Ban Ki-moon, Hanja: ; (Eumseong, 13 de junho de 1944) é um diplomata e político sul-coreano. Foi o oitavo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, de 2007 até 2017. Antes de se tornar secretário-geral, Ban era um diplomata de carreira no Ministério de Relações Exteriores e Comércio da Coreia do Sul e na ONU. Ele entrou no serviço diplomático no ano em que se formou na universidade, assumindo seu primeiro posto em Nova Deli, Índia. No Ministério das Relações Exteriores, ele estabeleceu uma reputação de modéstia e competência.
Ban foi Ministro do Exterior da Coreia do Sul de janeiro de 2004 a novembro de 2006. Em fevereiro de 2006, ele começou uma campanha para o cargo de Secretário-Geral. Inicialmente, Ban foi considerado um tiro no escuro para o cargo. Como ministro do exterior da Coreia do Sul, no entanto, ele estava disponível para viajar por todos os países membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma manobra que o transformou no principal concorrente.
Em 13 de outubro de 2006, ele foi eleito o oitavo Secretário-Geral pela Assembleia Geral das Nações Unidas e sucedeu a Kofi Annan oficialmente em 1 de janeiro 2007. Ban conduziu inúmeras reformas importantes no tocante à manutenção da paz e à contratação de empregados na ONU. Diplomaticamente, Ban demonstrou opiniões particularmente fortes sobre o conflito de Darfur, onde ele ajudou a persuadir o presidente sudanês Omar al-Bashir a permitir que forças de paz entrassem no Sudão; e sobre o aquecimento global, pressionando repetidamente o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush sobre a questão. Ban recebeu duras críticas do Escritório de Serviços de Supervisão Interna da ONU (ESSI), a unidade de auditoria interna da ONU, declarou que o secretariado, sob liderança de Ban, estava "à deriva na irrelevância".
Em 2011, Ban concorreu sem oposição para um segundo mandato como Secretário-Geral. Em 21 de junho de 2011, ele foi reeleito por unanimidade pela Assembleia Geral e continuou no cargo até 31 de dezembro de 2016.
Biografia Ban nasceu em Eumseong em uma pequena vila agrícola em Chungcheong do Norte, em 1944 no fim da ocupação japonesa da Coreia. Sua família se mudou para a cidade vizinha de Chungju, onde ele foi criado. Durante a infância de Ban, seu pai teve um armazém, mas o armazém faliu e a família perdeu seu padrão de vida de classe média. Quando Ban tinha seis anos, sua família fugiu para uma montanha remota durante a Guerra da Coreia. Após o fim da guerra, sua família retornou a Chungju.
Na escola secundária de Chungju, Ban se tornou um aluno brilhante, particularmente em seus estudos de inglês. Em 1952, ele foi escolhido por sua classe para enviar uma mensagem para o então Secretário-Geral da ONU Dag Hammarskjöld, mas é desconhecido se a mensagem foi de fato enviada. Em 1962, Ban venceu um concurso de redação promovido pela Cruz Vermelha e ganhou uma viagem para os Estados Unidos onde ele viveu em São Francisco com uma família de acolhimento por vários meses. Como parte da viagem, Ban conheceu o presidente John F. Kennedy. Quando, no encontro, um jornalista perguntou a Ban o que ele queria ser quando crescesse, ele disse "eu quero me tornar um diplomata".
Ele recebeu o diploma de bacharel em Relações Internacionais do Universidade Nacional de Seul em 1970, e um diploma de mestrado em administração pública do John F. Kennedy School of Government na Universidade Harvard em 1985. Em Harvard, ele estudou sob a tutela de Joseph Nye que observou que Ban tem "uma rara combinação de clareza analítica, humildade e perseverança". Ban foi agraciado com o grau de Doctor of Laws (Honoris Causa) pela Universidade de Malta em 22 de abril de 2009. Ele ainda recebeu um diploma honorário de Doutor em Direito da Universidade de Washington em outubro de 2009.
Além de seu idioma nativo, o coreano, Ban fala inglês, francês, e japonês. Tem havido dúvidas, no entanto, com respeito à extensão de seu conhecimento em francês, um dos dois idiomas oficiais do Secretariado das Nações Unidas.
Família Ban Ki-moon conheceu Yoo Soon-taek em 1962 quando ambos eram estudantes colegiais. Ban tinha 18 anos de idade, e Yoo Soon-taek era presidente do conselho estudantil do ensino secundário. Ban Ki-moon se casou com Yoo Soon-taek em 1971. Eles têm três filhos adultos: duas filhas e um filho. Sua filha mais velha, Seon-yong, nasceu em 1972 e agora trabalha para a Korea Foundation em Seul. Ela é casada com um indiano. Seu filho, Woo-hyun nasceu em 1974 na Índia. Ele recebeu um MBA da Anderson School of Management na Universidade da Califórnia em Los Angeles, e trabalha para uma firma de investimento em Nova York. Sua filha caçula, Hyun-hee (nascida em 1976), é uma oficial de campo da UNICEF em Nairóbi. Depois de sua eleição como secretário-geral, Ban se tornou um ícone em sua cidade natal, onde sua família ainda reside. Mais de 50 mil se reuniram em um estádio de futebol em Chungju para a comemoração do resultado. Nos meses seguintes a sua eleição, milhares de praticantes de feng shui foram até sua vila para determinar como ela produziu uma pessoa tão importante. Ban não é membro de qualquer igreja ou grupo religioso e recusou-se a expor suas crenças: "Agora, como secretário-geral, não será apropriado neste momento falar sobre a minha própria crença em qualquer religião em particular ou em Deus. De maneira que, talvez teremos algum outro momento para falar sobre assuntos pessoais.". Sua mãe é budista.
Personalidade No Ministério do Exterior coreano seu apelido era Ban-jusa, que significa "o Burocrata" ou "o funcionário administração." O nome era usado tanto de maneira positiva quanto negativa: naquela elogiando o detalhismo de Ban e sua habilidade administrativa enquanto nesta era vista como uma falta de carisma e subserviência aos seus superiores. O corpo de impressa coreano o chama de "a enguia escorregadia" por sua habilidade para se esquivar de questões. Seu comportamento também tem sido descrito como o de um traidor da paz mundial e aproximação ao "Confucianismo". Ele é considerado por muitos como um "stand-up guy" e é conhecido por seu "sorriso fácil".
Carreira diplomática
Depois de se formar na universidade, Ban recebeu a pontuação máxima no exame de serviços estrangeiros da Coreia. Ele entrou para o Ministério de Relações Exteriores em maio de 1970, e trabalhou para sua ascensão na carreira durante os anos da Constituição Yusin.
Seu primeiro posto no exterior foi em Nova Déli, onde serviu como vice-cônsul e impressionou muitos de seus superiores no Ministério das Relações Exteriores com sua competência. Ban teria aceitado um cargo na Índia ao invés de um mais prestigioso nos Estados Unidos, porque na Índia ele seria capaz de economizar mais, e mandar mais dinheiro para sua família em sua terra natal. Em 1974 ele recebeu sua primeira designação para a ONU, como Primeiro-Secretário da Missão de Observação Permanente do Sul (a Coreia do Sul tornou-se um país-membro da ONU em 17 de setembro de 1991). Depois do assassinato de Park Chung-hee em 1979, Ban assumiu o cargo de Diretor da Divisão das Nações Unidas.
Em 1980, Ban tornou-se diretor da Secretaria de Tratados e Organizações Internacionais, com sede em Seul. Ele foi designado duas vezes para a embaixada da República da Coreia em Washington, D.C. Entre estas duas designações, ele serviu como Diretor-Geral para a American Affairs em 1990–1992. Em 1992, ele se tornou vice-presidente da Comissão Conjunta Norte-Sul de Controle Nuclear, em sequencia da adoção pelas Coreia do Norte e do Sul da Declaração Conjunta sobre a Desnuclearização da Península da Coreia. De 1993 até 1994 Ban foi o embaixador-adjunto da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Ele foi promovido à posição de Vice-Ministro do Planejamento de Políticas e Organizações Internacionais em 1995 e então nomeado Conselheiro de Segurança Nacional do Presidente em 1996. A extensa carreira de Ban no exterior o tem ajudado a evitar o implacável ambiente político da Coreia do Sul.
Ban foi nomeado embaixador para Áustria e Eslovênia em 1998, e um ano depois ele foi também eleito como presidente da Comissão Preparatória para a Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO PrepCom). Durante as negociações, em que Ban considera o maior erro de sua carreira, ele incluiu em uma carta pública uma declaração positiva sobre o Tratado Sobre Mísseis Antibalísticos em 2001, não muito tempo depois de os Estados Unidos haverem decidido abandonar o tratado. Para evitar a ira dos Estados Unidos, Ban foi demitido pelo presidente Kim Dae-jung, que também emitiu um pedido público de desculpas pela declaração de Ban.
Ban ficou desempregado pela única vez em sua carreira e estava esperando receber uma nomeação para trabalhar em um cargo em alguma embaixada remota e desimportante. Em 2001, durante a 56ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, República da Coreia ocupou a presidência rotativa, e para surpresa de Ban, ele foi selecionado para ser o chefe de gabinete do presidente da Assembleia Geral, Han Seung-soo. Em 2003, o presidente eleito Roh Moo-hyun selecionou Ban como um de seus assessores para política externa.
Campanha para Secretário-Geral: 2007 Candidatos a Secretário-Geral de 2007NomePosiçãoBan Ki-moonMinistro do Exterior sul-coreanoShashi TharoorSubsecretário das Nações Unidas para informação pública; da ÍndiaVaira Vīķe-FreibergaPresidente da LetôniaAshraf GhaniChanceler da Universidade de Cabul, AfeganistãoSurakiart SathirathaiVice primeiro ministroda TailândiaPrince Zeid bin Ra'adEmbaixador da Jordâniapara as Nações UnidasJayantha DhanapalaEx-subsecretário-geralpara o desarmamento; do Sri Lanka
Em fevereiro de 2006, Ban declarou sua candidatura para substituir Kofi Annan como secretário-geral da ONU no fim deste mesmo ano, tornando-se o primeiro sul-coreano a concorrer à cadeira. Embora Ban tenha sido o primeiro a anunciar sua candidatura, ele não foi considerado um concorrente sério.
Durante os oito próximos meses, Ban fez visitas ministeriais a cada um dos 15 países com um lugar no Conselho de Segurança. Dos sete candidatos, ele esteve à frente em cada uma das quatro straw polls conduzidas pelo Conselho de Segurança: em 24 de julho, 14 de setembro, 28 de setembro, e 2 de outubro.
Durante o período destas votações, Ban fez discursos importantes para a Asia Society e o Council on Foreign Relations em Nova York. Para ser confirmado, Ban precisava não apenas ganhar o apoio da comunidade diplomática, mas também ser capaz de evitar um veto de qualquer dos cinco membros permanentes do conselho: República Popular da China, França, Rússia, o Reino Unido, e os Estados Unidos. Ban era popular em Washington por ter incitado o envio de tropas sul-coreanas ao Iraque, e tinha o apoio da administração Bush."UN’s Lynn Pascoe cannot avoid being influenced by US State Department agenda on Sri Lanka", Daya Gamage. Asian Tribune. April 30, 2010. Accessed June 7, 2011 Mas Ban também se opôs a várias posições dos EUA: ele expressou seu apoio à Corte Penal Internacional e esteve à favor de uma abordagem totalmente não-confrontacional para lidar com a Coreia do Norte. Ban disse durante sua campanha que ele gostaria de visitar a Coreia do Norte em pessoa para se conhecer Kim Jong-il diretamente. Ban foi visto como um forte contraste a Kofi Annan, que era considerado carismático, mas considerado como um gestor fraco por causa doe problemas em torno do programa “petróleo por alimento” da ONU no Iraque.