Narradores de Javé é um filme de drama e comédia franco-brasileiro de 2003 dirigido pela cineasta Eliane Caffé.

Com roteiro de Luís Alberto de Abreu e Eliane Caffé, esta produção visual tornou-se galardoada, recebendo vários premiações e participando de festivais.

Sinopse A pequena cidade baiana no Vale de Javé será extinta submersa pelas águas de uma represa/barragem. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em "documento científico". Em assembléia na igreja local decidem então escrever a história da cidade, mas poucos sabem ler, e apenas um morador sabia escrever, Antônio Biá (José Dumont) o antigo carteiro malando exilado da cidade foi eleito escrivão da obra de cunho histórico a Epopeia de Javé, para acrescentar algumas linhas e ter o seu nome citado.

Produção Narradores de Javé é o segundo longa-metragem da cineasta Eliane Caffé, e foi filmado no sertão baiano na cidade de Gameleira da Lapa. A cidade com a população foi incorporada ao filme no espaço fictício de Javé. Com interação entre atores profissionais (como José Dumont e Nelson Xavier) e amadores (habitantes da cidade). O recurso da câmera na mão e a construção de um diálogo baseado na fala dos moradores locais.

Elenco Elenco de atores do longa metragem: José Dumont como Antonio Biá Matheus Nachtergaele como Souza Nélson Dantas como Vicentino Rui Resende como Vado Gero Camilo como Firmino Luci Pereira como Deodora / Mariardina Nelson Xavier como Zaqueu Altair Lima como Galdério Henrique Lisboa como Cirilo Maurício Tizumba como Samuel

Prêmios Cine PE - Festival do Audiovisual Venceu nas categorias de melhor filme, direção, montagem, ator (José Dumont), ator coadjuvante (Gero Camilo), edição de som e atriz coadjuvante (Luci Pereira). Prêmio da crítica e o Prêmio Gilberto Freyre.

Festival do Rio 2003

Melhor Filme, Júri Oficial e Júri Popular

Melhor ator (José Dumont).

Festival Internacional de Friburgo 2003 (Suíça) Recebeu o prêmio da crítica.

30º Festival Internacional do Filme Independente de Bruxelas (Bélgica, Europa) 2003 Dois prêmios, nas categorias de melhor filme independente e de melhor roteiro.

VII Festival Internacional de Cinema de Punta del Este 2004 Venceu na categoria de melhor filme.

5º Festival de Cinema des 3Ameriques (Quebec, Canadá) 2004 Venceu na categoria de melhor filme de ficção. Prêmio da Crítica – CINESESC 2005;

Prêmio APCA 2005;

Prêmio TAM do Cinema Brasileiro 2005.

Inspiração A figura do protagonista Antônio Biá, interpretado por José Dumont, foi livremente inspirada em uma pessoa real: o garimpeiro, carteiro voluntário e memorialista mineiro Pedro Cordeiro Braga (1917-2000), morador do povoado do Vau, um distrito rural do município de Diamantina (Minas Gerais).MACEDO NETO, Valdir. Do Coração da Comunidade às Páginas da História: Pedro Braga e sua contribuição à Memória Social e às Tradições do Povoado do Vau. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros, 2025.

Assim como o personagem da ficção, Pedro Braga assumiu para si a missão de atuar como o "escrivão" de uma comunidade eminentemente ágrafa (sem sistema de registro gráfico), pautada pela oralidade. Enquanto no filme o vilarejo de Javé está ameaçado a desaparecer fisicamente pelas águas de uma represa, na vida real o povoado do Vau encontrava-se ameaçado pelo apagamento histórico-cultural provocado pelo intenso êxodo rural e pelo isolamento geográfico.SOUZA, Josiley Francisco de. Pedro Braga: uma voz no Vau. Dissertação (Mestrado em Letras: Estudos Literários) – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, 2006.

As semelhanças entre a produção visual cinematográfica e a vida de Braga estendem-se também à metodologia do personagem. Para tentar salvar Javé, Antônio Biá busca incessantemente conferir "grandeza" histórica aos relatos dos moradores. De forma análoga, Pedro Braga preencheu diversos cadernos manuscritos na década de 1980 recolhendo os causos e lendas locais, buscando sempre cruzar as narrativas orais com provas materiais e geográficas da região para validar a história de seus antepassados e o passado de exploração garimpeira no local.

Crítica Este filme é um exemplo da não existência da verdade absoluta e do caráter caótico da construção da vida, do cotidiano e, do legado lembrando pelos descendentes. Em um enredo de história/comédia de instigante nível cinematográfico e intelectual, um ideal crítico-reflexivo dos adeptos do Cinema Novo. No filme a cineasta confronta público com uma realidade, diante da qual a população não tem como ficar passivo, em uma realidade brasileira que mostra a diversidade da sociedade: etnias, religiões e, classes excluídas.

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por EcoClube

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