thumb|200px|right|Parte do Kalemegdan, com a Torre de Dizdar em destaque. O Kalemegdan (Kалемегдан / Kalemegdan em sérvio) é o maior parque de Belgrado, capital da Sérvia. Seu nome deriva das palavras de origem turca kale (que significa “fortaleza” ou “castelo”) e megdan (que simboliza “campo de batalha”). Kalemgdan portanto representa "o campo da fortaleza" e denota o território que antecede o forte propriamente dito, no caso, a Fortaleza de Belgrado (Beogradska Tvrđava). No uso corriqueiro, tanto o parque quanto o forte são simplesmente denominados Kalemegdan.

O local abrange um complexo de construções remanescentes do desenvolvimento de Belgrado nos últimos 12 séculos. É possível visualizar desde as primeiras muralhas construídas pelos romanos no século I, o forte erguido no período de Estêvão III Lazarević (quando Belgrado tornou-se capital do Império da Sérvia pela primeira vez) e as sucessivas reformulações conduzidas durante as ocupações otomanas e austríacas.

Singiduno Ainda na pré-história os povos migrantes notaram a posição estratégica da pequena colina que se ergue no cruzamento dos rios Sava e Danúbio, na península balcânica. O ponto permitia uma visão privilegiada dos afluentes e das planícies que se estendem para oeste e norte. Estudos arqueológicos apontam que as primeiras povoações no local da Fortaleza de Belgrado surgiram ainda no neolítico. Celtas instalaram-se nas proximidades durante o século III a. C, porém nenhum indício dessa ocupação foi descoberto no território de Kalemegdan.

Romanos instalaram no local uma fortificação militar no final do , denominando-a Singiduno, uma versão latinizada da palavra celta singidun. Era uma região fronteiriça do Império Romano, cujo limite se estendia ao norte seguindo o Danúbio. O imperador romano Tito Flávio fundou sua quarta legião (exército de cerca de 6 mil homens) na fortificação de Singiduno. No século II, a madeira seria substituída pela pedra como matéria-prima da construção, que então ocupava o que é hoje conhecido como Cidade Alta e parte do Parque Kalemegdan. A presença maciça de militares atraía centenas de artesãos e comerciantes. Em 441, o Singiduno romano foi totalmente devastado pelos hunos, esvaziando a cidade.

Eslavos thumb|250px|right|O Cerco de Belgrado em 1456. Na Alta Idade Média, o Imperador Justiniano, do Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino), determinou a construção de uma grande muralha para cercar Singidinum e protegê-la das invasões bárbaras. Assim como outras localidades de fronteira, a fortificação foi alvo de ataques dos hunos, ostrogodos e samaritanos. Em um segundo momento, foi deu-se a chegada dos eslavos, cuja permanência coincide com o surgimento da palavra Belgrado durante o século IX (o primeiro registro escrito data de 879). No século XI, a cidade virou posto de fronteira do Império Bizantino, e, no século XII, recebeu um novo castelo com guarda militar permanente. Ao final do mesmo século, a cidade foi anexada ao Reino da Bulgária, depois do reposicionamento da fronteira bizantina para o sul.

Sérvios assumiram Belgrado pela primeira vez em 1284, quando Estêvão Uroš II Milutino (1282 - 1321) tomou o local buscando repensar a fronteira com os búlgaros. Estêvão III Lazarević (1389-1427) estabeleceu Belgrado como a capital do Império da Sérvia em 1404, impulsionando o comércio e a vida cultural. Na Cidade Alta foi construído um castelo para o rei, enquanto a Cidade Baixa abrigava o restante da população civil.

Depois da morte de Estêvão III Lazarević, Belgrado e sua fortaleza foram retomados pelos búlgaros, que usariam o ponto para se defender do ascendente Império Otomano. A cidade tinha então o maior forte do Danúbio, que barraria a ofensiva muçulmana na Europa por quase 70 anos. O primeiro ataque ocorreu em 1440, quando a cidade resistiu munida da mesma fortaleza deixada por Tsar Estevão III. Logo seriam implementadas melhorias nos portões e nos pontos de observação para receber e repelir o fulminante ataque de 1456 conduzido pelo conquistador muçulmano , que havia poso fim ao Império Bizantino ao tomar Constantinopla em 1453. A derrota turca, no que ficou conhecido como Cerco de Belgrado, repercutiu por toda a Europa, e Belgrado foi celebrada como a Guardiã do Cristianismo (Antemurale Christianitatis, em latim).

Hasburgos Com a expansão otomana seguindo para o norte, Belgrado perdeu importância e sua fortaleza tornou-se rapidamente obsoleta. Depois do fracasso do cerco de Viena, em 1683, o Império Otomano entrou em decadência, perdeu território, e a antiga Singiduno voltou a ser posto de fronteira (ler Zemun). O forte, incapaz de proporcionar defesa contra a moderna artilharia austríaca, foi conquistado por Maximiliano da Bavária em 1688. No entanto, uma rápida retirada dos hasburgos concedeu a cidade aos turcos já em 1690. Os otomanos, para não repetir o deslize anterior, investiram pesadamente na modernização do forte e, para tanto, contrataram o austríaco foragido Andréa Coronaro. A implementação de anteparos contra a artilharia mostrou-se pouco eficiente já que os germânicos voltaram a ocupar Belgrado em 1717.

O novo administrador fez grandes transformações na bastilha. Foram implantadas os princípios de Voban, criadas pelo marechal e arquiteto francês Sebastian Voban (1633-1707). Uma série de muralhas dispostas em desníveis, formando pontas que remetem a estrelas, começaram a ser construídas e seriam cercados por uma extensa trincheira. Mas, em 1979, a cidade foi recambiada aos turcos, seguindo as determinações do Tratado de Paz de Belgrado, com quase totalidade das edificações recém-erguidas completamente devastadas (a destruição levou cerca de 6 meses). Turcos reconstruíram parte das fortificações, seguindo as técnicas construtivas do inimigo. O resultado é uma fortaleza próxima àquela que existe hoje. Hasburgos voltariam à Belgrado mais uma vez, no final do século XVIII, mas sem promover mudanças significativas na paisagem da cidade.

Sérvios Sérvios tomaram o forte entre 1807 e 1813, durante o Primeiro Levante Sérvio lidarado por Karađorđe Petrović. Turcos renderam a fortaleza definitivamente em 1867 para Mihail Obrenović. Logo, o terreno em frente às muralhas foi transformado em parque – o Kalemegdan. Nas duas guerras mundiais do século XX, a construção perderia a função defensiva, mas seria palco de grandes batalhas. Na Segunda Guerra Mundial, com bombardeios da Luftwaffe e, depois, dos Aliados, alguns setores do Kalemegdan foram seriamente avariados. No pós-guerra, a fortificação foi tombada pelo governo da Iugoslávia.

Hoje, lendas urbanas falam de passagens secretas e túneis que conectam não apenas partes do Kalemegdan, mas quase toda a área central de Belgrado. Sabe-se que algumas galerias da fortaleza estão interditadas para a visitação pública, mas é possível achar guias para conhecer tais conexões em passeios noturnos.

Inventário do Kelemegdan

Monumento de Gratidão à França Monumento ao Vistorioso (Pobednik) Monumento ao Tsar Estevão Portão Karađorđe Portão Stombol (interno) Portão Stombol (externo) Portão Real Portão do Déspota Portão Tsar Carlos IV Portão Vidin Portão Leopoldo Portão Defterdar Museu Militar Museu de História Natural Galeria do Instituto de Proteção dos Monumentos de Belgrado Galeria Cvjeta Zuzorić Torre Sahat Torre Nemanja Castelo Metropoltski Amam Cozinha Militar Igreja Ruzica Capela de Santa Petka Fonte Velha (ou Fonte Romana) Fonte de Mehmed-paša Zoológico de Belgrado Observatório e planetário

Kalemegdan está aberto ao público 24 horas por dia, gratuitamente. Durante o verão (junho a setembro), são realizadas periodicamente festas dançantes ao ar livre dentro do próprio castelo, como a Indie-Go.

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