A Jornada de Cinema da Bahia é um dos mais antigos festivais de cinema do Brasil, sendo voltado para o documentário e para o cinema de caráter social e político.
Primeiras edições A primeira Jornada aconteceu em Salvador, em janeiro de 1972, com o nome de "Jornada Baiana de Curta-metragem", já por iniciativa do documentarista, professor e agitador cultural Guido Araújo (1946-2017), que permaneceu enquanto era vivo como Diretor Geral do evento. As projeções dos filmes aconteceram na Biblioteca Central dos Barris e no Instituto Cultural Brasileiro Alemão (ICBA, mais tarde Instituto Goethe).
Na segunda Jornada, em setembro de 1973, um grupo de cineastas presentes fundou a Associação Brasileira de Documentaristas. A partir daí, nos anos seguintes e até o final da ditadura militar, a Jornada da Bahia tornou-se um foco de resistência do cinema independente e da cultura brasileira contra o autoritarismo.
Internacionalização A partir de 1985, em sua 14ª edição, a Jornada tornou-se internacional, passando a exibir filmes de vários países além do Brasil, com foco na América Latina, Caribe e Europa Ibérica. Nas mostras competitivas, são aceitas produções de curta e média-metragem em 16 e 35 mm (e, nos últimos anos, também em vídeo), além de documentários de longa-metragem.
O Troféu Glauber Rocha foi instituído como principal premiação de cada edição do certame, sendo distribuídos ainda anualmente os "Prêmios Tatu" - Tatu de Ouro para o melhor filme de cada categoria e Tatu de Prata para as categorias técnicas.
Em 1990, com o Plano Collor e a extinção de todo o sistema de apoio à Cultura do país, a Jornada da Bahia não aconteceu, só voltando a ser realizada em setembro de 1991.
Últimas edições e encerramento Em 1998, a 25.ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia manteve o tom de preocupação com a temática social e política nas obras premiadas, tendência que permaneceu no ano seguinte em 1999, quando a Jornada adotou o lema "Por um mundo mais humano", que se manteve até 2001. Os vencedores do "Troféu Glauber Rocha" nos últimos anos foram os seguintes: 1997: "O Enigma de um Dia", de Joel Pizzini Filho (Brasil/SP, ficção) 1998: "Novembrada", de Eduardo Paredes (Brasil/SC, ficção) 1999: "Estou perto", de Sandro Aguilar (Portugal, ficção) 2000: "O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas", de Paulo Caldas e Marcelo Luna (Brasil/PE, documentário) 2001: "A Canga", de Marcus Vilar (Brasil/PB, ficção) 2002: "À margem da imagem", de Evaldo Mocarzel (Brasil/SP, documentário) 2003: "A pesar de todo", de Walter Tournier (Uruguai, animação) 2004: "A Moça que dançou depois de morta", de Italo Cajueiro (Brasil/DF, animação) 2005: "Em trânsito", de Henri Gervaiseau (Brasil/SP, documentário) 2006: "Contracuerpo", de Eduardo Chapero-Jackson (Espanha, ficção) 2007: "Nasija", de Guillermo Rios (Espanha, curta) 2008: "El Circulo", de José Pedro Charlo e Aldo Gray (Uruguai, documentário) 2009: "Karai Norte", de Marcelo Martinessi (Paraguai, ficção) 2010: "Trilogia Urbana: Pólis/Taba/Urbe", de Marcos Pimentel (Brasil/MG, documentário) 2011: "De Corpo e Alma", de Matthieu Bron (Moçambique, documentário).
Em 2012, a Jornada Internacional de Cinema da Bahia se encerrou, atendendo a um desejo do próprio fundador Guido Araújo, totalizando assim 39 edições.
Ver também Lista de festivais de cinema Cinema da Bahia
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