O Evangelho segundo São Mateus () é um filme franco-italiano de 1964 dirigido por Pier Paolo Pasolini.
O Cristo de Pasolini Uma visão diferente da pregação e martírio de Jesus Cristo. Em vez do cordato pastor, um líder, que reivindica e se enfurece. A intenção de Pasolini era mostrar Jesus como um homem de seu tempo. Para isso, preferiu atores amadores ou pessoas do povo.
O filme reinventa a figura mítica do Cristo partindo dos diálogos tirados do Evangelho de Mateus, considerado o mais realista dos quatro. O Cristo de Pasolini é um homem severo e inflexível, "diz que não veio trazer a paz, mas a espada".Revista História Viva, 2, pg. 11. Editora Duetto. São Paulo (2003).
Inquieto com o avanço industrial na Itália (1950 e 1960), que dizia comprometer a diversidade cultural, Pasolini utiliza no filme, em contraponto, os elementos poéticos e míticos da cultura ancestral, como o sacrifício necessário à sacralização e ao renascimento.
Marxista, desde jovem, ateu e anticlerical, o cineasta utiliza recursos relacionados com o cristianismo que absorveu da mãe, como o sacrifício e a pureza mítica, como indissociáveis dos ideais revolucionários e de uma ideia de liberdade que não excluía o sacrifício de sangue.
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