O turismo de saúde, também conhecido como turismo sanitário ou turismo médico, é um fenómeno que se refere às pessoas que viajam para o exterior para obter um tratamento médico. No passado, isto geralmente referia-se àqueles que viajavam dos países menos desenvolvidos para os grandes centros médicos nos países altamente desenvolvidos para receberem um tratamento não disponível no seu país de origem. Porém, nos últimos anos, passou igualmente a referir-se às pessoas provenientes dos países desenvolvidos que viajam para os países em desenvolvimento para receberem um tratamento médico mais barato. Tendo em conta as diferenças entre as agências regulatórias, como a Food and Drug Administration (FDA) ou a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), etc., que decidem se um medicamento é aprovado ou não no seu país ou região, a motivação para viajarem, por vezes, também pode ser receberem serviços médicos indisponíveis ou ainda não licenciados no seu país de origem.
O turismo de saúde geralmente ocorre para as cirurgias ou tratamentos semelhantes, pese embora as pessoas também viajem para turismo odontológico ou para o turismo de nascimento (ou turismo de parto). As pessoas com doenças raras, por vezes, também viajam para países onde o tratamento é mais acessível, ou mais barato, ou melhor compreendido. Porém, quase todos os tipos de cuidados de saúde estão disponíveis para o turismo de saúde, incluindo a psiquiatria, a medicina alternativa, as estruturas residenciais para idosos, os cuidados continuados, os cuidados de convalescença e até os serviços funerários.
O turismo de saúde é um termo mais amplo para as viagens que se concentram nos tratamentos médicos e na utilização dos serviços de saúde. Abrange um amplo campo do turismo orientado para a saúde, que vai desde o tratamento preventivo e condutor da saúde até aos modos de viagem reabilitadores e curativos. O turismo de bem-estar é uma outra área também relacionada com o turismo de saúde.
História O primeiro caso registado de pessoas que viajavam para tratamento médico remonta há milhares de anos, quando os peregrinos gregos viajavam do Mediterrâneo oriental para uma pequena área no Golfo Sarónico que é designada de Epidauro. Este território era o santuário do deus da cura, o deus Asclépio.
As estâncias termais e os sanatórios foram as primeiras formas de turismo de saúde. Na Europa do século XVIII, os pacientes visitavam os spas porque eram locais com águas minerais supostamente benéficas para a saúde, tratando doenças desde a gota aos distúrbios hepáticos (fígado) e à bronquite.
Descrição Os fatores que levaram à crescente popularidade das viagens de saúde incluem o elevado custo dos cuidados de saúde, os longos tempos de espera para determinados procedimentos, a facilidade e o preço acessível das viagens internacionais e as melhorias tanto na tecnologia como nos padrões dos cuidados em muitos países. Evitar os elevados tempos de espera é o principal motivo para o turismo de saúde dos cidadãos da União Europeia, enquanto que para os cidadãos dos EUA o principal motivo são os preços mais baratos no exterior. Para além disso, as taxas de mortalidade, mesmo nos países desenvolvidos, diferem muito, isto é, na comparação da União Europeia contra sete outros países líderes, incluindo os EUA.
Muitos dos procedimentos cirúrgicos realizados nos destinos do turismo de saúde custam uma fração do preço que custam noutros países. Por exemplo, nos Estados Unidos, um transplante do fígado que pode custar US$ 300.000, geralmente custa cerca de US$ 91.000 em Taiwan. Um grande atrativo para as viagens de saúde é a conveniência e a rapidez. Os países que operam sistemas de saúde públicos muitas vezes têm longos tempos de espera para determinadas operações, por exemplo, cerca de 782.936 pacientes canadianos passaram por um tempo médio de espera de 9,4 semanas nas listas de espera médicas em 2005. O Canadá também estabeleceu padrões de tempo de espera para os procedimentos médicos não urgentes, incluindo um período de espera de 26 semanas para uma substituição do quadril e uma espera de 16 semanas para uma cirurgia da catarata.
Nos países desenvolvidos como os Estados Unidos, o turismo médico tem grandes perspectivas de crescimento e implicações muito desestabilizadoras. Uma previsão da Deloitte Consulting publicada em agosto de 2008 previa que o turismo de saúde originado nos EUA poderia aumentar por um fator de dez durante a década seguinte. Estima-se que 750.000 norte-americanos foram para o estrangeiro à procura de cuidados de saúde em 2007, e o relatório estimou que 1,5 milhões procurariam cuidados de saúde fora dos EUA em 2008. O crescimento do turismo de saúde tem o potencial de custar aos prestadores de cuidados de saúde dos EUA milhares de milhões de dólares em perdas de receitas.
Uma autoridade da Harvard Business School afirmou que “o turismo de saúde é promovido muito mais fortemente no Reino Unido do que nos Estados Unidos”.
Para além disso, alguns pacientes de alguns países do Primeiro Mundo estão a descobrir que o seu seguro não cobre a cirurgia ortopédica (como a prótese do joelho ou do quadril) ou limita a escolha do local, do cirurgião ou das próteses a serem utilizadas.
Destinos populares de viagens de saúde em todo o mundo incluem: Canadá, Cuba, Costa Rica, Equador, Índia, Israel, Jordânia, Malásia, México, Singapura, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Turquia, Estados Unidos.
Destinos populares para a cirurgia estética incluem: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, México, Turquia, Tailândia e Ucrânia. Segundo a "Sociedad Boliviana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva", mais de 70% das mulheres das classes média e alta da Bolívia já fizeram algum tipo de cirurgia plástica. Outros países de destino incluem a Bélgica, a Polónia, a Eslováquia e a África do Sul.
Algumas pessoas viajam para terem uma gravidez assistida, como a fertilização in vitro ou a gestação subrogada, ou o congelamento dos embriões para a retroprodução (retro-production).
Porém, as perceções do turismo de saúde nem sempre são positivas. Em países como os EUA, que possuem elevados padrões de qualidade, o turismo de saúde é visto como arriscado. Em algumas partes do mundo, questões políticas mais amplas podem influenciar o local onde os turistas de saúde vão escolher para procurarem os cuidados de saúde.
Os prestadores do turismo de saúde desenvolveram-se como intermediários que ligam os potenciais turistas de saúde aos cirurgiões, aos hospitais prestadores e a outras organizações. Em alguns casos, os cirurgiões dos Estados Unidos contrataram os fornecedores do turismo médico para viajarem ao México para tratarem pacientes norte-americanos. A esperança é que a utilização de um cirurgião americano possa aliviar as preocupações sobre sair do país e persuadir os empregadores norte-americanos autossuficientes a oferecerem esta opção económica aos seus trabalhadores como uma forma de pouparem dinheiro e, ao mesmo tempo, prestarem cuidados de alta qualidade. As empresas que se concentram nas viagens de valor de saúde normalmente fornecem acompanhamento de enfermagem para ajudar os pacientes com problemas médicos antes e depois da viagem. Estas empresas também podem ajudar a fornecer recursos para os cuidados de acompanhamento após o retorno do paciente.
O turismo de evasão (circumvention tourism) também é uma área do turismo de saúde que tem crescido. O turismo de evasão é um fenómeno que representa aqueles que fazem uma viagem para terem acesso a serviços médicos que são legais no país de destino, mas que são ilegais no país de origem. Isto pode englobar as viagens para tratamentos de fertilidade que são proibidos no país de origem, aborto e suicídio assistido por médico. O turismo do aborto é um fenómeno muito frequente na Europa, onde as viagens entre países são relativamente simples. A Polónia, um país europeu que legitimamente adotou leis de aborto altamente restritivas, tem uma das taxas mais elevadas de turismo de evasão para aborto, tal como a Irlanda tinha antes de o aborto ter sido legalizado em 2018. Especialmente na Polónia, estima-se que todos os anos quase 7.000 mulheres viajavam para o Reino Unido, antes do Brexit, onde os serviços de aborto eram gratuitos para os cidadãos europeus com o Cartão Europeu de Saúde através do Serviço Nacional de Saúde britânico. Para além disso, também existem contributos de organizações independentes e por médicos, como a Women on Waves, para ajudar as mulheres a contornar as leis para, desse modo, terem acesso aos serviços médicos proibidos no seu país de origem. No caso da Women on Waves, esta organização utiliza uma clínica móvel a bordo de um navio para realizar abortos medicamentosos em águas internacionais, onde apenas se aplica a lei do país cuja bandeira é hasteada.
O turismo odontológico é um fenómeno que designa aqueles que fazem uma viagem para receberem tratamentos de odontologia (por vezes, designada também por medicina dentária) ou de cirurgia oral e maxilofacial, mais baratos. O mesmo implante de porcelana feito num laboratório da Suécia pode custar até 2.500 AUD na Austrália, mas apenas 1.200 AUD na Índia. A diferença do preço aqui não é explicável por referência ao custo do material.
Acreditação internacional da saúde A acreditação internacional dos cuidados de saúde é o processo de certificação de um nível de qualidade para os prestadores e os programas de cuidados de saúde em vários países. As organizações internacionais de acreditação dos cuidados de saúde certificam uma ampla gama de programas de cuidados de saúde, tais como os hospitais, os centros de cuidados primários, o transporte médico e os serviços de cuidados ambulatórios. Existem vários modelos de acreditação disponíveis nos vários países em redor do mundo.
O organismo de acreditação internacional mais antigo é o Accreditation Canada, anteriormente conhecido como Conselho Canadiano de Credenciamento dos Serviços de Saúde, que credenciou o Bermuda Hospital Board já no ano de 1968. Desde então, credenciou hospitais e organizações de serviços de saúde em dez outros países. Nos Estados Unidos, o grupo de acreditação Joint Commission International (JCI) foi formado em 1994 para fornecer educação e serviços de consultoria aos clientes internacionais. Muitos hospitais internacionais hoje veem a obtenção da acreditação internacional como uma forma de atrair pacientes norte-americanos.
A Joint Commission International é uma afiliada da Joint Commission nos Estados Unidos. Ambas são organizações independentes do setor privado sem fins lucrativos, ao estilo dos EUA, que desenvolvem procedimentos e padrões reconhecidos nacional e internacionalmente para ajudar a melhorar o atendimento e a segurança dos pacientes. Eles trabalham com os hospitais para os ajudar a cumprir os padrões da Comissão Conjunta para o atendimento ao paciente e, em seguida, credenciam os hospitais que atendem esses padrões.
Um modelo britânico, QHA Trent Accreditation, é um modelo de acreditação holístico independente ativo, bem como GCR.org que monitoriza as métricas e os padrões de sucesso de quase 500.000 clínicas médicas em todo o mundo.
Os diferentes modelos internacionais de acreditação da saúde variam em qualidade, tamanho, custo, intenção e habilidade e intensidade do seu marketing. Eles também variam em termos do custo para os hospitais e as instituições de saúde que os utilizam.
Cada vez mais, alguns hospitais procuram a dupla acreditação internacional, optando pela JCI para cobrir a clientela potencial dos EUA e, para a restante clientela, a Accreditation Canada ou o QHA Trent. Como resultado da competição entre as clínicas por turistas de saúde norte-americanos, têm existido iniciativas para classificar os hospitais com base nas métricas relatadas pelos pacientes.
Riscos e críticas