O reservatório Vargem das Flores, também amplamente conhecido como Várzea das Flores, é um manancial artificial de características periurbanas localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no estado de Minas Gerais. O território e as margens da represa são juridicamente divididos entre os municípios de Contagem (que abriga 87% de sua área) e Betim (com os 13% restantes). O espelho d'água integra o Sistema Paraopeba, um dos mais importantes complexos hídricos geridos pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) para a distribuição e abastecimento de água potável no estado. Nesse sistema as populações são atendidas conjuntamente pelos sistemas de abastecimento do Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores.
A represa Várzea das Flores, além de ser um importante reservatório de abastecimento de água para os municípios de Betim, Contagem e Belo Horizonte, é um contribuinte para a sub-bacia do Rio Paraopeba que, por sua vez pertence à Bacia Federal do Rio São Francisco.
Etimologia A toponímia da região e da represa oscila frequentemente em ofícios públicos e na literatura técnico-científica. Documentos de licenciamento, estatutos municipais e portarias da Copasa utilizam tanto "Vargem das Flores" quanto "Várzea das Flores". Do ponto de vista histórico, a denominação "Vargem das Flores" é a mais recorrente na redação das leis estaduais (como a que definiu sua Área de Proteção Ambiental). Não existem informações históricas documentadas publicamente ou arquivos paleográficos disponibilizados que atestem com exatidão a origem do sufixo "das Flores", sendo presumivelmente herdado de antigas titulações de fazendas pré-existentes no vale.
História Até meados do século XX, o perímetro hoje submerso caracterizava-se pela predominância de extensas propriedades rurais. A economia local era fundamentalmente agropastoril, com produção focada no fornecimento de gêneros alimentícios e na criação de gado. Um dos assentamentos mais antigos no entorno foi o bairro do Retiro, que se consolidou inicialmente para abrigar colonos, agricultores e operários dessas fazendas. Com o declínio do modo de vida rural imposto pela inundação do vale e a forte expansão urbana regional nas décadas subsequentes, a área passou por um rápido fenômeno de ocupação e parcelamento do solo. Bairros como Nova Contagem surgiram para absorver migrações intra e intermunicipais. Para salvaguardar as águas da profunda degradação urbana, foi promulgada a Lei Estadual nº 16.197, em 26 de junho de 2006, criando a Área de Proteção Ambiental (APA) Vargem das Flores.
O município de Contagem estava em dificuldades com o abastecimento público de água e decidiu construir um sistema próprio de produção e distribuição de água. A opção adotada foi a construção de uma represa no rio Betim para regularizar sua vazão, possibilitando a criação de fonte de suprimento (1.400 l/s) que poderia abastecer cerca de 700 mil habitantes. A barragem teria, no entanto, de ser construída na divisa com o Município de Betim: o local mais indicado para implantá-la, por exigência do relevo. Betim, da mesma forma, não possuía sistema próprio de produção de água, o que facilitou o acordo entre os municípios. Na década de 70, o Estado de Minas Gerais assumiu os serviços de água e esgoto de Betim, Belo Horizonte e Contagem, tendo por agente principal a Companhia Mineira de Águas e Esgotos (Comag), atual COPASA MG.
Em épocas de enchentes, o volume do reservatório supera a sua capacidade máxima e o excedente escoa pelo vertedouro, porém o fenômeno é raro. Em janeiro de 2020, devido às enchentes que ocorreram no Sudeste do Brasil, a COPASA precisou monitorar a vazão excedente do reservatório para evitar riscos de inundações nas casas que ficam às margens do rio Betim, caso houvesse derramamento descontrolado de água do verdedouro.
Construção/Fundação A idealização da represa esteve atrelada à política de segurança hídrica do então Governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro. Em 1968, impulsionou-se um plano sistemático de desapropriação de terras no vale de Betim/Contagem. O projeto culminou na construção da barragem que desabrigou propriedades agrícolas originais e deixou ruínas e fundações submersas. A inauguração oficial do reservatório ocorreu em 1972. Na mesma década, a recém-estruturada Companhia de Saneamento (Copasa) integrou definitivamente o barramento ao sistema metropolitano, edificando junto ao dique principal, no município de Betim, uma Estação de Tratamento de Água (ETA).
Dados Técnicos/Geográficos O corpo hídrico apresenta expressivos dados operacionais e de dimensionamento físico-geográfico, catalogados de forma contínua por agências reguladoras (como a ARSAE-MG e a própria Copasa). Métrica / Recurso TécnicoDado Oficial DocumentadoInício das Operações1972Distribuição Territorial87% Contagem / 13% BetimExtensão do Espelho D'água5,5 km²Capacidade de Armazenamento44.000.000 m³ (44 milhões de metros cúbicos)Perímetro da Orla54 km linearesProfundidade Média5,8 metrosProfundidade Máxima22,8 metrosPúblico Atendido (Estimativa Histórica)Aprox. 400.000 pessoas (RMBH)
Hidrografia Em nível macro, o sistema faz parte da bacia do Rio Paraopeba, afluente estratégico da bacia federal do Rio São Francisco. A microbacia de Vargem das Flores capta água diretamente do relevo periurbano adjacente. Os cursos d'água responsáveis pela formação e alimentação estrita do reservatório são:
Rio Betim Córrego Morro Redondo Córrego Água Suja Córrego Olaria Córrego Batatal Córrego Boa Vista
Impacto Atual Atualmente, o manancial enfrenta estresse logístico e ambiental documentado e severo. De acordo com registros da ALMG e estudos territoriais da UFMG, a pressão antrópica e especulativa reduziu a eficiência da bacia. Em 2006, a Copasa extraía 1.600 litros de água por segundo do local, índice que recuou para 1.000 litros/segundo em períodos subsequentes em razão do risco de esvaziamento. A expansão de ocupações irregulares, os parcelamentos ilegais, o descarte de efluentes sanitários clandestinos nos córregos formadores e as queimadas impactam a dinâmica do reservatório. Houve também, no aspecto de infraestrutura (pós-rompimentos trágicos no estado), debates e audiências públicas abordando riscos hidrodinâmicos e a segurança estrutural do barramento, apontando para a urgência de uma atualização do Plano Diretor de Contagem e a efetiva imposição de Zonas Úmidas de Uso Restrito (ZUMO).
Ligações externas
Ver também Sistema Integrado de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de Belo Horizonte
Categoria:Barragens de Minas Gerais Categoria:Betim Categoria:Geografia de Contagem