A língua tibetana (; Wylie:་ bod skad), conhecida mais especificamente como tibetano padrão, tibetano central ou dialeto de Lassa, é a variante do ramo tibetano das línguas sino-tibetanas falada pelo povo tibetano, que historicamente ocupou uma vasta área da Ásia Central e do Sul da Ásia, bem como pelos refugiados tibetanos espalhados pelo mundo. Diversas variantes da língua tibetana são faladas por povos no norte do Paquistão e da Índia, áreas como Baltistão e Ladaque, ambas próximas à Caxemira. É muito usada particularmente na literatura budista tibetana, em sua escrita mais tradicional e regional.
Classificação
O tibetano é uma língua tibeto-birmanesa pertencente ao grupo das línguas sino-tibetanas. Lingüisticamente, o tibetano não é muito próximo da língua chinesa, mas está mais próximo desta do que do hindi, assim como o chinês está mais próximo do tibetano do que do japonês, por exemplo. Inclui dezenas de dialetos regionais e ainda sub-dialetos, os quais muitas vezes não são mutuamente inteligíveis.
As reais fronteiras que separam o tibetano de outras línguas da região do Himalaia não são bem definidas. Os dialetos do Tibete central, como Lassa, Kham, Amdo e os de pequenas áreas próximas são considerados como realmente tibetanos. Porém, outras formas de falar como dzongkha, sikkimês, sherpa e ladakhi são consideradas, mais por razões políticas dos seus falantes do que lingüísticas, como línguas separadas.
Falantes
O chamado “grande tibetano”, um idioma que englobaria todos dialetos e formas, é falado por cerca de seis milhões de pessoas no “Plateau” tibetano. O tibetano Lhasa apresenta 150 mil falantes que são exilados vivendo hoje na Índia e em alguns outros países. O tibetano é também falado por minorias de outras etnias que por séculos viveram nas proximidades do Tibete, mas que também falam suas próprias línguas e mantém suas culturas. Os povos Qiangic dos grupos Kham são considerados pelo governo da República Popular da China como tibetanos étnicos, mas os seus idiomas não são geralmente aceitos como dialetos da língua tibetana, mas preferencialmente como parte de um outro ramo das línguas Sino-Tibetanas.
Dialetos
O tibetano compreende diversos grupos de dialetos. Dentro da Região Autônoma do Tibete, China, os principais dialetos são os listados a seguir, os quais são usados para estudos etnográficos e transmissões radiofônicas:
Lhasa/Ü-Tsang: com base no falar de Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete, é também uma língua franca por todo Ü-Tsang; O modo de falar dos tibetanos fora do país é baseado nesse dialeto. Kham Amdo
Abaixo uma lista mais completa dos dialetos:
Tibetano Oeste Arcaico: Dialetos balti - (Paquistão, Índia) Dialetos burig ou purik (India), Dialetos ladakhi (Índia)
Tibetano Oeste Novo: Dialetos ladakhi de Ladakh superior e de Zanskar (India) Dialetos da área da fronteira noroeste da Índia: Lahul, Spiti, Uttarakhand (Ìndia) Dialetos ngari: Tholing (R.A. do Tibete, China: área Ngari)
Tibetanos Centrais: Dialetos ngari (R.A. do Tibete, China: área Ngari); Dialetos da área fronteira norte do Nepal Dialetos tsang (R.A. do Tibete, China: área Shingatsei); Dialetos Ü (R.A. do Tibete, China: área Lhoka, em Lhasa)
Tibetanos do Norte: Dialetos ngari (Gertse), Dialetos da área Nakchu (R.A. do Tibete, China)), Dialetos chineses do sul (Província Qinghai, China, Nangchen)
Tibetanos do Sul: Dialetos de Sikkim (Índia) Dialetos tsang (vale de Tromowa) Dialetos do Butão
Tibetanos do Leste Kham: Dialetos kham da província de Qinghai; Dialetos kham da área (R.A. Tibete, China) Dialetos kham da província de Sichuan, China, Dialetos kham da província de Yunnan, China
Tibetanos do Leste Amdo: Dialetos amdo da província de Qinghai Dialetos amdo da província de Gansu, China, Dialetos amdo da província de Sichuan.
Características
Embora o tibetano clássico aparentemente não seja uma língua tonal, alguns dos dialetos apresentam essa característica, tais como os dialetos centrais, os dialetos khams. Os dialetos amdo e outros do leste.
A morfologia da língua tibetana atual é de natureza aglutinativa, porém o tibetano clássico era fortemente analítico.
Gramática Sintaxe e ordem das palavras
Tibetano é um língua ergativa. Os constituintes gramaticais principais (substantivos, verbos, por exemplo) ficam geralmente no final. Os adjetivos precedem os substantivos; Os objetos, advérbio e adjetivos (para verbos de ligação) precedem os verbos; Um substantivo na forma do modo genitivo precede o substantivo que o primeiro modifica. Pronomes demonstrativos e numerais ficam depois do correspondente substantivo.
Substantivos A língua clássica em sua forma escrita apresenta nove casos gramaticais (declinações), embora alguns gramáticos tibetanos considerem que só há oito casos, como em sânscrito.: Os casos são marcados por Sufixos apostos à raiz.
absolutivo (sem marcação de caso) genitivo (-gi, -gyi, -kyi, -'i, -yi) ergativo / instrumental (-gis, -gyis, -kyis, -'is, -yis) locativo (-na) alativo (-la) terminativo ( -ru, -su, -tu, -du, -r) comitativo (-dang) ablativo (-nas) elativo (-las)
A morfologia do caso é afixada a uma sentença substantiva completa, não às palavras individuais.
Sufixos de nominalização — pa ou ba e ma — são necessários pelo Substantivo ‘’ou’’ pelo adjetivo, apenas em um deles; po ou bo (gênero gramatical masculino) e mo (Gênero feminino) são usados tanto para indicar gênero, como para enfatizar.
O plural é indicado onde necessário pela adição do morfema (-rnams), quando a natureza coletiva da pluralidade deve ser bem caracterizada é utilizado o morfema (-dag). Esses dois morfemas podem ser ainda agrupados (ex.: .rnams-dag ' é um grupo com muitos membro, enquanto que dag-rnams indica 'muitos grupo'). Quando muitas palavras são conectadas numa única sentença, muitas vezes os mesmo requerem diferentes marcações de caso. Nesse caso vale o caso da última palavra da sentença a ser marcada.
Há pronomes pessoais, demonstrativos, interrogativo e reflexivos, assim como um artigo indefinido, o qual é totalmente referente ao numeral “um”.
Verbos
Os verbos não flexionam por pessoa ou número. Porém, há até quatro diferentes formas de raízes verbais, com morfologia originária do sânscrito, conforme os gramáticos tibetanos, embora o exato significado semântico dessas raízes é controverso; o que se chama de “futuro” não é um futuro verdadeiro, mas apresenta um sentido de necessidade ou obrigação: presente (lta-da) passado ('das-pa) futuro (ma-'ongs-pa) imperativo (skul-tshigs)
A maior parte dos verbos tibetanos expressam uma duas condições a seguir: os que expressam de forma implícita ou mesmo explícita o envolvimento de um agente, o que é caracterizado na frase pela partícula (kyis). É a dita categoria tha-dad-pa. os que expressam ações que não envolvem um agente. Chama-se tha-mi-dad-pa. Isso parece ser o mesmo que os conceitos de transitividade e intransitividade das línguas ocidentais, mas os gramáticos tibetanos os consideram como "voluntário” e "involuntário", respectivamente, com base em descrições antigas nativas. A maioria dos verbos “involuntários” não apresenta a forma imperativa;
Muitos verbos apresentam um “Ablaut” ou fusão-transformação de vogais na raiz dentre as quatro formas dessas raízes, de modo que os a ou e do tempo presente tendem a se tornar no imperativo byed, byas, bya, byos 'fazer'); o e do presente vai para a nos tempos passado e futuro (len, blangs, blang, longs 'tomar'); em outros verbos um presente em i passa a ser u nas outras raízes ('dzin, bzung, gzung, zung 'tomar'). Também, as raízes dos verbos se distinguem pela adição de vários prefixos e sufixos, assim temos: sgrub (presents) bsgrubs (passado), bsgrub (futuro) sgrubs (imperativo). Assim o sufixo “s” ao final, se e quando usado, é regular para o passado e para o imperativo. Os demais prefixos específicos são menos previsíveis para certos verbos, embora haja um padrão quase claro para b- como raiz do passado e g- para o futuro, mas o uso não é tão consistente.
Apenas um número bem limitado de verbos apresenta os quatro tipos de formas, alguns têm apenas três, alguns apresentam duas formas e muitos se apresentam de uma única forma. A relativa deficiência é compensada pela adição de auxiliares e prefixos, tanto na linguagem clássica, como nos dialetos contemporâneos.
A forma negativa dos verbos é marcada por duas partículas preposicionadas: mi e ma. Mi é usado para presente e para futuro. A partícula ma é usada no passado e no imperativo, porém apenas no tibetano clássico. No moderno tibetano as proibições não empregam a raiz do imperativo, apenas o presente é negado com ma em muitos casos, por não haver as quatro formações das raízes verbais. Há também um verbo estativo “negativador”, med (não há, não existe), que é uma contrapartida do verbo também estativo yod (existe, há).
Numerais
De forma diferente das demais línguas do leste da Ásia, não há auxiliares numerais ou palavras de medidas para contagem em tibetano, embora palavras que expressam sentidos de coletivos ou de inteiros são usadas depois das dezenas e até, às vezes, para quantidades menores do que dez. Nos trabalhos de natureza científica e astrológica, os necessários numerais, são, como em sânscrito, expressados por palavras simbólicas.
Tipos de linguajar
P'al-skad (Phal-skad): a fala vernacular. Zhe-sa (She-sa) ("fala polida respeitosa"): o estilo mais formal de falar, em especial em Lhasa. Ch'os-skad (Chos-skad) (“linguajar religioso"): estilo literário np qual as Escrituras budistas e outros textos clássicos são escritas.
Substantivos verbos tibetanos apresentam um complexo sistema de formas indicando polidez e graus honoríficos, similar ao que existem em japonês. Assim, há verbos para ações corriqueiras e diárias, que são bem diferentes para se expressar com e entre pessoas de “status” superior”, mesmo com ou sem característica de cortesia,independendo do agente ou da ação. Assim temos: lta 'ver', honor. gzigs; byed 'fazer', honor. mdzad. Quando, porém, não existir raiz honorífica para um determinado verbo, o mesmo efeito é obtido compondo o verbo padrão com uma raiz honorífica genérica, tal como mdzad.
Escrita thumb|right|400px|Texto tibetano.
O alfabeto tibetano é silábico (abjad) como muitos outros alfabetos da Índia e do Sudeste asiático. Cada consoante tem sua vogal inerente /a/. Outras vogais podem ser indicadas pelo uso de uma variedade do Diacríticos colocados acima ou abaixo da consoante. Os conjuntos de consoantes têm seus símbolos próprios. As sílabas são separadas por pontos; tibetano é escrito com um escrita brāhmī, embora alguns habitantes da região de Ladakh escrevam foneticamente com a escrita urdu, com base original na escrita perso-árabe. A escrita urdu ou perso-árabe usada em partes de Ladakh também é usada entre os “Baltis” no Baltistão paquistanês desde que há centenas de anos a escrita tibetana foi eliminada, quando a região adotou o Islamismo; Porém, a crescente preocupação entre os Baltis do Paquistão no sentido de preservar a sua cultura e língua, especialmente para enfrentar a a forte influência panjabi de todo o Paquistão, levou alguns Baltis a um interesse em reviver e fortalecer a escrita tibetana e usá-la lado a lado com a escrita perso-árabe;
Muitas lojas em Skardu, capital do Baltistão, nas áreas do norte da região, começaram a substituir caracteres em escrita perso-árabe por caracteres tibetanos. Os Baltis encararam essa iniciativa não como algo de natureza separatista, mas como uma tentativa de manter, de preservar, aspectos culturais raros e únicos numa região que eles compartilhavam desde época relativamente recente (desde a chegada do Islamismo) na área há alguns séculos com vizinhos como Caxemirenses e Panjabis;
A transliteração "Wylie" é a forma de romanização (transliteração com alfabeto latino) mais usada pelos estudiosos ocidentais. Essa é usada nesta página.