidos ao Superior Tribunal Militar, 20 de abril de 1967. Em primeiro plano um dos líderes de Caparaó, o terceiro sargento do Exército Deodato Batista Fabrício. Ele acabou condenado a 2 anos e 6 meses de prisão, sendo anistiado em 1979. Arquivo Nacional
A Guerrilha do Caparaó foi a segunda tentativa de insurgência armada contra a ditadura militar brasileira feita por ex-militares cassados. Ver seção Contexto Político Inspirado na guerrilha de Serra Maestra, teve lugar na serra do Caparaó, divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, no período entre 1966 e 1967.COSTA, José Caldas da. Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura. Prefácio de Carlos Heitor Cony. São Paulo: Boitempo, 2007. ISBN 978-85-7559-095-9
Histórico Promovida pelo Movimento Nacionalista Revolucionário - MNR, organização baseada inicialmente em Montevidéu, a guerrilha contou com o apoio financeiro de Cuba, obtido através de negociações entre Leonel Brizola, auxiliado pela A.P e o governo cubano. Segundo Denise Rollemberg, alguns membros do grupo - majoritariamente constituído por ex-militares, expulsos das forças armadas - também receberam treinamento em Cuba. esquerda|thumb|150px|Leonel Brizola, figura política que teve destaque neste evento.
Posteriormente o governo cubano teria preferido apoiar Carlos Marighella. O movimento perdeu seu suporte financeiro e os guerrilheiros foram praticamente abandonados no alto da serra.
Na verdade, a tentativa de implantação de uma guerrilha na serra de Caparaó foi frustrada antes mesmo que o movimento entrasse em ação. Os seus integrantes permaneceram no local por alguns meses realizando treinamentos e o reconhecimento da região e foram presos pela Polícia Militar mineira após serem denunciados pela própria população. Consta que o grupo, desassistido pela organização, começara a roubar e a abater animais para não morrer de fome - razão pela qual acabou sendo alvo de denúncia à polícia.
Descoberto pelos serviços de inteligência, o movimento foi rechaçado em abril de 1967, por um grupo da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Segundo as fontes, praticamente não houve troca de tiros. Os guerrilheiros, cerca de vinte homens esgotados e famintos - alguns bastante debilitados pela peste bubônica - foram presos no próprio sítio onde se abrigavam ou nas cidades vizinhas. Moradores da região também foram detidos para investigação. upright=1.5|direita|thumb|150px|Pico da Bandeira, local em que aconteceu a Guerrilha do Caparaó. upright=1.5|direita|thumb|150px|Parque Nacional do Caparaó.
Mais tarde, com todos os guerrilheiros presos, as forças armadas chegaram a questionar se aqueles homens eram mesmo revolucionários ou apenas criminosos comuns. Então, a polícia mineira os fotografou e fotografou também os seus documentos, o que comprovava serem ex-militares. Foi armada então uma grande operação conjunta do Exército e da Força Aérea, com apoio da polícia, para eliminar outros guerrilheiros que pudessem estar escondidos na serra. No entanto, não havia mais ninguém e a operação não passou de uma demonstração de força com o objetivo de desencorajar outros focos de resistência armada pelo país.
Ver também Movimento Nacionalista Revolucionário Movimentos de praças no Brasil na década de 1960
Bibliografia
Boiteux, Bayard Demaria. A Guerrilha do Caparaó e outros relatos. Rio de Janeiro: Inverta, 1998. il. Botosso, Marcelo. A Guerrilha de Caparaó: A Sierra Maestra Tupiniquim. Ensaios de História (Franca) , Franca-SP, v. 4, p. 131-137, 1999 Costa, José Caldas da. Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura. Prefácio de Carlos Heitor Cony. São Paulo: Boitempo, 2007. ISBN 978-85-7559-095-9 Guimarães, Plínio Ferreira. Caparaó, a lembrança do medo: a memória dos moradores da região da Serra do Caparaó sobre o primeiro movimento de luta armada contra a ditadura militar – a Guerrilha de Caparaó. Juiz de Fora, UFJF. 2006. Dissertação de Mestrado em História. Guimarães, Plínio Ferreira. Outras formas de enfrentar a ameaça comunista: os programas assistenciais do Exército brasileiro como estratégia de combate à guerra revolucionária (1964-1974). Belo Horizonte, UFMG, 2014. Tese de Doutorado em História. Kuperman, Esther. A guerrilha do Caparaó (1966-1967). Rio de Janeiro, 1992. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Rio de Janeiro Lopes, Dinoráh. A Guerrilha Esquecida: Memórias do Caparaó (1966-67), o primeiro foco guerrilheiro contra a Ditadura Militar no Brasil. Vitória, 2014. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Espírito Santo.
Rebello, Gilson. A Guerrilha de Caparaó. São Paulo: Alfa-Omega, 1980.
Rollemberg, Denise. O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro. Rio de Janeiro: MAUAD, 2001.
Ligações externas
Caparao Categoria:1966 na política do Brasil Categoria:1967 na política do Brasil Categoria:Eventos relacionados à ditadura militar no Brasil (1964–1985) Categoria:História do Espírito Santo (estado)