Tabajaras são um povo indígena de origem do tronco tupi, sendo uma das maiores etnias indígenas do nordeste brasileiro, com mais de 7,9 mil pessoas. Possuem grande importância na formação cultural e histórica do nordeste brasileiro, influenciando diversas tradições e costumes. Atualmente, habitam principalmente nos estados do Ceará, Piauí e Paraíba.
Foram um dos primeiros da região nordestina que tiveram contato com os colonizadores, passando pelo processo de apagamento histórico e cultural. Nos dias atuais o povo Tabajara vem resgatando sua história e cultura e seguem lutando por demarcação de suas terras.
Etimologia "Tabajara" procede do tupi antigo tobaîara, "inimigos".NAVARRO, E. A. ''Dicionário de Tupi Antigoː a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 598. Supõe-se que essa não seria uma autodenominação, mas uma exodenominação, atribuída aos tabajaras por seus inimigos.
História Antes da migração para o litoral centro–sul paraibano, seu território estendia-se das proximidades da Ilha de Itamaracá, no litoral pernambucano, até o agreste, no vale do rio Pajeú. Foram os primeiros nativos dessa região do Nordeste Oriental a entrar em contato com os conquistadores portugueses. Selaram a paz com os luso-brasileiros após acordo de paz assinado durante as tentativas de conquista portuguesa da Paraíba.
Em 1660, o padre Antônio Vieira havia chegado à serra da Ibiapaba, onde os jesuítas Pedro Pedrosa e Antônio Ribeiro catequizavam muitos membros da etnia tabajara, distribuídos em 20 povoações. Durante a subida, Vieira testemunhou focos de excelentes águas para consumo, que os índios viviam da caça, do cultivo da mandioca, da plantação de alguns legumes e do mel.
A dispersão da população aldeada se acentuou ao longo do século XIX com os inúmeros conflitos sociais do Primeiro Império, quando registrou-se a deserção de 60 casais da Vila Viçosa para participar da Balaiada no Maranhão. Durante o Segundo Império, as aplicações da Lei de Terras e a extinção dos antigos aldeamentos provocou a invisibilização completa da população indígena na província do Ceará. É neste momento que são referidas as últimas notícias, em notícias de viajantes e expedições científicas, com relação ao etnônimo tabajara ou aos índios da serra da Ibiapaba.
São esses processos que irão acelerar a dispersão da população indígena em pequenos grupos familiares em busca de alternativas de sobrevivência em terras devolutas ou sob a proteção de algum proprietário. Essa busca se dará especialmente nas zonas fronteiriças e ainda não ocupadas, como a região sul da Ibiapaba (Crateús), trocada no final do século XIX, pelo Piauí em favor de uma saída para o mar, representada pelo porto de Parnaíba, até então pertencente ao Ceara
A tribo foi, paulatinamente, fragmentada pela miscigenação e integração aos conquistadores portugueses após a conquista portuguesa da capitania. miniaturadaimagem|Etnia indígenas mais populosas no Leste-Nordeste.
Localização Os tabajaras possuem uma história de sucessivas migrações, devido a constantes conflitos de terras.
No Ceará De acordo com o distrito sanitário especial indígena do Ceará (órgão da Fundação Nacional de Saúde), em 2015 os tabajara no Ceará compunham uma população de 4 449 pessoas, em Crateús, Poranga, Monsenhor Tabosa, Tamboril e Quiterianópolis.
Os tabajaras habitam o oeste do estado do Ceará, na região da serra de Ibiapaba,FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 637. nos municípios de:
Crateús (aldeias: Nazário, Vila Vitória, Maratoã, Altamira); Poranga (aldeias: Jardim das Oliveiras, Jericó, Cajueiro e Calumbi); Monsenhor Tabosa (Olho d'Água dos Canutos); Quiterianópolis (aldeias: Fidélis, Croatá, Vila Nova e Alegre); Tamboril (Grota Verde)
Na Paraíba Na Paraíba a população de tabajaras é de aproximadamente 750. As famílias vivem em lotes da reforma agrária em Conde, Pitimbu e Alhandra e as que não conseguiram lotes vivem em bairros periféricos da capital.
Desde 2005, diversas famílias no estado da Paraíba vêm reivindicando o reconhecimento étnico oficial de sua condição de indígenas tabajaras nos seguintes municípios e localidades:
Alhandra: Mucatu;
Conde: Barra de Gramame, Jacumã e periferia do Conde; João Pessoa: Grotão, José Américo, Mandacaru, Cristo Redentor, Geisel, Jardim Veneza; Pitimbu: Abiaí e Pitimbu
No Piauí No Piauí, podem ser encontradas as seguintes comunidadesː
Piripiriː Tabajara Itacoatiara, Tabajara dos Tucuns e Tabajara Ypy; Lagoa de São Franciscoː Tabajara Tapuio ou do Nazaré.
História recente
Crateús Em fevereiro de 2004, os tabajaras de Crateús conseguiram, através de sua luta, retomar cerca de 6 000 hectares de suas terras que ficam na serra da Ibiapaba. O local é chamado de Nazário e, lá, estão residindo cerca de 10 famílias, entre Tabajara e Kalabaça, enquanto aguardam a delimitação e demarcação da terra.
Os tabajaras que vivem em Crateús são provenientes das serras vizinhas, principalmente a serra da Ibiapaba, e tiveram que migrar para a periferia da cidade, foragidos da opressão exercida pelos fazendeiros que invadiram suas terras. Dividem-se em sete comunidades. Recentemente, um grupo de quinze famílias dos Lira migrou para a cidade de Quiterianópolis, onde encontraram melhores condições para viver de acordo com seus costumes indígenas. Ficaram conhecidos como os tabajaras de Fidélis. Nesta mesma cidade, encontram-se mais três comunidades tabajaras: Vila Nova, Croatá e Vila Alegre, todas na área rural.
Mucatu Em 2011 se iniciou um conflito na localidade de Mucatu, no município de Alhandra no município de Alhandra entre a comunidade indígena tabajara local, os assentados rurais do assentamento da reforma agrária João Gomes e compradores de terra, a empresa HC Administrações e Participações, com apoio da polícia local. Após acordo, foi implantada uma fábrica de cimento no local e a comunidade foi realocada.
Olho d'Água de Canutos Em Monsenhor Tabosa, se encontra a comunidade Tabajara de Olho d'Água de Canutos, a 4 quilômetros desta cidade. São 13 famílias residindo na região. Em 1973, a família Canuto, liderada por José Canuto, comprou 74 hectares de terras onde antes viviam como moradores. Organizam-se através da Associação Unidos Venceremos do Povo Tabajara de Olho d'Água de Canutos, que se reúne no salão comunitário da Escola Indígena da comunidade.
Grota Verde Em Tamboril, existe a comunidade Tabajara em Grota Verde, a 35 quilômetros da cidade. São 25 famílias que se organizam através de uma associação sob a liderança de Agno Tabajara. Atualmente, sofrem constantes ameaças por parte de fazendeiros, fato que tem limitado suas ações políticas.
Poranga Os tabajaras de Poranga residem na Aldeia Imburana, que fica próxima à cidade e também na Aldeia Cajueiro, distante 38 quilômetros de Imburana. Esta aldeia, de 4 400 hectares, foi fruto de uma retomada, sendo, hoje, habitada por 9 famílias, entre Tabajara e Kalabaça, e, igualmente, aguardam a regularização da terra indígena.
Entre suas instituições, existem o Conselho Indígena dos Povos Tabajara e Kalabaça de Poranga - CIPO, a Associação de Mulheres Indígenas Tabajara e Kalabaça (AMITK) e a Escola Diferenciada Indígena de Poranga.
Personalidades tabajaras No início do século XVII, duas grandes lideranças tabajaras governavam aldeias na Serra da Ibiapaba, o morubixaba Irapuã e o morubixaba Juripariguaçu. Ambos lideraram a resistência indígena contra as primeiras tentativas de colonização lusitana no Ceará, tornando-se grandes símbolos da cultura tabajara originária da Ibiapaba.
A dupla Índios Tabajaras, formada pelos irmãos tabajaras Antenor (Mussaperê, "terceiro" em língua tupi, por ser o terceiro filho) e Natalício (Herundy, "quarto" em língua tupi, por ser o quarto filho) Moreira Lima, fez sucesso nacional e internacional entre 1942 e 1980, tocando obras de música clássica no violão.Revivendo músicas. Disponível em https://revivendomusicas.com.br/biografias_detalhes.asp?id=126. Acesso em 12 de junho de 2016.
Ver também Capitania da Paraíba Capitania de Pernambuco Povos indígenas na Paraíba Serra da Ibiapaba
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